Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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Lgbts e Prática Pedagógica: Uma Relação [Ainda] Problemática
A temática proposta busca bordar as questões sobre a sexualidade enquanto desafio emergente, e a ausência desse trabalho enquanto formação de professores. O estudo tem como objetivo reafirmar o direito a diversidade sexual e o respeito às diferenças enquanto diretrizes da formação à ação docente. A justificativa parte das considerações na Base Comum Curricular – BNCC – a ser implanta nas escolas até o ano de 2020, da educação infantil e do ensino fundamental. Nesta diretriz a educação que aborda a sexualidade está contemplada apenas no oitavo ano, na disciplina de ciências, enquanto finalidade de reprodução humana, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e gravides na adolescência. De acordo com o órgão federativo responsável, o documento apresenta informações do que se caracteriza durante a infância como aprendizagem por etapas, entretanto as condições de abordagem ao tema de forma transversal sejam aplicadas adicionalmente. Diante dos fatos mencionados, acrescenta-se como resultado a realidade, em que a questão de educação sexual abrange a comunidade LGBTQ+, isto é, a identidade de gênero, uma vez que os documentos a que se referem ao assunto especificam as peculiaridades já citadas, desta forma, o currículo não contempla os alunos que se identificam como pertencente a comunidade. Portanto, a constituição da identidade de gênero das crianças apresenta-se quando são pequenas, e em espaços de troca com outras crianças. É sobre está perspectiva que a escola deveria começar a trabalhar as questões de identidade, o período em que o desenvolvimento da identidade de gênero inicia por volta dos três anos de idade, porém a escola, a família enquanto instituições sociais têm como preceitos as questões religiosas caracterizadas pelo heteronormatividade o que constitui nas crianças a pertença a incerteza sobrea a sua identidade sexual
Comunicação popular: experiências para a (re)existência
A comunicação popular é produzida através e juntamente às comunidades e movimentos sociais, auxiliando a fortalecer e construir suas identidades e cultura. Na maioria das vezes as notícias divulgadas pela grande mídia chegam de forma errônea aos espectadores, seja pela televisão, internet ou rádio. Por conta disso, as comunicadoras e comunicadores populares têm trabalhado para encontrar meios de acessar a população e trazer a realidade vivida por esses movimentos, usando os meios disponíveis para isso. A partir disso surgem as coberturas colaborativas, usadas para cobrir eventos de forma coletiva, horizontal e pela base. Nesse contexto o presente trabalho se propõe a repartir as experiências vivida durante a 15ª edição do Acampamento Terra Livre, que aconteceu em Brasília entre os dias 23 e 28 de abril de 2018, no qual participei da cobertura compartilhada na luta pelos direitos indígenas
Questão racial e formação profissional em Serviço Social
Racismo é a crença na existência das raças naturalmente hierarquizadas pela relação intrínseca entre o físico e o moral, o físico e o intelecto, o físico e o cultural. No Brasil - país colonizado, tendo escravizado a mão de obra negra por 354 anos - tem enraizado em sua estrutura social o racismo. A partir de 1930, houve um investimento ideológico no sentido de romantizar a miscigenação, originando o chamado mito da democracia racial. Contudo, a população negra continuou à margem de qualquer iniciativa estatal no sentido de garantir acesso ao trabalho, à educação e à infraestrutura básica. A Questão Social - base de fundamentação da existência do Serviço Social - é entendida como o conjunto de problemas econômicos, sociais, políticos, culturais e ideológicos que cerca o surgimento da classe trabalhadora, essa majoritariamente negra no Brasil, como sujeito sócio-político da sociedade capitalista. O projeto ético-político do Serviço Social vincula-se a um projeto societário que privilegia a centralidade das determinações de classe, gênero, e etnia, propondo-se à construção de uma nova ordem social, à defesa dos direitos humanos e à recusa do arbítrio e dos preconceitos. Assumindo o compromisso com a “competência” profissional, demandando uma formação acadêmica qualificada, tendo base concepções teórico-metodológicas sólidas e críticas, viabilizando uma análise concreta da realidade social. Portanto, investir no âmbito da formação profissional em pesquisas acerca da questão racial no Brasil contribui para a superação do racismo
