Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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    BORGES OU O MODO DE FALAR COMO UM MODO DE ESTAR NO MUNDO: EL HOMBRE DE LA ESQUINA ROSADA

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    Apoiado nos trabalhos de Beatriz Sarlo e Ricardo Piglia, intento mostrar uma das principais características da escrita borgiana – a oralidade – e a forma como nosso autor a construiu em seus escritos não apenas a partir da leitura da literatura argentina, mas principalmente a partir das longas caminhadas de Borges pelos bairros e arrabaldes mais distantes de Buenos Aires. Essa oralidade da qual Piglia nos mostra o lugar no estilo de Borges, desde seus primeiros contos como “Hombre de la esquina rosada”. De acordo com Piglia, “Borges en cambio percibe a la gauchesca, por supuesto, antes que nada como un efecto de estilo, uma retórica, un modo de narrar. Aquello de que saber cómo habla um hombre, conocer una entonación, una voz, una sintaxis, es haber conocido um destino.” Como Piglia destaca, através da oralidade, de um jeito de frasear as sentenças, Borges recria a figura do homem ligado ao culto à coragem, ao duelo, a ruptura com a lei. É isso, que Piglia caracteriza como “la gauchesca”, que Borges busca em suas andanças por Buenos Aires, que encontra nos bolichos, nos armazéns bizarramente pintados de rosa, uma tradição em que se imbricam um modo de falar, que é também um modo de estar no mundo, o encontro com uma tradição narrativa da qual se apropria e a partir da qual constrói e insere sua voz narrativa

    FRONTEIRAS DE UM CAUDILHO ASSINALADO

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    Personagem recorrente em obras do escritor Tabajara Ruas, Antônio de Souza Netto tem, historicamente, um papel protagonista em muitas das guerras que movimentaram as políticas de nações independentes recém constituídas no sul do continente americano durante o século XIX. Em Os varões assinalados, Netto perde sua alma e As cartas do domador (ou Netto e o domador de cavalos), o autor expõe uma personagem revestida de realidade e ficção, sendo possível perceber uma trajetória que parte de uma apresentação calcada mais na história para se chegar a uma representação inventada de Netto. Para situar essa abordagem realizada pela literatura, apontam-se, neste trabalho, alguns conceitos relevantes para a interpretação proposta, como Regionalismo, Fronteira e Heroicidade, fazendo-se o confronto de diferentes posições presentes na historiografia e, assim, no questionamento de definições tradicionais, mostrar possibilidades que conferem uma identificação múltipla da personagem em análise. O diálogo da história com a literatura mostra, através de análises comparatistas intertextuais e interdisciplinares, perspectivas outras para a compreensão de fatos e figuras que compõem a cultura gaúcha

    A PERSONAGEM PROSTITUTA NAS NARRATIVAS DE ALDYR GARCIA SCHLEE

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      Na criação ficcional de Aldyr Garcia Schlee, as personagens femininas sempre estiveram presentes e, muitas vezes, na condição de protagonismo, mesmo quando a representação reportava-se a um tempo de formação territorial sul-brasileira, em que o pampa era o espaço do fazer e do masculino. Em relatos assumidamente formados pela imaginação e pela memória, pelo real e pelo ficcional, que se borram, misturando seus limites e provocando o leitor, aparece a representação da prostituta, central em Contos da vida difícil, volume de contos publicado no ano de 2013. O presente trabalho ocupa-se com tal representação na obra de Schlee e com o modo como é construída formal e ideologicamente.  

    O Projeto Uruguai e a relação entre povos indígenas e antropologia no Sul do Brasil

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    A política energética brasileira, consolidada na década de 1970, atrelou-se ao modelo de desenvolvimento econômico e industrial proposto pelos governos militares a partir de 1964, período em que grandes projetos hidrelétricos começam a ser implantados em algumas regiões do país através de um planejamento estratégico do Estado brasileiro. Neste contexto, a Eletrosul (Centrais Elétricas do Sul do Brasil S.A) formulou um projeto para a exploração integral do potencial energético da bacia do rio Uruguai (SC/RS), denominado Projeto Uruguai, que previa a implantação de cerca de 22 aproveitamentos hidrelétricos em seu trecho nacional. Entretanto, os locais selecionados para a implantação desse conjunto de hidrelétricas na bacia do rio Uruguai correspondem aos territórios tradicionalmente ocupados pelas populações indígenas originárias dessa região, como as Kaingang e Guarani, constituindo os efeitos dos empreendimentos propostos pela Eletrosul uma ameaça à vida, às territorialidades e aos direitos desses povos. Visto o cenário nacional e internacional no qual é concebido e formulado o Projeto Uruguai, nos anos 1970, a Eletrosul realizou naquele período uma série de estudos para o levantamento do potencial energético da bacia do rio Uruguai, estando entre eles, de forma inédita, os estudos antropológicos sobre os possíveis efeitos das hidrelétricas propostas às populações indígenas dos territórios selecionados pelo Estado à implantação destes empreendimentos. Este trabalho visa analisar a conjuntura de concepção deste grande projeto hidrelétrico e o contexto de realização destes estudos antropológicos (atrelado à Reunião de Barbados), buscando refletir acerca de seus efeitos e articulações com os povos indígenas desta região hidrográfica latino-americana

