Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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Os desafios da participação social no Mercosul
A presente pesquisa apresenta uma análise sobre a dimensão participativa do Mercado Comum do Sul (Mercosul) a partir do estudo dos mecanismos institucionais de participação social. Esta investigação visa compreender a dinâmica da participação dos atores sociais na institucionalidade do Mercosul, destacando suas principais características e desafios. Para a realização desta investigação, empregou-se a metodologia da revisão bibliográfica sistemática. Os resultados obtidos demonstraram que o Mercosul não dispõe de mecanismos que permitam a tomada de decisões por parte dos atores sociais. Os mecanismos participativos se organizam em espaços institucionais de caráter essencialmente consultivo, os quais atribuem dimensão secundária às demandas e propostas oriundas das organizações sociais. A realização deste estudo permite concluir que os atores estatais exercem funções preponderantes na estrutura organizacional do Mercosul, ao passo que as ferramentas participativas disponíveis às organizações sociais relegam sua participação à atividades auxiliares e de menor significância para o processo de integração regional. Palavras-chave: Participação Social. Atores Sociais. Mecanismos Participativos. Integração Regional. Mercosul
Pesquisa colaborativa em design para aproveitamento de resíduos de açaí em comunidades locais: delimitação do estado da arte.
O Brasil produz mais de 221 mil toneladas de açaí por ano, das quais 161 mil toneladas correspondem aos resíduos oriundos do seu despolpamento. Estudos relacionados ao aproveitamento do caroço e da fibra do açaí indicam o uso dos resíduos no setor agrícola, na fabricação de produtos medicinais e na engenharia de materiais. No entanto, as pesquisas sobre esses processos não incluem os conhecimentos tradicionais das comunidades produtoras de açaí no desenvolvimento de soluções para o aproveitamento desses resíduos. Nota-se que os valores culturais pertencentes a essas comunidades são ignorados na construção da educação acadêmica quando se trata da busca por inovações no campo da pesquisa. Neste sentido, foi realizada uma Revisão Sistemática de Literatura (RSL) para identificação de pesquisas baseadas em práticas colaborativas envolvendo a corpo acadêmico e a comunidade local. Obtendo como resultado dois artigos que apontam para a importância do conhecimento tácito no desenvolvimento de pesquisas que tenham como objetivo o manejo de recursos naturais, além de abordarem a necessidade de proteção de conhecimentos tradicionais. Apesar dos estudos apontarem para novos caminhos nas pesquisas acadêmicas, verifica-se a existência de uma lacuna no que se refere ao desenvolvimento de materiais no campo do design a partir de práticas colaborativas envolvendo pesquisadores e comunidades tradicionais. Tais práticas podem abrir novos caminhos para a construção da educação e da pesquisa científica e ainda fortalecer a cultura tradicional de comunidades locais
Cinema em tempos de muro: Experiências cineclubistas na Escola de Design da UEMG
O Cineclube é um projeto extensionista realizado, desde 2008, pelo Centro de Extensão da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, no Brasil. Construído de forma coletiva por professores e estudantes, o projeto apresenta produções audiovisuais internacionais, nacionais, regionais e locais, em sessões quinzenais, gratuitas e abertas ao público. Os encontros são sempre mediados por professores da instituição e contam com convidados externos, os quais debatem os filmes e os temas que atravessam as diferentes experiências da imagem. Em 2020, com a mudança da sede da Escola de Design para um novo endereço, o projeto passa a compor o Circuito Liberdade, complexo turístico, histórico e cultural voltado à arte, à cultura e à preservação do patrimônio no entorno da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. No novo cenário cultural, o Cineclube reexamina sua trajetória e procura definir sua nova identidade. O relato que se segue apresenta um panorama das experiências desta importante iniciativa e descreve alguns dos desafios do projeto em um universo cultural e político cada vez mais complexo e desafiador
Imagem-espaço: distopia poética no cinema latino-americano