ESTUDOS PÓS-COLONIAIS E EDUCAÇÃO: DIÁLOGOS COM O CURRÍCULO ESCOLAR E AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS
O século XX foi cenário de transformações políticas, econômicas e social em todo o planeta. Essas mudanças culminaram na fragmentação e dissipação das culturas no âmbito do multiculturalismo e a multipolarização do mundo. Isto surge na contramão do imperialismo bipolar eurocêntrico até então vigente. As mudanças emergentes muito têm a ver com a descolonização da África e Ásia, seguido da migração e diáspora destes povos após a Segunda Guerra Mundial. Este fato resultou em mudanças drásticas no cenário internacional e ficou conhecido como período pós-colonial. Tais acontecimentos propiciaram produções teóricas voltadas para o novo contexto e análises críticas ao velho modelo colonial. Isto tomou forma dando origem a nova corrente teórica, o Pos-colonialisimo. Para os teóricos dessa corrente, o Pos-colonialismo propõe descolonizar o pensamento a partir da crítica ao modelo imperialista eurocentrado numa nova concepção de produção epistemológica do Sul para O sul. Nesse sentido, o pós-colonialismo, ao considerar como relevante os saberes subalternos, contribui para problematizarmos a hierarquização de saberes presentes no currículo escolar, tanto o prescrito quanto o praticado. O estudo da História e Cultura Afrob-brasileira e indígena na escola ainda tem se constituído como um desafio, pois as Leis 10639/03 e 11645/08 questionam a lógica hegemônica de uma cultura comum e impõem a necessidade de questionamento das práticas pedagógicas e curriculares que silenciam saberes de diferentes grupos presentes no interior da escola. Este artigo aborda as discussões acerca das possibilidades trazidas pelas teorias pós-coloniais para pensarmos a educação das relações étnico-raciais e a educação escolar indígena. Tomamos como base, para isso, as contribuições de Boaventura Santos, Anibal Quijano, Catherine Waslh, Vera Candau. Procuramos apontar de que maneira essas teorias contribuem para a pesquisa em currículo e a diversidade étnica, tal como proposto pelas Leis 10639/03 e 11645/08
A produção ritualística de tambores no Samba de Cacete: criação e prática cultural no Pará, Norte do Brasil
Relato de experiência do campo realizado na cidade paraense de Cametá, Norte brasileiro, com mestres artesão produtores de tambor, o “tamboro” da manifestação Samba de Cacete. É um recorte da investigação geográfica acerca da ritualística do saber-fazer tambores que envolve conhecimentos ancestrais e um modo de ser-com a Terra, emergente de uma cartografia latino-americana, sul situada
PROJETO DE EXTENSÃO PEDAGÓGICA (PEP) DO ILÊ AIYÊ: uma proposta decolonial de educação
O presente estudo tem por objetivo investigar os projetos educacionais desenvolvidos pelo bloco afro Ilê Aiyê, tendo em vista sua importância na valorização da cultura afro-brasileira, a fim de destacar as principais atividades artístico-pedagógicas desenvolvidas pelo Bloco Carnavalesco para a promoção do debate sobre as questões étnico-raciais. Para tanto, faz-se uma pesquisa histórica da trajetória do bloco em questão, desde a sua criação, em 1974, na cidade de Salvador, Bahia, depois pela sua consolidação enquanto instituição de ensino formal com projetos de cunho pedagógico até o alcance dos Projetos de Extensão Pedagógica – fruto das ideologias ali defendidas, a saber: Banda Erê, Escola Mãe Hilda, Escola Profissionalizante e os Cadernos de Educação.
