Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
Not a member yet
    1178 research outputs found

    Silviano Santiago: o intelectual desobediente (trans)fronteiriço

    No full text
    Este trabalho tem por objetivo refletir acerca da figura do intelectual Silviano Santiago à luz da crítica biográfica fronteiriça cunhada por Edgar Cézar Nolasco a partir da confluência dos estudos pós-coloniais (MIGNOLO, 2003) aos crítico-biográficos (SOUZA, 2002) (SOUZA, 2011) tomando como lócus enunciativo, tanto epistemológico quanto geoistórico, a fronteira-Sul do Brasil com os países lindeiros Paraguai e Bolívia. É segundo essa óptica teórica que buscaremos discutir a figura do crítico, homossexual e escritor mineiro partindo da premissa de que sua carreira/obra/vida se aquilatam em uma percepção (trans)fronteiriça por excelência. Essa alcunha se justifica através do trânsito crítico-ficcional-teórico e da visada epistemológica pós-colonial que atravessa as percepções de Silviano Santiago sobre a cultura e literatura brasileiras, seja tratando do outro ou exercendo sua escritura literária: exercícios sempre permeados pelo bios do menino natural de Formiga intelectualizado em Belo Horizonte. Para sustentar o debate proposto, nos assentaremos, dentre outros, em pesquisadores e obras como Histórias locais/projetos globais (2003) e “Desobediência epistêmica” (2008) de Walter Mignolo, CADERNOS DE ESTUDOS CULTURAIS, Perto do coração selbaje da crítica fronteriza (2013) e “Crítica biográfica fronteiriça (Brasil/Paraguai/Bolívia)” (2015) de Nolasco, Janelas indiscretas (2011) de Souza, O local da cultura (2013) de Homi K. Bhabha, Planetas sem boca (2006) de Hugo Achugar e Representações do intelectual (2005) de Edward W. Said

    Do bambu ao macaco: Análise da violência contra as práticas culturais Guarani na contemporaneidade

    No full text
    O presente artigo tem por objetivo tratar sobre dois casos de violências contra os povos indígenas no tempo presente. O primeiro caso foi registrado em Santa Helena, oeste do Paraná e levado a cabo pela Polícia Ambiental. Os Guarani foram presos por dois dias e estão em cárcere domiciliar pelo corte de um bambu para a utilização em um ritual religioso tradicional. O segundo caso foi registrado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, efetivado pela Guarda Municipal daquele município que apreendeu uma indígena com os seus dois filhos que vendiam artesanato no “Brique da Redenção” por ela estar com um macaquinho da espécie bugio, como bicho de estimação de seus filhos. Em ambos os casos os Guarani sofreram violência por agentes públicos, por praticarem atos de natureza tradicional. Buscaremos compreender a tipificação desses atos como criminosos pela justiça brasileira e de natureza tradicionais relacionado a práticas milenares pela população Guarani. Quando o direito de uns se sobrepõe ao dos outros e como práticas criminosas contra o meio ambiente são toleradas em nome do progresso e do desenvolvimento

    ARTE E INDIVIDUALISMO: NOTAS SOBRE A BUSCA DE SOBRESSALIÊNCIA NO MERCADO DE TRABALHO ARTÍSTICO

    No full text
    Debater-se-á a arte como exercício de uma profissão e o artista enquanto um trabalhador no contexto da privatização da cultura. O objetivo é revelar vivências de atores de teatro no cotidiano de seu trabalho, mostrando características, que são, geralmente, eclipsadas pelo signo da mercadoria/espetáculo, isto é, que escapam ou são escamoteadas pelo debate estético, evidenciando características e tendências presentes no trabalho artístico. Indagando: em quais condições trabalham os artistas? Quais as principais características das políticas culturais no Brasil? Por que os artistas estão se tornando empresários de si mesmos, quer formal ou informalmente? Chegamos aos seguintes resultados de pesquisa a partir da análise da política pública cultural brasileira e pesquisa de campo realizada em Salvador, envolvendo o convívio e entrevistas com artistas e demais agentes do campo cultural

    “Patrões”, “pilotos”, “batedores”, “bandeirinhas” e o Estado: um estudo sobre o “contrabando” de cigarros na fronteira Paraguai-Brasil.

