Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
Not a member yet
1178 research outputs found
Sort by
O Rei de Havana, de Pedro Juan Gutièrrez e o Mundo Maldito
A Literatura oferece uma importante contribuição para a compreensão do mundo sócio-cultural. Ela é uma instituição viva, que deve ser entendida como um processo histórico, político e filosófico; semiótico e linguístico; individual e social, a um só tempo. Ela possui o efeito de multiplicar as possibilidades de leitura. Torna-se, portanto, uma forma privilegiada de compreensão do imaginário de uma época, permitindo que ela enxergue traços que outras fontes não nos forneceriam. Literatura é caracterizada por trabalhar com possibilidades, enquanto que, por outro lado, as Ciências Sociais lidam com a realidade, levando em consideração que a literatura não tem compromisso com os fatos chamados históricos – ou seja, ela não tem a obrigatoriedade de ser fiel aos acontecimentos sociais do presente e do passado. Neste sentido, o presente artigo analisa O Rei de Havana de Pedro Juan Gutièrrez Nesta obra conta-se a história do jovem chamado Reinaldo, que perde a família de uma forma estúpida e passa a levar uma vida de pura miséria pelas ruas de Havana, onde só há espaço para a fome e o sexo até o desfecho final que será sua morte no anonimato. Ao aproximar o leitor de um mundo brutal e em franca deterioração, O Rei de Havana, apresentam habitantes que acabam por tornarem-se invisíveis e descartáveis. Esta é reconhecida como integrante do realismo sujo e apresenta certos aspectos da história cubana na narrativa ficcional em que é contada
Organização material da cultura, arte e direitos humanos
Com o avanço da globalização da economia neoliberal, gerando índices alarmantes de deterioração da qualidade de vida de milhões de cidadãos no mundo inteiro, enfatizando o efêmero, estimulando a fragmentação das ações, ainda é possível falar em subjetivação de valores éticos condizentes com a construção do projeto constituinte de uma nova cultura. Compreendemos que a atividade artística, abordada enquanto práxis, pode, caracterizar-se como uma mediação dirigida à estratégia de uma educação dos indivíduos radicalmente mais crítica, mesmo num contexto de capitalismo reestruturado sob a égide da acumulação flexível, mediando assim um processo de formação do sujeito ético-político. Neste estudo o recurso à arte é analisado a partir da crítica ontológica de base gramsciana, onde a educação das adolescentes das classes subalternas, para formação do sujeito ético-político, para a realização da grande política é avaliada como necessária frente a opressão do patriarcalismo. À defesa deste processo, destacamos a importância do desenvolvimento consciente de uma identidade de classe em si e para si, que, por conseguinte, deve embasar-se no reconhecimento da diversidade social. Disto, depreendemos a importância da questão da subjetividade e da categoria cultura, enquanto base social, modo de vida, numa relação com um conceito ampliado de educação e de arte, considerada práxis inserida em expressões da luta de classes
PráxisCWB 2019: live-installation em Curitiba/ PráxisCWB 2019: live-installation en Curitiba, Brasil
ResumoA performance de modelo vivo foi palco insuficiente de discussão acadêmica. Na relação artística, a perspectiva do modelo vivo foi desconsiderada na história da arte. E, ainda mais, na história da arte brasileira. Embora haja estudos na área das artes cênicas que apresentem algumas pistas, ainda permanecem pontos obscuros essenciais a essa prática. O estudo aqui proposto partiu da experiência artística vivida em treinamentos no Odin Teatret (Antropologia Teatral) para entender e levar às últimas consequências a relação artística estabelecida nas sessões de modelo vivo em espaços comunitários de arte e universidades, em Curitiba/PR. Nesse relato, o caminho trilhado escolhido foi a prática e descoberta de conceitos conforme o desenvolvimento da relação e vivência com artistas desses locais. Assim as formulações até agora exploradas foram: planos (alto a baixo), espaço negativo, oposição, resistência, contexto da paisagem, grotesco, inversão do corpo, (dis/con)torção, tensão/relaxamento muscular, apoio e impulso. Bem como um fundo teórico-metodológico sobre estudos de movimento têm sido apoio para as performances de modelo vivo até agora realizadas. No estágio atual, o gesto e a presença estão sendo o foco gerador para a produção da co-obra de arte, transformando um corpo-objeto em performer (modelo vivo). A live-installation é esse encontro em que os artistas se propõe à imersão num processo artístico que relaciona desde expressão gráfica a corpos performativos. Resumen A performance de modelo vivo para palco insuficiente de discusión académica. Una relación artística, una perspectiva del modelo vivo o desconsiderada en la historia del arte. E, ainda mais, na história da arte brasileira. Embora haja estudiado en las áreas de las artes que se publican en las pistas, y permanecen en un lugar oscuro y esencial. La propuesta aquí es parte de la experiencia artística vivida en programas no en Teatret (Antropología Teatral) para el sentido y la lectura de las consecuencias y la relación artística estabelecida en el modelo de vida en vivo en el lugar de trabajo en la ciudad, en Curitiba / PR. Nesse relato, o caminho trilhado escolhido fo a a prática and descoberta of conceitos conformes to desenvolvimento da relação and vivência com artists desses locais. Asignar como fórmulas adicionales exploradas: planos (alto a baixo), español negativo, oposição, resistência, contexto da paisagem, grotesco, inversão do corpo, (dis / con) torção, tensão / relaxamento muscular, apoio e impulso. ¿Cómo funciona? Teórico-metodológico sobre los estudios de movimiento que han sido aprobados para ser ejecutados como modelo de vida real. No estágio atual, o gesto y presença estão sendo o foco gerador para un producto de obra de arte, transformación de un corpo-objeto en el intérprete (modelo vivo). Una instalación en vivo está siendo encontrada en los artistas que son propiedad de un proceso numérico artístico que se relaciona desde la expresión gráfica a corpos performativos
