Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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    Cartografias afetivas e a ressignificação dos espaços e sensibilidades na urbe

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    Este trabalho faz um breve histórico de como a revolução industrial e comunicacional na modernidade resultou numa perda de experiência autêntica e declínio da narrativa tradicional, como definidos por Walter Benjamin. Apresenta como o urbanismo surge enquanto prática e ganha protagonismo como forma de ação modificadora da estrutura das sociedades urbanas emergentes a partir do século XIX e analisa as experiências das diferentes errâncias urbanas que, concomitantemente, desejam pensar este novo espaço urbano moderno, desde a flânerie, passando pelas vanguardas históricas do início do século XX até as experiências de letristas e situacionistas nos anos cinquenta e sessenta. Munido destas referências históricas e teóricas, o trabalho busca no projeto de cartografias do cotidiano da associação The Worst Tours na cidade do Porto em Portugal uma das muitas vivências “neossituacionistas”, capazes de oferecer experiências baseadas na arte do diálogo e da interação, inscritas na cotidianidade dos participantes. São tours não-turísticos pela cidade que revelam zonas fora dos guias tradicionais e proporcionam aproximações, trocas e descobertas, ativando dinâmicas coletivas e formas descentralizadas de experienciar o espaço urbano, a história e o presente de um povo. Conclui ressaltando a importância do espaço urbano enquanto espaço de troca e construção de novas formas de narratividade e rememoração a partir de um “tempo de agora”, possível no exterior rugoso que é a cidade contemporânea

    “O Lavrador de Café”: expressionismo e emancipação em Portinari

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    A exposição objetiva discutir o estatuto ocupado pela noção de emancipação no contexto da produção expressionista de Candido Portinari (1903-1962). Para tanto, subsidiaremos o tema tendo em vista um dos quadros mais representativos do artista: “O Lavrador de Café”, retratado em 1934. A tese que aqui se advoga é a de que a tela sugere uma teoria da emancipação em, pelo menos, dois níveis simbolicamente intercalados: a dimensão sociocultural da negritude (nível étnico) e a do trabalhador negro cujas marcas remonta ao período colonial escravocrata (nível histórico-econômico). O que o olhar do pintor não deixa de captar, com seu expressionismo típico, é o fenômeno da superprodução capitalista acarretado pelo desmatamento, exploração e devastação da fauna e da flora, sintomas paradigmáticos do ideal emergente da noção de progresso. Por isso, em termos metodológicos, ao trazer para o primeiro plano o trabalho cotidiano da gente simples (como a figura do negro) a pintura visa transcender todo abstracionismo de gênero acadêmico ao incorporar a concretude real, nua e crua, da exploração humana em todos os seus matizes. Disso sobrevêm o estilo portinariano de deformação das figuras, em tom dramático e comovente, ao retratar o sofrimento do trabalho duro nas fazendas, impregnando o simbolismo característico do processo de exploração da mão de obra barata. A conclusão dessa hipótese interpretativa pretende reconhecer, como pano de fundo da obra, um manifesto de resistência enquanto expressão vital de emancipação humana, abrindo o horizonte possível de utopia como nova espacialidade antropológica reorientada numa democracia pós-capitalista e, portanto, pós-colonialista

    A multiculturalidade presente na polifonia discursiva dos personagens do romance Capitães da areia e dos atores sociais atuais

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    O presente trabalho é fruto de pesquisa durante o mestrado acadêmico realizado no setor de Educação da Universidade Federal do Paraná, com o tema Literatura e Direitos Humanos, a partir do romance Capitães da areia, de Jorge Amado, 1937 e do filme sobre a obra. Em 2011, o Programa Vivo Lab, responsável por transdisciplinarizar projetos culturais de arte e tecnologia digital, lançou os jogos “Capitães da areia”,  onde os jogadores podem incorporar os personagens e são desafiados a superar pacificamente vários obstáculos. O romance aborda a integração multicultural que reflete a situação de crianças abandonadas, provenientes de diversas regiões do Brasil. Inicia com uma notícia sobre um assalto realizado pelos "menores", em seguida vários profissionais escrevem cartas à redação do Jornal da Tarde opinando sobre o funcionamento do Reformatório, instituição para onde eram enviados os “menores infratores”. Dentre eles, tem-se a carta do Secretário do chefe de polícia, da mãe, do diretor do Reformatório, do Juiz de Menores, do padre José Pedro.  Foram convidados para participar da pesquisa atores sociais e profissionais dos centros socioeducativos/CENSEs e com cargos correlatos, como o Juiz da vara da infância e da juventude, Delegada, dentre outros. A análise do discurso desses atores sociais se fundamentou em Eco (1993 – 2004), Bakhtin, (1981). Das conclusões se destacam a transdisciplinaridade e a potencialidade das narrativas audiviosuais para sensibilizar e ressignificar  o olhar para a infância e a juventude na América Latina, além de contribuir para formação do leitor literário

