Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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A identidade da mulher no RAP “Padrão” (2018) de Pig: contribuições para uma cultura feminina emancipadora
Este trabalho discute a construção identitária da mulher por meio de sua produção artística a partir da análise do RAP “Padrão”, lançado em 2018 pela artista Pig. A leitura do RAP atenta-se às linguagens verbal, musical e imagética, apresentadas pelo videoclipe, dialogando com um arcabouço teórico relacionado à literatura, à música, à imagem, aos estudos culturais e de identidade. Tal RAP questiona o “perfil” físico e psicológico atribuído à mulher na cultura brasileira, nessa conjuntura, versa sobre a revolta feminina frente ao comportamento machista e violento, naturalizado socialmente, e demonstra que o RAP é utilizado pelas mulheres como um instrumento de expressão, denúncia e conscientização. A proposta de análise aponta para um percurso de construção identitária que, ao contestar a identidade “legitimadora” defendida pelos grupos dominantes da sociedade, inicia como “resistência” e resulta em “projeto” de acordo com a dinâmica das identidades discutidas por Castells (1999). Desse modo, “Padrão” colabora para uma cultura emancipadora das mulheres, visto que busca a transformação da estrutura social na qual elas se encontram
REFLEXÕES SOBRE NARRATIVA, HISTÓRIA E MEMÓRIA A PARTIR DO ROMANCE OUTROS CANTOS, DE MARIA VALÉRIA REZENDE
As relações entre Literatura e História são permeadas pela questão do caráter ficcional e também pela questão da construção narrativa, assim como pelo debate sobre o que confere a um texto o seu caráter ficcional ou histórico, assunto que envolve a questão da presença do real e do fictício em textos de ambos os campos. A literatura brasileira contemporânea segue a tendência da literatura ocidental, ao inserir-se num quadro que utiliza com bastante frequência da primeira pessoa narrativa, apresentando muitas vezes uma interface entre o real e o ficcional. Essa dimensão subjetiva do narrado propiciada pela primeira pessoa do relato possibilita uma série de reflexões sobre as relações entre memória, história, experiência e texto literário. O romance Outros cantos aborda questões como experiência, silenciamento, testemunho e memória da ditadura. Por apresentar a coincidência onomástica entre autora, narradora e personagem, além da presença de alguns traços biográficos da escritora Maria Valéria Rezende, podemos entender esta escrita de si enquanto uma narrativa de caráter autoficcional, que mescla elementos fictícios a elementos autobiográficos. Os estudos sobre as relações entre a escrita de si e a memória partem do referencial teórico proposto por Beatriz Sarlo, Diana Klinger, Silviano Santiago e Jeanne-Marie Gagnebin, dentre outros
FRONTEIRAS DE LUTA: AS MEMÓRIAS E O DISCURSO DOS MOVIMENTOS DE RESISTÊNCIA À DITADURA MILITAR NO MUNICÍPIO DE TRÊS PASSOS, RS.
Dois mil e dezoito é um ano simbólico quando pensamos a violência do período ditatorial no Brasil. Há cinco décadas, tinha início um dos Atos Institucionais mais cruéis daquele período. Foi naquele ano também, que movimentos de revolução como a VPR – Vanguarda Popular Revolucionário – liderado por Marighela, passou a ter adeptos na cidade de Três Passos-RS, estando ligado à Sociedade Pesqueira de forma clandestina. O grupo tinha por objetivo resistir e conscientizar a população dos malefícios da ditadura militar, bem como convocar voluntários para frentes de guerrilha contra os militares. O presente trabalho se propõe a investigar os movimentos de resistência existentes no município de Três Passos, durante o período ditatorial, além de apresentar evidências de como a criação desses movimentos interferiram no modo de vida dos cidadãos. Para tanto, serão utilizados relatos baseados em entrevistas realizadas com os legalistas, além de excertos de jornal e demais trabalhos realizados sobre a mesma temática. O trabalho é um resgate importante, no sentido de demonstrar como os meios de repressão que o governo ditatorial usou contra seus opositores, teve vez, não apenas nos grandes centros urbanos, onde a maioria das manifestações aconteciam, mas também, embora quase sempre de modo clandestino, nos pequenos municípios de fronteira no interior do Estado
VERTENTES DA LITERATURA CONTEMPORÂNEA NO BRASIL E A LITERATURA DE FRONTEIRA: “DONA RACHEL”, DE ALDYR GARCIA SCHLEE