Português Língua Estrangeira/Adicional (PLE/PLA) e o Programa Idiomas sem Fronteiras
Este trabalho apresenta algumas das principais ações na área de Português Língua Estrangeira/Adicional (PLE/PLA) desenvolvidas no contexto de estruturação e implementação do Programa Idiomas sem Fronteiras (IsF), lançado pelo Ministério da Educação do Brasil (MEC) por intermédio da Secretaria de Educação Superior (SESu). São focalizadas as seguintes ações do IsF – Português: i. estudo-diagnóstico regionalizado sobre as condições da área de PLE/PLA nas 63 universidades públicas federais brasileiras; ii. avaliação de cursos e materiais didáticos na área de PLE/PLA disponibilizados em ambientes digitais; e iii. realização do Ciclo de Debates IsF – Português, ação de formação inicial na área de PLE/PLA desenvolvida integralmente a distância e direcionada aos representantes do programa nas 63 universidades públicas federais brasileiras
Relato de Experiência das Rodas de Leitura na comunidade quilombola de Chumbo no município de Poconé em Mato Grosso/BR
O presente relato de experiência trata do processo vivenciado nas Rodas de Leitura/conversa, quinzenalmente, junto às lideranças dos quilombos do município de Poconé, Mato Grosso. As Rodas aconteceram de maneira centralizada na comunidade quilombola de Chumbo e faziam parte de um projeto maior do Sebrae/MT para identificação dos sistemas produtivos das comunidades quilombolas tradicionais de Mato Grosso, cujo objetivo era propor metodologias de promoção da melhoria da qualidade de vida. Dentre os cento e quarenta e três (143) municípios de MT, dez (10) possuíam comunidades quilombolas, perfazendo 69 quilombos na época com processos formalizados pelo INCRA. Dentre estes o município de Poconé possuía 27 deles, motivo para ser eleito para o trabalho em tela. À Roda agregaram-se oficinas de capoeira, amarração em tecido, maquiagem, culinária/dança e penteados afro-brasileiros, percussão, teatro, arte-educação, Dança Circular. Este texto expressa a visão da autora, sobre os desdobramentos em ações/produções de autoria do grupo, propiciadas a partir das rodas de leituras/diálogos e da intertextualidade possibilitada pelo documento de apoio: o livro “História e Cultura Negra – Quilombos em Mato Grosso” (SEDUC/MT, 2008) - ferramenta didática para os professores das escolas estaduais e municipais em cumprimento a Lei Nº 10.639 de 2003 que altera a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96) para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” e desvelar a história de nossa mãe África. Desenvolvida na perspectiva do movimento internacional Educação para a Paz, o processo da Roda possibilitou uma revisão crítica sobre a história nacional e local, suas imbricações com a história concreta vivida durante a colonização da região, passando a se constituir como um bom referencial para a continuidade da proposta de revitalização das comunidades tradicionais de Mato Grosso na perspectiva do seu protagonismo histórico, necessário e cada dia mais emergente
Mulheres em vulnerabilidade social e a construção de novos saberes
Percebe-se que o cenário atual em relação aos direitos das mulheres está se delineando, por meio de diversas iniciativas, reivindicações, conquistas políticas e Leis que buscam garantir uma sociedade igualitária. Embora ocorreram muitos avanços, muitas mulheres encontram-se às margens de uma sociedade desigual, presas as amarras invisíveis que as estagnam. Nesta perspectiva, foi desenvolvido um projeto de extensão aprovado e financiado pelo Instituto Federal de Educação e Tecnologia de Mato Grosso-IFMT, que visava o ensino de um ofício, primando a qualificação profissional, voltado às mulheres em situação de vulnerabilidade social frequentadoras do Centro de Referência de Assistência Social São Domingos (CRAS), em Sorriso-MT. O artigo versa as etapas do desenvolvimento metodológico do projeto e os resultados alcançados. Para ser executado foi preciso passar por várias etapas: A primeira correspondeu a estudos bibliográficos de autores que embasaram a parte metodológica e pesquisa de materiais. O segundo momento, correspondeu a aula inaugural e o ensino de técnicas de pintura, colagem, recortes e aplicações texturais em peças de MDF. A terceira etapa consistiu na aplicação da metodologia Mapa da Vida, possibilitando o conhecer melhor as mulheres e suas histórias de vida. Os resultados finais do projeto foram verificados por meio da aplicação de um questionário de pesquisa, entrevistas gravadas e filmadas, observações dos relatos ocorridos durante o decorrer das aulas. Por meio dessas estratégias e métodos de pesquisa qualitativa, percebe-se que que todas tinham seus saberes que foram construídos durante as experiências vivenciadas. Por meio da riqueza de vivências e experiências ocorreram trocas e aprendizados. As alunas concluíram o curso sem ocorrer evasão, aprenderam um novo ofício que auxiliaram na geração de renda familiar.
