Portal de Periódicos da UNICAP
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TEORIAS DE GÊNERO EM DIÁLOGO: APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS ENTRE JUDITH BUTLER, JUDITH PLASKOW E MARCELLA ALTHAUS-REID E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O CAMPO DA TEOLOGIA E DA RELIGIÃO
O presente trabalho se propõe a observar os possíveis desafios colocados pelas reflexões de Judith Butler às propostas de Judith Plaskow e de Marcella Althaus-Reid. Compreende-se que, devido ao caráter plural das teorias de gênero e dos diferentes lugares de onde partem (filosofia, teologia, sociologia), as discussões de Butler, Plaskow e Althaus-Reid são independentes e as relações entre elas não acontecem de maneira linear ou direta. Neste sentido, são apresentados apontamentos que evidenciam distanciamentos e aproximações entre os pensamentos das autoras, a fim de avaliar de que forma impactam a produção do conhecimento na área da Teologia e da Religião
Caminata sinodal del pueblo de Dios (en Chile)
Reviso clamores por justicia y solidaridad, y procesos ejemplares como los autoconvocados sínodos de 2019 y 2020, y la corriente mujeres-iglesia Es un quehacer con raíces históricas en diversas culturas, y con implicancias a nivel local y global. Examino signos sociales y espirituales que se refieren al Reino de Dios, sueños de una iglesia de comunidades fieles al Espíritu, y programas de acciones en redes cristianas. Las insurgencias del laicado, de la mujer, de nuevas instancias, van delineando el caminar de personas apasionadas por el Evangelio e indignadas ante abusos de poder
O Futuro de Hegel e o Método Dialético: Homenagem aos 250 anos de Nascimento de Hegel
Ao comemorar-se 250 anos de nascimento de Hegel (1770 – 2020) emergem muitas perguntas sobre o seu legado filosófico. Uma questão incontornável é sobre o futuro de Hegel na filosofia e nas ciências. Uma primeira constatação é que o real já contém em si a ideia do bem realizada, o que não significa que o conceito do bem já esteja efetivado plenamente. Em outras palavras, isso significa que as figurações e as determinações lógicas estruturam a realidade em sua totalidade, o conceito e o tempo são coextensivos e sempre abertos para novas figurações e novas determinações históricas. Por isso, o futuro de Hegel é seu método dialético que está posto no coração da lógica e do real como o pulsar da contradição que move tudo e todos. Enfim, explicitamos de modo sistemático os momentos e o movimento do método tal como ele é explicado por Hegel na Ideia Absoluta. O futuro de Hegel já está presente na história da filosofia e no diálogo interdisciplinar como contradição a transformar todo o real para a verdade de seu conceito
Considerações Acerca do Ser (Ens) (Sein) em Aristóteles e Hegel: Um Diálogo Possível
O artigo tece considerações sobre o ser em Aristóteles e Hegel, partindo de aspectos fundamentais da metafísica de ambos os autores, para encontrar pontos de convergência entre eles. Inicia com a apreciação da substância e da essência em Aristóteles. Na sequência, discorre acerca do ser enquanto qualidade, a primeira parte da Ciência da Lógica hegeliana, com os momentos de ser puro, ser determinado e ser infinito. Ao final, expõe que Hegel se apropria da divisão da realidade em categorias e enquanto fonte de conhecimento, bem como da potência aristotélica para o movimento dialético. Os métodos de abordagem são o dedutivo e o dialético. O método de procedimento é o comparativo. Por fim, o método de interpretação é o exegético
A Região Metropolitana de Florianópolis embaixo d’água: o desastre de dezembro de 1995 nas páginas do jornal O Estado
Apesar de Santa Catarina ser reconhecida na mídia nacional como um estado onde ocorrem grandes desastres socioambientais, geralmente aqueles provocados por inundações são relacionados apenas à mesorregião do Vale do Itajaí, desconsiderando o significativo histórico de desastres que possuem as demais regiões. Entendemos os desastres como acontecimentos complexos, que reúnem em si dimensões naturais, sociais e culturais. Dessa forma, neste artigo, buscamos compreender a interação entre humanos e ambiente na Região Metropolitana de Florianópolis, através da análise das matérias publicadas no periódico "O Estado" sobre o desastre de dezembro de 1995. Neste sentido, identificamos de que forma este evento foi retratado, afim de perceber, sobretudo, quais fatores e/ou sujeitos foram apontados como causadores do desastre. Analisar tal aspecto a respeito da visão da sociedade sobre o desastre de 1995, por meio de matérias jornalísticas, contribui para entendermos em que medida a imprensa local colaborou para o reforço da dicotomia humanos/natureza nos anos 1990
Rios, barragens, matas ciliares e o mito da restauração da natureza prístina
Analisa-se neste artigo a permanência de concepções como a de “mata ciliar” na legislação ambiental, nas medidas mitigadoras dos impactos ambientais, nas concepções de movimentos ambientalistas e, também, em pressupostos de pesquisas científicas relacionadas a lagos artificias. Essa noção só seria passível de ser aplicada à realidade ambiental pretérita. A represa de Capivara, no rio Paranapanema (PR/SP) e o seu reservatório de aproximadamente 560 km² são utilizados para a demonstração das transformações ambientais que uma barragem provoca na dinâmica natural de um rio. São alterados os tempos biológicos e históricos, as dinâmicas da economia natural do rio, como correnteza, margens e espécies de peixes e animais, constituindo uma máquina orgânica
