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FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO CRISTÃO E ISLÂMICO: TENDÊNCIAS SOCIOPOLÍTICAS
Nas últimas décadas se observa o retorno da religião sob forma de fundamentalismo religioso, utilizando a mídia e instrumentos de pressão política para fazer valer suas crenças, pois diante do receio ao questionamento, os fundamentalistas veem no “outro”, no diferente, uma ameaça a ser combatida e, em alguns casos, extirpada para preservar suas convicções. O presente estudo tem por objetivo discutir as tendências sócio-políticas do fundamentalismo religioso cristão. Para tanto, com método bibliográfico narrativo, visitamos alguns autores em nível nacional e internacional, que abordam as condições que fizeram emergir o fenômeno social do fundamentalismo religioso, sua estruturação e atuação, até suas demandas sócio-políticas. Os resultados apontam que quando se identifica e transfere qualquer responsabilidade pessoal e histórica para as forças externas, o “outro”, entendido como pessoa e/ou instituição, não podemos negar que esse processo alcança dimensões de problema social. Notamos algumas tendências como mudança de movimento religioso para ideologia acirrada, da postura de fiel para militância, do “ad intra” das religiões para demandas “ad extra”, dos altares e púlpitos para ocupações políticas.Palavras-chave: Fundamentalismo Religioso; Protestante; Católico. CHRISTIAN RELIGIOUS FUNDAMENTALISM: SOCIAL-POLITICS TENDENCIESAbstractIn the last decades the return of religion in religious fundamentalism form can be observed, using media and instruments of political pressure, because when facing the fear of questioning, fundamentalists see in the “other”, in the different, a threat to be stopped and, in some cases, extirpated top preserve their convictions. This study aims to discuss the social-politics tendencies of the Christian religious fundamentalism. For that, with the narrative bibliographic method, we visited some authors of national and international level, that approach the conditions that caused the emergence of the religious fundamentalism social phenomenon, its structure and role, until its social-politics demand. The results show that when any personal or historical responsibility is identified and transferred to external forces, the “other”, understood as person and/or institution, we cannot deny this process reaches dimensions of social problem. We notice some tendencies such as the change of the religious movement to fierce ideology, from the posture of faithful to militancy, from “ad intra” of religions to “ad extra” demands, from the altars and pulpits to political positions.Keywords: Religious Fundamentalism; Protestant; Catholic
Amazônia (s): Permanente colonialidade versus Ecologia integral
O pano de fundo deste artigo é a celebração do Sínodo Panamazônico a se realizar em outubro de 2019. Sua trama, o nítido conflito entre dois paradigmas irreconciliáveis: “permanente colonialidade” e “ecologia integral”. O primeiro, apesar de hegemônico, tem apresentado visíveis sintomas de adoecimento. Posto que emergente, o segundo encontra-se em processo de gestação. É nosso intuito, num primeiro momento, explicitar as vicissitudes pelas quais vem atravessando a região amazônica desde a conquista e exploração colonialistas até os dias que correm, situando-as no bojo de um processo que se tem caracterizado por uma “permanente colonialidade”. Em seguida, analisaremos três das principais “invenções” da Amazônia, excogitadas pela Modernidade Colonial, que continuam vigentes: mata virgem, vazio demográfico e integridade nacional. Trata-se de construções ideológicas cujo objetivo é justificar discursos e práticas colonialistas e “entreguistas”, em prejuízo dos direitos básicos das populações que vivem na Amazônia. E, ao final, apresentaremos a proposta feita pelo papa Francisco na Laudato Sì’, publicada em maio de 2015, de uma ecologia integral enredada em torno a três nós interconectados: 1) a índole mistérica e complexa do real; 2) uma nova epistemologia: reconhecer, compreender e curar; 3) a consciência de que desafios complexos demandam práticas e saberes integrais. E a conclusão à qual chegamos é a de que, a partir da integralidade constitutiva da fé cristã, buscaremos discernir e reconhecer a complexidade inerente à vida e corresponder a ela mediante propostas e iniciativas igualmente integrais. É com esta específica atitude, portanto, que nos inserimos no processo em curso de preparação ao Sínodo
A “Mansidão Cristã”, Princípio Regulador na Aplicação do Poder Coercitivo por Parte do Estado, Segundo Santo Agostinho
