Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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Repertórios de Saberes e Crenças Afroindígenas: Em foco “Três Casas e Um Rio”, de Dalcídio Jurandir
Neste trabalho, mergulho em experiências religiosas interculturais comungadas por indígenas e africanos em zonas de contato na Amazônia sob o olhar da produção literária do romancista paraense e marajoara, Dalcídio Jurandir (1909-1979). Procuramos cartografar no romance “Três Casas e Um Rio”, repertórios de saberes, fazeres e crenças afroindígenas para reconstituir complexas tramas do fenômeno religioso em nossa densa e extensa região. Para o alcance da proposta, embarcaremos na canoa dos Estudos Culturais, Pós-Coloniais e Decoloniais por intermédio da Cartografia para repertoriar essas práticas culturais nas interfaces de teorias e metodologias nômades capazes de combater convenções do pensamento moderno que separou ciência de religião, sagrado de profano, natureza de cultura, oral de escrito, entre outras abissalidades e formas de vida e de luta que não são puras, pois tradições são sempre reinventadas e etnicidades historicamente misturadas
Deslocamentos de fronteiras: percurso e produção musical de Gonzagão e Gonzaguinha
O presente trabalho pretende discutir de que forma os percursos e deslocamentos permeados por diversas fronteiras que hierarquizam saberes, poderes e enunciados interferiram na produção artística de dois músicos brasileiros, oriundos de lugares historicamente marginalizados no Brasil, a saber: Luiz Gonzaga do Nascimento (o Gonzagão), vindo do sertão de Pernambuco para ganhar as paradas de sucesso no Rio de Janeiro nos anos 1940/50 e Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (o Gonzaguinha), nascido no Morro de São Carlos/Rio de Janeiro, que alcançou grande sucesso entre as décadas de 1970/80. Interessa-nos pensar quais estratégias e táticas cada um desses artistas utilizou para driblar as fronteiras que separam o "centro" e a "periferia" e alcançar o tão cobiçado panteão da Música Popular Brasileira. Tal discussão é parte da pesquisa de doutorado em Estudos de Cultura (em curso) intitulada: Deslocamentos de fronteiras: percurso e produção musical de Gonzagão e Gonzaguinha na construção das brasilidades, realizada na Universidade de Lisboa. Para compreender a relação entre música, percurso e identidade, dialogarei com autores que nos ajudam a entender a canção popular brasileira como produção discursiva, a exemplo de Marcos Napolitano, José Miguel Wisnik, entre outros e para pensar o conceito de fronteira como construção simbólica traremos à cena teóricos do chamado campo pós-colonial e/ou decolonial
Corpo e Presença: experiências dentro e fora da sala de aula
Em novembro de 2016, a professora Lúcia promoveu uma exposição e uma apresentação de dança intituladas Ubuntu!, em uma turma de Educação Infantil, e as atividades foram observadas e filmadas para análise, considerando as pesquisas com os cotidianos. As intersecções entre o aqui e agora, o tempo real e o tempo virtual se apresentaram para além de qualquer configuração pré-concebida ou planejamento que pudesse prever uma experienciação. São os resultados dessa experiência estética, que toca o sujeito na pausa, na interrupção, no perigo e no estranhamento que movem esse texto em que são produzidos apontamentos sobre experiências que envolvem corpo e presença dentro e fora da sala de aula
Educação ambiental: cheias e práticas sociais
Resumo A discussão sobre educação ambiental pode-se prolongar como uma ação para impedir consequências das cheias. O estudo apresenta alguns aspectos da discussão sobre interfaces da conscientização perante os recursos hídricos e o bem-estar social, levando em consideração o município de São Leopoldo e Novo Hamburgo, junto à bacia do Rio dos Sinos. Na exposição são utilizados os dados de alguns diagnósticos a propósito das cheias, a percepção do processo de educação da população com relação a questões ambientais. Resultado de uma investigação mais ampla que mapeia as múltiplas e diversificadas atitudes da população diante de um problema, discutindo políticas ambientais de cuidados e preservação em face de respectivos impactos e riscos ambientais advindos. A consciência socioambiental de que as ações individuais geram um efeito que se multiplica em várias situações constitui uma das descobertas para a efetividade das medidas de prevenção. Parte dos impactos podem ser evitados