Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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    ENSINO RELIGIOSO E GARANTIA DOS DIREITOS HUMANOS: DESAFIOS DA ATUAL CONJUNTURA POLÍTICA

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    O presente ensaio pretende inferir o impacto da conjuntura política nacional na disciplina de Ensino Religioso, mediante a comparação de ações impositivas e conservadoras desenvolvidas no período do Regime Militar com medidas adotadas pelo atual Executivo Federal (2015-2017). Busca-se elencar os desafios educacionais para contemplar a diversidade, e o respeito às inúmeras formas de religiosidades. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação “assegura o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil, vedando quaisquer formas de proselitismo”, mas, com a possibilidade de adoção de ensino religioso confessional, resguardada, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal, é difícil assegurar a garantia de direitos humanos. A prática docente deve disseminar a cultura da paz e o respeito às diferentes crenças. A pesquisa teve caráter documental e ocorreu através de consultas a páginas oficiais do governo federal, e as notícias divulgadas pela mídia brasileira

    Estudos para incentivar soluções sociocriativas por meio de tecnologias sociais na America Latina

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    Na atualidade, as tecnologias sociais são alternativas para solução de problemas estruturais da sociedade, de forma simples, de baixo custo, replicáveis e apoiadas por instituições. Elas se fundamentam em duas bases para sua propagação: a participação de pessoas das comunidades que as desenvolvem e a sustentabilidade nas soluções apresentadas. No Brasil e países vizinhos, constatam-se exemplos de tecnologias sociais, certificadas pela Fundação Banco do Brasil, que geram soluções sociocriativas. Pelo perfil associativo e solidário, essas tecnologias sociais são mecanismos que promovem a autogestão, fator relevante em tempos de crise econômica. O objetivo dessa pesquisa é analisar o desenvolvimento dos projetos de tecnologias sociais de forma que possam ser replicados em outras comunidades da América Latina, em soluções sociocriativas. A metodologia se realiza pela pesquisa bibliográfica de contextos temáticos. As questões das comunidades de fronteiras podem ser compreendidas pela semelhança das dificuldades territoriais, que são abrandadas por fatores culturais. Aborda-se nessa pesquisa o potencial de compartilhamento das tecnologias sociais em inteligência sociocriativa. Trata-se da possibilidade de gerar soluções em conjunto, em um mundo onde as opiniões diferentes de questões políticas e culturais geram conflitos e exclusão. A inteligência sociocriativa propõe a conexão da diversidade de olhares e pensamentos, inclusive opostos, para criar realidades mais inclusivas e sustentáveis. Modelos de tecnologias sociais podem promover o diálogo entre comunidades, inclusive entre fronteiras, em experiências semelhantes. Um dos exemplos é o projeto 10caminhos que propõe solução em geração de renda para as populações em situação de vulnerabilidade econômica ao crime, com o objetivo de organizar o primeiro distrito criativo na tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai. Assim, em Foz do Iguaçu/Brasil, foi criado o primeiro núcleo na comunidade da Vila C - uma tecnologia social em modelo sociocriativo. Espera-se que este se torne um distrito criativo, um referencial da tríplice fronteira Latina Americana

    “Lave sua garganta”: Violência e honra nas colônias japonesas pós Segunda Guerra Mundial

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    O presente artigo tem por interesse analisar as manifestações culturais japonesas bem como as repressões sofridas por este povo no Brasil após o fim da Segunda Guerra Mundial. Para este fim, é utilizado como base o livro e filme homônimo, Corações Sujos (2000) escrito por Fernando Morais. A estratégia metodológica utilizada foi uma intensa pesquisa bibliográfica mesclando autores brasileiros com trabalhos na cultura brasileira e o livro supracitado, objetivando encontrar pontos de conexão e proximidade entre estes.

    As novas Tecnologias na Igreja Assembleia de Deus

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    O objetivo deste trabalho é apresentar alguns dados iniciais da pesquisa PIBIC que venho realizando a respeito da “conectividade evangélica2”. A metodologia utilizada foi o trabalho de campo que constou de entrevistas e de observação direta dos cultos da Assembleia de Deus em Toledo, no Paraná. Meu objetivo principal é compreender como os evangélicos das Assembleias de Deus estão aderindo às inovações tecnológicas tais como telefones celulares e telão multimídia durante o culto religioso. Ao longo da pesquisa verificamos a utilização da bíblia online e a transmissão ao vivo do culto como algo recente no espaço do sagrado e que está relacionado ao crescimento cada vez maior do uso da tecnologia no cotidiano contemporâneo

    Feminismo e Arte Contemporânea: A transfiguração e a (re)ssignificação de poéticas.

