Boletim da Sociedade Portuguesa de Matemática
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Bento de Jesus Caraça e os Conceitos Fundamentais da Matemática
Bento de Jesus Caraça apontava como um dos seus objectivos fundamentais«a criação de uma mentalidade livre e de tonalidade científica entreos cidadãos portugueses». A criação da Biblioteca Cosmos insere-se precisamentenesta linha. Havia muito «que ele acalentava a ideia de construiruma biblioteca popular a qual, sem deixar de ser científica, fosse concebidae redigida de modo a permitir ao homem vulgar, ao não especialista, tomarconsciência do mundo que o rodeia e principalmente facultar àqueles quenão tinham meios económicos suficientes, bons livros a baixos preços» [3,p. 26].Os Conceitos Fundamentais da Matemática foram publicados nesta colecção,exprimindo a crença de Caraça que a matemática pode ser desfrutadapor todos, desde que apresentada de modo conveniente. Ele sempre explicoua ciência de modo a evidenciá-la como um grande capítulo da vida humana esocial. Em particular a matemática, tendo uma especificidade própria, nãodeixa de ter fundamentos que se inserem, como toda a ciência, na vida real
A Academia Politécnica do Porto (1837–1911), uma breve descrição
A Academia Politécnica do Porto (APP) (1837–1911) foi criada em 13 de Janeiro de 1837, por iniciativa de Passos Manuel, e veio substituir a Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto (ARMCCP). A sua criação trouxe um novo paradigma ao ensino superior que existia na cidade do Porto, passando a evidenciar-se pelos vários cursos de engenharia que foram então instituídos—anteriormente, no essencial, o destaque estava na formação de comerciantes e de marinheiros. «A Academia Politécnica tinha por fim especial o ensino das ciências industriais e destinava-se a formar engenheiros civis de todas as classes, tais como engenheiros de minas, engenheiros construtores, engenheiros de pontes e estradas, oficiais de marinha, pilotos, comerciantes, agricultores e artistas em geral» ([9], p. 93). Contudo, a Politécnica do Porto debateu-se, desde a sua criação, com alguns problemas financeiros (tal como a sua antecessora),dificuldades que se prolongaram até à intervenção de Wenceslau de Lima, lente substituto desta instituição e que seria deputado às Cortes, pela primeira vez em 1882 ([5], p. 405). Este, exercendo a sua influência junto do poder central, mudaria definitivamente o rumo da APP com o Projecto de Lei proposto em 24 de Março de 1885
Estradas para rodas exóticas
No estudo de rodas não-circulares é natural procurar uma estradaque se lhe adapte, isto é, cuja forma garanta que o centro da roda se movesem solavancos. A equação diferencial que descreve essa conexão, entre aroda e a sua estrada perfeita, nem sempre pode ser resolvida explicitamente,mas é possível desenhar uma figura aproximada por integração numérica, porvezes com precisão elevada. Foi o que tentámos obter no caso em que a rodatem o formato de um triângulo de Reuleaux. A animação, elaborada com oprograma Mathematica, permitiu-nos considerar outros formatos de rodas eestradas e, em particular, encontrar a única roda-estrada
Uma recensão italiana dos Princípios Matemáticos de José Anastácio da Cunha
Apresentamos a seguir, com tradução, uma recensão [Brunacci1816 ], referente à «edição» de 1816 e publicada em Itália nesse mesmo ano— mais precisamente, no número de Março–Abril de 1816 do Giornale diFisica, Chimica, Storia Naturale, Medicina ed Arti. O original está disponívelonline em <http://www.google.com/books?id=DFhEAAAAcAAJ&pg=153> (consultado em 17 de Maio de 2011)
Matemática actuarial: Seu ensino nos Institutos Superiores, dos seus inícios a 1930
