Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
Not a member yet
1178 research outputs found
Sort by
Clarice Lispector na sala de aula: um caminho para a formação do leitor literário
Este trabalho tem por objetivo apresentar experiências de leituras literárias realizadas em sala de aula com alunos do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, inscritos no curso de extensão Eu, escritor... a arte de ler, pensar, refletir, saborear, produzir... As atividades propostas foram realizadas a partir da seleção de três contos da escritora brasileira Clarice Lispector: Cem anos de perdão, Uma esperança e Felicidade clandestina, com o objetivo de despertar nesses estudantes o interesse pela leitura literária, além de estimulá-los para a escrita criativa. Este trabalho apresentará também um questionário aplicado a esses discentes, a fim de investigar como foram suas experiências com esses contos e atividades.
A produção da translocalidade fronteiriça entre as cidades gêmeas de Ponta Porã (BR) e Pedro Juan Caballero (PY)
A proposta deste trabalho é realizar um exercício de reflexão teórica acerca das localidades produzidas na fronteira seca Brasil - Paraguai, entre as cidades gêmeas de Ponta Porã (BR), e Pedro Juan Caballero (PY), a partir das experiências etnográficas tidas no comércio de importados da região. A especificidade fronteiriça provoca proximidades pela forma em que o espaço se dispõe e apresenta facilidades no caminhar entre distintos territórios nacionais. Esse cenário possibilita observar a dinâmica das relações e fluxos comerciais, que são também atravessados pelas práticas de regulação do Estado. A discussão segue com o objetivo de refletir essa dicotomia nas cidades gêmeas, por serem privilegiadas para a realização de negociações comerciais diante da operação de duas lógicas de controle onde os limites das leis, normas e fiscalizações, de ambas as nacionalidades, são negociáveis. Para observar a composição da localidade fronteiriça, em termos da translocalidade, é importante considerar os movimentos que atravessam a fronteira, as pessoas circulam de acordo com os mais variados interesses e atividades, sendo que o traçado entre as duas cidades é colocado em movimento e depende de relações e negociações, entre aqueles que circulam. Os limites ficam borrados e não totalmente apagados, aparecem para além da paisagem física do ambiente, é possível percebê-los a partir das normas que regulam circulações entre os diferentes territórios, determinando legalidades e formalidades. Se para Tim Ingold (2005) o conhecer é possibilitado enquanto caminhamos, na fronteira Brasil - Paraguai uma das formas de conhecer os limites espaciais e estatais é pelo atravessar cotidiano, de um lugar para outro, entre lado brasileiro e paraguaio, onde a fronteira não encerra as relações
Produção de Sentido em O Continente: movimentos do Tempo e do Vento
A pesquisa e análise teve como objetivo destacar sentidos do romance O Continente, primeira parte da trilogia O Tempo e o Vento do escritor gaúcho Erico Verissimo. Para identificar a expressividade dos termos tempo e vento, fez-se uma análise do título do romance e da trilogia observando a história, a linguagem e as gerações familiares, contemplando, portanto, a pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo. O romance traz aspectos históricos do desenvolvimento do Rio Grande do Sul, bem como oferece um panorama cultural identitário de gerações familiares, num movimento de transposição das relações sociais no estilo que permeava a estética literária a partir da década de 1930 no Brasil, no que se refere ao reconhecimento da realidade do País. A partir de correlações e da percepção de subjetividades é enfatizado o movimento dialético da universalidade e da particularidade em que se questionam sentidos da existência humana, expressos por meio de elementos simbólicos, metafóricos e de caracterização da própria natureza. Para valorizar a amplitude do romance indicam-se aspectos relevantes para reflexão crítica literária
Fronteira Etnocultural entre Kadiwéu e Terena: A Representação Social da Educação Ambiental dos Povos Indígenas da Região do Pantanal Sul
