Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
Not a member yet
1178 research outputs found
Sort by
CRENÇA NO MOVIMENTO PROTESTANTE BRASILEIRO: SAGRADO X PROFANO.
Este artigo tem o propósito de analisar, numa Igreja evangélica presbiteriana, de que forma se situa a questão do sagrado e do profano, tendo o mágico o intermediador de acesso a este processo. Para isso, discutiremos com alguns antropólogos como Evans-Pritchard, Mauss, Durkheim entre outros para entendermos os papeis sociais e as formas estruturais em que a igreja presbiteriana vivencia através dos seus atores essa subjetividade simbólica. Sendo que uma das suposições é de que a relação moral que se estabelece com o sagrado que instrumentalizará o indivíduo presbiteriano na sua vivência religiosa e cultural e social
Língua e Cultura: as orientações curriculares para ensino de língua estrangeira
Nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio (OCEM), o capítulo dedicado exclusivamente ao ensino de língua espanhola denominado “Conhecimentos de Espanhol”, pode ser considerado como um marco histórico no ensino desta língua no Brasil, uma vez que é a primeira vez que há uma publicação dedicada ao ensino e diretrizes de uma língua específica. Valoriza a pluralidade e heterogeneidade da língua e desenvolve uma competência que propicie ao aluno não só o conhecimento das habilidades linguísticas, além disso, o contato com o outro e a reflexão sobre as diversidades culturais. Levando em conta tal contextualização sobre o documento, o objetivo deste trabalho é demonstrar como este gesto de política sobre a língua espanhola no Brasil discursa sobre os temas de integração regional, cultural e linguística. Para esta empreitada, apoiamo-nos nos estudos em Análise do Discurso, que nos provê reflexões sobre a dimensão política da língua, visto que as perspectivas da AD, questionam os vários modos de produção de sentidos e exploram a dimensão política das relações linguísticas
Afiliação geográfica como possível preditor de comportamentos de multitarefa
A multitarefa, especialmente combinada com o uso de diferentes tipos de meios de comunicação, tornou-se um comportamento comum na nossa vida quotidiana, sendo promovida por constantes desenvolvimentos tecnológicos em equipamentos de uso pessoal. Os comportamentos de multitarefa têm sido frequentemente estudados a partir de perspectivas individuais como a idade e o género. Há, contudo, menos estudos sobre como a origem, a afiliação cultural ou geográfica pode influenciar ou potenciar comportamentos de multitarefa. Este artigo tem como objectivo analisar uma possível ligação entre afiliação geográfica, uso de meios de comunicação e tendência para comportamentos multitarefa de um grupo de dez investigadores, todos do sexo masculino, todos com a mesma profissão e com o mesmo ambiente de trabalho, com diferentes afiliações geográficas, agrupados em diferentes grupos regionais (Europa, Norte de África, Ásia Meridional/Ocidental). Foram registadas diferenças no consumo de meios de comunicação, sendo os valores de consumo semanais do cluster europeu (76.3 horas) bastante abaixo da média, os do cluster norte-africano (104.83 horas) bastante acima da média e os do cluster asiático (83.17 horas) aproximados à média (86.92 horas/semana). Uma tendência semelhante verifica-se nos valores de multitarefa com vários meios de comunicação, apresentando o cluster europeu os valores mais baixos de comportamento multitarefa globalmente, mas também os valores mais baixos em relação a dez dos meios de comunicação. O cluster do Norte de África regista não só o maior índice de comportamento multitarefa dos três clusters, como valores parcelares de multitarefa mais elevados para oito dos meios de comunicação
CULTURA AFETIVA: a construção do ser brincante no contexto urbano externo
