Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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Sentidos sobre as línguas em contextos multilíngues a partir do discurso político-educacional
Neste trabalho, apresentamos uma etapa do Projeto em andamento O currículo como instrumento linguístico: ordem e organização de saberes em contextos educacionais multilíngues e translíngues (UNILA-PRPPG-2016-2018), cujo principal objetivo tem sido compreender as relações discursivas que se constituem nas diversas práticas pedagógicas significadas pelos currículos de línguas na educação básica em contextos educacionais multilíngues e translíngues. A partir de uma perspectiva teórica discursiva em relação de entremeio com outros campos do saber pertinentes aos estudos da linguagem, visamos contribuir para a construção de um arquivo de textualidades do discurso político-educacional que produzem sentidos e saberes sobre as línguas em contextos educacionais multilíngues e translíngues. Essa temática mostra-se pertinente ao contexto de atuação da UNILA, uma vez que concentra questões importantes relativas à diversidade linguístico-cultural da região trifronteiriça de Foz do Iguaçu, em complexas relações de integração com a América Latina
Espaço público em sítios históricos urbanos no processo de formação territorial na América Latina
O processo de formação territorial dos países latino-americanos envolve a gênese dos primeiros núcleos urbanos, num percurso de transformações socioespaciais e consolidação de um conjunto de sítios históricos urbanos (SHU) na contemporaneidade. Apresentam-se como lócus para estudos sobre memória, identidade e patrimônio para diversas áreas do conhecimento. A partir da questão sobre a gênese, transformação e devir do espaço público, analisou-se o caso da cidade de Iguape no litoral sul paulista, região do Vale do Ribeira que abriga territórios indígenas e quilombolas. Para um estudo comparativo no contexto do cone sul latino-americano, contemplou-se a cidade de Colônia do Sacramento (Uruguai) bem como o território de fronteira das missões jesuíticas guaranis entre Brasil, Paraguai e Argentina. Caracterizam-se pela gênese num contexto de disputas territoriais no período colonial e por se constituírem na atualidade como patrimônios históricos, revelando ainda hoje conflitos de apropriação de seus espaços públicos em diferentes níveis que incidem sobre o cotidiano. Neste processo, a noção de espaço público subjaz à racionalidade eurocêntrica presente na concepção dos planos urbanísticos e nos padrões de sociabilidade impostos. Há, neste sentido, um hiato que separa uma concepção hegemônica de ver e compreender o mundo em detrimento daquelas que sucumbiram sob a força da violência no decurso da colonização portuguesa e espanhola. Entende-se que os espaços públicos abrigam uma densidade histórica que expressa a sobreposição de conflitos nos diferentes períodos da formação territorial desde o período colonial, apresentando-se como importante campo de investigação para compreensão do devir
Direito e desobediência em Clarice Lispector: novos olhares ao direito brasileiro
O presente trabalho tem como objetivo relacionar o trabalho de Clarice Lispector enquanto intelectual desobediente, cujo direito faz parte do bios, com discussões relacionadas à subalternização do direito brasileiro. O corpus selecionado consiste na crônica “As caridades odiosas” (1969), no qual questões relativas à pobreza, e aos sentimentos controversos por ela despertados, permeiam a narrativa. A crítica biográfica fronteiriça oferece suporte para a discussão proposta, uma vez que o direito brasileiro, assim como outros saberes, não atende as especificidades do Brasil, tendo em vista os saberes outros, por vezes, serem adotados como tábua de salvação (NOLASCO, 2015), privilegiando uma pequena parcela da população. Evidencia-se, portanto, a necessidade de um olhar fronteiriço e voltado para a diferença colonial direcionado ao direito. A sustentação teórica será efetuada por meio de teóricos e biógrafos como Edgar Cézar Nolasco (2015), Eneida Maria de Souza (2002), Walter Mignolo (2015), Jacques Derrida (2010), Nádia Batella Gotlib (1995) e Clair Varin (2002). Alguns dos livros utilizados, dentre outros mais que dialogam com a epistemologia adotada, são: CADERNOS DE ESTUDOS CULTURAIS, Crítica Cult (2002), Habitar la frontera (2015), Força de Lei (2010), Fronteiras Culturais em Contextos Epistêmicos Descoloniais (2018) e Literatura e Direitos Humanos (2018)