Baseado no princípio ontológico da “Vera Justítia”, ou da “Divina Ordem”, segundo a qual é justo que se “subordine as coisas somente as dignas, as corporais às espirituais, as inferiores às superiores, as temporais às sempiternas” (Ep., 140), Agostinho introduz em sua doutrina ético-política o conceito de poder coercitivo, não como um bem em si, ou um fim em si mesmo, mas apenas como instru-mento prático garantidor da “pax temporalis”, na Civitas, de forma que, punido pelo reto ou justo castigo, o pecador possa retornar à Ordem e assim alcançar a Vida Eterna. Para tal, enquanto meio, e não fim, todas as formas de castigos por ele admitidos não têm um caráter de perseguição, vingança ou sadismo, mas de correção e reintegração do pecador na Ordem, por isso devem ser guiados pela cari-dade ou “mansidão cristã”, de forma que haja, antes de mais nada, tolerân-cia para com o pecador no uso do poder coercitivo
O filme “O sequestro” (1981) e o cinema policial como meio de crítica política durante a abertura do regime militar brasileiro
O presente artigo busca analisar o filme “O sequestro” (1981), de Victor Di Mello, em diálogo com outros exemplares do gênero policial lançados no mesmo contexto histórico, marcado pela transição da Ditadura Militar para a Democracia no Brasil. São eles: Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Eu matei Lúcio Flávio (1979), República dos assassinos (1979), Pra frente, Brasil (1982) e A próxima vítima (1983). Todos apresentam críticas à polícia e, em graus variados, à política da época. O artigo aborda a construção dessas críticas e, em sua segunda parte, como elas foram recebidas pela Censura nesse momento transicional. Para isso, são destrinchados os processos censórios dos filmes em concomitância com discussões sobre o funcionamento da Censura às artes no Brasil
Segurança jurídica no ultramar: Domingos Jorge Velho, Conselho Ultramarino e o contrato de guerra aos Palmares
A guerra aos Palmares consumiu energia, tempo e recursos do governo de Pernambuco na segunda metade do século XVII. Foi apenas após a entrada da tropa de Domingos Jorge Velho no conflito, a partir de 1687, firmando contrato de guerra com o então governador da capitania João da Cunha Sotto Mayor, que o conflito se encaminharia para o seu fim. O objetivo do artigo é analisar esse contrato de guerra e o papel que ele teve no momento posterior ao fim do embate, que ocorreu em 1694. Discutiremos a importância que o documento teve, assim como o Conselho Ultramarino, como instrumento de negociação para o sertanista no que tocava às promessas realizadas antes da sua entrada na guerra. Mesmo sem produzir a garantia de que seriam remunerados em seus pleitos, pretendemos demonstrar como aquele Conselho representava, no contexto mais geral da monarquia portuguesa da segunda metade do século XVII, importante espaço de garantia jurídica para os súditos portugueses do ultramar
As Ciências Humanas e o Tempo Presente: Uma Abordagem do Ponto de Vista da Filosofia e da História
História, ambiente e povos indígenas no extremo Norte do Brasil: Impactos da construção da BR-156 em Oiapoque, Amapá (1976-1981)
O artigo apresenta um estudo sobre o conflito causado pela construção da rodovia BR-156 onde, atualmente, é a Terra Indígena Uaçá, habitada por indígenas Palikur, Karipuna e Galibi Marworno em Oiapoque, Estado do Amapá, Brasil. O objetivo foi analisar as mobilizações desses povos em torno da proteção de seus territórios e as discussões com os agentes do Estado no período da Ditadura Civil-Militar, entre os anos de 1976 e 1981. Foi utilizado o conceito de conflito socioambiental, definido pela Antropologia como disputas entre grupos sociais que se relacionam de diferentes maneiras com o meio natural, envolvendo três dimensões básicas: o mundo biofísico e seus múltiplos ciclos naturais, o mundo humano e suas estruturas sociais e o relacionamento dinâmico e interdependente entre esses dois mundos. No caso da BR-156, o conflito se dá pela intervenção do Estado na região do Uaçá para atender a interesses desenvolvimentistas, enquanto os povos indígenas da região lidaram com os impactos diretos da obra. As principais fontes analisadas foram artigos dos periódicos Boletim do CIMI e Mensageiro, que apresentam forte defesa em relação às demandas indígenas. Assim, a partir do estudo, foi possível perceber que, durante a Ditadura, o processo de construção da BR-156 foi marcado por pressões, imposições e ameaças por parte do governo, que teve como resposta a organização e a resistência dos habitantes da TI Uaçá em defesa de seus territórios