Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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    Narrações e preconceitos no contato das línguas guarani e castelhana no Paraguai

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    O compexo fenômeno linguístico no Paraguai tem sido estudado e analisado por muitos como “bilinguismo”, em que o guarani e o espanhol, duas línguas de origens muito diferentes, convivem juntas. A princípio, os europeus foram se adaptando à língua originária e, assim, em toda a região do Pindorama (Brasil) e no Paraguai, a língua originária foi mantida majoritariamente como a língua da colonia, porém isso foi mudando posteriormente: no Brasil em 1759, a reforma educacional implementada pelo Marquês de Pombal indicou o início da supremacia da língua europeia sobre a originária, e, da mesma forma que fora proibida no Brasil, assim também ocorreu no Paraguai. Hoje, depois de mais de 500 anos, o guarani se mantém no Brasil quase que exclusivamente nos grupos originários; por outro lado, no Paraguai, o guarani é a língua falada pela maioria da população não indígena, sendo oficializada em 1992. Apresentamos alguns motivos que poderiam ter ajudado a população paraguaia a manter a sua língua originária até os dias de hoje: defendemos, neste trabalho, que um desses motivos constitui-se a partir da responsabilidade das mulheres guarani. Também fica claro que os usos das duas línguas se dão em espaços difereciados, dando margem a que alguns questionem o real bilinguismo, considerando o status de supremacia da língua européia em relação à lingua originária. Entretanto, tal supremacia se vê invertida em épocas de contatos profundos, principalmente conflitos, com outros países por causa do uso político dessa cultura. Ao final deste trabalho, concluímos apresentando como as forças públicas e políticas do país estão realizando vários trabalhos de revitalização da lingua guarani para que o seu uso seja incluído naqueles outros espaços nos quais ainda não está inserida

    Presença da cultura italiana no município de Maravilha/SC: crenças e atitudes

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    A expressividade numérica de emigrantes italianos no Brasil é inegável, assim como os traços de sua língua e cultura na vida e cotidiano dos descendentes brasileiros. Segundo dados do IBGE (2000), estima-se que no período de maior emigração para o Brasil (1880-1950) tenham viajado mais de um milhão e meio de italianos, sendo mais de 26% da região do Vêneto. Nos estados do Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, 65% da população é de origem italiana, sendo pelo menos a metade descendentes vênetos. Sendo a cidade de Maravilha/SC situada no Oeste Catarinense, portanto destino de muitos emigrantes, procuraremos pesquisar como essa cultura se manteve viva nesta cidade, como seus descendentes a consideram e em que medida existem políticas públicas de preservação dessa identidade. Amparada na Sociolinguística e na Sociologia da Linguagem, esta pesquisa se apresenta como um estudo inicial de pesquisa de doutorado que procurará, por meio de levantamento teórico, aplicação de questionário e realização de entrevistas, observar em qual geração (variação diacrônica ou diageracional), ambiente (variação diatópica - urbano x rural) e sexo (variação diassexual) as manifestações da cultura italiana são mais presentes e porquê isso acontece. Nesta etapa, apresentaremos resultados de sondagem inicial da pesquisa sobre observações gerais do município realizadas até o momento

    CERÂMICA TUPIGUARANI DE CONTATO: RELAÇÕES INTERCULTURAIS ÀS MARGENS DO RIO IVAÍ-PR

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    As variabilidades nas características dos artefatos de cerâmica resgatados nos sítios arqueológicos onde o contato com o europeu se deu indica uma nova forma de confecção das mesmas. O presente trabalho resulta de uma experiência de salvamento de sítio arqueológico situado às margens do rio Ivaí no estado do Paraná, e tem por objetivos discutir o conceito de relações interculturais, enfatizando a população Guarani mais precisamente na influência do outro (europeu) em relação à suas técnicas de confecção de vasilhas de cerâmica a partir de dados coletados no sítio arqueológico PR-FL29 Dois Palmito. Com base nesses dados, são propostas algumas hipóteses para se entender grande parte da dizimação dos mesmos nesta região

    Repensando a Questão da Cultura Política para os Regimes Democráticos Latino-Americanos