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    O presente trabalho objetiva-se investigar a relação de gênero e a produção contemporânea nas Artes Visuais. Apresentaremos conceitos do movimento feminista e seus respectivos impactos na Arte Contemporânea Latina Americana. O surgimento do movimento feminista com suas reivindicações de igualdade de gênero, direitos e participações das mulheres nas esferas políticas e sociais influenciou e influencia as mulheres artistas a falarem e representarem nas suas obras sobre as questões que as atravessam. Sobre essa trajetória, pensaremos a produção artística contemporânea de algumas mulheres latinas que buscam problematizar conceitos de gênero, sexualidade e violência. Uma imagem inferiorizada do ser feminino foi construída dentro do pensamento de todo o ocidente. As mulheres foram distanciadas ao longo da história de todas as atividades ligadas ao intelecto, ou seja, essas atividades do intelecto e de ordem pública eram somente associadas ao masculino. A história da arte ocidental estruturada por uma lógica machista, sexista e misógina colocou as mulheres no lugar de objeto dentro da própria arte. As mulheres sempre foram representadas artisticamente para atender os desejos e os critérios masculinos, uma relação desigual se estabeleceu em nossa cultura. O feminismo afetou o movimento artístico no final do século XX e começo do século XXI, diversificado e ampliando poéticas, teorias e práticas artísticas. As discussões contemporâneas latinas a respeito da arte fecundam debates políticos de emancipação dos direitos das mulheres, questionam as narrativas e a historiografia hegemônica das Artes Visuais e pensam novas perspectivas de raça, gênero e classe. As reflexões dão ênfase à inserção da produção de mulheres artistas e como essas produções estão situadas em um espaço de resistência e resiliência.  A trajetória influente do feminismo na década de 1960 deixa marcas politicas na arte, as poéticas insubordinadas dessas artistas dão novas formas e sentidos à história da arte

    Entre a Loucura e o Crime: Os Discursos na Obra “Espiritismo no Brasil” (1931) De Leonídio Ribeiro e Murillo de Campos

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    Nas últimas décadas, a questão da construção da identidade nacional brasileira no início do século XX vem sendo revisitada e rediscutida pela historiografia. Este tema é frequentemente encontrado em discussões sobre as politicas do período Vargas, Primeira Guerra Mundial, modernismo paulista da Semana de Arte Moderna de 1922, entre outros recortes. Inserido no recorte temporal do período Vargas (1930-1945), mas não discutindo propriamente Getúlio Vargas e suas ações, este texto tem como problemática pensar a construção da identidade médica brasileira a partir da obra “O espiritismo no Brasil” (1931) escrito por Leonidio Ribeiro e Murilo de Campos. No Brasil, especialmente entre os anos de 1890 e 1940, o espiritismo torna-se alvo de preocupação de diversos intelectuais, que ligados a instituições procuraram formular teorias e acusações para defini-lo e deslegitimá-lo. Dentre estas instituições as faculdades de medicina foram um dos principais interessados em discutir o espiritismo no Brasil. Neste período, os argumentos médicos poderiam ser encontrados em teses, laudos médicos-legais e em denúncias de funcionários sanitários. “Espiritismo” e “curandeirismo”, eram representados da mesma maneira pelo campo médico, o que originou em uma campanha “contra o espiritismo”, no qual, relatórios eram formulados e entregue as autoridades policiais e governamentais, criando polêmicas com aqueles que assumissem a identidade de espíritas, dentre os quais poderiam ser juízes, advogados, jornalistas e até mesmos médicos. O enfoque deste texto é justamente pensar como o saber médico produzido por Leonidio Ribeiro e Murillo de Campos sobre espiritismo, forjou representações de identidades no campo médico do período. Entretanto, outro objetivo deste texto é pensar como estas identidades forjadas por estes médicos legitimaram práticas de intervenção social na população brasileira no período, em prol de um projeto nacional de construção de uma nação brasileira