BRUMADINHO - MG E INHOTIM: ENTRE A MEMÓRIA, O MUSEU E TURISMO
Quais são as transformações que a construção de um mega-museu pode intermediar em uma cidade de aproximadamente 40 mil habitantes? Esse questionamento sintetizou parte do processo de construção de uma dissertação de mestrado, se configurando o objetivo central da pesquisa em torno do maior museu a céu aberto da América Latina, Inhotim e o território onde se estabelece, a cidade de Brumadinho-MG. O estudo aborda as transformações intermediadas no território de Brumadinho devido a construção Instituto Inhotim. Essas transformações foram assim resumidas: reterritorialização da comunidade local para a efetivação e expansão do projeto museal; alteração da paisagem cultural; surgimento de fluxos turísticos; congestionamento de vias municipais, principalmente em dias de finais de semana e feriados; aparição de estabelecimentos hoteleiros e alimentícios nas proximidades da instituição; aumento dos valores dos terrenos ao entorno do museu; empregabilidade gerada para cidadãos locais e de regiões próximas; projetos culturais em parceria com as comunidades existentes no município. Para subsidiar a discussão proposta, essas transformações foram discorridas em diálogo com a literatura especializada proveniente dos estudos sobre o campo da Memória, da Museologia e do Turismo. Logo, foi possível delimitar uma abordagem interdisciplinar que permitiu uma leitura crítica do cenário resultante em Brumadinho no transcurso da criação, inauguração e funcionamento do Museu Inhotim
IMIGRANTES ITALIANOS NO INTERIOR DE SÃO PAULO (1895 - 1925): UMA HISTÓRIA DE SOCIALIZAÇÃO E ADAPTAÇÃO EM NOVOS PADRÕES CULTURAIS E IDENTITÁRIOS DO BRASIL DO INÍCIO DO SÉCULO XX
O presente trabalho se propõe a refletir a respeito da vindo dos imigrantes italianos ao interior de São Paulo e como ajudaram a construir uma nova identidade nacional brasileira. Este texto analisa através de elementos históricos, assim, pretendendo-se compreender os elementos estruturais sócio-políticos que condicionaram o incentivaram os processos imigratórios. Assim sendo, ao considerar os imigrantes como atores sociais que estabelecem práticas culturais em seu espaço praticado e seu envolvimento com outros espaços culturais, parte-se a refletir sobre a profusão de configurações indenitárias que se moldam ao tempo e espaço praticado. Assim, tem-se por objetivo trazer a questão imigratória como enfoque central da discussão envolvendo, articulando então a massa imigratória do início do século XX com a configuração e condições econômica, social e cultural
Mapeamento de políticas públicas municipais de salvaguarda de grupos folclóricos
Os grupos folclóricos brasileiros resistem bravamente as mudanças trazidas com o processo da globalização da cultura. Diante de tantas mudanças, dentre elas do acirramento do mercado sobre produtos que anteriormente eram confeccionados de maneira artesanal, estes grupos carecem de incentivos que as auxiliem a manter-se neste cenário. O objetivo deste trabalho é realizar um mapeamento de ações públicas municipais de salvaguarda, sejam elas com recursos financeiros ou legislativos. Esta é uma das etapas de um trabalho mais amplo que discutira possíveis políticas que possam ter maior efetividade na salvaguarda desses grupos e, também, auxiliar a retomada de grupos que tenham parado suas atividades. A metodologia usada será do levantamento de informações através de uma rede de contatos já criada com mestres e gestores de cultura de diversos níveis e tipos. Através de entrevistas ou consultas em sites públicos, destaco, com geoprocessamento de dados, onde na região sudeste há políticas públicas para estes agentes e de que tipo são
“A gente quer comida, diversão e arte” - ação coletiva na cidade física e virtual