A cultura literária indígena antes dos colonizadores: a mitologia maia através do Popol Vuh, a Bíblia das Américas
Este trabalho interpreta, através do estudo de alguns mitos, uma obra fundamental da civilização maia: Popol Vuh. É um livro sagrado dos índios quichés, da Guatemala, no qual se configura as expressões culturais e míticas da sociedade maia. Seu teor mistura cosmogonia, religião, mitologia e história, considerada como a Bíblia das Américas, pela riqueza temática e cultural
PEDAGOGIA DO MANGUE: Inclusão de saberes e fazeres dos pescadores artesanais no ensino fundamental de São Caetano de Odivelas/PA
Fundamentado na Pedagogia Decolonial e Intercultural e na pesquisa Etnográfica, o trabalho procura analisar as interações interculturais dos pescadores artesanais de São Caetano de Odivelas/PA como inclusão na proposta curricular do ensino fundamental das escolas municipais. Para tanto, apresenta levantamento socioeconômico, populacional, formação religiosa e condições infraestruturais dos pescadores artesanais de São Caetano de Odivelas/PA e identifica as relações antrópicas constituídas entre cultura e natureza mediadas pelas relações entre tradição oral e tecnologias de comunicação nos ambientes pesqueiros de São Caetano de Odivelas/PA
O PROBLEMA DO COLONIALISMO NA ERA DOS MUSEUS HIPERCONECTADOS
As últimas décadas presenciaram mudanças ligeiras e exponenciais no campo tecnológico e comunicacional, com destaque para a criação da internet que ampliou e facilitou o acesso a informações em níveis globais. Frente a estas novas reconfigurações, os museus viram surgir uma ferramenta nova e aliada à disseminação de conhecimentos e interação com o público. Atualmente são poucas as instituições museológicas que não possuem website, as antigas cartas deram lugar a e-mails, catálogos deram lugar a coleções online, visitas virtuais, softwares de interação em tempo real, tudo possível de ser acessado em qualquer parte do mundo. O fato é que vivemos em uma era de museus hiperconectados – o próprio Conselho Internacional de Museus escolheu a hiperconectividade como temática para o dia dos Museus de 2018. Contudo, juntamente com estas novas perspectivas, também surgiram novos desafios e problemáticas, valendo destacar aqui a necessidade cada vez mais crescente de informações disponibilizadas pelas instituições museológicas. Este trabalho situa-se dentro deste debate, buscando problematizar o conteúdo veiculados por museus em suas plataformas digitais. Para tanto, tomamos como estudo o caso de coleções marajoaras digitalizadas e disponibilizadas nos sites de museus nacionais e internacionais. Como mostraremos, estas coleções são formadas principalmente por fragmentos cerâmicos, além de espécimes zoológicos e botânicos, cujas informações disponibilizadas se limitam a um caráter eminentemente técnico. Nossa compreensão é que esta forma de exposição revela um caráter colonialista dos museus, pois além de obscurecerem a “vida social” destes objetos, ainda reduz à cosmovisão dos grupos ali representados a números e medidas
RELATO DE UM PROJETO DE ENSINO PARA IMIGRANTES HAITIANOS NO OESTE CATARINENSE
Ensinar português envolve muitos processos nos diferentes contextos para a compreensão da língua, sendo ela materna ou estrangeira. O presente relato visa expor a trajetória do projeto de extensão vinculado ao PET (Programa de Educação Tutorial) da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Chapecó, com o curso de português como língua de acolhimento para imigrantes haitianos no Oeste Catarinense frente a essa nova demanda populacional impulsionada a partir dos processos migratórios que ocorrem atualmente no Brasil motivados por questões sociais e econômicas. O trabalho também objetiva descrever o contexto de surgimento e fundamentações teóricas que orientam o projeto, a partir do ano de 2014. Para além propõe a reflexão em relação ao público-alvo e impacto sócio-cultural sobre os envolvidos nesse processo de ensino, oportunizando também aos acadêmicos a formação e construção conjunta no que tange a questões sensíveis, trabalhando a alteridade e fomentando o posicionamento crítico em relação as realidades presentes no ambiente de aprendizagem. Possuindo um caráter emergencial em seu início, o projeto consolidou-se enquanto uma ação afirmativa permanente da instituição de ensino na região, sendo aprimorado progressivamente e destacando seu caráter potencializador na busca pela equidade econômica e étnico-racial desde então