Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
Not a member yet
1178 research outputs found
Sort by
A Representação da mídia e o contrabando de Agrotóxicos na fronteira Brasil/Paraguai
RESUMO: O presente trabalho pretende problematizar o papel dos meios de comunicação e o enfoque dado ao contrabando de agrotóxicos, prática social recorrente na região oeste do Estado do Paraná devido à proximidade com o Paraguai. Em grande medida, o contrabando visa diminuir custos de produção e, muitas vezes, garantir a própria viabilidade da manutenção da vida no campo. Contudo, o consumo de agrotóxicos envolve relações de poder específicas, envolvendo agentes favoráveis e contrários a utilização destes produtos e compondo um campo onde os veículos de comunicação possuem o papel de difusão das informações referentes ao assunto. Neste sentido, esse trabalho visa analisar as representações existentes sobre os agrotóxicos em um periódico publicado em uma região altamente dependente do produto. Para tanto, se fez necessário uma pesquisa documental com o objetivo de levantar dados sobre o tema na região da fronteira Brasil/Paraguai – que é a principal porta de entrada de agrotóxicos importados irregularmente no país – e também refletir sobre a influência dos interesses políticos e econômicos na construção das representações sobre o assunto, observando como o tema é abordado pela mídia local, especificamente no Jornal do Oeste
Marambiré como Patrimônio Cultural e Instrumento de Resistência do Quilombo do Pacoval/Pará
O presente ensaio introdutório tem o propósito de apresentar a dança do Marambiré como patrimônio cultural e de resistência do Quilombo do Pacoval e, portanto, um exemplo de organização cultural e social amazônica. A representação da dança do Marambiré é tida pelos quilombolas do Pacoval como a perpetuação da história de seus ancestrais, ao mesmo tempo, forma de manter viva sua cultura e origem. A origem das informações sobre o Quilombo do Pacoval, vem de autores locais, nacionais e entrevistas realizadas com os membros da dança do Marambiré – coordenação e componentes. Desta forma, conclui-se reafirmando que a ancestralidade negra, religiosidade, (re)existência cultural afro às intolerâncias sofridas e horizontalidade comunitária são características facilmente identificáveis nos comunitários do Quilombo do Pacoval, local onde a musicalidade se funde com a religião, expressando através da dança do Marambiré toda sua história de resistência cultural, social e política
Os Moradores de Rua como Contrafluxo à Espetacularização das Cidades
Do início da modernidade aos dias atuais as cidades ganharam e ainda ganham formas que visam tornar seus espaços públicos em não-lugares, isto é, locais em que os habitantes não podem ocupá-los, mas apenas transitar por eles. O problema é que a diminuição da participação dos sujeitos provoca o empobrecimento da vida social fazendo desaparecer os benefícios que dela emergem: relações, memórias e identidades. Como contraponto às espetacularizações das cidades, surgiram os movimentos de flanância, deambulação e deriva. Fora deles, há os errantes urbanos, cidadãos que subvertem a produção racionalizada da cidade, em especial os moradores de rua que, ao ocuparem os espaços públicos, resgatam a relação entre o corpo urbano e o corpo do cidadão – uma corpografia
Globalização, Mobilidade e Trabalho na Rota do Turismo Popular
O presente artigo buscará discutir as novas configurações do mundo do trabalho no âmbito da globalização, tendo como campo empírico o turismo popular proveniente das periferias do Recife. O objetivo é trazer à tona como os serviços turísticos populares inserem-se nos fluxos globais não-hegemônicos, promovendo o deslocamento e a sobrevivência de trabalhadores informais numa economia popular transnacional. Para a construção do trabalho, foram utilizados como ferramentas metodológicas os conteúdos teóricos, jornalísticos e empíricos, tendo como base a pesquisa etnográfica. A intenção é discutir antropologicamente como o turismo popular está contido na globalização não-hegemônica, na medida em que se apresenta como mercado de trabalho e ferramenta de mobilidade dos fatores de produção transnacionais, no âmbito da informalidade
Cultura e Comunicação Alternativa sem fronteiras: aproximações entre o Mídia Periférica e o Espacio Cultural El Arroyo