Através da ação e brincadeira, reflete-se a possibilidade de transformar espaços em lugares de afeto, o que pode proporcionar um olhar complexo para a realidade humana e criar novos caminhos para a participação social. Assim, tem-se como objetivo os estudos que buscam apreciar as crianças a partir da sua atualidade social, da cultura afetiva que estão inseridas e também são capazes de construir. O homem é um ser biológico ao mesmo tempo que um indivíduo social. As relações sociais constituem importante artifício no processo de evolução humana, de forma que a sua investigação é básica para a área da psicologia positiva do desenvolvimento. A pesquisa aqui descrita é parte de um projeto maior sobre design para a felicidade com recorte em espaços urbanos externos para brincar e que, por se tratar de design com foco em felicidade, um levantamento amostral procurou utilizar-se como estratégia qualitativa que permitisse o alcance desse objetivo de forma ampla. Para tal, se utilizou a fotografia de eventos para a coleta de dados. A brincadeira e os possíveis objetos que fazem parte dela estão marcados pela identidade cultural e por características sociais específicas de uma comunidade urbana. Portanto, considera-se a brincadeira um produto coletivo e inovador, uma vez que quem brinca é um agente ativo desse processo e contribui para a produção de culturas particulares entre os brincantes. Ao andar pelas grandes cidades brasileiras percebem-se modos distintos de ocupação do espaço urbano por crianças: umas brincando em parquinhos, outras tantas morando e lutando pela sobrevivência muitas vezes em situação de alto risco e, mesmo assim, brincando em locais os mais diversos, tenham sido eles projetados ou não para esses usos. A diversidade geográfica e cultural do Brasil é palco de diversas formas e conteúdo de brincadeiras
Cultura e a filosofia ceramista das louceiras do Maruanum-Amapá
Esse trabalho objetiva refletir a cultura e a prática ceramista do criar-saber fazer das louceiras do Maruanum como uma perspectiva filosófica. Homogeneamente, a filosofia e a ciência ditaram ao longo do tempo as formas de pensar, de normatizar comportamentos, atitudes e ações dos agentes sociais. Paralelamente, a filosofia assume um papel de ciência que rompe com os paradigmas que outrora foram sustentados por ela. A partir dessa postura de romper com a filosofia clássica e europeia, a filosofia se abre para outras realidades, para outras formas de viver, para modos de se comportar e sentir. Enfim, a filosofia caminha para o “além de construir textos” e se engaja nas tradições orais, na cultura do outro, na diversidade, no contra hegemônico. Assim, a filosofia também se liberta da racionalidade moderna e mergulha na racionalidade do outro, a partir do pensar intercultural, a fim de desconstruir razões universalizantes. Para endossar essa reflexão, esse trabalho traz à tona a filosofia ceramista das louceiras do Maruanum formada a partir de rituais e crenças. Esse estudo se valeu da metodologia antropológica. Para dialogar teoricamente, o texto contempla os escritos de Costa (2014), Costa, Lima e Custódio (2016); e do filósofo Fornet-Betancourt (2011). O campo de pesquisa das comunidades onde vivem as louceiras do Maruanum apontam para uma filosofia ceramista de explicar a tradição repassada de geração para geração
Introdução à cultura surda e a importância da aprendizagem de Libras
Os brasileiros surdos são pessoas que por não escutarem, se comunicam de forma diferente dos brasileiros ouvintes. Eles utilizam da língua Libras para se comunicarem e principalmente por usarem uma língua diferente da vocal auditiva (Português), é chamada de cultura surda. O objetivo deste estudo é reconhecer as especificidades da cultura surda e apresentar a Libras como forma de expressão e comunicação, em diferentes instâncias e analisar a importância e a história dessa língua nestes contextos. A metodologia utilizada é de pesquisa bibliográfica e pesquisa qualitativa voltada para a observação dos integrantes da comunidade surda. Entre os resultados, percebeu-se que é necessário propostas de divulgação dessa cultura e apresentação da Libras, para que o máximo de pessoas a conheçam, seja ouvinte ou surdo, e se comuniquem por ela, para que ocorra efetivamente a inclusão e a formação humana de todos, com equidade e respeito
Formação docente na UNILA: contraponto descolonial em tempos neoliberais?
