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O CORPO QUESTIONADO: CONSIDERAÇÕES ACERCA DA PARTICIPAÇÃO DE TRANSGÊNERAS/OS NAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS
Dentre os estudos de gênero e sexualidade já são consolidadas as distinções e autonomias entre o sexo biológico, as sexualidades e as expressões de gênero, todavia, no meio popular existem distorções acerca da temática. No âmbito das religiões afro-brasileiras verifica-se, em alguns casos, a corelação entre sexo biológico e a participação na ritualística afro, bem como a não distinção entre gênero e sexualidade. Dessa forma, a população transgênera pode sofrer exclusões em algumas casas/terreiros por não terem reconhecidas as suas expressões de gênero, sendo considerado somente o sexo biológico. Ou seja, mesmo reivindicando o gênero feminino, as mulheres transgêneras não podem exercer papeis/cargos destinados às mulheres ditas cisgêneras. Não existe uma compreensão uníssona sobre a participação da população transgênera nas religiões afro mas, em determinados casos, verifica-se um processo de exclusão e invisibilidade dessas pessoas. Assim, necessário se faz o debate dessa temática para compreender o processo de inclusão/exclusão dessa população na religião
Religião e política no Brasil nas primeiras décadas dos anos 2000: o protagonismo dos evangélicos
Fenômenos interligados entre si e relacionados aos quadros sociocultural e político brasileiros delineados nas primeiras décadas dos anos 2000, colocaram os evangélicos (o segmento cristão não-católico romano e não-ortodoxo) em evidência no cenário do país. Trata-se do fortalecimento do grupo pentecostal, da intensa ocupação de mídias tradicionais e digitais, do crescimento do mercado gospel, da ocupação de espaços nos poderes executivo, legislativo e judiciário nos diferentes níveis do Estado, da emergência de um ativismo político dos fiéis. Identifica-se neste contexto uma nova face do conservadorismo religioso, um neoconservadorismo, na forma de reação a transformações socioculturais experimentadas no período com a abertura e a potencialização de políticas públicas voltadas para direitos humanos, em particular os de gênero. Três elementos emergem da observação destes fenômenos: a reconfiguração do lugar dos evangélicos brasileiros na política; a emergência de novas expressões de fundamentalismos no Brasil contemporâneo; as transformações na relação entre mídia e religião. A proposta deste estudo é refletir sobre estes três temas referenciando-o nos aportes teóricos das ciências da religião e na interface comunicação e política
A árvore da vida no Apocalipse: manutenção de uma nova vida
A imagem da árvore da vida desperta curiosidade pelo poder atrelado a ela na tradição bíblica. No Apocalipse canônico, a imagem é mobilizada propositadamente em um texto repleto de simbolismos e referências mais ou menos discretas a textos do Primeiro Testamento. Primeiramente, o presente estudo considera o imaginário da árvore da vida (disponível no século I d.C.) em ambiente judaico, o qual é inaugurado pela presença do espécime no Gênesis e, posteriormente, reforçado e tornado mais complexo por suas aparições em diferentes textos do arquivo judaico. Em seguida, tendo em mente o discutido anteriormente, são abordados organizadamente os quatro trechos do Apocalipse em que figura a árvore da vida. Conclui-se, por meio dessa pesquisa bibliográfica em fontes antigas primárias e em fontes secundárias, que a árvore da vida aparece no Apocalipse com o objetivo de assegurar ao ouvinte a doação e manutenção da vida mediante Cristo. Isso se destaca pela concepção comum da interdição do acesso a essa mesma árvore a partir do relato de Gênesis, a qual é evocada em outros textos considerados ao longo do estudo.A imagem da árvore da vida desperta curiosidade pelo poder atrelado a ela na tradição bíblica. No Apocalipse canônico, a imagem é mobilizada propositadamente em um texto repleto de simbolismos e referências mais ou menos discretas a textos do Primeiro Testamento. Primeiramente, o presente estudo considera o imaginário da árvore da vida (disponível no século I d.C.) em ambiente judaico, o qual é inaugurado pela presença do espécime no Gênesis e, posteriormente, reforçado e tornado mais complexo por suas aparições em diferentes textos do arquivo judaico. Em seguida, tendo em mente o discutido anteriormente, são abordados organizadamente os quatro trechos do Apocalipse em que figura a árvore da vida. Conclui-se, por meio dessa pesquisa bibliográfica em fontes antigas primárias e em fontes secundárias, que a árvore da vida aparece no Apocalipse com o objetivo de assegurar ao ouvinte a doação e manutenção da vida mediante Cristo. Isso se destaca pela concepção comum da interdição do acesso a essa mesma árvore a partir do relato de Gênesis, a qual é evocada em outros textos considerados ao longo do estudo
A Crítica de Hegel a Kant em Fé e Saber e seu Reaparecimento no Desenvolvimento da Ideia Absoluta
