Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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A MEMÓRIA E AS FRONTEIRAS DO IMAGINÁRIO NA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: SAAVEDRA, HATOUM E LISBOA
Os resultados do percurso de investigação que apresentamos são oriundos do estudo da construção das imagens do homem na Literatura Brasileira. Nosso olhar volta-se para a produção literária contemporânea com o objetivo de, pelo viés da Teoria da Narrativa, dos Estudos Culturais e Pós-coloniais, de uma perspectiva fenomenológica, analisar o movimento de construção da memória e suas relações com as diásporas, constituinte que, em contraste com a produção literária anterior, revela-se como selo das narrativas produzidas recentemente no Brasil por um grupo de escritores, dentre eles, Milton Hatoum, Carola Saavedra e Adriana Lisboa. No percurso do trabalho confirmamos a hipótese de que a figuração do homem na obra brasileira contemporânea, ao problematizar a violência do passado e trazê-la à cena, carregando consigo a objetividade do presente e a perda do futuro, quando transgride fronteiras de tempo e de espaço, rompendo com a tradição do esquecimento, instaura um reordenamento ideológico que vai de encontro às antigas significações da colonialidade, por longo tempo tão perpetuadas no imaginário brasileiro. A seguir, focalizamos as condições desses sujeitos mediante o amplo quadro dos processos culturais de descolonização da América Latina, considerando que se esboçam na narrativa literária brasileira representações das complexas relações que, hoje, instauram-se pelas relações de poder, entre subjetividades, etnias, religiões e nacionalidades. Torna-se, assim, cada vez mais premente o conhecimento e a compreensão do que é rememorado e se integra na construção da alteridade, bem como a consequente prospecção instaurada por sujeitos que, ao lembrar, imaginam novos tempos e novos espaços, exteriorizando novas realidades. Nesse cenário, configura-se um homem histórico, que enunciando de lugares culturais híbridos, reivindica, ao invés do esquecimento da violência do passado, reação e reinvenção, como única maneira de reelaborar e conferir unidade a si mesmo, bem como encontrar seu lugar de pertencimento
MILONGUEANDO MEMÓRIAS: PAISAGENS DA NEGRITUDE SUREÑA NA CULTURA PAMPIANA
O tema do estudo está relacionado com as contribuições da raça negra impressas na memória cultural do cone sul da América Latina, com a milonga entendida como ritmo base da sonoridade que caracteriza a musicalidade dessa região. Ressalta-se a paisagem construída a partir da subjetividade dos autores Jorge Luis Borges, Aníbal Sampayo, Vitor Ramil e João Sampaio como representantes da cultura pampiana que engloba países como Argentina, Uruguai e Brasil e tendo o pampa como horizonte ressimbolizado que extrapola os limites geográficos. A justificativa para a escolha dos autores deve-se em razão de diversidade temática, contemporaneidade poética e por transcenderem seus limites geográficos, ressignificando-os. Tem-se como objetivo geral evidenciar a presença de vestígios memoriais empregados pelos autores na construção de seus poemas; já os objetivos específicos caracterizam-se em: destacar a cultura negra no contexto da América Latina; ressaltar a memória como manifestação de traços do passado; e contextualizar a produção poética dos autores. A metodologia adotada é a pesquisa bibliográfica em livros, artigos científicos e sites especializados na temática. Serão enfocados poemas que registram a presença negra na construção da cultura latino-americana e os vestígios memoriais evidenciados em registros históricos, vocábulos e costumes, entre outros. O referencial teórico está baseado em Aleida Assmann (2011); Jô Gondar (2005); Maria Luiza Berwanger (2009); Maurice Halbwachs (1990); Michel Collot (2013) e Zilá Bernd (2013), entre outros. Por meio dos rastros ou vestígios pode-se fazer com que os fios da rememoração sejam capazes de fazer aflorar marcas deixadas ao longo do tempo, permitindo, desse modo, que seja edificado um significativo painel memorial por intermédio da subjetividade. A partir de resíduos, os poetas reconstituem um passado que se presentifica por meio das reminiscências e a literatura torna-se capaz de reinterpretar fragmentos do vivido.