com uma educação ambiental, voltadas para a situação, na qual, as pessoas estão inseridas no meio. O seu significado enquanto cidadania ambiental acontece em uma composição onde todos os indivíduos envolvidos são ativos e responsáveis por esta construção. É imperativo pensar que o homem está inserido na crise ambiental e com demais impactos sociais atribuídos a este processo que se intensifica rapidamente na sociedade. A educação ambiental está altamente citada no cotidiano de diversas pessoas da região, diversos projetos são realizados fora do contexto do Comitesinos e SEMAE, por escolas e associações da região. Assim, há uma multiplicação de saberes com ênfase devido à preocupação com as cheias e alagamentos na região. As cheias, alagamentos e escassez de água são reflexos das ações e práticas sociais e desafiam a ação do poder público e as iniciativas de educação ambiental com o passar do tempo. Ela precisa ser realmente colocada em prática. Palavras-Chave: Alagamentos; Bem-estar; Educação ambiental; Políticas ambientais; Rio dos Sinos; Resumen La discusión sobre educación ambiental se puede prolongar como una acción para impedir consecuencias de las inundaciones. El estudio presenta algunos aspectos de la discusión sobre interfaces de la concientización ante los recursos hídricos y el bienestar social, teniendo en cuenta el municipio de São Leopoldo y Novo Hamburgo, junto a la cuenca del Río de los Sinos. En la exposición se utilizan los datos de algunos diagnósticos a propósito de las inundaciones, la percepción del proceso de educación de la población con relación a cuestiones ambientales. Resultado de una investigación más amplia que mapea las múltiples y diversificadas actitudes de la población ante un problema, discutiendo políticas ambientales de cuidados y preservación frente a sus impactos y riesgos ambientales venidos La conciencia socioambiental de que las acciones individuales generan un efecto que se multiplica en varias situaciones constituye uno de los descubrimientos para la efectividad de las medidas de prevención. Parte de los impactos pueden ser evitados con una educación ambiental, volcados a la situación, en la cual, las personas están insertadas en el medio. Su significado como ciudadanía ambiental ocurre en una composición donde todos los individuos involucrados son activos y responsables de esta construcción. Es imperativo pensar que el hombre está inserto en la crisis ambiental y con demás impactos sociales atribuidos a este proceso que se intensifica rápidamente en la sociedad. La educación ambiental está altamente citada en el cotidiano de diversas personas de la región, diversos proyectos se realizan fuera del contexto del Comitesinos y SEMAE, por escuelas y asociaciones de la región. Así, hay una multiplicación de saberes con énfasis debido a la preocupación con las inundaciones y inundaciones en la región. Las inundaciones, inundaciones y escasez de agua son reflejos de las acciones y prácticas sociales y desafían la acción del poder público y las iniciativas de educación ambiental con el paso del tiempo. Ella necesita ser realmente puesta en práctica. Palabras clave: Alagamanetos; Bienestar; Educación ambiental; Políticas ambientales; Rio dos Sinos;. A discussão sobre as cheias pode-se prolongar como uma ação para impedir suas consequências mais dramáticas para a população de um determinado território. O presente artigo apresenta alguns aspectos da discussão sobre interfaces da gestão perante os períodos de cheias de um rio que atravessa áreas urbanizadas, levando em consideração o município de São Leopoldo e Novo Hamburgo, junto à bacia do Rio dos Sinos no sul do Brasil. Na exposição são utilizados os dados de alguns diagnósticos a propósito das cheias, a percepção do processo com relação a questões ambientais. O texto resulta de uma investigação mais ampla que mapeia as múltiplas e diversificadas políticas ambientais de cuidados da água em face de usos conflitivos. As formas de deterioração gradual da qualidade da água da bacia encontram-se em consonância com a expansão do consumo com os respectivos impactos e riscos ambientais advindos da proliferação de dejetos líquidos e sólidos. Um projeto para proteção contra as cheias em São Leopoldo foi idealizado pela construção de diques a partir de 1974. As obras dos diques possuem efeitos percebidos diversificados, tanto como um anteparo às ameaças periódicas das enchentes, quanto aos deságios para a sua