    No full text
    Resumo: O objetivo desta pesquisa foi analisar as relações entre trabalhadores envolvidos no chamado “contrabando de cigarros” na fronteira Paraguai-Brasil e as tentativas de controle por parte do Estado na fiscalização e criminalização deste trabalho na última década. A pesquisa ocorreu em algumas cidades do Brasil no oeste do Paraná localizadas na fronteira com o leste do Paraguai nos departamentos de Alto Paraná e Canindeyú, dando ênfase respectivamente as cidades paraguaias Ciudad del Este, Salto del Guairá e às cidades brasileiras Guaíra e Foz do Iguaçu. As fontes utilizadas foram entrevistas com trabalhadores e empresários envolvidos, fiscais da receita federal, matérias de jornais locais, legislações brasileiras e anotações das observações da pesquisa de campo. A análise sobre as relações entre quem realiza o “contrabando” e quem controla, foram pensadas incluindo um conjunto de práticas e interesses vividos e disputados em meio ao cotidiano e as realidades locais. Nem tudo aquilo que é pretendido como representação ou função do Estado na repressão e controle sobre o contrabando, se constitui da mesma forma nestes ambientes, mas articulam-se com disputas de poder, com o processo de acumulação capitalista, entre outros

    Mulheres negras em situação de refúgio no Brasil: as múltiplas lutas em face da superação das desigualdades

    No full text
    O deslocamento de muitas mulheres de seus países de origem para outros pode estar relacionado a conflitos de guerra, perseguições, situações de extrema pobreza; em que, as mulheres são as maiores vítimas e por muitas vezes duplamente violadas, pois as violências persistem até mesmo durante o deslocamento forçado, em que se tornam ou voltam a ser vítimas de violência sexual, agressões, assédio, dentre outras violações. Mas tal situação torna-se ainda mais grave quando voltamos o olhar para as mulheres negras, que passam a dispor de diversos fatores contrários à sua inserção no meio social, dentre eles podemos citar: a questão de gênero, o status de “refugiada”, além da raça. Segundo estudos realizados, dentre as vítimas do refúgio, as meninas e mulheres representam as parcelas com o menor índice de acesso ao sistema educacional; e no que diz respeito a parcela da população negra, esse índice é ainda menor, o que acaba por refletir consequentemente na futura inserção no mercado de trabalho. Dessa forma, entendemos que é indispensável uma atuação efetiva por parte do Estado e bem como da sociedade civil no que condiz ao investimento em políticas de inserção dessas mulheres nos campos educacionais e trabalhistas, como forma de emponderá-las e tornar possível a superação da situação de vulnerabilidade em que se encontram. O trabalho tem como principal finalidade, discutir os instrumentos que devem ser implementados como meio de possibilitar a inserção dessas mulheres no meio social, a fim de lhes proporcionar uma vida digna, de efetivação dos seus direitos, superação das violências sofridas e rompimento com as desigualdades