TRADUÇÃO LITERÁRIA COLABORATIVA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA REVISTA PONTIS
Com o objetivo de discutir a relevância de projetos colaborativos na área de tradução literária, apresentamos a revista Pontis - Práticas de Tradução, uma publicação digital (http://www.revistapontis.com), gratuita e bilíngue espanhol-português que, em síntese, tem duas grandes finalidades: i) divulgar a literatura uruguaia no Brasil e vice-versa; ii) estimular a formação de jovens tradutores literários, partindo de um processo colaborativo de leitura, tradução e discussão com docentes e discentes de diferentes universidades brasileiras
AS VÉSPERAS ESQUECIDAS DE MARIA ISABEL BARRENO: UMA NARRATIVA PARA LEMBRAR O 25 DE ABRIL DE 1974
Publicado em 1999, As vésperas esquecidas, de Maria Isabel Barreno, compõe o conjunto de narrativas breves lançado pela Editora Caminho para assinalar o 25º aniversário da Revolução dos Cravos. Os textos abordam de diferentes maneiras a data singular da história portuguesa, através de personagens e situações que aproximam a vida cotidiana dos portugueses ao revolução que destituiu a ditadura. Maria Isabel Barreno, consagrada por ser uma das vozes das Novas Cartas Portuguesas (escritas com Maria Tereza Horta e Maria Velho da Costa e que se constitui como narrativa de resistência) constrói uma narrativa demarcada pela tênue fronteira da história e da literatura. Bárbara, Silvestre e Constantino interseccionam suas narrativas particulares à história portuguesa. Às vésperas da revolução de 1974, as personagens oscilam entre as memórias de um passado de sonho e o presente marcado pela ditadura e as guerras coloniais. Alegorias da revolução como os cravos e as papoulas, o povo que saia às ruas e a ansiedade pelo novo tempo que haveria de surgir misturam-se às singularidades de cada personagem. Ultima revolução de esquerda no século XX na Europa, a Revolução dos Cravos é um marco na construção da identidade portuguesa de libertação e marca indelével da democracia e por isso tantas vezes revisitada na literatura, em construções ficcionais que apoiam-se nas mais variadas formas e vozes narrativas para abordar a resistência e a liberdade do povo português. O presente trabalho procura compreender a construção das personagens de Maria Isabel Barreno e a sua relação com a história e com a premissa de uma nova ordem social e política em Portugal a partir da destituição da ditadura
TRADUÇÃO E IDENTIDADES REGIONAIS DE ARREGUI E FARACO
Motivado em organizar uma publicação de contos de Mario Arregui no Brasil, Sergio Faraco estabeleceu correspondências com o escritor uruguaio, contato que durou de 1981 até a morte de Arregui, em 1985. Nesse diálogo, os autores perceberam aproximações que os faziam conterrâneos de uma mesma “nação pampiana”, constituída por uma cultura fronteiriça. Mesmo assim, regionalismos e oralidades presentes nos textos em espanhol exigiram uma série de recriações por parte de Faraco. As interferências estabelecidas pelo tradutor são o foco das observações aqui propostas, uma vez que há mudanças profundas, chegando a suprimir passagens ou até a alterar títulos. Segundo teóricos da tradução, como Rosemary Arrojo, uma tradução não é neutra, pois as “deformações” revelam interpretações e evidenciam instabilidades, ou multiplicidades, do texto de partida. Por outro lado, as traduções para o português realizadas por Faraco também possuem incorporações da língua espanhola, o que resulta em narrativas que demonstram um sistema cultural amplo, conforme considerações feitas por Gideon Toury. Portanto, o movimento fronteiriço da tradução, que transita entre violação e respeito às formas do texto literário de Arregui, será analisado neste trabalho, apontando relações de transcriações, segundo definições de Haroldo de Campos
A FRICATIVIZAÇÃO E O PRINCÍPIO DO CONTORNO OBRIGATÓRIO NO EMPREGO DOS ALOFONES DAS PLOSIVAS /B/, /D/ E /G/ DA LÍNGUA ESPANHOLA