manutenção. Os prejuízos associados às perdas de patrimônio, perdas em atividades, interrupção das rotinas de comunidades e pessoas, riscos à saúde população, danos ao sistema de abastecimento, são consequências indesejadas. Um dos maiores problemas enfrentados são os descartes de resíduos nos arroios, nas encostas, nos banhados e nos passeios públicos. O seu acúmulo e condução pelas águas pluviais desemboca num movimento que impede que a agua flua naturalmente, dilatando os efeitos dos alagamentos. A gestão das consequências das cheias não depende somente de um órgão do poder público, e sim, da ação integrada de órgãos diversos, como a autarquia dos serviços públicos de água (SEMAE), secretarias diversas da Prefeitura municipal, a Defesa Civil, o Ministério Público e o Comitesinos (Comitê de Gerenciamento da Bacia do Rio dos Sinos). Através desses, busca-se a melhora do sistema de proteção, além de possuir equipes preventivas na retirada desses descartes e peças de publicidade ambiental, que se dirigem diretamente às escolas e outros espaços para informar usuários. Na prática se verifica que a educação ambiental viria em socorro a aspectos de manutenção das estruturas de drenagem, além pressionar menos a impermeabilização e a ocupação das planícies de inundação, de assoreamento, de disposição de lixo com entupimentos de bueiros. A consciência socioambiental de que as ações individuais geram um efeito que se multiplica em várias situações constitui uma das descobertas para a efetividade das medidas de prevenção. Parte dos impactos podem ser evitados com uma educação ambiental, voltadas para a situação, na qual, as pessoas estão inseridas como cidadãos de direitos e sujeitos de ação. O seu significado enquanto cidadania ambiental acontece em uma composição onde todos os indivíduos envolvidos são ativos e responsáveis por esta construção. É imperativo pensar que o homem está inserido na construção do que denominamos de crise ambiental e com demais impactos sociais atribuídos a este processo que se intensifica rapidamente, mesmo na era de uma sociedade tecnológica. A construção social da legitimação de políticas ambientais para cuidados especiais em determinados espaços ambientais reporta não só as formas da difusão destas políticas no tecido social, mas também remete à compreensão e às possibilidades de mudanças nas relações sociais e nos nexos entre sociedade e bens naturais. Tendo em vista que, ambiente e sociedade não podem ser encaradas como conceitos separados e sim elevados a uma interdependência conceitual. Assim, salientar também seu aspecto político ao formar concepções e valores que serão pré-requisitos para o indivíduo desenvolver a sua criticidade e o entendimento mais complexo da relação sociedade e natureza. A educação ambiental enquanto uma prática social foi sendo consolidada em meio a um conjunto amplo de tensões, porém no seu escopo vem permitindo a reconfiguração da visão de mundo. Assim, se anseia que os cidadãos possam tornar-se cientes de seu papel na sociedade, de que eles são um ser político dotado de direitos e deveres. Neste sentido “educação Ambiental crítica volta-se para uma ação reflexiva (teoria e prática - práxis) de intervenção em uma realidade complexa; é coletiva; seu conteúdo está para além dos livros, está na realidade socioambiental derrubando os muros das escolas. É uma Educação política voltada para a transformação da sociedade em busca da sustentabilidade. (GUIMARÃES, 2005, p. 102). A associação entre consumo e riscos se conflita com o cuidado das águas quando se trata da formulação e efetivação de alternativas com resultados robustos que impliquem em mudanças das práticas culturais. O diagnóstico da pesquisa aponta para o paradoxo da insuficiência política e do protagonismo das referidas iniciativas para a recuperação e preservação da bacia hidrográfica; desta forma vem sendo merecedoras de atenção da sociedade e de ativistas socioambientais para alargar os investimentos públicos. Urge, portanto, além de políticas ambientais específicas para o rio dos Sinos, iniciativas de projetos voltados para a população, buscando a mudança da percepção socioambiental que fundamenta as práticas cotidianas. Os moradores de locais de risco de cheias comentam a respeito do poder público das cidades de Novo Hamburgo e São Leopoldo incentivarem um programa de benefícios para pessoas que vão recolher o lixo deixado por outros moradores nos locais indevidos e também uma