O presente estudo integra o projeto de pesquisa: Universidade, Formação Política e Bem Viver: Estudo dos Projetos de Universidades Emergentes no Brasil (2003-2014), do Grupo de pesquisa do PPGEDU/UFRGS. Nesse projeto, insere-se também a pesquisa de dissertação Escola: A fronteira final; A universidade e a formação docente em tempos neoliberais. Em ambos projetos, optamos por um estudo de caso da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Através da leitura sistemática de seus documentos com as lentes dos Projetos referidos, discutimos a formação docente em tempos neoliberais, dando atenção ao curso de história da UNILA. Neste contexto, apresenta brechas que estabelecem rupturas com a hegemonia neoliberal. apontando elementos democratizantes e descoloniais que constituem um processo de rupturas com o pensamento euro-norte-centrado. Num cenário de fortalecimento do neoliberalismo e da crescente exaltação de um pensamento colonial internalizado, as políticas públicas e os debates no campo da educação superior são contrapontos fundamentais para a emergência de novos paradigmas capazes de dar conta do tempo presente. Como parte dessas políticas, as experiências de novas universidades oportunizam caminhadas de ruptura com o colonialismo euro-norte-centrado, com a mercantilização neoliberal e outras tantas formas de opressão, tão marcantes no nosso mundo contemporâneo. Numa primeira parte, nos valemos de referenciais teóricos que explicitam a sociedade neoliberal (DARDOT; LAVAL, 2016; GENTILI, 1996) para contextualizar o cenário atual e situarmos um histórico da criação da UNILA enquanto política pública de integração cultural da América Latina. Em nossa perspectiva, essa política tem um ponto de conexão com o currículo da Universidade e as possibilidades que se colocam para uma outra integração latino-americana. Assim, sob essa ótica, fazemos uma análise preliminar do currículo de licenciatura em história da UNILA para nele apontar brechas descoloniais (SEGATO, 2012) que possibilitem democratizar e desmercantilizar a universidade, desafio do nosso século (SANTOS, 2002, 2004, 2007)
ATITUDES LINGUÍSTICAS DE ALUNOS HISPANOFALANTES EM TORNO DAS LÍNGUAS NA UNILA
Este estudo parte da ampla corrente migratória no Brasil e, mais especificamente, em Foz do Iguaçu, onde encontramos um contexto bem complexo de correntes migratórias nas regiões fronteiriças, inclusive, na própria Unila, universidade que reúne uma diversidade cultural e linguística muito grande. Esta realidade permite uma gama de análise de comportamentos sociolinguísticos em torno das diversas culturas e línguas em contato. Nesse sentido, o presente trabalho tem o objetivo de analisar as atitudes linguísticas de discentes provenientes de vários países hispanofalantes da América-latina em torno do conhecimento e do uso das diferentes línguas na Unila. Além de verificar a relação desses sujeitos com sua língua materna, analisamos a relação que tem o falante de espanhol com as variações que apresenta sua própria língua e, finalmente, a relação que esse sujeito tem com relação à(s) língua(s) do outro. Para tanto, fizemos um levantamento de dados qualitativos e quantitativos por meio de entrevistas a discentes de vários cursos (graduação e pós-graduação) da Unila. Desta forma, visamos mostrar a pluriculturalidade e o bilinguismo/multilinguíssimo como um fenômeno sociolinguístico complexo, que abrange situações sociais mais amplas, não isentas, nem transparente
Educação Integral como política pública de acesso à Educação Ambiental Patrimonial
A educação integral é uma política pública educacional que aos poucos vem sendo incorporada na educação brasileira, o que gera transformações nas práticas pedagógicas, no currículo escolar e nos espaços de ensino e aprendizagem. Neste cenário, a escola abre possibilidades, para que além das disciplinas obrigatórias, também sejam oferecidas aos alunos oportunidades de conhecer, discutir e refletir sobre diversas temáticas, dentre elas está a Educação Ambiental Patrimonial. Portanto, o objetivo deste trabalho é discutir como a educação integral possibilita o desenvolvimento paradigmático e prático da educação ambiental patrimonial. Deste modo, a metodologia utilizada foi a pesquisa qualitativa de cunho bibliográfico, documental exploratório e de análise reflexiva. Para conceituar e refletir sobre a educação ambiental patrimonial foram eleitos os autores Marchette (2016) e Florêncio (2015). No âmbito da educação integral, analisamos documentos oficiais do Ministério da Educação e Cultura (MEC) e contextualizamos essas informações com o aporte teórico apresentado por Pestana (2014) e Pinho e Peixoto (2017). Ademais, a pesquisa ressalta a importância da educação ambiental patrimonial no contexto escolar que exerce um papel fundamental na construção de um indivíduo social e ambiental, pois é por meio de atividades específicas da educação ambiental patrimonial que o discente aprimora a sua identidade cultural, as questões de pertencimento, de conservação e preservação dos bens materiais e imateriais que se constituem enquanto patrimônio cultural
Marambiré como Patrimônio Cultural e Instrumento de Resistência do Quilombo do Pacoval/Pará
O presente ensaio introdutório tem o propósito de apresentar a dança do Marambiré como patrimônio cultural e de resistência do Quilombo do Pacoval e, portanto, um exemplo de organização cultural e social amazônica. A representação da dança do Marambiré é tida pelos quilombolas do Pacoval como a perpetuação da história de seus ancestrais, ao mesmo tempo, forma de manter viva sua cultura e origem. A origem das informações sobre o Quilombo do Pacoval, vem de autores locais, nacionais e entrevistas realizadas com os membros da dança do Marambiré – coordenação e componentes. Desta forma, conclui-se reafirmando que a ancestralidade negra, religiosidade, (re)existência cultural afro às intolerâncias sofridas e horizontalidade comunitária são características facilmente identificáveis nos comunitários do Quilombo do Pacoval, local onde a musicalidade se funde com a religião, expressando através da dança do Marambiré toda sua história de resistência cultural, social e política