    Elementos identitários da América Latina em programas infantis de TV da Argentina e da Colômbia

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    Este trabalho de pesquisa de mestrado trata da representação de elementos identitários da América Latina emprogramas infantis de televisões públicas da Argentina e da Colômbia que se tornaram relevantes polos deprodução audiovisual voltada para crianças na região nos últimos 10 anos: o canal PakaPaka, da Argentina, e afaixa de programação infantil Mi Señal, da TV Señal Colômbia. Com o objetivo de mapear quais imagens econstruções narrativas representam e indicam marcas culturais da região nos programas dirigidos a crianças,foram analisados, em abordagem metodológica inter e transdisciplinar, fragmentos das séries Medialuna y lasnoches mágicas (Argentina) e Guillermina y Candelario (Colômbia). Ambas as produções também foramexibidas em outros países da região e tratam de elementos identitários locais em estéticas e narrativas. A análisedos episódios pelo método de leitura cultural, proposto por Cremilda Medina (2003, 2007), indicou pluralidadena representação das infâncias, com referências múltiplas da arte, do trabalho, do cotidiano e do meio ambientedo continente, o que abre janelas de identificação com outros públicos da região

    MULHERES E RAÇA: UMA REFLEXÃO SOBRE A NECESSIDADE DE SENSIBILIDADE NA ELABORAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AÇÕES AFIRMATIVAS NO BRASIL