brigada ecológica com o papel de transmitir os conhecimentos sobre as condições socioambientais dentro das próprias comunidades dos bairros que são afetados, além de, alertas aos moradores sobre as cheias, o que fazer com os descartes entre outras ações. Neste sentido, “os educadores têm um papel estratégico e decisivo na inserção da educação ambiental no cotidiano, qualificando para um posicionamento crítico face à crise socioambiental, tendo como horizonte a transformação de hábitos e práticas sociais e a formação de uma cidadania ambiental que os mobilize para a questão da sustentabilidade no seu significado mais abrangente. (Jacobi, 2005, p. 233) A realidade preocupante do Rio dos Sinos possui vários órgãos disponibilizando diversos projetos em prol de sua conservação e preservação dos recursos hídricos e seu entorno. Alguns dos projetos foram e são realizados pelo Comitesinos e outros espaços associativas da sociedade civil, que possuem a preocupação com os bens naturais e as pessoas, principalmente voltados para um comprometimento dessas perante o meio ambiente. A educação ambiental está altamente citada no cotidiano de diversas pessoas da região, diversos projetos são realizados fora do contexto abarcado pelo Comitesinos e SEMAE, por escolas e associações da região. O diagnóstico ante uma multiplicidade e uma diluição de atividades relativas ao meio ambiente, especialmente no que diz respeito a propostas inovadoras aponta antes a insuficiência de sujeitos sociais em face de um protagonismo para alterações significativas em face da degradação ampliada e da urgência de outros cuidados com a água potável. Ora, a constatação da fragilidade de atores sociais para consolidarem a mediação social do conhecimento (Ruscheinsky, 2014) proporcionado pelas inovações tecnológicas para os cuidados com o meio ambiente se deve em grande medida em face da vigência de uma cultura de consumo que arrebata corações e mentes, bem como da predominância de argumentos provenientes do campo econômico. O trabalho do autor citado converge para uma perspectiva crítica que norteia a diversidade das experiências de educação ambiental, especialmente ao enfatizar uma adversidade marcante à ideia de que “tudo o que possui o slogan ecológico é merecedor de elogio e de adesão”. Portanto, convém atentar para a interpretação adotada e que incide sobre as práticas sociais reconhecidas como legítimas. Assim, há uma multiplicação de saberes com ênfase devido à preocupação com as cheias e alagamentos na região. As cheias, alagamentos e escassez de água são reflexos das ações e práticas sociais e desafiam a ação do poder público e as iniciativas de educação ambiental com o passar do tempo. Neste sentido, crescem os anseios de que ela seja realmente colocada em pratica para obter resultados que impactem positivamente a sustentabilidade dos bens naturais. O futuro para o meio ambiente sustentável requer que no presente se possa desenvolver uma reflexão ampliada para um justo envolvimento com as alternativas desenhadas por atores sociais. Neste sentido, quando se consegue traçar uma referência a alternativas em face das cheias periódicas parece inevitável a referência aos conflitos que esta realidade engendra. Para dar conta de um novo enredo visando a sustentabilidade socioambiental duas dimensões estão postas como desafio aos atores em ação: a prática consequente de processos de educação ambiental crítica ao desperdício e uma gestão ambiental que seja adequada ao montante de recursos naturais que se pretenda preservar. As consequências das inundações estão relacionadas à organização social mais do que propriamente às ações da natureza, como períodos prolongados de chuvas. Os diques alteram especialmente a percepção de um relacionamento amigável com o rio, pois além de proteção contra uma ameaça periódica, transforma o diálogo fazendo a cidade ficar de costas para o rio. Os diques incrementaram as circunstâncias em que o rio foi visto como obstáculo ao desenvolvimento da qualidade de vida, em lugar de percebe-lo como parte integrante. Os banhados ou áreas de várzea fazem parte de um espaço que as águas do rio ocupam periodicamente nas cheias. É um ecossistema de flora e fauna ameaçado pela urbanização, com loteamentos planejados ou ocupação irregular, construção de diques, contaminação por resíduos
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB/PB) e Sistema de Avaliação da Educação Básica do Paraná (SAEP/PS): (in)convergências conceituais e metodológicas no campo da linguagem
