Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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Práticas corporais e Movimentos sociais: um estudo de caso
O presente trabalho tem o propósito de estabelecer um diálogo entre a prática social do Movimento Mística e Revolução (MIRE) e os conceitos de Experiência e Prática corporal desenvolvidos na academia. Para isso, dois aspectos presentes na ação do referido movimento serão analisados nesse trabalho. Primeiro, sua postura de resistência frente ao modelo de experiência gerada pelo atual estágio do sistema capitalista e depois, a adoção de uma prática corporal como meio de agregação identitária de seus membros frente à fragmentação cultural observável na contemporaneidade. Diante disso, recorreremos ao trabalho de Medeiros et al (2009), a fim de perceber como o caráter efémero das experiências contemporâneas, bem como o mecanicismo das atividades corporais encontram oposição da parte de grupos sociais – representados pelo movimento aqui estudado – que vinculam suas atividades corporais à uma concepção de mundo distinta da que prevalece na cultura hegemônica na contemporaneidade
Falar ou Callar? Realidades de mulheres sobreviventes frente a violência doméstica. Brasil e Uruguai (2002-2019)
A presente pesquisa tem como objetivo identificar o impacto e implementação da Lei de Violência Doméstica instaurada no Uruguai em 2002 e a Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, mais conhecida como Lei Maria da Penha no Brasil de 2006, ambas resultado de um longo processo de lutas analisando as distinções existentes em ambas as sociedades no percurso das conquistas femininas na América Latina observando as demandas, os conflitos/tensões e as resistências. A metodologia proposta será um estudo comparativo sob a perspectiva das histórias cruzadas frente as realidades jurídicas e sociais da violência doméstica nas cidades de São Paulo (Brasil) e Montevidéu (Uruguai), inseridas no bojo dos debates dos movimentos feministas contemporâneos que assumem o lugar de seus discursos revendo conceitos, categorias e reconfigurações dos sujeitos. A partir da perspectiva de histórias cruzadas e de procedimentos da História Oral busco entender especificidades das configurações dos “coletivos” existentes que não são isolados e que se cruzam e entrecruzam evidenciando as experiências das mulheres que se articulam visando enfrentar as situações de violência na condição de “além-sobrevivência” utilizando as redes como Facebook, blogs, etc. Para tanto a pesquisa pretende dar visibilidade as suas propostas e os resultado alcançados
Direito à Cidade e Acessibilidade: Discussões Iniciais sobre Cultura e Educação a Pessoas com Deficiência em uma Cidade da Baixada Fluminense
Toda cidade pode ser potencialmente uma cidade educadora. Para isso, é necessário possibilitar que ela seja local de encontros e de trocas socioculturais constantes entre pessoas diversas e plurais, incluindo as pessoas com deficiência. Nesse sentido, objetiva-se analisar as condições de acessibilidade de três espaços culturais do município de Belford Roxo-RJ, a partir dos parâmetros da NBR9050/2015 e dos preceitos da acessibilidade plena e do design universal, discutindo como a inclusão aos espaços culturais urbanos pode contribuir para promover a educação holística, colocando a cidade como promotora e produtora de conhecimento à sua população. Foram realizadas pesquisas bibliográficas e documentais, seguida de pesquisa de campo, a partir da aplicação de questionários online e presenciais para identificar espaços culturais reconhecidos pela população belforroxense e por produtores culturais que atuam no referido município. Com os resultados obtidos, realizou-se o mapeamento dos espaços culturais identificados e aprofundou-se a pesquisa em três desses espaços: Casa da Cultura de Belford Roxo, Vila Olímpica de Belford Roxo e Praça de Heliópolis, onde foram realizadas observações assistemáticas e entrevistas semiestruturadas com seus gestores. Apesar do potencial que o município tem para se tornar uma cidade educadora, foi possível perceber que há grandes desafios que tornam essa uma possibilidade ainda distante
Tecnologias sociais e a convivência com o semiárido brasileiro: estratégias para bem viver
A Convivência com o semiárido busca caminhos para superar as dificuldades que as condições climáticas trazem à vida humana, construindo coletivamente ferramentas (tecnologias sociais) para bem viver esse lugar. Está se buscando cada vez mais produzir rupturas não só nos dizeres e discursos sobre o semiárido, mas principalmente nas práticas de (re)construção desse espaço, valorizando as identidades e formas de vida. Realizamos a discussão a partir da revisão bibliográfica e da experiência de duas famílias da zona rural do município de Tabuleiro do Norte/ Ceará/ Brasil que receberam tecnologias sociais (biodigestor e reúso de águas cinzas) implantadas pelo Projeto Comunidades Vivas. Esse estudo foi possibilitado por um trabalho de campo realizado pelo curso de Geografia da Universidade Federal de Pernambuco
Reciprocidade e Partilha em Terra Kaingang