A COMISSÃO PASTORAL DA TERRA EM PERNAMBUCO: TENSÕES E DESCONTINUIDADES (1988-1998)
Analiso a atuação da Comissão Pastoral da Terra-CPT na Zona Canavieira de Pernambuco como uma experiência fortemente permeada por confrontos e rupturas, tanto no meio eclesial quanto na esfera social e política. Sua trajetória era, de fato, constantemente marcada pela crise, pela dissensão e pelo conflito, embora perdurasse seu vínculo com a igreja e carregasse em seus métodos influências de movimentos católicos anteriores. Sendo assim, com base, sobretudo, em matérias de jornais locais, entrevistas e documentos produzidos por ela, discuto alguns momentos, ao longo dos 10 anos que se seguiram a sua criação, em que estas questões estavam presentes e a maneira como influenciavam suas ações e concepções. Considero que sua história na região não pode ser compreendida sem essas experiências que formavam a sua prática e faziam dela um ator social engajado na luta por terra. Tivesse à época a CPT e aqueles que a compunham uma trajetória menos marcada pela discordância, teria ela, ainda hoje, a mesma autonomia e disposição aos embates no campo? Nem organização subordinada à igreja, tampouco movimento social, tratava-se fundamentalmente de um ator político que construía seu espaço no cenário local, alcançando poder de ação, relevância e visibilidade. Para subsidiar meu argumento central, dialogo com o conceito de campo de Bourdieu e com algumas reflexões da História Política
A LUTA DAS TRABALHADORAS DOMÉSTICAS, A IGREJA DOS POBRES E O FEMINISMO POPULAR: A FORMAÇÃO DE UM CAMPO POLÍTICO CONTADA A PARTIR DA TRAJETÓRIA DE LENIRA CARVALHO
Lenira Carvalho é uma trabalhadora doméstica engajada na organização sindical desta categoria. Inicia sua militância na experiência da Igreja dos Pobres, no Recife e em Olinda, mais precisamente no cristianismo da libertação desenvolvido a partir da Juventude Operária Católica (JOC). Neste artigo, a partir de registros biográficos escritos em momentos diferentes da sua trajetória (1982, 2000 e 2008), desenvolvemos reflexões sobre (1) a forma como o contexto de pandemia lança luz sobre aspectos centrais da luta das trabalhadoras domésticas e os impasses que esta categoria segue enfrentando para a garantia dos seus direitos, (2) a aproximação entre a luta das trabalhadoras domésticas e a Igreja dos Pobres e (3) a formação do campo feminista popular no Brasil. Na análise das reflexões de Lenira Carvalho sobre seu processo de formação política, articulamos a sua trajetória à formação do campo feminista popular no Brasil, discutindo as múltiplas influências presentes na formação deste campo
IGREJA DOS POBRES E CRISTIANISMO DA LIBERTAÇÃO NO NORDESTE: EXPRESSÕES ONTEM E HOJE
A relação da Igreja Católica com a sociedade sempre foi muito evidente, tanto no sentido de sofrer as influências advindas da moldura social, quanto procurando estabelecer os contornos dessa moldura. Na América Latina, a história dessa relação guarda um capítulo emblemático: a experiência da “igreja dos pobres”, que ganhou impulso após a Conferência de Medellín (1968). Um importante desdobramento da “igreja dos pobres” foi a experiência do Regional Nordeste II, da CNBB, que, tendo Dom Helder Camara como figura mais expressiva, foi capaz de vivenciar uma prática eclesial preocupada em reconfigurar a injusta moldura que contornava a sociedade na segunda metade do século XX. No mundo de hoje, em um contexto de fortes mudanças culturais e religiosas, reconhecidas nas formas de expressão da fé, de pluralismo religioso, de desinstitucionalização das religiões, de vivências individualizadas da religião, de bricolagem de crenças e de uma religiosidade secularizada, o que ainda ressoa, daquela experiência, na igreja e na sociedade? O dossiê receberá estudos e pesquisas que enfoquem a herança desse modo de ser igreja e como podem ser evidenciadas suas contribuições à esfera pública na sociedade contemporânea
MEMÓRIAS DE EVANGELIZAÇÕES JUNTO AOS POBRES NA DIOCESE DE PORTO NACIONAL- TO (1978-1985)
Neste artigo apontamos para o envolvimento de padres e freiras em atividades religiosas na Diocese de Porto Nacional -TO, cuja proposta era a defesa de trabalhadores atingidos por políticas agrárias que os excluíam do acesso à terra. Para a compreensão desse envolvimento, em muito afinado com os pressupostos religiosos do Vaticano II, fizemos uso de entrevistas orais, na perspectiva da História Oral. Como método ou como técnica de pesquisa, a História Oral tem sido utilizada por sociólogos, antropólogos, historiadores e vários cientistas sociais que fazem a opção pelo enfoque qualitativo, na busca de esclarecer elementos históricos não privilegiados em pesquisas documentais. As entrevistas com as pessoas que presenciaram ou testemunharam acontecimentos ou conjunturas são formas de se aproximar e ampliar os objetos de estudos sobre religiões. Por meio de relatos de experiências de envolvimento naluta pela terra e, de anúncio de um evangelho coerente com a opção pelos pobres, o catolicismo engajado em questões sociais buscou inserção entre os fiéis em um processo de valorização do catolicismo praticado em regiões interioranas