    Análise do sistema de classificação por cor/ raça no Brasil

    No full text
    O Brasil é o país com a maior população afrodescendente de toda América Latina. O processo de colonização portuguesa, ao introduzir o trabalho compulsório de nativos dos mais diferentes grupos sociais africanos e privilegiar a povoação e controle do território via intercurso sexual com nativos indígenas e escravos, deu origem a uma nação miscigenada e, ao mesmo tempo, marcada por uma ampla desigualdade social e econômica que assume perceptíveis traços raciais. O sistema de classificação de raça/ cor que se desenvolveu no Brasil está intimamente relacionado ao processo colonial. Nos dias atuais, pode-se dizer que há dois grandes sistemas de classificação étnico-racial no país: o oficial e o de uso cotidiano. O oficial está assentado em cinco categorias, quatro referentes à cor (branco, preto, pardo e amarelo) e uma referente à etnia (indígena). O sistema de uso cotidiano, mais flexível que o sistema oficial, varia segundo o tipo de interação interpessoal. Ambos os sistemas de classificação racial, no entanto, estão assentados nas características físicas dos sujeitos (com exceção da categoria oficial “indígena”), tendo a cor da pele como elemento fundamental no processo de classificação. No entanto, nos últimos 20 anos, a lenta e silenciosa ascensão socioeconômica de parcelas da população negra brasileira, o processo de discussão das desigualdades sócio-raciais, a emergência de diferentes políticas de combate à desigualdade social e a implantação de políticas compensatórias focadas na população negra tem gerado amplos debates públicos entre pesquisadores, gestores e militantes de movimentos sociais a respeito das categorias de classificação e seus usos. É neste contexto que o presente artigo discute o sistema de classificação racial, sua estruturação, transformações e usos cotidianos, focando na população negra brasileira

    Identidades e Vivências: cotidiano em ambiente escolar de Foz do Iguaçu

    No full text
    O espaço escolar representa o mundo recortado num espaço social em que a diversidade e as diferenças afloram. Este artigo que é parte integrante da dissertação de Mestrado: Identidade e Fronteiras: vivências e cotidiano em ambiente escolar do Foz do Iguaçu, e tem como objetivo demonstrar como se manifesta a diversidade cultural em uma escola de fronteira entre Brasil e Paraguai. Para tanto, realizou-se visitas a escola para coletar informações junto aos personagens deste espaço escolar, alunos, familiares, professores e equipe pedagógica, buscando dados desta vivência, tendo em vista o conhecimento da real situação do ensino no município quanto a esse atendimento. A Escola em cidade de fronteira adquire identidade e características próprias que podem ser evidenciadas quando comparadas e analisadas frente a outras instituições educacionais de outras localidades. Em todos as relações humanas se encontra cultura, são as interferências pessoais, realizadas nos contextos sociais onde estão inseridos, é o que permeia as identidades nas vivências e contatos de relações da sociedade. Isto é visivelmente presenciado na escola de fronteira que recebe alunos estrangeiros, pois se trata de um espaço de interação humana, existe nas ações da escola, processos de constituição de identidade, de cultura e de conhecimento, que resultam na formulação da pessoa e de sua vivência social. Este artigo tem a intensão de despertar no leitor o olhar para a diversidade cultural vivida na escola na região em questão

    Sistema de Ensino Superior Europeu e o reconhecimento de títulos acadêmicos provenientes de Instituições de Ensino Superior Brasileiras

    No full text
    O referido ensaio é uma análise preliminar e conceitual do denominado Processo de Bolonha, uma proposta política de readequação e reformulação do Sistema de Ensino Superior Europeu que objetiva modernizar, revisar e uniformizar os procedimentos de aferição de qualidade dos cursos, currículos e mobilidade acadêmica, bem como facilitar o reconhecimento de títulos, a integração e a atração de estudantes e investimentos estrangeiros, colocando novamente a Europa em situação hegemônica no plano educacional. Convém ressaltar que aqui trazemos um recorte conceitual de um dos objetos específicos que compõem um projeto de pesquisa sobre mobilidade acadêmica e reconhecimento de títulos estrangeiros provenientes de instituições de Ensino Superior pelo Brasil. Dessa forma, o estudo do Processo de Bolonha se faz necessário para conhecermos as bases que suportarão o desenvolvimento posterior do tema

    Os múltiplos extermínios dos corpos negros pela violência da linguagem: Uma reflexão interseccional e decolonial das Fake News sobre Marielle Franco