    Com o Pano em Mãos, Meu Nome é África: a Culminância da Experiência “Desfile de Turbantes”

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    Este relato de experiência é o resultado de um projeto interdisciplinar que aconteceu no Colégio Militar de Campo Grande-MS, durante os meses de junho a setembro de 2017, envolvendo as disciplinas de Língua Portuguesa e História nas turmas de 8º ano do ensino fundamental. O projeto buscou tratar do estudo das culturas africana e afro-brasileira e baseou-se em leituras, apresentações de vídeos, debates, discussões, tutoriais e oficinas sobre amarrações de turbantes, tendo em vista que o turbante dentro das culturas mencionadas foi utilizado como objeto de estudo durante toda a realização do projeto. No ano de 2017, o inicio e decorrer do projeto foi apresentado no “XXVII Congresso Nacional da Federação de Arte/Educadores do Brasil / V Congresso Internacional dos Arte/Educadores / II Seminário de Cultura e Educação de Mato Grosso do Sul – “Enquanto esse velho trem atravessa...”” que foi realizado durante os dias 14 a 18 de novembro daquele ano, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Porém, como o projeto ainda estava em andamento, não foi possível apresentar a sua finalização. Desta forma, este relato de experiência vem apresentar a culminância e os resultados deste trabalho, nos quais alunos e professoras se envolveram em busca de transpor a visão deturpada que ainda encontramos em nossa sociedade em relação às culturas africana e afro-brasileira, bem como os significados da utilização dos turbantes por sujeitos destas e de outras tantas culturas pelo mundo a partir das perspectivas dos Estudos Culturais.

    Os Batuques por negros e brancos

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    Produto da diáspora, os Batuques acontecem entre as comunidades de tambor que tem na ancestralidade sua episteme própria. A partir dos relatos de batuqueiros e das experiências em Batuques no interior paulista, pretendemos pensar a relação étnico-racial entre negros e brancos no Batuques, tendo os corpos enquanto intersecção existencial

    AS REPRESENTAÇÕES FEMININAS NA OBRA DESONRA DE JM COETZEE

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    Este trabalho pretende analisar a representação da condição feminina no romance sul-africano Desonra (1999) do escritor J.M. Coetzee. Traduzido por José Rubens Siqueira e publicado pela editora Companhia das Letras. O romance retrata, como pano de fundo, o contexto social pós-colonial na África do Sul, especificamente o período pós Apartheid marcado por intensos conflitos inter-raciais. Enfatizando a mudança de posições sociais e  inversão de poder que ocorreram nesse período. A análise partirá dos conceitos sobre dominação feminina discutidos por Bourdie (2002), estudos pós-coloniais e resistência  discutidos  por Bonnici(2012), Fanon(1968) e Bhabha (2003)

    Utilização de Táticas por Sacoleiros no Contrabando e Descaminho em Foz do Iguaçu/CDE

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    O texto a seguir discute e descreve quais são as táticas empregadas pelos chamados sacoleiros, brasileiros que se dirigem à fronteira entre Brasil e Paraguai, nas cidades de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, para comprarem mercadorias destinadas à revenda no território brasileiro. Como há um limite de compras em quantidade de itens e de valor máximo possível para cada pessoa por mês, este sujeito, o sacoleiro, tenta burlar a fiscalização da Receita Federal do Brasil em sua passagem pela aduana nacional, tendo como única rota possível a passagem pela Ponte da Amizade. Assim, nos utilizamos do método da observação participante para podermos nos passar por sacoleiros e para obtermos com o mínimo de interferências e suspeitas as informações necessárias para a confecção deste trabalho. Esperamos, com a apresentação do presente texto, contribuir para caracterizar os personagens que fazem parte da atividade do descaminho, que atuam na Ponte da Amizade, mostrar suas táticas e fornecer nova compreensão em uma atividade econômica marginalizada, que apesar de não ter mais a força que apresentava nas décadas de 1990 até 2010, ainda persiste como meio de obtenção de renda de várias pessoas, tanto de Foz do Iguaçu, quanto de vários municípios do Brasil afora.

    Atuação da FUNAI no caso das desapropriações dos Indígenas Avá-Guarani pela ITAIPU – 1981.