O presente resumo procura investigar o sentido da distopia poética no cinema latino-americano, considerando a relação entre realidade e lirismo como mecanismo ético de entendimento da própria história do continente. Para isso, corrobora-se uma discussão sobre espaço como categoria histórica que reflete as subjetividades e as desigualdades sociais. Partindo dessa perspectiva, apresenta-se uma posição crítica sobre o filme Whisky (2003) para ancorar as hipóteses e discussões realizadas. É importante destacar que este trabalho é um recorte de uma pesquisa que está em desenvolvimento no Grupo de Estudos em Literatura, Intersemiose e Cinema. Palavras-Chave: Cinema latino-americano; Distopia poética; Lirismo e política no cinema; Ética e estética no cinema; Whisky
A Poética de Gervane de Paula: reflexões para o artivismo e a decolonialidade
A partir do presente texto intenta-se uma reflexão e doravante uma possível aproximação através de pesquisa ao universo do artista plástico Gervane de Paula, bem como de sua obra e os sentidos sociais, concretos e subjetivos, que esta deixa em suas expressões irreverentes e críticas. É inegável a riqueza expressiva contida na obra desse artista latino americano, a qual aponta para as realidades sociais gritantes e ao mesmo tempo, muitas vezes não percebidas em nosso contexto. Uma vez que, o saber positivista pouco se inclina a subjetividade do diferente, do estranho, do diverso e daqueles que não se submetem aos padrões naturalizados enquanto únicos e verídicos; eis aí uma oportunidade de legitimação acadêmica da obra de Gervane, mas antes, uma aproximação de seu universo e seu modo impar de estar no mundo, de interagir com a realidade e nomeá-la de modo rico, expressivo e irreverente, visto sua poética estar de algum modo imbricada ao artivismo e ao pensamento decolonial, tão necessários e indispensáveis em nosso contexto
O GRAFISMO KADIWÉU NO ENSINO DE ARTE NA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA
O presente artigo apresenta os resultados preliminares de uma investigação desenvolvida no Programa de Mestrado Profissional em Educação, na linha de pesquisa: Formação de Professores e Diversidade, da Unidade Universitária de Campo Grande, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Desse modo, visa apresentar reflexões sobre o processo de Ensino de Arte quando oportuniza uma discussão sobre cultura, perspectiva e estética não ocidental com fotografias da etnia Kadiwéu do acervo do Museu Etnográfico Dr. Andrés Barbero, localizado em Assunção, no Paraguai. Neste contexto a abordagem com as imagens busca promover uma reflexão relacional entre arte e antropologia da arte, por meio da leitura de imagem no ensino de arte na educação básica. Dessa maneira, interpõe-se a problemática quanto ao diálogo entre culturas, bem como as percepções e imagens entre o “eu” e o “outro” que descortinam na maneira de ver novas possibilidades de ser, de viver e conceber o mundo que o cerca. Os resultados indicam que a abordagem e as possibilidades da imagem enquanto agência e cognição de processos são inferidas na relação entre a percepção das diferenças e das estéticas culturais mediadas pela alteridade
Das musas reais: um ensaio sobre as obras Cubes (Ad Minoliti) e La Busqueda (Teresa Margolles) na Biennale di Venezia, 2019
Considerado patrimônio industrial da cidade, o Arsenale di Venezia abrigou, durante os meses de maio a novembro de 2019, parte da 58ª Mostra Internacional de Arte, popularmente conhecida como a “Biennale di Venezia”. Em referência à uma maldição chinesa apócrifa, a exibição foi nomeada pelo seu curador, o estadunidense Ralph Rugoff, como May you live in interesting times, e reuniu 79 artistas de nacionalidades distintas; cujas obras tratam justamente dos nossos “tempos interessantes”, impregnados de conflitos, opressão e insurgência. Dentre os cinco artistas latino-americanos convidados para a mostra, destacam-se aqui a argentina Ad Minoliti (Cubes, 2019) e a mexicana Teresa Margolles (La Busqueda, 2014), que trazem em seus trabalhos temáticas que permeiam, direta ou indiretamente, a discussão do que é ser mulher na América Latina. Considerando tais premissas, esse ensaio buscou analisar, a partir do pensamento da pesquisadora nigeriana Oyèrónké Oyěwùmí, como certos elementos nas obras supracitadas – por exemplo, a morte e o narcotráfico (Margolles) ou a subversão da casa de bonecas (Minoliti) –, ou mesmo a presença dessas obras na exibição, convidam à uma reflexão sobre as questões de gênero na América Latina