    Tijuana e Foz do Iguaçu: laboratórios de culturas híbridas

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    Este trabalho parte das teorias de Canclini (culturas híbridas) e de Vertovec (bifocalidade) e de experiências do autor para analisar a cultura de fronteira nas cidades de Tijuana, no extremo oeste da fronteira México-Estados Unidos, e Foz do Iguaçu, na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Os critérios de análise e comparação se baseiam na dualidade entre cosmopolitismo e oligarquia, nos imaginários de violência e resistência e nas manifestações artísticas interculturais. O ponto de partida é um retrato histórico-geográfico-social de cada lugar, ressaltando os aspectos mais marcantes do cotidiano e do imaginário projetado; depois, uma revisão das teorias acompanhada dos dados concretos e exemplos de sua aplicação. Acompanharemos a ideia dual de Canclini ao nomear Tijuana como “laboratório da pós-modernidade”, e sua revisão posterior, como “laboratório da desintegração social e política”, observando esses elementos também na cidade de Foz do Iguaçu

    LA REPRESENTACIÓN DE LOS CAUDILLOS EN LOS TEXTOS LITERARIOS. ALGUNOS VÍNCULOS ENTRE EL TEXTO LITERARIO Y EL DISCURSO HISTÓRICO

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    Mi participación en el GISCR (Grupo Interdisciplinario sobre Caudillismo en la Región) intenta ser un aporte teniendo como punto de partida un mirada desde al ámbito literario en la construcción de la figura del caudillo. Un caudillo que es a su vez una construcción discursiva desde la historia regional. Presentaré entonces desde este marco teórico el abordaje de una selección de textos enmarcados dentro de la literatura uruguaya y a la vez, fronteriza, que dan cuenta de esa construcción discursiva y que apelan a posibles interpretaciones que resignifican los hechos históricos. Me refiero concretamente a los siguientes textos: a.- Don Candinho o las doce orejas, de Tomás de Mattos. b.- Crónica de un crimen y Crónica de Muniz, de Justino Zavala Muniz. c.- Como un jazmín del país, de Washington Benavidez. d.- Con divisa blanca, de Javier de Viana. Tomando como contexto histórico las revoluciones o levantamientos saravistas (opciones interpretativas que interpelan aspectos ideológicos de los sucesos de fines del s. XIX y comienzos del XX) de 1897 y de 1904 intentaré confrontar las distintas representaciones de la figura de los caudillos, sus vínculos con otros personajes sublaternos, la relación con la coyuntura histórica aludida y la apelación a un posicionamiento interpretativo del discurso histórico a través de su representación más estetizada o literaria. Subyacen, lógicamente, en este abordaje, las discusiones en torno a la categorización del discurso histórico como otro discurso estetizado y ficcional que difiere, parcialmente, del literario, más en su finalidad que en su construcción como tal

    O PERCURSO DO RECONHECIMENTO PELA CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA EM AZUL-CORVO, DE ADRIANA LISBOA

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    O trabalho tem como objeto de estudo o romance Azul-corvo, de Adriana Lisboa, no qual a personagem principal, Vanja, por meio da reconstituição de acontecimentos históricos, sociais e culturais, recompõe sua vida e sua própria identidade. Aos treze anos, perde sua mãe e se muda de Copacabana, no Rio de janeiro, para Denver, Colorado, EUA. Esta mudança se dá pela vontade da personagem de conhecer seu pai, que ela descobre não ser o mesmo homem que lhe deu seu sobrenome. É com este último que ela passa a morar em terras norte-americanas, alguém que ela também não conhecia e passa a ser, de certa forma, sua família, e que a ajuda na busca por seu verdadeiro progenitor. Em meio a tudo isso, o romance discute a diáspora e os processos de apropriação cultural, recompondo um cenário importante da história do país, caracterizado pela violência e abandono. Todas o contexto apresentado contribui para apresentar a personagem como um indivíduo sem uma identidade definida, fixa, sem um lugar ao qual realmente pertence. Um ser, portanto, que habita um entre-lugar, o “além” referido por Homi K. Bhaba. Objetiva-se, com este estudo, analisar como se constitui a personagem através da figura de Vanja e de sua busca por uma identidade, bem como o papel que a memória desempenha nesse percurso