A qualidade da educação brasileira tem estado frequentemente na agenda de discussões e reflexões de pesquisadores e de educadores, seja no que se refere ao que acontece no chão da sala de aula, seja na produção e na socialização do conhecimento científico transformado em conteúdo de ensino, seja no que diz respeito às políticas públicas no campo educacional. Embora sejam dimensões imbricadas, nesta pesquisa volta-se para as políticas públicas, fazendo um recorte para um de seus componentes, as avaliações em larga escala, que se apresentam como abalançadoras, dentre outros aspectos, dos avanços (ou não), na aprendizagem dos alunos. Com seu surgimento nos anos 1990, as avaliações externas em larga escala passaram a ter posição central nas políticas educacionais, sendo, inclusive, parâmetro para tomadas de decisão quanto a investimentos ou a cortes de recursos financeiros na/para a escola. Dentre os sistemas de avaliação existentes no Brasil, e impostos às escolas, destacam-se dois: o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), que formula a Prova Brasil (5º e 9º anos), e o Sistema de Avaliação da Educação Básica do Paraná (SAEP), que formula a Prova Saep (6º e 1º anos, e 9º e 3º anos). As provas de ambos os sistemas focalizam apenas as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. Considerando os impactos sofridos pelos alunos e pela escola quanto à aplicação (e os resultados dessas provas), levantou-se a seguinte questão: por se tratarem de sistemas de avaliação voltados para os mesmos estudantes, que frequentam as mesmas escolas, há inter-relações entre seus objetivos, suas metodologias e suas concepções de linguagem e de leitura? Essa indagação foi problematizada por meio de uma pesquisa qualitativa, interpretativista de abordagem sócio-histórica, de análise documental, situada no âmbito da Linguística Aplicada
A escola indígena Wakõmēkwa e seus processos de ensino e aprendizagem na perspectiva da interculturalidade: um relato de experiência
Esse trabalho apresenta reflexões de uma pesquisa em andamento referentes às experiências de campo das atividades de doutorado as quais vêm sendo realizadas na Escola Indígena Wakõmēkwa, da Aldeia Riozinho Kakumhu, localizada no estado do Tocantins, Brasil. Esta pesquisa é de natureza qualitativa, fundamentada na perspectiva etnográfica, com utilização de procedimentos metodológicos da observação participante. Os autores que sustentam as discussões teóricas e metodológicas perpassam pelos estudos de Bourdieu (1989), Fleuri (2003), Henriques et al (2007), bem como os documentos oficiais que regulamentam a Educação Escolar Indígena. Como resultados preliminares da pesquisa in loco, percebeu-se a manutenção do currículo oficial da educação do estado e que os materiais didáticos são, em sua maioria, na língua portuguesa. Para a comunidade, a escola tem o papel de pertencimento e de aproximação à cultura Xerente. Para eles, a aprendizagem é contínua e diária na aldeia. Ela, como uma “fruta”, pode espalhar sementes entre os povos indígenas a partir do conhecimento de mundo. Sendo assim, a reflexões realizadas, até o momento, nos permitem concluir que é preciso compreender melhor as práticas pedagógicas, os dispositivos simbólicos e os movimentos presentes na escola Wakõmẽkwa para que a democratização do ensino indígena seja realmente algo significativo para o grupo no seu processo de formação, em busca de uma educação emancipadora e intercultural
Mulheres do campo, das florestas e das águas, violência doméstica e políticas públicas de igualdade de gênero no Brasil.
As mulheres rurais merecem atenção pois representam quase metade da população rural. Muitas delas não possuem acesso a direitos básicos, enfrentando uma invisibilidade enquanto cidadãs perante o Estado. Sofrem também com a violência de gênero e doméstica. Há novos desafios como apoiar grupos produtivos de mulheres, dar-lhes ferramentas e subsídios para ampliar sua autonomia e assim alcançar a equidade. O presente trabalho apresenta primeiramente a luta das mulheres pela criação de políticas públicas e pela igualdade de gênero no Brasil e no âmbito rural; em seguida mecanismos contra a violência doméstica e de gênero no Brasil e finalmente as atuais políticas públicas implementadas pela Secretaria de Políticas para Mulheres em prol da igualdade de gênero e contra a violência doméstica no campo, nas florestas e nas águas.