A Modelagem Matemática na Educação Matemática no contexto da Educação do Campo
Neste trabalho discutimos a possibilidade de aproximação teórico- metodológica entre a Pedagogia Histótico-Crítica e a Modelagem Matemática. Visto que a Modelagem Matemática está presente no ensino de Matemática e a Pedagogia Histórico-Crítica com um enfoque um pouco mais amplo para a formação histórico-crítica. Para isso interrogou-se: O que se apresenta de uma prática de Modelagem Matemática baseada na perspectiva da Pedagogia Histórico-Crítica no contexto de uma escola do campo? Essa aproximação se dá na medida em que ambas as perspectivas de ensino propõem um trabalho pedagógico considerando como ponto de partida a realidade social problematizada do estudante. Relata-se sobre aulas desenvolvidas nos passos da Pedagogia Histórico-Crítica. Atividade desenvolvida com 25 estudantes do 6° ano de uma escola municipal no interior de Francisco Beltrão - Paraná. Descreveu-se a experiência tomando como elemento norteador do trabalho as etapas descritas na fundamentação teórica da Modelagem Matemática Burak (1992) que nos levou a uma aproximação com a Pedagogia Histórico-Crítica. A partir das atividades desenvolvidas, foi feita uma análise dos apontamentos dos alunos participantes, essa análise se deu por meio de uma postura fenomenológica (BICUDO, 2011), e após esse movimento emergiram quatro categorias: 1) Sobre os conteúdos matemáticos; 2) Sobre as potencialidades da Modelagem Matemática e a Pedagogia Histórico-Crítica; 3) Sobre a compreensão dos alunos em relação à Modelagem Matemática e a pedagogia Histórico-Crítica; e 4) Sobre os aspectos culturais em relação à atividade de Modelagem Matemática e a Pedagogia Histórico-Crítica. Foram apresentados alguns aspectos dos fundamentos teóricos da Pedagogia Histórico-Crítica e realizada uma análise comparativa em relação à Modelagem Matemática, identificando que esta pode fornecer encaminhamento metodológico em condições de articular os objetivos da pedagogia Histórico-Crítica com a prática do professor de Matemática em sala de aula visando à formação dos estudantes para o exercício da cidadania
Marcas da cultura patriarcal na violência dos corpos femininos: Uma abordagem do Direito fraterno por uma sociedade não (in) humana
A teoria do Direito Fraterno contribui para reflexão das realidades e promoção de espaços de alteridade a fim de que o reconhecimento da mulher seja garantido nas sociedades plurais e nos ordenamentos jurídicos. Tem-se a importância da fraternidade por apostar no desempenho de um papel político na interpretação e na transformação do mundo real, revelando um valor heurístico e uma eficácia prática. Se eliminada no cenário social, a fraternidade pode ser resgatada como meio de possibilitar o reconhecimento do outro e de sua alteridade. Justifica-se, portanto, a abordagem da violência dos corpos, a partir da cultura patriarcal, pelo estudo do Direito Fraterno, pois se trata de um Direito sensível, humano e fundamentado na fraternidade exige o reconhecimento do amigo da humanidade, aquele que reconhece a mulher e possibilita que as relações sociais sejam pautadas na defesa dos Direitos Humanos e da humanidade como lugar comum
A problemática da fala como prova no âmbito intrafamiliar
A proposta do presente trabalho é refletir sobre as diferentes motivações incidentes na alteração, silenciamento ou até apagamento do discurso de pessoas que sofreram abuso sexual. Neste sentido, o trabalho proposto é desdobramento de uma pesquisa etnográfica que começou a ser desenvolvida no final do ano de 2016, onde entrevistei 7 mulheres entre 18 e 38 anos que sofreram abuso sexual e analisei seus relatos, onde muito se falava sobre o que ouviram dos parentes e pessoas próximas. Quando a fala é a única prova a ser levada aos familiares, a credibilização ou descredibilização dada ao discurso da pessoa que sofreu abuso por esses indivíduos componentes de seu grupo intrafamiliar se mostra extremamente influente na forma como a pessoa que sofreu abuso conta seu relato, onde conta, para quem conta e se conta. Assim, determinados discursos e posicionamentos se tornam gatilho de conflito e rispidez no âmbito familiar
Palavrões e xingamentos para a compreensão da italianidade
Quando se aprende uma língua estrangeira aprende-se, também, novas concepções de mundo. Quando se trabalha aspectos culturais em sala de aula, possibilita-se o desenvolvimento da competência comunicativa e, consequentemente, do conhecimento sociocomunicativo e intercultural. Compreender fatores históricos, geográficos e sociais, os quais, consequentemente, delineiam as variedades linguísticas e culturais de uma comunidade, assim como algumas marcas de identificação étnica, possibilita ao estudante de língua estrangeira a ampliação de conhecimentos fundamentais para a compreensão da cultura do outro, assim como da própria. Os palavrões e xingamentos são itens lexicais utilizados pelos italianos, assim como pelos italodescendentes. Nesse sentido, para compreender a importância desse campo lexical para a cultura italiana, propõe-se uma análise de alguns termos, coletados em pesquisa de campo, citados e relembrados por 18 entrevistados, descendentes de italianos de colonização sulista que moram em Cascavel, assim como da análise dos livros didáticos de italiano como língua estrangeira Domani e Magari, ambos da Alma Edizioni. Para isso, a Linguística Aplicada será relacionada à Sociolinguística, a estudos culturais, identitários e históricos