Em 1931, no recém-criado Instituto Superior de Ciências Económicas eFinanceiras (ISCEF), uma das escolas que compunha a Universidade Técnicade Lisboa, surge pela primeira vez em planos de estudos de cursos de ensinosuperior uma cadeira com a designação «cálculo actuarial». No entanto,assuntos de actuariado eram já ensinados em escolas que antecederam esseinstituto, designadamente no Instituto Superior de Comércio (ISC) e, antesdesse, no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa (IICL). A primeira vezremonta ao IICL, na 28ª cadeira Operações financeiras, integrada no cursosuperior de comércio, e cujo primeiro programa data de 1888. Também noInstituto Industrial e Comercial do Porto criado em 1886 se prevê o ensinodos mesmos assuntos mas nesta exposição não fazemos referência a esseestabelecimento de ensino
A recepção da Economia Matemática em Portugal: de Serafim de Azevedo a Bento Caraça
A economia matemática tem uma tradição relativamente recente em Portugal.No decurso do século XIX existiam já na Europa, e particularmente emFrança, alguns desenvolvimentos nesta área. Pelo pioneirismo e pela relevânciade alguns conceitos introduzidos são particularmente representativosdesta corrente o matemático Antoine Cournot e sobretudo o engenheiro JulesDupuit. O primeiro analisando a determinação dos preços a partir daprocura e da oferta consideradas função do preço e o segundo, um engenheiroda École des Ponts et Chaussés, utilizando funções de procura paradeterminar o excedente do consumidor.Esta linha de análise microeconómica, largamente minoritária, teve algumarepercussão em Portugal, nomeadamente num estudo de Severim deAzevedo (1847–1884). Não que este engenheiro-economista tenha apresentadode forma explícita resultados teóricos mas porque baseou o cálculodas tarifas ferroviárias em perspectivas tributárias dos trabalhos daquelesengenheiros franceses ([1], [3])
A Matemática na Academia de Ciências de Lisboa
Referido, de forma breve, o nascimento das academias científicas da era moderna, em particular da Academia das Ciências de Lisboa, em 1779, e o impacto que esta teve, entre nós, na alteração da cultura tradicional da época, toda voltada para as belas letras, passaram a ser indicadas as memórias mais notáveis dos académicos matemáticos publicadas pela Academia no primeiro século da sua existência
A Faculdade de Mathematica da Universidade de Coimbra (1772–1820): Um ensaio estatístico
A Reforma da Universidade de Coimbra (1772) é a concretização de um plano intentado por um grupo de homens que, sob a égide e comando do Marquês de Pombal (1699–1782), tinha como finalidade sintonizar Portugal com as ideias iluminadas da Europa e encaminhá-lo na direcção do progresso e das ciências. Com a Reforma Pombalina da Universidade, vê-se criado, em Portugal, o ensino das chamadas ciências exactas em moldes completamente novos. São criadas de raiz as novas Faculdades de Matemática ede Filosofia Natural e reformada radicalmente a Faculdade de Medicina (os Estatutos Pombalinos dedicam o seu 3º vol. a estas 3 Faculdades de «Sciencias Naturaes»). Pretendemos aqui dar a conhecer uma série de indicadores estatísticos no diz respeito ao corpo discente e docente, durante os primeiros 50 anos de vida da «Faculdade de Mathematica» (1772–1820)
Juan de Herrera, arquitecto real y matemático
Juan de Herrera, a lo largo de sus muchos años al servicio de Felipe II — Felipe I en Portugal —, llegó a alcanzar un gran prestigio, no sólo co- mo arquitecto-ingeniero, sino también como matemático. Fray Juan de San Jerónimo en sus Memorias le define como arquitecto, matemático e ingeniero de las obras de Su Majestad; Cristóbal de Rojas, en el prólogo de su Tratado de fortificación, publicado en 1598, le dedica palabras extremadamente elogiosas «varón en las ciencias matemáticas tan excelente, que no menos puede España preciarse de tal hijo que Sicilia de Archimedes, y Italia de Vitruvio. . . » Y también es alabado por científicos extranjeros, como el germano-italiano Clavio, quien en su libro Geometria practica (Maguncia, 1606) se refiere a Herrera como el célebre y noble arquitecto y matemático español
Notas sobre o Problema anterior e A cadeira da noiva
Elevadores malditos (problema anterior). A cadeira da noiva (problema deste número)