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DE SÃO JOSÉ DE BOTAS AO CARPINTEIRO DE NAZARÉ
No trabalho que ora se apresenta, abordar-se-á a leitura da estética devocional masculina de São José, enquanto polissêmico, no que diz respeito a sua transmutação que perpassa desde a figura que enverga as botas como parte de uma composição característica do imaginário barroco até aquele que possui como atributo um serrote, ou seja, de pai amoroso de Jesus ao Operário de Nazaré. Num estudo que dialoga diretamente com a religiosidade popular, verificar-se-á a aproximação entre o homem e o sagrado materializado. A interação nesse contexto dar-se-á essencialmente quando o devoto se identifica com o seu patrono, até no primeiro de maio, quando mundialmente festeja-se o dia do trabalhador, e também desse operário que ora pertence a uma casta intocável, ora se faz presente ao lado dos que lutam por melhores condições de vida e de trabalho. Com pesquisa feita a partir do estudo iconográfico à luz do imaginário e da revisão bibliográfica presente nas Ciências das Religiões
RELIGIÃO E RESISTÊNCIAS: OS AFRO-BRASILEIROS E A PERSEGUIÇÃO
Nos últimos trinta anos, o movimento político - que valoriza a negritude e seus símbolos culturais - tomou força desenvolvendo diversas formas de intervenção e de atuação junto ao espaço público. Entre esses marcadores de singularidades, as religiões afro-brasileiras desempenham um papel importante. No entanto, apesar de a relação entre religiões afro-brasileiras e identidade negra não ser necessariamente obrigatória, essa vinculação vem sendo utilizada pelo Estado através das políticas de promoção da igualdade racial, favorecendo a inserção dessas religiões na cena pública. No entanto, também sabemos que as práticas das religiões afro-brasileiras são historicamente alvo de perseguições. Adeptos das religiões afro-brasileiras têm denunciado sistematicamente ao Ministério Público as violações de seus direitos, exigindo o cumprimento da Constituição Brasileira no que diz respeito à liberdade de crença e credo. Nesse sentido, pretendemos discutir, no âmbito do mercado de consumo da fé, como os devotos afro-brasileiros agem no enfrentamento aos ataques sistemáticos de neopentecostais que agenciam seus discursos e práticas de controle e discriminação. No combate em busca de conquistas de mais consumidores/fiéis, essas religiões lançam uma gama variada de estratégias, desde ocupação dos meios de comunicação de massa, do proselitismo ambulante até a demonização, apedrejamento, destruição de territórios religiosos e outras formas de violência e negação da diversidade religiosa. Por esse caminho, acreditamos poder ampliar a compreensão da forma de atuação política desses segmentos da sociedade, sobretudo a maneira como podemos garantir o direito e o respeito à existência da diferença, da pluralidade, das alteridades
NIETZSCHE E LEO STRAUSS: PERSPECTIVISMO MORAL E PENSAMENTO POLÍTICO
O presente artigo tem como propósito mostrar que, na interpretação do filósofo político teuto americano Leo Strauss, o perspectivismo nietzschiano é uma concepção filosófica complexa, que atua em duas dimensões diferenciadas. Por um lado, o perspectivismo de Nietzsche aparece como a elaboração de uma visão relativista e iconoclasta da moralidade, que propugna a ideia de que todas as “verdades” morais e metafísicas são meras “interpretações” ou criações humanas, cujo significado é, pois, historicamente condicionado, por outro lado, esse mesmo perspectivismo pretende ser a descoberta de uma verdade que transcende todas as “verdades” históricas, vale dizer, a descoberta de uma verdade inumana, que, situada para além do bem e do mal, ultrapassa todas as verdades forjadas pelo pensamento humano. Para Strauss, tal verdade, tem a ver com a descoberta do caráter absurdo, imoral e irracional da existência – uma descoberta terrível, letal e devastadora, cuja visão é insuportável para os homens. Diante desses elementos, o pensamento nietzschiano teria sido conduzido à ideia de que as verdades morais, apesar de fictícias, são necessárias ao homem, na medida em que elas são responsáveis pela manutenção de uma atmosfera protetora da existência, sem a qual a vida em sociedade seria insustentável.Palavras-chaves: Verdade; Moral; Perspectivismo; Strauss; Nietzsch