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    Este trabalho propõe uma abordagem analítica sobre a democracia na América Latina diferente da convencional. Seu objetivo e distinção estão em procurar compreender os limites trazidos pela questão da cultura política no desenvolvimento democrático na região para além da epistemologia tradicional. Essa epistemologia depreende que tradições culturais da América Latina e os traços políticos nelas presentes perpetuam a fragilidade das democracias na região, uma vez que impedem que as instituições se consolidem e que o apoio ao sistema político atinja todas as suas dimensões de forma abrangente. As democracias latino-americanas, de acordo com essa tradição epistemológica, seriam mais instáveis que suas congêneres do hemisfério norte. Regimes e governos de países da América Latina, nesse modelo analítico convencional, sucumbem ou seguem esse caminho porque não conseguem entregar políticas públicas satisfatórias para a sua população, e isso em grande medida por causa de uma capacidade de Estado limitada, baixo capital social e fraco empoderamento individual e social. A chave explicativa dessa tradição epistemológica, portanto, se encontra na gênese dos Estados Latino-Americanos e na formação de suas respectivas sociedades. A proposta deste trabalho não vai de encontro a essa tradição de pesquisa empírica, mas aponta seus limites e sugere novos caminhos para se pensar a cultura política e a democracia em um contexto latino-americano de grandes desafios

    Diversidade cultural e a preservação de acervos audiovisuais do eixo sul

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    O artigo proposto desenvolve algumas reflexões a partir dos resultados de três etapas da  pesquisa “Preservação Audiovisual entre o Global e o Local”: a) análise do Programa Mercosul Audiovisual, que inseriu a “conservação do patrimônio regional” entre seus objetivos centrais; b)  as políticas brasileiras para a preservação audiovisual, chegando até c) suas reverberações na esferalocal, na produção audiovisual do Estado da Bahia. Através de revisão de literatura, análise de documentos oficiais, pesquisas de campo e entrevistas com pessoas-chave buscamos entender qual o lugar da preservação audiovisual nessas três esferas, com ênfase nas propostas concretas de atuação setorial e seus resultados. A indagação que nos guia é qual a consequência das políticas de preservação audiovisual (ou sua ausência) para a diversidade cultural dos países do Mercosul, em especial o Brasil

    Quem vive à margem tem direito a memória? Considerações sobre a memória travesti no Brasil e o espaço da casa florescer

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    O que é viver a margem? E como certos grupos são relegados à marginalização? O presente trabalho tem como objetivo principal discutir o termo margem e por meio de seu sentido mais pungente, compreender como a memória ou falta desta em grupos relegados ao esquecimento, afeta na criação de políticas públicas. Desta maneira, busca-se identificar como a memória Travesti foi e é construída, e como por meio do resgate de sua história, políticas públicas como a casa florescer podem continuar a ser implementadas

    Do encantado da floresta ao fantástico da escola: cosmologia Ticuna e as árvores das crianças

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    Este texto é um relato de experiências vivenciadas em um trabalho realizado no ano de 2014, na EMEF Desembargador Amorim Lima, escola da rede municipal da cidade de São Paulo. O projeto “Árvores e outras plantas do Amorim” foi desenvolvido com crianças de 6 e 7 anos, como parte dos estudos da Festa da Cultura, que tinha como tema “Os Povos Originários do Brasil”. Em consonância com a Lei 11.645/08, que altera a LDB 9394/96, tendo em vista uma aprendizagem significativa, o cuidado fundamental na realização do trabalho era não reproduzir estereótipos conservadores, que generalizam saberes e fazeres de culturas diversas e historicamente homogeneizadas, como aqueles encontrados nos livros didáticos estruturados pela lógica ocidental moderna. Nesse sentido, os contos Ticuna de O Livro das Árvores, organizado pelos Professores Ticuna Bilingues do Amazonas, que apresenta a cosmologia da etnia, inspirou o projeto, cujo objeto era reconhecer as árvores da escola, componentes essenciais nas brincadeiras diárias das crianças, disparando, dessa forma, a construção de um percurso de aprendizagem que não separa a razão da emoção. Para isso, em diálogo com as relações afetivas estabelecidas entre as crianças e as árvores da escola, foram experienciadas práticas de observação, nomeação e criação do povo Ticuna, o que desencadeou estudos de etnobotânica em tupi, cartografias das árvores, desenhos de observação, produções oral, visual e escrita e, por fim, a composição de um livro registrando todo o processo de aprendizagem. A experiência permitiu conhecer a complexidade da cosmologia Ticuna, desconstruindo a ideia do colonizador, quando afirma que “índio é tudo igual”, ao mesmo tempo que promove a valorização do conhecimento que se estrutura a partir das vivências cotidianas das crianças