Este resumo expandido apresenta um recorte sobre a pesquisa “A arte mural como experiência estética e produção partilhada do conhecimento com os índios Kaingang (Palmas, PR) em uma concepção pós-humana” que faz parte de pesquisa para pós-doutorado no Núcleo Diversitas da USP (SP) sob a supervisão do Prof. Dr. Sergio Bairon. O objetivo desta investigação é a realização de pinturas em forma de mural artístico, utilizando a metodologia da produção partilhada do conhecimento em uma concepção pós-humana crítica (esta não será discutida neste texto). O foco deste texto é explanar sobre a possível relação entre os conceitos de Produção Partilhada do Conhecimento (Bairon; 2012; Lazaneo, 2012; 2015) e Reciprocidade (MAUSS, 2003; CRÉPEAU, 2006; 1997; MARTINS, 2005) pois no desenvolvimento da pesquisa percebe-se que a cultura indígena traz movimentos de trocas compartilhadas de conhecimento, diferentemente da pesquisa científica, sendo que esta reproduz a fragmentação “sujeito e objeto de pesquisa”. Esta hipótese será apresentada a partir da reflexão entre duas concepções diferentes de reciprocidade, relacionando-as com a vivência entre a pesquisadora e os participantes indígenas deste processo de construção de conhecimento tradicional e científico compartilhados
Um beijo gay incomoda muita gente: disputa de sentidos na Bienal do Livro do Rio de Janeiro
Esta comunicação propõe uma reflexão sobre a representação LGBTTQIA+ no Brasil. Será realizado um estudo de caso sobre a exigência do prefeito da cidade do Rio De Janeiro, Marcelo Crivella, do recolhimento do romance gráfico "Vingadores, a cruzada das crianças" durante a Bienal do Livro de 2019 sob a alegação de que se tratava de conteúdo sexual para menores. Com o auxílio da metodologia da análise do discurso de linha francesa, serão verificadas as falas de algumas das figuras públicas envolvidas
A Espiritualidade da Juventude Universitária: um novo modelo cultural em tempos de pluralismo
Esta pesquisa visa trazer uma reflexão hermenêutica da caracterização da espiritualidade da juventude universitária, a qual está inserida em um ambiente do predomínio da cultura contemporânea secular, a universidade é uma das fontes principais da busca do conhecimento científico. Este estudo tem sido objeto de pesquisas para muitos escritores e pesquisadores no Brasil, existem no alguns trabalhos acadêmicos que buscam compreender o perfil da juventude atual e suas experiências. Diante da cultura de predominância do pluralismo religioso, a caracterização da Juventude e sua espiritualidade se dão de forma plural. Na cultura atual é impossível caracterizar a juventude universitária e sua espiritualidade de forma homogênea, mas sim de forma heterogênea. A cultura atual deu ao jovem uma liberdade de suas escolhas, inclusive a liberdade de nada escolher, dentre estas escolhas destaca-se a espiritualidade, ela não é mais regida por uma doutrina ou instituição que regulamente. O jovem universitário pós-moderno está inserido em uma cultura de secularização. O ambiente universitário é propício para o conhecimento científico e consequentemente é o maior propagador do secularismo, o qual não define o fim da religião, mas coloca todas as opções de espiritualidade religiosa como destaque para as escolhas individuais
O Eu e o Outro: decolonização na obra de Adriana Varejão
Tem por objetivo analisar as categorias do Eu e o Outro sob as perspectivas do poder disciplinar e da dialética colonialista por meio das contribuições, respectivamente, de Michel Foucault, Michael Hardt e Toni Negri. Articulando as noções de subjetividade e diferença. Às condições de leitura aplicada nas obras da artista plástica Adriana Varejã
Experiência de pesquisa na universidade: a cultura das metodologias ativas
Este é um relato de experiência concernente ao programa de iniciação científica voluntária da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), realizada no campus Francisco Beltrão. O objetivo é comunicar a pesquisa desenvolvida no período de um ano que versou sobre o discurso das metodologias ativas. Utilizou-se para a metodologia do trabalho a pesquisa bibliográfica, documental e a base teórica foucaultiana. Como resultados da experiência houve participação em encontro de alunos de iniciação científica, com palestra sobre as metodologias a partir dos debates foucaultianos, além de discussões semanais sobre textos específicos da área do discurso, assim como das metodologias ativas. No que diz respeito aos resultados da pesquisa realizada verificamos que o discurso das metodologias ativas abrange uma série de questões como a praticidade das atividades e o envolvimento maior dos professores e alunos no que se ensina/aprende. Com o auxílio da base teórica foucaultiana percebeu-se como o discurso que envolve a cultura das metodologias ativas é formado por regras que não podemos ver, mas que estão ligadas à época da sociedade em que vivemos. Nesse sentido, pode-se concluir que é preciso levar em conta o discurso científico junto às metodologias ativas, respeitando a prática como parte do errar/acertar
Pensar e fazer programação para uma TV universitária em tempos de quarentena: um relato de experiência da UEG TV
Desde sua concepção, em 2018, a UEG TV, emissora de TV da Universidade Estadual de Goiás, tem atuado enquanto uma TV Universitária de transmissão via web; cujo objetivo principal é produzir e exibir material audiovisual que atenda os três pilares da Universidade: o ensino, a pesquisa e a extensão. Neste trabalho, fazemos um relato de experiência sobre as ações empreendidas pela TV em tempos de quarentena, período em que houve aumento significativo do número de seguidores e mudanças na proposta de programação, para atender às demandas de conteúdos informativos e educacionais