Em um recorte da Tese de Doutorado “A Produção e a Percepção das formas Alofônicas das Fricativas no Processo de Aquisição da Língua Espanhola por Falantes Nativos do Português Brasileiro”, este estudo tem o foco no comportamento das formas alofônicas [B, D, G] como manifestações fonéticas das plosivas sonoras /b, d, g/ no Espanhol. De acordo com a literatura (QUILIS, 1999), as fricativas [B, D, G], assim como as plosivas [b, d, g], representam os fonemas /b, d, g/ em distribuição complementar: enquanto as primeiras se manifestam em contexto intervocálico e após segmentos não nasais, as outras têm o uso após pausa ou soante nasal. O ambiente linguístico que licencia tais fricativas pode ser atribuído a uma regra de assimilação, adequadamente formalizada pela Fonologia Autossegmental (CLEMENTS & HUME, 1995), que opera no tier do traço [contínuo]. O uso do alofone fricativo [D], entretanto, evidencia uma excepcionalidade: não é empregado após a soante lateral (baldosa [bal[d]osa). Essa restrição da língua é aqui discutida, explicada e formalizada segundo a Fonologia Autossegmental, por meio do Princípio do Contorno Obrigatório – OCP, proposto por idioma como Língua Estrangeira
CULTURAS E IDENTIDADES: PRÁTICAS DE ENSINO UTILIZANDO LÍNGUA E LITERATURA NA/DE FRONTEIRA
A fronteira entre Jaguarão, município localizado no interior do Rio Grande do Sul/BR, e Rio Branco, cidade localizada no Departamento de Cerro Largo/UY, pode ser caracterizada como um entre-lugar. Segundo Bhabha (1998), o dito termo refere-se as constituições identitárias que se deslocam das singularidades e começam a se construir como “um ato insurgente de tradução cultural” (BHABHA, 1998, p. 27). Com base nesse conceito, o presente trabalho objetiva apresentar um projeto aplicado em uma escola estadual de Jaguarão visando refletir, com base na língua espanhola/literatura, a formação identitária de sujeitos fronteiriços. Para desenvolver a proposta, elaboramos um plano de ensino de 40h/aula, embasados no livro “Crimen en el Puente Mauá”, tendo como eixo central as relações entre fronteiriços (brasileiros e uruguaios) e os processos culturais que podem culminar no nascimento de uma cultura outra, ou seja, em processos de construção de conhecimento e de significação “outros” que reverberam em uma sociedade “outra” (WALSH, 2014, p. 17). Nossas atividades foram divididas em três eixos, sendo eles: território fronteiriço, relação Brasil-Uruguai e identidade fronteiriça. O público-alvo foram alunos do ensino médio noturno e as atividades foram desenvolvidas na disciplina de língua espanhola optativa. Como aporte teórico nos ancoramos, sobretudo, em Candau (2013), seguindo os postulados da didática intercultural e Cosson (2011), embasados em um processo que vai além da leitura literária, o que o autor denomina como Letramento Literário. Por fim, ao decorrer das práticas, nos centramos em um trabalho de desconstrução de uma concepção de cultura hegemônica (brasileira) que era defendida pelos alunos e utilizamos a literatura para refletir sobre as culturas e identidades, reunindo as diferenças que se cruzam e se articulam nas relações humanas e sociais desse entre-lugar
LA TRILOGÍA Y LOS CAUDILLOS FRONTERIZOS
En el devenir histórico de las sociedades muchas veces ocurren fenómenosque por lo menos, resultan difíciles de explicar. Precisamente uno de estosfenómenos tuvo lugar en la pequeña localidad de Melo, donde en un lapso deseis años nacieron tres de las grandes figuras de la literatura uruguaya ylatinoamericana: Juana de Ibarbourou (1892), Emilio Oribe (1893) y JustinoZavala Muniz (1898). Conocidos como “La Trilogía”Los tres estuvieron directamente vinculados a los grandes caudillos de laépoca.Juana de Ibarbourou era ahijada de Aparicio Saravia y solía frecuentar su casa.Su padre, el capitán