No Brasil, literaturas e mídias denunciam ameaças à biodiversidade, decorrentes, sobretudo, pelo desenvolvimento populacional (desordenado) e pelas atividades produtivas sem estudos prévios. Tais situações geram danos ambientais nos biomas, como a deterioração do solo, o assoreamento, a contaminação dos corpos d’água, o desmatamento e outros, somados aos efeitos provocados pela exclusão social e índice de pobreza das populações indígenas, os quais interferem na produção de conhecimentos de tais grupos sociais. Considerando essa realidade, desenvolveu-se este trabalho em duas escolas distintas, com etnias Kadiwéu e Terena como predominantes, foi definido o seguinte problema de pesquisa: como a Educação Ambiental, a partir das territorialidades indígenas, configura-se por meio das representações sociais para as etnias Kadiwéu e Terena na região do Pantanal Sul? Estabeleceu-se, portanto, como objetivo geral, compreender a interface entre os grupos étnicos Kadiwéu e Terena, relacionados à(s) territorialidade(s) de representação(ões) social(is) sobre Educação Ambiental na Região do Pantanal Sul. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de cunho exploratório, longitudinal, caracterizando-se como um estudo de caso etnográfico. No entanto, a partir das territorialidades evidenciadas nas representações sociais, se percebe a existência da fronteira etnocultural. Acredita-se, então, que os saberes tradicionais possam promover o uso sustentável e a manutenção de boas práticas de Educação Ambiental. Ademais, esses saberes tradicionais devem, também, ser considerados nos momentos empíricos relativos à Educação Ambiental na comunidade. Afinal, ao se buscar os conhecimentos com ferramentas geo-pedagógicas, torna-se possível contribuir para o processo educativo, utilizando práticas e reflexões em Educação Ambiental
Identidade, memória e cultura material: uma etnografia em torno do artesanato indígena Mbyá Guarani no litoral do Paraná
O presente trabalho discorre e busca fazer uma reflexão acerca do artesanato indígena produzido por um dos grupos Guaranis da família linguística Tupi-Guarani, do tronco Tupi: os Mbyá Guarani que estão presentes por toda extensão do litoral do Paraná, do qual buscou-se compreender as possíveis dimensões dadas ao artesanato através da exposição Nhande Mbya Reko: Nosso jeito de ser guarani, realizada no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (MAE-UFPR). Este trabalho foi produzido através de um projeto de iniciação cientifica e tem como objetivo central, a observação analítica e investigativa acerca das várias atividades que estão presentes no artesanato produzido pelos indígenas em questão. Procurou-se também compreender a importância sociocultural e econômica do artesanato para a comunidade, envolvendo a concepção de identidade, memória e cultura material; compreendendo a forma singular de relação com cada um dos processos que envolvem a concepção dos objetos por eles produzidos, e por fim refletir as possíveis relações com os não-índios em sua fase final de troca ou venda dos artefatos produzidos. É importante destacar que o litoral paranaense conta com sete aldeias indígenas com forte presença dos Mbyá Guarani, e que a manutenção e valorização desses artesanatos é também um meio de resistência local. Neste sentido, durante a exposição ficou claro que a equipe do MAE buscou-se dialogar com a realidade por eles vivida, através de saídas de campo e reuniões realizadas com os representantes das comunidades, afim de construir a exposição por meio de uma curadoria compartilhada, percebendo com maior sensibilidade as nuances existentes nos aspectos citados anteriormente
Uma análise sobre o público frequentador de museus e centros culturais: estudo de caso a partir do Centro Cultural Justiça Federal
O presente artigo busca averiguar o quantitativo de público de museus e centros culturais, a fim de realizar uma análise de seus consumidores. Pretende-se expor os motivos pelos quais essas instituições atingem apenas a um determinado grupo social, não sendo distribuída espacialmente de forma equânime, sendo visível a maneira desigual da distribuição de equipamentos culturais pela cidade do Rio de Janeiro. O meu interesse por esse tema de pesquisa é demonstrar, através do entrecruzamento entre a fundamentação teórica e dos dados obtidos na pesquisa de campo, a necessidade da democratização do acesso a bens culturais, principalmente públicos. Para tanto, tomarei como objeto de estudo o Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), instalado em um edifício histórico, de arquitetura imponente, na região central do Rio de Janeiro, atraindo olhares e o turismo para a instituição
Iberescena: reflexões sobre uma ferramenta de fomento
O presente trabalho pretende trazer uma breve reflexão e um exercício de ambientação ao programa de fomento às artes cênicas, denominado Iberescena, que atualmente, pouco mais de dez anos após sua criação, beneficiou 518 projetos e movimentou cerca de cinco bilhões de euros com o financiamento dos projetos aprovados. Logo, tal programa se caracteriza como um dos principais artífices de fomento ao setor cultural, no âmbito ibero-americano. O objetivo central que se busca com esta pesquisa, é fomentar o estudo e as discussões acerca dessa ferramenta de fomento que tem ganhado cada vez mais destaque. Desta forma, o trabalho é centrado em dois esforços básicos: em linhas gerais, o primeiro consiste em apresentar o programa, abordando sobre sua criação e sobre quais circunstâncias foi criado; no segundo, busca-se problematizar e provocar questões sobre suas metodologias e operação