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    MULHERES e raça: UMA REFLEXÃO SOBRE a necessidade de sensibilidade na elaboração de POLÍTICAS PÚBLICAS E AÇÕES AFIRMATIVAS NO BRASIL MUJERES Y RAZA: UNA REFLEXIÓN SOBRE LA NECESIDAD DE SENSIBILIDAD EN LA ELABORACIÓN DE POLÍTICAS PÚBLICAS Y ACCIONES AFIRMATIVAS EN BRASIL Victória Santos de Azevedo[1] Ana Carolina Einsfeld Mattos[2] Mini Resumo Durante o período colonial mulheres e homens negros foram tratados como propriedade privada pelo sistema escravista, o que produziu algumas características comportamentais que ainda refletem na atualidade, fazendo com que a população negra seja socialmente marginalizada. As mulheres negras, por sua vez, sofrem uma dupla marginalização, o que as deixa socialmente mais vulneráveis. O presente trabalho, fruto de uma coleta de dados bibliográficos e documentais, tem como objetivo refletir acerca de políticas públicas e ações afirmativas que envolvem gênero e/ou raça no Brasil, uma vez que a possibilidade de melhora da condição e da qualidade de vida deste grupo de pessoas, muitas vezes, perpassa por programas sociais, os quais precisam ser elaborados partindo de abordagens sensíveis, que acompanhem o ritmo do desenvolvimento e das modificações da sociedade, permitindo uma melhora plena e não apenas momentânea na vida das pessoas. Palavras-Chave: Mulheres negras; Políticas públicas; Ações afirmativas; Período colonial; Sistema escravista.     Mini Resumen Durante el período colonial mujeres y hombres negros fueron tratados como propiedad privada por el sistema esclavista, lo que produjo algunas características comportamentales que aún reflejan en la actualidad, haciendo que la población negra aún sea socialmente marginada. Las mujeres negras, a su vez, sufren una doble marginación, lo que las deja socialmente más vulnerables. El presente trabajo, fruto de una recolección de datos bibliográficos y documentales, tiene como objetivo reflexionar acerca de políticas públicas y acciones afirmativas que involucran género y/o raza en Brasil, una vez que la posibilidad de mejora de la condición y de la calidad de vida de éste el grupo de personas a menudo pasa por programas sociales, los cuales necesitan ser elaborados desde de enfoques sensibles, que acompañen el ritmo del desarrollo y de las modificaciones de la sociedad, permitiendo una mejora plena y no sólo momentánea en la vida de las personas.   Palabras claves: Mujeres negras; Políticas públicas; Acciones afirmativas; Período colonial; Sistema esclavista.   1. Os negros e as negras no Brasil: Do período colonial à atualidade Desde o primeiro momento em que pisaram em terras brasileiras, os negros, foram postos à margem da sociedade, primeiramente porque a vinda deles caracterizava uma mão de obra servil e segundo porque em nenhum momento da história foram inseridos na sociedade de nenhuma forma, somente excluídos (FERNANDES, p. 83, 2007). Porém um aspecto preocupante diz respeito às mulheres negras, que sofrem consequências de uma discriminação que perpassa questões de gênero e raça e as torna socialmente condicionadas na base da pirâmide social brasileira. Segundo Assumpção (p. 33, 2015) o período colonial brasileiro foi o momento em que a mão de obra para a realização de tarefas mais pesadas foi construída a partir da forma já calcada pelos europeus em outros países, pelo trabalho de outras pessoas. Isso porque terras recentemente “descobertas” precisavam ser ocupadas, demarcadas, para que não fossem encontradas à deriva por outros povos “desbravadores”. As primeiras tentativas de reorganizar a forma de viver existente na sociedade encontrada foram conflituosas, disso diversos conflitos foram ocasionados e como consequência diversas pessoas que compunham a população local foram mortas, diante desse aspecto, a solução foi utilizar a mão de obra pesada já existente em outros lugares, que se dava a partir do tráfico negreiro (ASSUMPÇÃO, p. 42-43, 2015). Conforme aponta o Ministério da Cultura do Brasil (p. 11, 1988) a mobilidade social era praticamente inexistente no período colonial, havia uma estratificação social bastante rígida que impossibilitada a mudança de situação e o crescimento econômico, desde forma, os homens e as mulheres negras precisavam buscar estratégias de sobrevivência longe das casas dos senhores, que tratavam seres humanos como um instrumento passivo, uma mera engrenagem de força física. A historiadora Hebe Mattos (p. 108-111, 2006) ressalta que uma das formas de sobrevivência que a população negra encontrou neste período foi a reunião em quilombos, que foram constituídos com a finalidade de unir forças e lutar por melhoras nas condições sociais, autora ainda ressalta que este espaço serviu como resistência e suporte após o final do período escravista, pois foram os únicos lugares que abrigaram os negros de forma respeitosa. Segundo a abordagem da psicanálise, trazida por Nogueira (p. 42, 1999), a escravidão constituiu para a população negra uma imagem de “carência de humanização” e acentuou a ideia de diferença biológica, uma vez que se pensava que o corpo negro era diferente e em escalas biológicas, mais próximos de animais e coisas, o que também ajudou na constituição da ideia de posse e objeto existentes naquele período. Neste sentido o negro não era considerado um cidadão livre, não era uma pessoa, mas sim um objeto. Porém esta ideia de diferenças raciais, considerando aspectos relacionados a cor, caem por terra, uma vez que conforme aponta Munanga (p. 51-52, 1986), não existem diferenças consideráveis no organismo humano para que se tenham raças humanas diferentes. No que diz respeito, especificamente as mulheres negras, estas sofrem os mesmos preconceitos dos homens negros, acrescidos da questão que envolve a sexualidade, pois o corpo da mulher negra foi aprisionado em violências que refletem nos dias de hoje pelos estereótipos de sambista, mulata ou doméstica (NOGUEIRA, 1999). Relacionado aos estereótipos de sambista e mulata ainda se faz importante trazer outro aspecto que diz respeito ao mito da democracia racial, que se reencarna e reconfigura no rito do carnaval, além de diversos simbolismos que são reforçados (GONZALES, p. 228, 1984). Atualmente a mulher negra integra a parte mais vulnerável da sociedade, pois é a mais marginalizada e objetificada, sem considerar questões de racismo institucional que elas são obrigadas a passar na busca de uma resposta do Estado. Diante disso e de todo aspecto histórico existente é dever do Estado Nacional, a partir de ações reverter esta situação e promover a igualdade, que é garantida desde a Constituição de República Federativa do Brasil de 1988.   