Vicente Fernández, era hombre de confianza de Saravia.Descendiente por línea materna del caudillo Dionisio Coronel y de Nico Coronel(matador de Urquiza), Emilio Oribe Coronel perteneció a una familiafuertemente identificada con el Partido Nacional, varios de sus tíos y primos,integraron el ejército de Aparicio Saravia en las revoluciones de 1897 y 1904, aquién el pequeño Emilio conocía personalmente.Justino Zavala Muniz, nieto del caudillo Justino Muniz (enemigo personal deAparicio Saravia), nació en el seno de una familia marcada por una tragediaresultante de la rivalidad entre los caudillos.El año 1904 estuvo signado por la última gran guerra civil que vivió el país.Separados por pocos metros, los tres presenciaron el desfile por las calles deMelo de los ejércitos en pugna.Este episodio y varios otros vinculados al contexto político de la época,marcaron fuertemente a los futuros escritores. Testigos de varios hechos, enobras como “Chico Carlo”, “Rapsodia Bárbara” y “Crónica de Muniz” entreotras, los tres narraran sus vivencias vinculadas a las guerras civiles y a loscaudillos más importantes del 900.Estos relatos aportan elementos muy valiosos para la construcción del discursohistórico – literario, referido a los caudillos fronterizos
LITERATURA, RAZA Y ETNIA EN EL PAISAJE HUMANO DE LA FRONTERA ALEJANDRO GORTÁZAR (UNIVERSIDAD DE LA REPÚBLICA, URUGUAY)
La raza aparece como palabras clave del problema de las “identidades” políticas en América Latina. La politización de la raza/etnia contemporánea trae consigo una revisión de las categorías históricamente construidas tanto por los movimientos sociales, como por las hegemonías en las sociedades envolventes. A diferencia de los movimientos del pasado, en los últimos 20 años la raza es discutida como una parte central de la matriz colonial de poder, que se instala con la conquista y colonización, pero pervive en las narrativas nacionales. Como acervo de representaciones sociales, resulta interesante pensar el lugar de la literatura en esta matriz colonial e indagar específicamente en sus simbolizaciones de lo étnico-racial. El objetivo de este trabajo es analizar las formas de representar a los afrodescendientes en los cuentos de escritores uruguayos y brasileños del Cono Sur, específicamente los cuentos gauchescos de Javier de Viana y Simões Lopes Neto, y las narrativas posteriores de Enrique Amorim y Érico Veríssimo. Sus relatos, publicados en la primera mitad del siglo XX, contribuyeron a reforzar estereotipos, pero también a ofrecer puntos de vista críticos sobre el racismo
O TEATRO NEGRO NA COMARCA DO PAMPA
A pesquisa, em curso no programa de pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na área de concentração - Estudos de Literatura, na linha Pós-colonialismo e Identidades e tem como foco a cena negra no contexto da produção teatral na comarca do pampa (RAMA, 2008), enquanto território cultural que abrange o estado do Rio Grande do Sul no Brasil, a República Oriental del Uruguay e a República Federativa da Argentina. O objeto de estudo é a dramaturgia produzida e/ou encenada nesse contexto cultural,e o objetivo é identificar e analisar a presença de uma cena negra,tendo como eixos reflexivos a encenação e a produção dramatúrgica contemporânea. Além disso, pretende-se verificar se existiram movimentos culturais e políticos em que o teatro negro (NASCIMENTO, 1968))tenha tido protagonismo, a exemplo do ocorrido no Brasil. A investigação, por suas características e pela sua natureza,será realizada através de uma abordagem qualitativa (DEMO, 2004), o estudo de caso (LÜDKE & ANDRE, 2008), em virtude da compreensão do teatro negro como um fenômeno artísticocomplexo por suas faces políticas, sociais e culturais. A pesquisa bibliográfica,a pesquisa documental e a entrevista semiestruturada serão complementares para uma melhor aproximação do objeto de pesquisa