O presente relato de experiência tem por objetivo abordar aspectos vivenciados durante a participação na “Taller de Comunicación Popular Latinoamericana” - 2016, La Matanza (Argentina). Com a proposta de dar visibilidade a experiências do campo popular (comunicação, cultura, arte e ativismo social), que refletem em mudanças positivas para as periferias latino-americanas, o espaço potencializou um diálogo com trocas de experiências comuns protagonizadas por grupos e coletivos. Se por um lado foi único compartilhar a realidade vivenciada aqui no Brasil e as ações desenvolvidas pelo coletivo de jovens negros comunicadores “Mídia Periférica”, do bairro de Sussuarana (Salvador, Bahia, Brasil), o qual se utiliza da comunicação alternativa e de práticas culturais para disseminar e fortalecer a voz da juventude periférica; por outro, foi de extrema importância ter acesso a mobilizações e espaços, até então desconhecidos, pautados nos mesmos propósitos. O contexto cheio de problemas sociais das periferias brasileiras estava posto da mesma forma do outro lado da fronteira, mas a forma de organização coletiva e a potência das articulações se mostraram com grande força. Na periferia de Gonzalez Catán, em La Matanza (Argentina), através do Grupo Cruz Del Sur, no centro cultural El Arroyo tem sido desenvolvido um trabalho que tem como fio condutor a arte e a promoção de valores com foco na transformação social, atendendo especialmente crianças, adolescentes e jovens. A experiência possibilitou um panorama da potência de uma rede de ações comuns às aqui desenvolvidas, bem como acompanhar a atuação de comunicadores populares em meio a um momento político tão delicado que estava sendo vivenciado na Argentina. A oportunidade representou ainda um grande passo para a construção de um diálogo mais intenso e de articulações que venham a fortalecer uma rede de ações culturais e de comunicadores independentes e populares latino-americanos
Na construção de uma imagem, o passado se faz presente
Sabe-se que a língua não é neutra e que povos, lugares e, até mesmo, o status de uma língua estrangeira são constituídos no e pelo discurso. A partir da memória discursiva, que se apresenta permeada pela ideologia, os sujeitos significam o mundo por meio da linguagem ao mesmo tempo em que são interpretados por seus interlocutores. Assim, a abordagem de determinados temas selecionados pelos livros didáticos pode reforçar ou romper com sentidos que permeiam o imaginário dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Tendo por base os fundamentos da Análise de Discurso de linha francesa, em especial a noção de memória, este trabalho objetiva refletir sobre efeitos de sentido relacionados à América Latina em uma unidade sobre diversidade cultural, presente em um livro didático de Língua Espanhola aprovado pelo Programa Nacional do Livro Didático. Para tanto, em um primeiro momento, apresenta-se um panorama sobre o ensino de línguas estrangeiras segundo a perspectiva discursiva, contemplando, também, o que preconizam documentos norteadores do ensino no Brasil em relação à diversidade cultural dos povos de fala hispana. Por fim, num gesto interpretativo, são apresentados efeitos de sentido sobre a América Latina a partir da materialidade discursiva analisada, observando se houve a superação de uma prática de ensino na Língua Espanhola que, durante muito tempo, pareceu mover-se em uma só direção: da Europa para os demais países. Entende-se que a língua não é um instrumento dócil e manejável, mas uma materialidade em que são tecidos discursos, sujeitos e memórias, o que possibilita questionamentos em torno dos discursos mobilizados no processo de ensino-aprendizagem
Memória e Re-existência: A luta dos pescadores e pescadoras artesanais da Ilha da Conceição- Niterói/RJ
Resumo Trazemos como proposição um giro epistêmico que visibilize as inteligibilidades das redes de saberes e práticas tradicionais, que abrigam um repertório de capacidades inventivas na organização sócio-espacial, por e através do diálogo com os pescadores e pescadoras artesanais da Ilha da Conceição - bairro localizado no município de Niterói, situado na região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Estes que lutam cotidianamente pela sobrevivência cultural e territorial de sua comunidade. Empiricamente, sobre essa realidade, enxergamos a memória coletiva como uma espécie de ferramenta política para a garantia de re-existência e direitos desta comunidade pesqueira. As narrativas dos pescadores e pescadoras, sempre vem ancoradas por paisagens que estão ativas e movimentam-se em suas lembranças, suas memórias. Quando falam na crise da pesca, dos conflitos, dos problemas ambientais, ou como gostariam que a ilha estivesse hoje, rememoram o passado como melhor lugar/tempo. Porém, esse passado contados por essas narrativas não estão presentes nos históricos oficiais de história da cidade. Logo, dialogar com essas memórias subterrâneas, é um exercício constante de disputa para uma outra escrita da história, que ao longo do tempo vem invisibilizando