Marias que contam histórias: a escrita da vida e as marcas de uma escrita negra em três autoras brasileiras
Este artigo pretende fazer uma discussão sobre a produção literária de três autoras negras, diaspóricas e que até bem pouco tempo estavam ausentes das rodas de conversas, das discussões acadêmicas, e das referências de autores considerados como os grandes críticos da literatura brasileira, entre eles Alfredo Bosi e Antonio Candido. Três mulheres, mil histórias - mil formas de se contar: a escrita de Maria Firmina, Carolina de Jesus e Conceição Evaristo compõem a busca de se construir outro cânone literário ou pelo menos de assegurar o lugar de fala e de escrita de escritores (as) negros (as) postos no completo anonimato. Alguém incomodada com a forma estrutural como a literatura organiza os seus lugares, penso que é necessário se construir outro, um que traga das margens, os inominados, os ausentes, aqueles que tendo nome foram apagados, aqueles que assim mesmo teimaram em escrever no tecido de dias e noites sua história, suas angústias e esperanças, suas palavras, suas coisas, seus diários, seus dizeres, suas dores e lamentos, sua vida, em papéis catados no lixo, em noites mal-dormidas por dificuldades de uma vida inteira. Enfim, a tarefa central é estudar e produzir conhecimento sobre a literatura de um grupo subalternizado pela história de escravização, pelas diásporas. É uma escolha ideológica também trazer para a superfície do papel a escrita de mulheres que ousaram falar a partir do seu espaço de pertencimento, a partir das suas lutas que deixam de ser individuais para se tornarem lutas de um povo, de um coletivo social
La alimentación tradicional como símbolo de la resistencia Guaraní
En la cultura Guaraní la comida está presente en el cotidiano y cobra aún mayor importancia en los espacios de aprendizaje tradicional y de los ritos espirituales. Es así como el Avati/maíz ocupa un lugar privilegiado dentro del altar del Ñemongarai (ritual utilizado en algunos casos para sanación y en otros como bautismo para los más jóvenes en donde se les da el nombre indígena “Tera ka’aguy”). Este conocimiento se toma como punto de partida para el desarrollo del presente artículo que aborda la relación que existe entre el conocimiento alimenticio tradicional y el movimiento de resistencia cultural y lucha por la recuperación de las tierras ancestrales, dentro del área de retomada Yvy Katu, que fueron declaradas tierras indígenas por el Gobierno Federal del Brasil en el 2005. A pesar de existir esa declaración, unas 14 haciendas se instalaron en la zona, obligando a los integrantes de la comunidad Guaraní Ñandeva de Porto Lindo, del Estado de Mato Grosso do Sul a resistir, en una lucha de más de 15 años y que aún no ha llegado a su fin. Como referencial de análisis se utiliza la Grounded Theory para la construcción de códigos y de categorías analíticas a partir de los datos obtenidos mediante entrevistas a profundidad con integrantes de la comunidad y las notas de campo de la observación participante
Marias que contam histórias: a escrita da vida e as marcas de uma escrita negra em três autoras brasileiras
Este artigo pretende fazer uma discussão sobre a produção literária de três autoras negras, diaspóricas e que até bem pouco tempo estavam ausentes das rodas de conversas, das discussões acadêmicas, e das referências de autores considerados como os grandes críticos da literatura brasileira, entre eles Alfredo Bosi e Antonio Candido. Três mulheres, mil histórias - mil formas de se contar: a escrita de Maria Firmina, Carolina de Jesus e Conceição Evaristo compõem a busca de se construir outro cânone literário ou pelo menos de assegurar o lugar de fala e de escrita de escritores (as) negros (as) postos no completo anonimato. Alguém incomodada com a forma estrutural como a literatura organiza os seus lugares, penso que é necessário se construir outro, um que traga das margens, os inominados, os ausentes, aqueles que tendo nome foram apagados, aqueles que assim mesmo teimaram em escrever no tecido de dias e noites sua história, suas angústias e esperanças, suas palavras, suas coisas, seus diários, seus dizeres, suas dores e lamentos, sua vida, em papéis catados no lixo, em noites mal-dormidas por dificuldades de uma vida inteira. Enfim, a tarefa central é estudar e produzir conhecimento sobre a literatura de um grupo subalternizado pela história de escravização, pelas diásporas. É uma escolha ideológica também trazer para a superfície do papel a escrita de mulheres que ousaram falar a partir do seu espaço de pertencimento, a partir das suas lutas que deixam de ser individuais para se tornarem lutas de um povo, de um coletivo social. Palavras-Chave: Diáspora; Literatura negra; Mulheres; Subalternos