Neste artigo se pretendeu apresentar as críticas de Hegel à filosofia kantiana presentes em Fé e Saber, bem como as soluções apontadas a partir de tais críticas, e relacioná-las com aquelas presentes no desenvolvimento da ideia absoluta, categoria final da Ciência da Lógica. Pôde-se concluir que em Fé e Saber foram elaborados em profundidade muitos dos problemas e soluções que reapareceriam na obra madura de Hegel
Nominata de avaliadores de artigos da Revista Ágora Filosófica, volume 20, números 1, 2 e 3
Nominata de avaliadores de artigos da Revista Ágora Filosófica, volume 20, números 1, 2 e
Por homens industriosos e previdentes: as discussões em torno dos usos dos recursos naturais no Ceará oitocentista
O presente artigo analisa como os usos dos recursos naturais foram discutidos no Ceará do século XIX por meio das noções de previdência/imprevidência, racionalidade e industriosidade. Essas noções foram produzidas num momento em que ganhava força o embate entre a cultura de subsistência e formas de exploração capitalista da natureza. O uso racional dos recursos da terra tornara-se promissor para o desenvolvimento material. Nesse sentido, usos rudimentares, isto é, as queimadas e derrubadas de árvores foram alvo de intenso debate, pois eram vistas como barreiras ao progresso material da província/nação por meio da Ciência e dos usos racionais da natureza. Nessa perspectiva, nos propomos a estudar, a partir de textos produzidos no Ceará e no Brasil, de forma geral, como a ciência, a natureza e a técnica são articuladas na construção desse estigma moderno sobre a natureza
“Viva ao Rei Nosso Senhor e morram os traidores”: a deposição do governador Sebastião de Castro e Caldas e as convulsões sociais na capitania de Pernambuco (c.1707-c.1711)
Neste artigo, propomos um estudo sistemático acerca das convulsões sociais na capitania de Pernambuco com a saída do governador Sebastião de Castro e Caldas que assumiu o governo da capitania entre junho de 1707 e novembro de 1710. A figura do governador é um dos principais motores da administração colonial, ele é responsável pelo controle militar, defesa do território e detém vasta “autonomia” para negociar com os poderes locais. Ao longo deste artigo será discutido o contraste entre a documentação normativa que norteava a atuação político-administrativa desses agentes na América Portuguesa e a realidade da prática governativa, levando em consideração a busca por ascensão e prestígio social e a defesa dos interesses reais nas conquistas ultramarinas. E identificar as convulsões sociais na capitania da de deposição do governador
CENAP: UMA CONCEPÇÃO E UMA EXPERIÊNCIA DE FAZER EDUCAÇÃO/FORMAÇÃO
Este artigo apresenta a construção teórico-metodológica-experiencial de um coletivo de formadores/as no Nordeste brasileiro. A reflexão empreendida focalizou a questão metodológica da formação de educadores/as, tomando como fonte principal o pensamento de Paulo Freire em diálogo com outras fontes, destacadamente o paradigma da Complexidade-Transdisciplinaridade, o pensamento do ecofeminismo e a abordagem da Arte-Educação, reconstruindo conceitualmente categorias-chave do pensar-fazer educação/formação
AS PRIMEIRAS TROCAS E REPRESENTAÇÕES COLETIVAS COMO ELEMENTOS DE COMPREENSÃO DAS NEGOCIAÇÕES COM O SAGRADO NA CONTEMPORANEIDADE
Os estudos sobre religião e as doações realizadas dentro das igrejas, frequentemente se efetuam na perspectiva institucional e economicista, obscurecendo o ponto de vista do indivíduo, membro ou frequentador das igrejas pentecostais. Uma análise dessa forma, pode incorrer em uma apreensão um tanto reducionista ou unilateral sobre o ato de dar. Assim, este trabalho apresenta uma discussão sobre a dádiva, segundo o pensamento de Marcel Mauss e das trocas estabelecidas com as divindades nas comunidades arcaicas, bem como, as representações coletivas em Émile Durkheim, na busca de elementos para compreender como se efetivam as trocas com a divindade dentro do pentecostalismo contemporâneo. Considerando a assimetria que perpassa o sentido da oferta, do ponto de vista da instituição e do indivíduo, a concepção do dar, receber e retribuir, percurso efetivado pela dádiva, assiste na compreensão das trocas e negociações com o sagrado
A Palavra que é Pão: a Eucaristia no Quarto Evangelho
Estuda-se a “sacramentologia (eucarística) submersa” no Quarto Evangelho, que não traz a Instituição da Eucaristia no relato da Última Ceia, mas apresenta conotações eucarísticas em diversos textos, principalmente no relato da Multiplicação dos Pães. O assim chamado “Discurso Eucarístico”, Jo 6,51-58, é abordado na perspectiva da encarnação e morte de Jesus. Outros textos examinados são o Lava-Pés (13,1-30), à luz da despedida de Jesus (Jo 13–17), o Lado Aberto (Jo 19,33-37) e a refeição depois da Ressurreição (Jo 21,1-14). O “memorial” da morte salvadora de Cristo ultrapassa, em João, o rito da Instituição da Eucaristia e é suprassumido na sua cristologia da Palavra de Deus Encarnada