e aniquilando esses lugares, sujeitos e seus modos de vida. Palavras-Chave:Comunidades tradicionais; Memória; Narrativas; Pesca artesanal Memoria y Re-existência: La lucha de los pescadores y pescadoras artesanales de la Ilha da Conceição- Niterói/RJ Resumen Traemos un giro epistémico que visibiliza las inteligibilidades de las redes de saberes y prácticas tradicionales, que albergan un repertorio de capacidades inventivas en la organización socio-espacial, a través del diálogo con los pescadores y pescadoras artesanales de la Ilha da Conceição, en el municipio de Niterói, situado en la región metropolitana del Estado de Río de Janeiro. Estos que luchan cotidianamente por la supervivencia cultural y territorial de su comunidad. Empiricamente, sobre esta realidad, vemos la memoria colectiva como una especie de herramienta política para la garantía de re-existencia y derechos de esta comunidad pesquera. Las narrativas de los pescadores y pescadoras, siempre vienen ancladas por paisajes que están activos y se mueven en sus recuerdos, sus memorias. Cuando hablan de la crisis de la pesca, de los conflictos, de los problemas ambientales, o como quisieran que la isla estuviera hoy, rememoran el pasado como mejor lugar / tiempo. Sin embargo, ese pasado contado por esas narrativas no están presentes en los históricos oficiales de historia de la ciudad. Luego, dialogar con esas memorias subterráneas, es un ejercicio constante de disputa para otra escritura de la historia, que a lo largo del tiempo viene invisibilizando y aniquilando esos lugares, esos sujetos y sus modos de vida. Palabras claves: Comunidades tradicionales; Memoria; Narrativas; Pesca artesanal. 1) Introdução: Memória e Re-existência: A luta dos pescadores e pescadoras artesanais da Ilha da Conceição - Niterói/RJ. Neste trabalho, trazemos como proposição um giro epistêmico que visibilize as inteligibilidades das redes de saberes e práticas tradicionais, que abrigam um repertório de capacidades inventivas na organização espacial, que apesar de ancestrais também podem se reinventar e que essencialmente, carregam possibilidades de presente e futuro. Através de diálogos que tivemos na Ilha da Conceição - bairro localizado no município de Niterói, situado na região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, este trabalho presta-se a realizar uma pesquisa empírica sobre as estratégias de luta material e simbólica dos pescadores artesanais da Ilha da Conceição pela sobrevivência cultural e territorial, através da memória como ferramenta política de luta pela re-existência e direitos de sua comunidade, frente ao processo de desterritorialização. O campo teórico, social e político do respectivo tema, se faz relevante em ocupar muitos lugares de fala, ou seja, acreditamos que a luta dos pescadores e pescadores artesanais da Ilha da Conceição precisa ser visibilizada em todos os campos possíveis, incluindo o epistêmico, visto que tais representações tradicionais sofrem com o modelo que as marginalizam, negligenciando o manancial vivente sobre esse tipo de população, visto que, na própria história oficial da cidade de Niterói é pouco falado sobre a importância da pesca artesanal e seus sujeitos para a constituição identitária, cultural, econômica, social e espacial do município. A partir desse escopo, já venho realizando trabalho de campo junto à comunidade, já tendo iniciado a relação com os pescadores antes mesmo de iniciar o projeto, com a produção do curta-documental “Quem Pesca o Peixe” (2015/Direção Flávia Gomes) , filme que dialoga acerca das questões de uma comunidade tradicional pesqueira, a partir de entrevistas que acabaram narrando histórias com múltiplos conflitos e energias que são constantemente renovadas, e que quando enxergamos diferente dos olhares reducionistas estereotipados e românticos, não conseguimos perceber que essa leitura acaba impossibilitando práticas que mostram outras racionalidades e formas de educação, em troca de um modelo limitado hegemônico moderno-colonial, ou seja, nessa lógica o que está fora do padrão imposto pode sofrer estigmas e invisibilizações. 