2. O dever do Estado brasileiro: Políticas Públicas e Ações Afirmativas O Estado brasileiro assumiu o papel de promotor de igualdades com a Constituição de 1988 e com isso a ideia de políticas públicas e ações afirmativas passa por ele, por se tratarem de diretrizes elaboradas para enfrentar problemas públicos ou entendidos como coletivamente relevantes (SECCHI, p. 2, 2010). Mulheres, jovens e meninas negras, durante a vida, passam pelo mesmo tipo de violências que as demais, porém existem diferenças gritantes na desproporção das discriminações, pois elas são baseadas em sistemas que alimentam as desigualdades e em inúmeros países elas são as maiores vítimas segundo diversos indicadores de violação de direitos humanos. Essas violências são produto da combinação de marcadores sociais e desigualdades atribuídas aos papéis de gênero masculino e feminino. (AGÊNCIA PATRÍCIA GALVÃO, 2018). Os aspectos históricos também são responsáveis por reforçar esta situação e construir perfis estereotipados, quase impossíveis de serem desconstruídos, pois já estão enraizados na sociedade. Diante disso é essencial a sensibilidade ao elaborar ou avaliar as políticas públicas ou ações afirmativas já existentes, pois para promover a igualdade é essencial que todos partam do mesmo ponto de partida e não de linhas desparelhas. No que diz respeito às políticas públicas para mulheres não é incomum ser levantado o ponto de que elas devem ser para todos, porém, as mulheres negras, que estão em uma situação de vulnerabilidade social maior, acabam não sendo alcançadas, pois justamente na tentativa de buscar a igualdade mais desigualdades são produzidas pela insensibilidade no trato das políticas. Segundo Djamila Ribeiro (p. 41, 2017) melhorar o índice de desenvolvimento humano de grupos vulneráveis deveria ser o primeiro passo para a busca da igualdade e, portanto, é essencial dar foco para o que alertam as feministas negras. Tratar somente de uma parcela das mulheres ao tentar olhá-las como universais faz somente com que algumas sejam vistas e enquanto isso, as outras arcam com as consequências da falta de um olhar étnico (RIBEIRO, p. 41-42, 2017). É visível a falta de um olhar sobre questões que interseccionam gênero e raça, porém, ainda que hajam progressos nas políticas promovidas, o Estado ainda reluta em considerar as discriminações como aspectos a serem observados com mais seriedade, o que acarreta em um número de políticas públicas insuficiente, principalmente por conta da baixa representatividade feminina negra em órgãos deliberadores, como o Legislativo (BRASIL, p. 36, 2011). As discriminações e o fato de permanecer com a visão dos negros como socialmente inferiores afastam toda a população negra da ascensão social e como consequência os níveis de renda também permanecem inferiores (BRASIL, p 36, 2011). Assim é notável a importância na promoção de políticas públicas que trabalhem a perspectiva de raça e gênero, atravessando questões que levam as diferenças discriminatórias, buscando a contemplação de grupos que se desenvolvem e possibilitando a eles alcançar a visibilidade na sociedade, afastando as desigualdades (SILVA, p. 128, 2013).   3. Só a educação salva? Ainda que os problemas sociais, principalmente a violência dentro dos próprios lares, sejam realidades enfrentadas pelas mulheres negras como consequência de um histórico calcado na discriminação, e, a promoção de políticas públicas que enfrentam esses problemas sejam essenciais, existem outros aspectos que precisam ser considerados, como a questão da educação e das ações afirmativas que modificam as diretrizes básicas de ensino inserindo nos currículos visões descolonizadas, pois estes proporcionam uma visão de continuidade a partir das novas gerações, possibilitando que as mentes do futuro modifiquem a sociedade. A partir da perspectiva de Nilma Lino Gomes (p. 105, 2012) o ato de falar sobre algum assunto ou tema na escola não é uma via de mão única e permite trocas, interpretações de diversas ideias. As mudanças trazidas pelas ações afirmativas, que compreendem as leis 10.639/2003 e 11.645/2008, além de proporcionarem novas disciplinas e conteúdos possibilitam uma mudança continuada no que diz respeito a cultura e a política, com grande potencial para romper com silêncios e construir novas abordagens.   Referências AGÊNCIA PATRÍCIA GALVÃO. Violência e racismo. Dossiê violência contra as mulheres. Disponível em: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossies/violencia/violencias/violencia-e-racismo/. Acesso em: 27 jun. 2018. (Página da web)   ASSUMPÇÃO, Jorge Euzébio. Caminhos da História: da África aos Afrodescendentes do Brasil Meridional. In: PINHEIRO, Adevanir Aparecida. (Org.). África e afrodescendentes no Sul do Brasil: história, religião e educação. São Leopoldo: Casa Leiria, 2015. (Capítulo de livro)   BRASIL, Ministério da Cultura. Para uma história do negro no Brasil. 1. ed. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1988. (Obra completa)   BRASIL, Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça. 4. ed. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 2011. (Levantamento de dados)   FERNANDES, Florestan. O negro no mundo dos brancos. 2. ed. São Paulo: Global, 2007. (Obra completa)   GOMES, Nilma Lino. Movimento negro e educação: ressignificando e politizando raça. Educ. Soc. v. 33, n. 120, 2012. (Artigo em periódico)   GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Ciências sociais hoje. v. 2, n. 1, 1984. (Artigo em Periódico)   MATTOS, Hebe. "Remanescentes das comunidades dos quilombos": memória do cativeiro e políticas de reparação no Brasil. Revista USP, 2006. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revusp/article/download/13486/15304. Acesso em: 13 jul. 2018. (Artigo em Periódico Digital)   MUNANGA, Kabengele. Negritude: Usos e sentidos. São Paulo: Editora Ática, 1986. (Obra completa)   NOGUEIRA, Isildinha. O corpo da mulher negra. Pulsional Revista de Psicanálise. v. 13, n. 135, 1999. (Artigo em Periódico)   RIBEIRO, Djamila. O que é: lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento: Justificando, 2017. (Obra completa)   SECCHI, Leonardo. Políticas públicas: conceitos, esquemas de análise, casos práticos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. (Obra completa)   SILVA, Tatiana Dias. Mulheres negras, pobreza e desigualdade de renda. Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil, 2013. Disponível em: http://www.pordentrodaafrica.com/wp-content/uploads/2014/06/Livro-Dossiê_mulheres_negras-retrato_das_condições_de_vida_das_mulheres_negras_no_Brasil.pdf#page=111. Acesso em: 3 mai. 2018. (Artigo em dossiê) [1] Mestranda em Ciências Sociais; Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS; São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil; [email protected]. [2] Mestranda em Ciências Sociais; Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS; São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil; [email protected]