Paz, muito além da ausência de guerra: transformando a cultura de violência em cultura de paz
O conflito armado colombiano entre as FARC e o governo durou mais de cinco décadas e afetou a vida de milhões de pessoas, seus impactos ultrapassam as fronteiras e reverberam para toda América Latina. O Acordo de Paz celebrado em 2016 abrangeu a reforma de problemas estruturais como reforma rural, participação política, vítimas, drogas ilícitas e entrega de armas. Considerando seus fatores e atores questiona-se a efetiva implementação do acordo através de políticas públicas que visam eliminar as causas do conflito, sendo elas a desigualdade, pobreza e colapso político, bem como identificar os desafios e impasses na execução da paz negociada. Tais indagações norteia a presente pesquisa e para responde-las utilizar-se-á como metodologia a analise bibliográfica de fontes primárias através das resoluções dos órgãos de verificação, método comparativo e levantamento bibliográfico sobre estudos da paz. Preliminarmente, infere-se que para sobrepujar uma cultura de violência no país, resultado de décadas de conflito deve-se adotar a paz como um ponto de partida para transformar problemas estruturais e sociais através da cooperação conjunta entre Estado, sociedade civil, Organizações Internacionais e ONGs, pois, o êxito ou retrocesso da implementação da paz colombiana refletirá tanto na geopolítica regional como nas relações internacionais. Dessa forma, o pós-conflito será tão desafiador quanto as cinco décadas de conflito
MANEIRAS DE VER E VIVER O BAIRRO OSMAR CABRAL: A RUA COMO OBJETO DE ESTUDO
Resumo O acelerado processo de urbanização que cria cidades cada vez mais populosas e geograficamente espalhadas gera vários problemas urbanos. Dentre eles, destacam-se: dificuldade de deslocamento em função das grandes distâncias e segregação dos serviços públicos urbanos. A partir disso, busca-se analisar como o bairro Osmar Cabral, periferia da cidade de Cuiabá, Mato Grosso, ressignifica-se frente a essas problemáticas, nas quais os moradores se apropriam das ruas e estabelecem práticas de sociabilidades, interferindo diretamente na configuração físico/espacial do local. As ruas no Bairro Osmar Cabral, representam a singularidade, uma realidade em movimento, que pode ser traduzida como identidade local. É utilizada para a convivência, encontro, lazer, para os jogos como expressão do lúdico, é o espaço de pertencimento, local das trocas, do improviso e das vivências. Esta pesquisa trata das experiências espaciais e das dinâmicas socioculturais pertencentes na região, tendo como objetivo analisar as diferentes formas de utilização e ocupação perpassadas pela linguagem cultural de pertencimento e apropriação das ruas. O procedimento metodológico adotado para viabilizar essa análise tem como foco a percepção das práticas cotidianas no espaço urbano. Dessa forma, será utilizada a observação direta nos espaços, com anotações e registros fotográficos, acompanhamento in loco das práticas sociais, percepção da população sobre os usos dos espaços públicos e entrevistas. As práticas socioespaciais demonstram que essa estruturação do bairro se redefine em função das necessidades imediatas dos moradores. Desse modo, é possível compreender o modo peculiar de reinvenção dos espaços, especificamente as ruas, determinadas pela forma de sociabilidade que singulariza o ambiente urbano. Palavras-chave: Cultura; Pertencimento; Rua; Sociabilidades; Urbanizaçã
São João Sebastião das Mutucas: uma reflexão sobre os povos ancestrais
Este artigo versa sobre a pintura, São João Sebastião das Mutucas, do artista plástico cuiabano João Sebastião da Costa, rica em elementos imagéticos do cenário mato-grossense, e suas causas indígenas, se colocando como um lugar de fala. A figura do “São Sebastião” e o martírio de sua morte, denuncia o desmatamento das florestas e a destruição dos espaços sagrados, bem como, as práticas da vida material e de subsistência, dos povos originários. Na obra, apresenta uma atmosfera onírica, na qual um ser fantástico levita em meio aos troncos derrubados de árvores frondosas. O santo envolto na aura indígena mostra suas chagas feridas por flechas, a fragilidade do ser se contrapõe à presença marcante de uma onça antropomórfica com fisionomia feminina, que brota da parte inferior do tronco do ser fantástico, representando a força e o poder, para enfrentar essas práticas políticas, nos dias atuais