2) Contextualização: A questão da subalternização de comunidades tradicionais pelo processo de desterritorialização imposto pelo desenvolvimento/ progresso do sistema-mundo capitalista/patriarcal moderno/colonial (GROSFOGUEL, 2014), violenta sujeitos, suas culturas e seus lugares. Essa realidade se dá por e através da relação desigual de poder, imbricada nos meandros históricos. Todavia, essa complexidade também é composta por re-existências, neste caso os pescadores e pescadoras artesanais da Ilha da Conceição, à partir do acionamento da memória destes sujeitos como ferramenta de luta política pela sobrevivência cultural e territorial, perante aos múltiplos impactos processuais de desterritorialização. No seio da Baía de Guanabara, ao lado esquerdo da ponte que liga Niterói ao Rio de Janeiro, a Ilha da Conceição é o retrado do que o Geógrafo Milton Santos chama de lugares complexos, aos quais, segundo ele, geralmente coincidem com as metrópoles, há profusão de vetores: desde os que diretamente representam as lógicas hegemônicas, até os que elas se opõem. São vetores de todas as ordens, buscando finalidades diversas, às vezes externas, mas entrelaçadas pelo espaço comum (SANTOS, 322). O bairro teve sua história de ocupação relacionada ao mar, sendo historicamente um dos maiores referenciais pesqueiros da região. Hoje, os impactos estão por todos os lados, a ilha “que já nem é mais ilha, pois foi aterrada e ligada ao continente” - como dizem os pescadores - abriga presença massiva de empreendimentos ligados a cadeia (im)produtiva do petróleo, com uma perda quase total do entorno da Ilha da Conceição para estaleiros e embarcações de grande porte. Além disso, o crescimento da indústria naval gerou uma migração desordenada para o bairro, com a crença de oferta de trabalho. E também, não podemos deixar de falar, dos grandes problemas que afetam a Baía de Guanabara causados pelo dito “progresso”, a poluição, aterros e assoreamento. A identidade coletiva dos pescadores e pescadoras artesanais da ilha, re-existe em práticas e fazeres cotidianos do “homem comum” (CERTEAU, 1994), nesse caso, é quando o “povo do mar” se inscreve coletivamente na construção e manutenção dos barcos, ou quando batiza e escolhe as cores dessas embarcações. Munidos da arte do saber, do ler as nuvens, ventos, marés e luas. De ponto a ponto a arte da trama no tecer a rede, ao lançá-la, pescar o peixe, desenhar o mar durante dias, nas chegadas e partidas. No respeito aos mais velhos, nos apelidos dos amigos, nos fins de semana que começam nas quintas-feiras, e o grande festejo anual de devoção ao santo padroeiro dos pescadores, com a tradicional Festa de São Pedro. Colocar em pauta, esse tipo de estética, de sociabilidade cultural, problematiza a subalternização das identidades, corpos e inteligibilidades, ou seja, lógica que vislumbra a extinção dessas comunidades. Na prática, as desapropriações são legitimadas pelo Estado, que conta com o braço forte do militarismo e do capital empresarial advindo do setor imobiliário e industrial. Nessa lógica, a natureza é vista sempre como mercadoria, e o que não serve como produto econômico é desqualificado, sendo vistas e representadas como ruínas/resíduos, como marginais. Como falado anteriormente, a memória será nesse contexto uma importante ferramenta de luta pela re-existência material e simbólica de seus saberes, práticas culturais e território. Ao privilegiar a análise dos excluídos, dos marginalizados e das minorias, a história oral ressalta a importância das memórias subterrâneas que, como parte integrante das culturas minoritárias e dominadas, se opõem à “memória oficial” (POLLAK, 1989, p.4). Como podemos compreender, ainda com Michel Pollak, é necessário manter coesão e defender aquilo o que grupo tem em comum, são as duas funções essenciais da memória comum. Isso significa fornecer um quadro de referências e ou pontos de referência. Por esse caminho podemos pensar num constante movimento de memória, onde, através dela podemos evocar o passado, e a partir dele criar medidas de reinvenção do presente e semear perspectivas de futuro. Em suas lembranças e seus constantes movimentos de práticas, intenções, invenções e reinvenções constantes, ancorados no seu manancial de saberes tradicionais, mesmo com o vento contrário e um ambiente fragilizado, percebendo-se estar num campo de disputas este sujeito coletivo re-existe, afirmando assim sua identidade e seu lócus de encunciação. Podemos dizer ainda, que será na oralidade, na prática e na observação, que a tradição será sempre seu itinerário de (re)produção, assim vivências, ensinamentos e inventividades constantes, continuaram enriquecer a diversidade socioespacial, criando velhas/novas possibilidades e vias de intersubjetividade e interação. 3) Objetivos: Realização de uma pesquisa empírica sobre as estratégias de luta material e simbólica dos pescadores artesanais da Ilha da Conceição pela sobrevivência cultural e territorial, através da memória como ferramenta política de luta pela re-existência de sua comunidade e por direitos, frente ao processo de desterritorialização
La historia oficial y las narrativas orales grabadas de los antepasados de la Etnia Guaraní-Mbyá