    No full text
    O ativismo político, atualmente, tenta encontrar seu discurso na reivindicação, no desafio da injustiça e, talvez, na enunciação das minorias, tomando seu lugar nas interações políticas atuantes. Nesse sentido, a atuação de Marielle Franco marcou uma posição de enunciação (BENVENISTE, 2006), isto é, o discurso-ato apropriou-se de um corpo politicamente ativo e falou por si, mesmo sendo nomeada de radical, por espaços e discursos dominantes. Seus enunciados atingiram a conduta social do bom convívio e da cordialidade dos “cidadãos do bem”, os transformando em manifestantes de discursos de ódio. Com o assassinato de Franco ficou claro que, para sobreviver, pelo menos, a enunciação não pode ser um ato discursivo completo e, por conseguinte, não deve passar de um discurso generalizado ou esquivo da realidade. Após o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, o seu lugar de enunciação foi contradito pela ideologia textual Fake News, uma “tipologia” que não pode se considerar nem verdade, nem mentira, nem ironia. As Fake News recortam questões reais para fazerem enunciados infundamentados, com “seriedade informativa”, uma contra enunciação bem planejada e sustentada pela desinformação séria. Nessa perspectiva, nosso trabalho visa discutir os parâmetros discursivos das Fake News sobre Marielle Franco, considerando não só o seu ativismo, mas também o que o seu corpo simboliza face à estrutura social-racial brasileira. Assim, propomos um olhar interseccional (CRENSHAW, 2002) sobre o corpo negro e as práticas de linguagem sobre ele, especialmente as Fake News, que desembocam em contra enunciações, tensões e ideologias linguísticas que organizam o que é considerado “verdade” e, até, quem pode/deve viver e morrer. Tanto que tal caso não é isolado, coincidentemente o homicídio de mulheres negras aumentou (MAPA DA VIOLÊNCIA, 2015) junto ao surgimento de movimentos sociais feministas e suas várias necessidades. Portanto, observamos o quanto as múltiplas execuções de um corpo-símbolo de esperança contra–hegemônica é projetado na mídia dominante, de forma que a construção colonial de uma memória, de um corpo físico e simbólico, passa a ser a representação de todo o grupo do qual faz parte

    Patrimônio cultural dos espaços religiosos afro-brasileiros: patrimônio subalterno?

    No full text
    O objetivo deste trabalho é analisar o Patrimônio Cultural Negro guardado nos espaços religiosos afro-brasileiros como resistência as posturas colonizadoras do Estado, sendo pensado a partir das discussões sobre estética subalterna e o tombamento de terreiros. O patrimônio cultural dos espaços religiosos afro-brasileiros é um patrimônio subalterno? O Estado brasileiro começa a política de patrimonialização na década de 30. De 1937 até o início da década de 80 apenas monumentos que representavam os aspectos da estética arquitetônica elitista e portuguesa foram protegidos e preservados pelo Estado, a partir da aplicação do instituto do tombamento. Assim, os bens culturais de indígenas, negros e demais povos que participaram do processo de formação da sociedade brasileira foram excluídos[1] do âmbito de proteção. Quando na década de 80 ocorre o requerimento de tombamento do Ilê Axé Iyá Nassô Oká várias discussões são apresentadas para justificar a ausência de beleza e interesse em tombar o bem, para os conselheiros do Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Assim, havia o reconhecimento da necessidade de preservar o terreiro, porém, não era pacifico o entendimento de que seria cabível o tombamento, isto porque, muitos questionavam o que um terreiro possuía enquanto beleza arquitetônica que merecesse ser resguardado pelo Estado brasileiro. O tombamento do Ilê Axé Iyá Nassô Oká[2] e a posterior promulgação da Constituição de 1988, que traz diversas garantias as minorias étnicas que representam uma estética rechaçada pelo Estado, trouxeram poucas modificações em termos práticos[3]. A partir, dos pontos que foram abordados é possível pensar no patrimônio cultural dos espaços religiosos afro-brasileiros enquanto estética subalterna cunhada coletivamente pelos diversos povos africanos escravizados no Brasil. [1] Ou incluídos de forma incipiente. [2] Primeiro momento negro. [3] Atualmente, são nove terreiros tombados em todo Brasil pelo IPHAN

    55

    full texts

    1,178

    metadata records
    Updated in last 30 days.
    Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
    Access Repository Dashboard
    Do you manage Open Research Online? Become a CORE Member to access insider analytics, issue reports and manage access to outputs from your repository in the CORE Repository Dashboard! 👇