A (de)colonialidade do patrimônio na América Latina: lugares do negro e do indígena no caso brasileiro e argentino
Este trabalho pretende analisar a conformação do campo patrimonial no Brasil e na Argentina, durante os séculos XIX e XX, no conjunto de representações e práticas que o definem na América Latina. Deliana-se o panorama de reivindicações sócio-políticas dos movimentos de luta negros e indígenas que reconfiguram, a partir de uma perspectiva (de)colonial da história, tais políticas patrimoniais no século XXI. A invenção dos Estados- Nação e a conformação do campo patrimonial são correlatos. A patrimonialização é instrumento de criação de narrativas nacionais enunciadas pelo poder público. Dessa forma salienta-se os conceitos civilizatórios, trazidos pela modernidade eurocêntrica, presentes nos estatutos do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), posteriormente sucedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), para o caso brasileiro. E da Comisión Nacional de Museos y Monumentos y Lugares Históricos (CNMMYLH) para o caso argentino órgãos estatais responsáveis pela institucionalização do silenciamento de memórias sociais e identidades coletivas, em detrimento da construção de uma única, a branca cristã. Percorrendo assim, a dinâmica de (re)apropriações e transformações no tempo das práticas culturais e como pelas organizações em movimentos sociais, estes grupos subalternizados, demandam novas concepções de cultura e de patrimônio imaterial. Ao endossar demandas sob a pluralidade cultural, se exige reconhecimento e valorização das massas e manifestações populares. Os setores historicamente excluídos passam simbolicamente a serem representados dentro destas nações
Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo: espaço de integração cultural na América Latina?
Este estudo tem como objetivo questionar se o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo cumpriu a sua diretriz de promover maior integração cultural na América Latina. Para responder a essa pergunta, utilizou-se dados extraídos de três indicadores, que contém informações de todas as edições já realizadas do Festival. Eles são: (1) a origem dos filmes selecionados para compor o Festival; (2) o envolvimento de entes internacionais no apoio e execução do evento; e (3) a quantidade de atividades realizadas, ao longo das edições, pertinentes à integração cultural da América Latina. Assumiu-se que quanto maior a diversidade de origem dos filmes, envolvimento dos entes e atividades realizadas, maior seria o esforço para a integração cultural latino-americana. Assim, partindo da ideia de que festivais internacionais de cinema são espaços que espelham as relações internacionais e, entendendo que a geopolítica dos anos 2000 na América Latina é a de integração entre os países do continente, esperou-se observar esse processo no desenvolvimento do Festival. Durante a análise, constatou-se que o indicador 2 não permitia conclusões significativas, sendo desconsiderado a partir de então. Já os outros indicadores permitiram verificar que, apesar do Festival ter promovido esforços para a integração cultural da América Latina, eles não foram suficientes para cumprir plenamente essa diretriz
A INTEGRAÇÃO FRONTEIRIÇA NAS CIDADES-GÊMEAS A PARTIR DA EXPERIÊNCIA EM UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR, SOB A ÓTICA DA METODOLOGIA DA COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA
Este estudo é resultado de um recorte da pesquisa da tese de doutorado sobre a contribuição do papel da Universidade frente ao processo de integração fronteiriça a partir da atuação da Universidade do Estado do Amazonas no Centro de Estudos Superiores de Tabatinga , situada na tríplice fronteira amazônica Brasil-Colômbia e Peru. O objetivo da pesquisa foi demonstrar como a aplicação da Metodologia da Comunicação Estratégica desenvolvida pela Escola de Comunicação da Universidade Nacional de Rosário – Argentina pode contribuir para que a universidade atue de forma politicamente responsável, socialmente inclusiva e notadamente marcada de excelência acadêmica. Os resultados do estudo permitem que a universidade crie mediações no ambiente interno, externo e dentre diversos atores sociais, favorecendo a construção de sentidos e ações compartilhadas, projetando para isso estratégias institucionais capazes de atuar em um espaço tão carregado de alteridades como as existentes nas cidades gêmeas