Maria Eugênia Rodrigues Luz[1] Resumo A etnia Guarani é uma das maiores representações indígenas na América do Sul, suas particularidades quanto ao dialeto e cultura apresentam importância significativa para repensar a memória e identidade atual. Esse resumo expandido, objetiva fazer uma análise do documentário "Tava, a casa de Pedra”, de iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), produzido em conjunto com integrantes da etnia Guarany-Mbyá, focalizando o dissenso entre a história oficial sobre os autóctones e as narrativas dessa etnia em relação à sua própria história registrada sobre o Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo do Sul, no Rio Grande do Sul - Brasil. Passada de geração a geração por meio da oralidade, a versão da história dos Guarani-Mbyá que viveram no espaço que hoje denominam-se Ruínas, tem valor ímpar quanto ao patrimônio imaterial, constituindo elemento de legitimação, de identidade, de pertencimento e de alteridade para essa etnia. O vídeo representa o que antes parecia impossível, emergir a importância de considerar a voz dos indígenas na condição de construtores de sua própria história, bem como fixar a memória e identidade de seu povo que foi massacrado e quase totalmente dizimado. Os registros dos relatos podem contribuir para resgatar e corrigir eventuais lacunas deixadas na história escrita, considerada oficial, em detrimento da oralidade. O método utilizado é a pesquisa qualitativa, com enfoque no estudo bibliográfico de autores especializados sobre a temática memória e identidade. [1] Discente do Programa de Pós-Graduação Sociedade, Cultura e Fronteira, nível mestrado da Universidade do Oeste do Paraná - Unioeste; Professora de Direito. Facilitadora em Justiça Restaurativa; Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil; [email protected]
Educação Técnica e Integração: A Política de Criação dos Institutos Federais de Fronteiras
Este trabalho apresenta um estudo preliminar sobre as possibilidades e desafios da implantação dos Institutos Federais de Fronteira (IFF’s), envolve analisar as categorias território, fronteira, transfronteiriço, educação profissional, políticas públicas e educacionais, que permeiam o tema abordado. A pesquisa tem a abordagem qualitativa, que utiliza como estratégia metodológica o estudo comparativo, envolve a consulta bibliográfica e documental. Tem como objetivo compreender e analisar como se efetiva na prática a política de implantação de Institutos de Fronteira, com base para a pesquisa no Instituto Federal do Paraná – Campus Foz do Iguaçu e o IFSUL – Santana do Livramento. A oferta compartilhada entre instituições de diferentes países envolve um processo de negociação complexo, que compreende legislação, currículos, métodos de seleção, matrículas e a legalidade dos diplomas para os estudantes de ambos os países. A proposta dos Institutos Federais contempla a educação profissional e tecnológica e, em se tratando de institutos localizados na faixa de fronteira, o olhar sobre os dois lados, ou três, no caso da Tríplice Fronteira, considerando as políticas educacionais e o estudante transfronteiriço, torna-se imprescindível. Os IFF’s têm a possibilidade de ser um meio para o desenvolvimento regional e fronteiriço, tanto no aspecto social como no econômico, além de contribuir para a promoção do intercâmbio de conhecimentos e experiências entre todos os envolvidos
Performances de gênero: masculinidades no cinema a partir de dois filmes latino-americanos - Boi neon (2015) e Fango (2012)
As obras cinematográficas, como outras formas de expressão artísticas, constituem-se em locus privilegiado para colocar em relevo aspectos da sociedade que são transformados em temas tabus ou passíveis de ser invisibilizados pelos setores conservadores em determinados contextos históricos. É o caso, por exemplo, das múltiplas formas de “performar” o gênero ou ainda de exercer a sexualidade. Tema de grande relevância na atualidade, a relação sexo/gênero, assim como seu caráter biológico ou cultural desperta debates calorosos, mas também conflitos e disputas ideológicas importantes, sobretudo nos últimos anos. O presente trabalho é fruto da análise preliminar de duas das possíveis fontes que serão utilizadas no projeto de doutoramento provisoriamente intitulado “Entre fronteiras: representações de masculinidades no cinema argentino e brasileiro (2005-2015)”, pelo PPGH/UDESC. Tem como objetivo discutir a relação sexo/sexualidade/gênero/identidade(s) através de personagens masculinos ou que “performam” masculinidades nos filmes Boi neon (Direção Gabriel Mascaro, Brasil, 2015) e Fango (Direção José Celestino Campusano, Argentina, 2012), tomando como referenciais teóricos Judith Butler (2003), Thomas Laqueur (2001) e Joan Scott (1995), entre outras/os autoras/es