Este trabalho é fruto de um estudo bibliográfico na busca de reflexões acerca de experiências e possibilidades da ação coletiva dos sujeitos a partir de matrizes culturais, artísticas e/ou estéticas, seja no ambiente concreto e físico dos espaços públicos urbanos, seja via mídias e redes sociais digitais. Nesta busca, embasamo-nos nas teorias sobre cidade e a produção do espaço, assim como seus usos e contra-usos na construção democrática; e em teorias com evidência na perspectiva cultural da ação política. Nessa conjuntura, expressões culturais e artísticas representam não meros instrumentos cuja ação política se materializa para a busca de transformações sociais, mas são, elas próprias, a razão e a energia vital da ação. Ademais, o surgimento do ambiente virtual expandiu a esfera da comunicação, da expressão de diferenças, identidades e reivindicações, que, por um lado favoreceu a ampliação da participação dos sujeitos, e, ao mesmo tempo, tornou mais complexa a análise da ação coletiva nas cidades
Guarani e Itaipu: Uma Presente História de Violências
O presente trabalho tem por finalidade analisar o contexto histórico da relação da Itaipu com as comunidades indígenas, partindo desde a sua construção nos anos 1980 até os acontecimentos contemporâneos. Analisaremos como essa relação ainda no tempo presente tem evidenciado diversas violações de direitos humanos sofrida pelos Guarani. Tendo como exemplo recente a prisão de cinco Guarani, dentre os tais um cacique, onde sofreram violências físicas e verbais, considerados paraguaios, por “invadir” um Refúgio Biológico da Itaipu e recolher um bambu para uso em seus rituais. O caso realça o conflito contemporâneo entre a hidrelétrica e os Guarani, pela expropriação de terras, negação de direitos e racismo ambiental.
Organização e resistência Guarani e os problemas territoriais no Oeste do Paraná
Nesta pesquisa procuramos analisar os processos históricos que resultaram na espoliação dos povos indígenas na Região Oeste do Paraná. Relataremos o deslocamento dos indígenas para o Paraguai e vários dos problemas que eles vêm enfrentando no regresso ao território tradicional no Oeste Paranaense. Centraremos -nos na organização indígena, luta e resistência dos Avá-Guarani, que diariamente encaram problemas com a ausência de terras, preconceitos junto à população não indígena e conflitos com ruralistas da região. A espoliação do território indígena é o eixo central desta análise, buscando examinar o percurso histórico das relações de conflito na região, o contexto político, os agentes envolvidos, como a expulsão ocorreu e, fundamentalmente, como foi abordada pelos meios de comunicação. Além disso, apresentaremos neste trabalho como os acontecimentos influenciam nos dias atuais
Direitos indígenas, território e resistência: notas em torno de uma aldeia Mbyá Guarani no litoral do Paraná
Dentro de um sistema ganancioso onde o principal objetivo é o lucro juntamente com uma conjuntura política que estamos vivenciando em que cada vez mais as minorias são deixadas de lado no litoral paranaense há uma proposta de construção de um porto no município de Pontal do Paraná. O discurso propagado é o de que a construção do porto irá trazer benefícios, sendo um deles a construção de uma rodovia duplicada entre os balneários de Praia de Leste e Pontal do Sul. A aldeia Guaviraty, de população indígena Mbyá Guarani, está localizada na extensão territorial de Mata Atlântica neste mesmo município, o que faz com que esta esteja inserida neste contexto social conflitante, onde tal construção possa de alguma forma afetar a permanência destes indígenas nesta região. Nesse sentido, a intenção deste trabalho é problematizar e dar visibilidade a este assunto, pois quando envolve interesses privados, a tendência é que os acontecimentos ocorram por baixo dos panos, independente dos problemas gerados por tal decisão, e que os agentes públicos responsáveis pelo cumprimento de leis específicas a garantia do direito indígena de existir e sobreviver na plenitude de seus projetos individuais e coletivos de vida atuem de maneira legal