    Inventário virtual artístico: um projeto educativo de resgate da memória histórico-cultural da cidade de Jaguariaíva/PR

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    O presente texto tem por finalidade divulgar as ações desenvolvidas pelo grupo de pesquisa: "Inventário das artes plásticas da cidade de Jaguariaíva" do Instituto Federal do Paraná, Campus Jaguariaíva. Com o intuito de contribuir para com o processo educativo de conscientização da arte, cultura e história da cidade de Jaguariaíva, a equipe propõe a criação de um inventário artístico em formato de hipertexto, ou seja, uma plataforma digital contendo informações de obras artísticas que fazem referência à cultura local e que pode ser acessada pela rede mundial de computadores, potencializando a comunicação e conferindo a autonomia no caminho que o internauta deseja percorrer pelo sítio eletrônico. O inventário virtual vincula-se ao projeto de pesquisa que busca refletir e analisar os cruzamentos entre identidade e memória, matéria e forma, criador e sua obra. Objetiva-se com este trabalho a ação educativa popular para a valorização, preservação e divulgação de artistas populares locais que expressam em suas criações plásticas as representações do contexto histórico e cultural da cidade

    Sou Diáspora: Construção Social e Mobilidade através da Memória de Haitianos no Brasil

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    O objetivo da pesquisa é a  análise de lembranças de haitianos que atualmente residem no Brasil. Este trabalho é uma versão reduzida da pesquisa de conclusão de curso para graduação de História pela Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Chapecó. A pesquisa realiza-se a partir de entrevistas de História de Vida, dentro da metodologia de História Oral. As entrevistas foram realizadas com três imigrantes haitianos que residem no oeste de Santa Catarina, com diferenciações em gênero e idade, sendo posteriormente transcritas e transformadas em texto. A partir dos temas que se destacam nessas narrativas, são analisados alguns fatores determinantes para a formação social e cultural haitiana, da construção da característica de mobilidade e das experiências dos indivíduos na trajetória e no Brasil. Para além, são realizadas reflexões sobre o que foi dito e não dito nas narrativas e a fórmula do sucesso que envolve a saída do Haiti. Os resultados demonstram a carga da violência colonial nas experiências desses indivíduos e da estruturação de uma sociedade diáspora. Revelam a ligação indissociável da memória e da identidade com a mobilidade nas falas dos haitianos no Brasil. Espera-se que essa pesquisa coloque em evidência, com base nas histórias de vida, a experiência de mobilidade contemporânea pela visão dos indivíduos que passaram e passam por tal processo, contribuindo na redução de preconceitos e na criação de políticas públicas que facilitem a mobilidade e integração dos indivíduos

    Educação Ambiental Patrimonial: um conceito em construção

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    A Educação Ambiental Patrimonial é mais conhecida como Educação Patrimonial. Trata-se de um conceito que está em evolução, especialmente no Brasil que pode ser utilizada nos âmbitos formais, informais e não-formais de educação. Epistemologicamente é um termo em construção que necessita ser conhecido, pois as intervenções e ações patrimoniais visam a conservação, preservação e valorização dos bens culturais materiais e imateriais, portanto do patrimônio cultural. Tanto o Brasil, como os outros países da América Latina possuem culturas e tradições específicas que necessitam de cuidado por meio da educação ambiental patrimonial. O objetivo deste trabalho é discutir sobre a importância da educação ambiental patrimonial enquanto conceito teórico. Para isso, utilizou-se como metodologia, a pesquisa qualitativa de cunho teórico bibliográfico por meio da leitura analítica e interpretativa. Dentre os autores que embasam a discussão acerca da educação ambiental patrimonial estão Horta, Grunberg e Monteiro (1999), Grunberg (2007) e Florêncio (2014). Já em relação à educação formal, informal e não- formal destaca-se Gohn (2006).

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