    Quebrando Urnas: as formas de silenciamento e apagamento da cultura material e memória utilizadas pelos invasores europeus na Manaus colonial (séc.XVII-XIX)

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    A colonização empreendida na Amazônia portuguesa pode ser aqui entendida como um processo multifacetado, onde surgem discussões sobre as imposições de poder e cultura, ao mesmo tempo em que havia uma preocupação em ocupar territórios e os proteger contra invasões de outros europeus. A Coroa portuguesa e a Igreja Católica tomam parte na colonização, assim como os próprios habitantes dos povoados portugueses, que veem no indígena uma fonte fácil de lucro, exploração do trabalho e expurgo. Vê-se a violência como uma forma de oprimir, mas também de reafirmar uma pretendida soberania do branco. É também nas convivências do período colonial na Amazônia, em especial no Lugar da Barra, futura cidade de Manaus, onde se constrói um campo de lutas e tensões entre os colonizadores e os nativos, cada um com seus meios de lidar com o conflito, amenizá-lo ou intensificá-lo. Neste trabalho, através do entrecruzamento de dados históricos e arqueológicos, o silenciamento da memória e o apagamento da cultura material são entendidos como formas de afetar diretamente a identidade e cultura dos povos indígenas no período, inserido na colônia portuguesa, entre os séculos XVII e XIX

    SENTIDOS DA CULTURA, FRUIÇÃO CULTURAL E AVALIAÇÕES SOBRE UMA LOCALIDADE DA PERIFERIA DE CAMPINAS

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    As análises apresentadas no artigo aqui resumido são baseadas em dados coletados entre 2004 e 2006 para a realização da minha tese de doutorado. Tratava-se de uma pesquisa sobre gosto musical de indivíduos pertencentes às classes populares. Buscava identificar as seleções musicais feitas pelos sujeitos e como se davam as operações através das quais eles escolhiam determinadas combinações de músicasNo artigo a ser apresentado no Congresso Internacional Online de Estudos Sobre Cultura o que se busca é identificar os sentidos que sujeitos conferem à noção de cultura, à fruição cultural em seu cotidianos tanto na vida doméstica quanto nas experiência vividas no espaço intermediário entre o público e o privado que são os bairros

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