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    Trabalho realizado a partir de uma análise sobre o laudo antropológico feito por Célio Horst a pedido da Fundação Nacional do Índio para classificar os indígenas que habitavam na margem do Rio Paraná, durante a década de 1980, área que seria inundada pela formação da barragem da Hidrelétrica Binacional de Itaipu. Dessa forma, analisando este Relatório, destacando alguns trechos e também apresentando algumas discussões que vem sendo realizadas em relação a este documento e a outros que nos demonstram as violações de Direitos humanos dos Povos Indígenas, principalmente cometidas conta os Avá Guarani

    Território extinto: AnálisTerritório extinto: análise dos discursos e práticas Guarani sobre as terras tragadas por Itaipu Binacional e pelo Incrae dos discursos e práticas Guarani sobre as terras tragadas por Itaipu Binacional

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      No dia 13 de outubro de 1982 as comportas da hidrelétrica de Itaipu Binacional foram fechadas. Esse ato não acabou apenas com o maior salto por volume d’água no mundo, conhecido como Sete Quedas, mas também com o território Guarani nas margens do Rio Paraná ou o Paraná Rembe, cujas terras eram as que restavam aos Guarani após o processo violento de colonização e, segundo Bonomo, esse seria o território de origem dessa população. Concomitante a construção e instalação da referida obra identificamos dois momentos distintos: o sarambi ou esparramo, durante a construção do lago; posteriormente iniciam processo de reagrupamento e reorganização das relações sociopolíticas. A presente proposta de comunicação oral busca analisar as dinâmicas da territorialidade do povo Guarani no Cone Sul da América a partir dos conflitos que emergem nas fronteiras, no caso, no conflito com Itaipu Binacional. Analisaremos esse conflito e os mecanismos de resistência na perspectiva da histórica do povo Guarani seus processos de lutas históricos e contemporâneos no campo político e jurídico. Esse tema não está dissociado da questão das fronteiras nacionais, criadas e recriadas pelas Coroas espanhola e portuguesa e refeitas pelos Estados Nacionais, são, em grande medida, responsáveis por conduções históricas diferentes dos Guarani presentes nos referidos Estados. Segundo Melià, os Guarani “estão agora separados e divididos por fronteiras nacionais arbitrárias. É uma grande injustiça histórica. Como o Muro de Berlim dividia o povo alemão, levando-o para duas histórias diferentes, as fronteiras pretendem fazer o mesmo com o povo Guarani”.  Na medida que os Guarani se mobilizam em torno da conquista dos direitos avançam também as informações errôneas e preconceituosas de que são estrangeiros. Tendo figurado como protagonista em diferentes contextos e conflitos, como a aliança Guaranítico-jesuíta e a consequente guerra travada pelos impérios ibéricos, a Guerra da Tríplice Aliança, a criação do reservatório de Itaipu etc., este povo viu seu território ser transformado em mercadoria. Na contemporaneidade, os Guarani têm construído diferentes mecanismos de enfrentamento às adversidades, como a ressignificação de sua cosmologia e reorganização sociocultural para assumir uma nova postura diante das adversidades, além da reinterpretação e ressignificação das relações com a terra e o território. Nos contínuos processos de construção e transformação de suas concepções territoriais surge um novo elemento, a retomada de terras enquanto instrumento de resistência. Durante suas mobilidades territoriais, encontram por seus caminhos o substrato da modernidade capitalista, com a divisão do espaço em áreas de produção, devastadas pelo agronegócio, e áreas de proteção ambiental. Ao mesmo tempo que questionam as fronteiras geográficas, reafirmam as fronteiras étnicas, culturais e territoriais.

    O QUE PODE A REDE SOCIAL DIGITAL PELOS DIREITOS HUMANOS?

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    O trabalho envolve parte de uma análise acadêmica, ainda em desenvolvimento, sobre possibilidades de humanização do mundo cibernético através do recurso a uma de suas ferramentas, a comunicação digital. Para tanto, utiliza-se de uma experiência da autora na Rede Social Facebook, desenvolvida através de estímulos sensoriais realizados com o auxílio da arte fotográfica, com ênfases em questões relacionadas à visibilidade da comunidade negra, mais especificamente de crianças e mulheres negras. A análise desenvolvida parte do princípio de que o refinamento dos sentidos humanos é uma mediação importante para o refinamento nas formas de pensar e agir. Nesta experiência, o interesse na educação para a valorização dos direitos humanos explora os sentidos visuais dentro de uma tentativa de construção de uma arte mixada, objetivando também o estímulo a emoções mais afetuosas, das quais nossos cotidianos têm nos afastado, principalmente nos grandes centros urbanos

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