A PRIMEIRA RECEPÇÃO DE NIETZSCHE NO BRASIL PELA ESCOLA DE RECIFE
A Faculdade de Direito de Pernambuco é o ponto inicial da recepção brasileira de Nietzsche. A Escola de Recife surge de um movimento intelectual dentro da faculdade pernambucana que, entre seus objetivos, busca construir uma identidade cultural nacional que se distancie do predomínio europeu. Em meio a esse movimento, encontramos a citação explícita mais antiga do filósofo alemão que nos leva ao texto de Tobias Barreto de 1876. Nesse período, muitas obras que fariam parte da formação de alunos vindouros, como José Oiticica e Gilberto Amado, são adquiridas pela instituição pernambucana
POR UMA GUERRA RETÓRICA
Neste artigo, pretendemos discutir algumas questões em torno da guerra dos espíritos nietzschiana. Para tal, desenvolveremos o tema expondo diversas metáforas sobre guerra usadas por Nietzsche. Parece-nos que se trata de uma guerra retórica, isto é, travada pelos diferentes pensamentos
“Água fonte de vida”: a Festa da Virgem do Ivaí - PR
Na última década do século XXI, a Festa de Nossa Senhora das Águas no norte do Paraná tem-se tornado uma das celebrações religiosas mais representativas do Es-tado. Justamente pelo fato da dimensão que tal festividade atingiu no município Ivatuba, espaço geográfico circunscrito à cidade, posteriormente, ampliado às pe-quenas urbes que cresceram às margens do rio Ivaí. Para compreendermos a Inven-ção dessa Tradição e como a mesma representa os anseios da comunidade católica local, nos concentraremos nos pressupostos de Hobsbawn (1984) e de Roger Char-tier (2002). O núcleo documental desse artigo reúne dois tipos de fontes: narrati-vas orais (entrevistas e depoimentos) e discursos imagéticos, cujas análises estão embasadas, principalmente, nas proposições de Alessandro Portelli (2004) e Peter Burke (2004). Na segunda parte do artigo, atentaremos para análise do rito “procissão” presente na festividade, observando a dualidade sacra e profana
OLTRE LE BARRIERE CONFESSIONALI: VITA MONASTICA E UNITÀ DELLA CHIESA
La comunità di Taizè ha giocato un ruolo fondamentale nella promozione del dialogo ecumenico della seconda metà del XX secolo, attraverso una serie di contatti personali; il saggio presenta, attraverso la citazione di documenti inediti, una parte di questi contatti, prima del Concilio Vaticano II, tra la comunità di Taizè, papa Pio XII e Grottaferrata
A MAÇONARIA EM PERNAMBUCO E AS CONDIÇÕES DE ESCRITA DE SUA HISTÓRIA
O presente trabalho trata das atuais condições de escrita da história da maçonaria em Pernambuco, destacando as abordagens mais em voga, as fontes impressas, orais, imagéticas e virtuais hoje disponíveis aos pesquisadores do tema. No trabalho, também procuramos destacar alguns posicionamentos historiográficos acerca dos estudos da maçonaria no Brasil e aspectos mais centrais de sua atuação na sociedade
PARA REFORMAR A REFORMA: EM BUSCA DE NOVAS LÓGICAS PARA O DIÁLOGO ECUMÊNICO E INTER-RELIGIOSO
O presente ensaio quer aproveitar o clima de releituras da Reforma Protestante para testar o nosso referencial teórico: em que medida as ideias de História como interpretação engajada, de Complementariedade nos "entre-lugares" culturais, e de uma Lógica do "terceiro incluído", que temos utilizado e revisado em nossa pesquisa e engajamento, podem ajudar a repensar a Reforma em termos mais complexos e para além das contradições aparentes do seu processo.Palavras-chave: Reforma. Ecumenismo. Ciências da Religião
EXPEDIENTE / MASTHEAD
Paralellus UnicapEditor-GerenteProf. Dr. Luiz Carlos Luz MarquesUniversidade Católica de Pernambuco, UNICAP-PERua Almeida Cunha, 245, Sala C1, 8º andar do Bloco G4CEP: 50050-480, Boa Vista, Recife - PE - Brasil E-mail: [email protected] ADMINISTRAÇÃO SUPERIOR DA UNICAPPresidentePe. Miguel de Oliveira Martins Filho, S.JReitorProf. Dr. Pe. Pedro Rubens Ferreira Oliveira, S.J.Pró-ReitoriasPró-Reitora AcadêmicaProfª. Drª. Aline Maria GregoPró-Reitor AdministrativoProf. Msc. Luciano José Pinheiro BarrosPró-Reitor ComunitárioProf. Dr. Pe. Lúcio Flávio Ribeiro Cirne, S.J.Coordenação Geral de Pós-graduaçãoProfª Drª. Maria Cristina Lopes de Almeida AmazonasCoordenador do Programa em Pós-Graduação em Ciências da Religião da UNICAPProf. Dr. Newton Darwin de Andrade Cabra