O presente trabalho foi desenvolvido com base nos estudos realizados no componente curricular de Literatura Brasileira, disciplina que integra o curso de Licenciatura em Letras – Português, Espanhol e suas respectivas Literaturas da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), câmpus Jaguarão. No conjunto dos debates sobre vertentes da literatura brasileira contemporânea (RESENDE, 2008; SCHOLLHAMMER, 2009), esse trabalho, a partir da leitura de uma obra ficcional, busca problematizar a condição da literatura produzida na comarca pampeana (RAMA, 1982). O conto “Dona Rachel”, do escritor fronteiriço brasileiro Aldyr Garcia Schlee, cria um espaço ficcional com referentes precisos entre a cidade de Jaguarão, no sul do Brasil e outras cidades do Uruguai e Argentina. A voz narrativa, assumindo uma condição de autor e testemunha dos eventos que conta, traz duas personagens com fortes referentes sociais: Rachel Liberman e Noé Trauman (el bolchevique). Ambas as personagens são localizadas em manchetes de jornais do início do século XX, especialmente da Argentina, por envolvimento na rede internacional de tráfico de mulheres realizado pela Sociedade Israelita de Apoio Mútuo Varsóvia. Liberman, por ter conseguido denunciar o tráfico, Trauman, por ser um dos principais agenciadores da rede. Considerando esses aspectos compositivos do conto de Schlee, o trabalho procura refletir sobre uma vertente com pouca visibilidade nos estudos da literatura no Brasil, a literatura de fronteira
OS “POBRES DESTE MUNDO” EM O DIA EM QUE O PAPA FOI A MELO
A comunicação apresentada neste simpósio é uma síntese da dissertação de mestrado apresentada em 2013, na Universidade Federal do Rio Grande – FURG- quando foram analisados os contos do livro O dia em que o Papa foi a Melo (1999), de Aldyr Garcia Schlee, escritor jaguarense, conhecido por trabalhar em seus textos a questão da fronteira. Buscou-se, ao construir este trabalho de pesquisa, demonstrar através da composição dos personagens criados por Schlee, a predileção deste escritor pelos “pobres deste mundo”, enfatizando as classes socialmente marginalizadas e estigmatizadas, que além dos sofrimentos econômicos, enfrentavam outras carências como as de cunho existencial. As fragilidades destes personagens e suas desesperanças, foram analisadas nos espaços apresentados ao longo do livro, bem como os momentos que surgiram como possibilidade de sanar tais necessidades, como, por exemplo, a visita do Papa João Paulo II à cidade uruguaia Melo. Por fim, além destas análises, o trabalho buscou também apresentar as teorias do conto e seu panorama histórico, tendo como destaque o conto sul-rio-grandense. PALAVRAS-CHAVE: conto, personagem, marginalidad
HOMEM E PAISAGEM PAMPEANA: SCHLEE E UM NOVO OLHAR
O presente resumo refere-se a uma determinada leitura da obra do contista jaguarense Aldyr Garcia Schlee, segundo a qual o referido contista edifica sua obra com base ideológica ligada ao romancista Cyro Martins, que já desmitificara a figura do gaúcho, passando a trabalhar o homem e mulher comuns que habitavam e habitam nossa terra e que, um tanto empobrecidos e marginalizados, já não dispunham sequer de montaria através da chamada Trilogia do gaúcho a pé. Anos depois, quando Schlee debruça-se sobre o pampa – que já não existe mais, definitivamente, e que serviria de lastro para que o contista de Jaguarão pudesse estabelecer-se – resolve inserir outras questões que aprofundam a ruptura com relação à figura caricata que de um ou outro modo insere-se em outro tipo de visão acrítica que circula em determinados meios – e que equivocadamente invocam o mito há muito destronado. Além disso, Schlee – aproveitando talvez alguma herança hispânica investe no papel preponderante da mulher em sua obra, bem como utiliza metaforicamente a fronteira entendida também como barreira a interferir nas próprias relações humanas em um contexto duro e excludente
MAIS TAMBOR MENOS MOTOR E A CRIAÇÃO DE CANÇÕE
Esse trabalho é o relato do processo de criação de 9 canções e uma vinheta para o conteúdo cultural Mais Tambor Menos Motor de Richard Serraria. Canção aqui quer avançar para além da noção de poesia na letra de música, nisso abarcando ainda formas diversas de como isso se apresenta e atentando para as fronteiras inexistentes entre diferentes expressões que convivem em proximidade como rap, slam poetry e texto recitativo. Tal conteúdo cultural sendo o oitavo na trajetória do referido cancionista, traz ainda a descrição da caminhada do poeta se aproximando e apropriando-se da música como forma de dar suporte à sua produção cancional. Canção é tida aqui como um objeto artístico e portanto político, capaz de refletir sobre a condição contemporânea propondo reflexões em sua potencialidade de disparar transformações sociais. Sob esse aspecto destaca-se a perspectiva de uma cancionística em consonância com o tambor sopapo, elemento identitário na atualidade já que marcante da contribuição negra para a construção do estado do RS no período colonial. Além disso, é destacada a ideia da intercancionalidade, a saber referência intertextual como elemento fundamental no processo de criação do cancionista, dividindo tal aspecto em duas frentes: literária e musical.