    O PODER DE HUMANIZAR DA LITERATURA: BIFURCAÇÕES ENTRE REALIDADE E FICÇÃO

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    Este artigo trata-se de um relato de experiência sobre um trabalho desenvolvido na disciplina de Língua Portuguesa com um grupo de adolescentes do oitavo ano do Ensino Fundamental, moradores em uma comunidade de baixa renda. O objetivo do trabalho foi (re)pensar sobre a prática de leitura literária no ambiente escolar tendo por finalidade a humanização dos sujeitos. Por vezes a realidade se faz tão massacrante e cruel, em especial nas áreas periféricas, que a reflexão sobre determinados atos explanados pelos meios de comunicação não sensibilizam como deveriam, incumbindo à literatura a tarefa de humanizar. Com a proposta de observar a relação entre Literatura e realidade, estabelece-se, no processo de interpretação dos textos, uma inter-relação entre arte e sociedade, a fim de promover o aprofundamento de questões relativas ao tema e ressaltar as semelhanças e diferenças entre as formas de narrar e apresentar a violência infantil. Assim, elegeram-se como corpus da atividade uma notícia, de gênero jornalístico, publicada no “Jornal Correio do Povo” de 19 de agosto de 2015, e “Cicatriz”, miniconto de Flora Medeiros, os quais são textos que espelham a sexualidade, especificamente a questão do incesto e estupro, e que sinalizam a abordagem da violência contra a criança, personagem central das duas histórias. Para desenvolver esta proposta, foi adotada a pesquisa bibliográfica e o método comparatista da Literatura Comparada, que fundamenta o cotejo de narrativas pertencentes a formas e gêneros narrativos diferentes, bem como, o levantamento de opiniões da turma. O estudo será amparado teoricamente em proposições de Henry Remak, Michel Foucault, Sigmund Schlomo Freud, Antonio Cândido, dentre outros

    A REALIZAÇÃO DA CONCORDÂNCIA NOMINAL DE NÚMERO EM TEXTOS PRODUZIDOS POR ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL: VARIAÇÃO E IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO

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    Sabe-se que a concordância nominal de número no português brasileiro é um fenômeno variável, e que essa variação está presente na fala infantil desde o início do processo de aquisição. Também é notório que a frequência de realização da concordância padrão ou não padrão é, em grande medida, uma função da escolarização; ou seja, quanto mais escolarizado o falante, menor a proporção de concordância não padrão. Em vista desses fatos, o objetivo do trabalho é analisar textos produzidos por alunos das séries finais do ensino fundamental de escolas públicas das cidades gaúchas de Porto Alegre e Jaguarão, de modo a verificar a realização da concordância nominal de número. Nossa hipótese é de que a proporção de dados com concordância não-padrão seja maior no início do período, diminuindo progressivamente, mas não desaparecendo; além disso, é esperada uma influência do gênero textual, com gêneros mais formais apresentando mais ocorrências de concordância padrão. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como quantiqualitativa e exploratória, utilizando-se da técnica de análise de dados primários, de modo a observar a influência de questões estruturais que sabidamente influenciam na realização da concordância, como a saliência fônica, por exemplo. Por fim, discutiremos as implicações dos resultados obtidos para o ensino

    A ATUALIDADE EM NARRATIVAS SARAMAGUIANAS - alegorias para o século XXI

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    A ATUALIDADE EM NARRATIVAS SARAMAGUIANAS:  alegorias para o século XXI RESUMO: Profª. Drª. Ilse Maria da Rosa Vivian (PUC/RS) Profª. Drª. Silvia Niederauer (PUC/RS) O presente estudo consiste em aproximar as narrativas saramaguianas  Ensaio sobre a cegueira (1995), O conto da ilha desconhecida (1998) e A caverna (2000) pelo viés da alegoria. Como base teórica primeira, tomaremos os pressupostos de Walter Benjamin, a fim de elucidar a inquietação das várias hierarquias sociais ali presentes e o papel que cada persona ocupa na realidade ficcional que, logo, pode ser transferida para a atualidade dita real. O intento é perceber como as narrativas dialogam com a história atual, em que os sujeitos se encontram fragmentados, quase desumanizados, e o lugar da utopia parece deslocado em meio à miséria humana na qual estamos imersos. Se é lícito afirmar que a literatura é o lugar da contestação, da representação e do questionamento, é imperioso que se delineie as subjetividades em meio a um mundo pós-moderno, pós-utópico e pós-capitalista.   Palavras-chave: Alegoria; Narrativas saramaguianas; Utopia; Pós-modernidade.

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