DESAFIOS E DESDOBRAMENTOS NO PROCESSO DE TRADUÇÃO DOS CONTOS DE JUANA MANUELA GORRITI
Juana Manuela Gorriti (1816-1892) foi uma escritora argentina marcada por questões políticas e sociais. Filha de José Ignacio Gorriti, militar argentino que participou da guerra da Independência argentina (1810-1816) e que, na década de 1820, foi governador de Salta, Juana Manuela Gorriti poderia ser mais uma mulher típica do século XIX, no entanto, destoou das mulheres do período e fez do ensino e da escrita sua profissão. Juana Manuela publicou romances e contos nos quais encontramos temáticas que envolvem a construção de nação, a participação da mulher na sociedade, a representação de identidade feminina no século XIX, bem como lendas e contos fantásticos, sendo sua obra marcada, principalmente, pelos conflitos políticos e sociais da época. A partir do contexto político-social que permeia a vida e obra desta escritora argentina, foi criado o projeto de pesquisa “Juana Manuela Gorriti: análisis y traducción”, coordenado pela professora Daniele Corbetta Piletti, na Universidade Federal do Rio Grande - FURG, que teve como objetivo divulgar práticas de tradução aplicadas na FURG como projeto pedagógico no ensino de ELE. Deste modo, o presente trabalho tem como intencionalidade abordar os desafios de traduzir a obra de uma escritora do século XIX para o português brasileiro do século XXI, bem como demonstrar os desdobramentos de aprendizagem que foram proporcionados a partir da realização deste projeto. Assim, o projeto pretende resgatar a obra de Juana Manuela Gorriti, que como outras autoras do século XIX possui uma extensa produção literária e, por vezes, são esquecidas no círculo acadêmico
COLETA DE DADOS PARA ESTUDO DE ENTONAÇÃO NA FRONTEIRA
Este trabalho apresenta metodologia de coleta de dados para o projeto de pesquisa “Entonação do Português e do Espanhol na fronteira Brasil-Uruguai”, com o objetivo de descrever os padrões entonacionais português sul-rio-grandense e do espanhol rio-platense falados na região zona de fronteira, de acordo com a metodologia do projeto AMPER - Atlas Multimídia de Prosódia do Espaço Românico (CONTINI, et all., 2002). O projeto AMPER tem como objetivo descrever padrões linguísticos geoprosódicos a partir de parâmetros prosódicos como acento, tom e duração (FERNÁNDEZ PLANAS, 2005). Este projeto de projeção internacional está dividido por países, assim, o domínio da língua portuguesa se localiza no subprojeto Amper-Port, coordenado pela professora Lourdes Moutinho, da Universidade de Aveiro (Portugal) e no sul do Brasil, com a coordenação da professora Izabel Seara, da Universidade Federal de Santa Catarina. O domínio da língua espanhola se localiza no subprojeto Amper- Cat, coordenado pelo professor Eugenio Martínez Celdrán, da Universidade de Barcelona (Espanha). A coleta de dados apresentada é referente às cidades de Rio Branco, no Uruguai e de Jaguarão, no Brasil, no período de março de 2015 a setembro de 2016, com a participação nos referidos subprojetos. Os dados coletados foram enviados para os coordenadores dos subprojetos e os resultados ainda não foram publicados. A zona de fronteira corresponde a uma faixa do território brasileiro de aproximadamente 200 km de largura, acompanhando longitudinalmente a linha demarcatória do Brasil com o Uruguai e Argentina. A referida zona já foi objeto de estudo de várias pesquisas sociolinguísticas, porém são escassas as investigações que levam em conta aspectos prosódicos ou entonacionais. A proposta metodológica do projeto AMPER determina a gravação de dados empregando um corpus específico que obedece a critérios pré-estabelecidos e análise através do programa Matlab, especialmente elaborado para o projeto. O foco da pesquisa são frases declarativas e interrogativas totais e dentre os parâmetros acústicos coletados estão a evolução de F0 e duração
A contribuição técnica para a agricultura de Jerônimo Vieira de Abreu e seu lapso historiográfico
Esta comunicação tem por intuito apresentar as atividades de um inventor pouco presente na narrativa histórica. Jerônimo Vieira de Abreu viveu no Rio de Janeiro da segunda metade do século XVIII. Em um período de demanda por novos produtos agrícolas, ele foi um agente importante para o estudo e organização de novos gêneros para o comércio. Em um primeiro momento, procura-se refletir porque esse inventor começou a figurar, só recentemente, nas páginas da história. Em seguida, busca-se analisar e apresentar autos de um processo enviado por ele, à Coroa portuguesa, para requerer uma recompensa por seus préstimos ao desenvolvimento do comércio