Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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    Memórias e documentos do povo Guarani Paranaense na construção da Itaipu

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    O povo Guarani Paranaense (ocupantes das duas margens do rio Paraná entre o estado do Paraná (BR) e Alto Paraná/Canindeyu – PY) ao longo da década de 1970, no ápice da construção da Usina hidroelétrica Itaipu Binacional localizada em foz do Iguaçu no Paraná e Hernandarias Paraguai, passou a produzir uma série de documentos endereçados a Itaipu, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e órgãos internacionais exigindo os direitos territoriais. Os documentos dos Guarani na margem direita do referido rio foram produzidos quase duas décadas após o fechamento das comportas, também endereçados a Itaipu e ao Instituto Nacional del Indio (INDI). Através da análise dos referidos documentos e dos registros da memória do povo Guarani desejamos estabelecer uma conexão entre as demandas apresentadas e o cumprimento das mesmas, saber em que medida essa memória está atualizada e como os direitos territoriais foram garantidos ao longo dessas quase quatro décadas

    Estímulos para o desenvolvimento de comunidades por meio das tecnologias sociais e do design

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    Em contraste aos efeitos degenerativos das desigualdades humanas, surgem novas perspectivas geradas por grupos sociais que atuam em setores e áreas de desigualdade. Essas soluções projetadas pela experiência de vida ou conhecimento tecnológico convertidos ao entorno de um propósito comum - o social e o contexto cultural. São formas alternativas de geração de soluções populares, simples e de baixo custo, popularmente conhecidas como tecnologias sociais. Para tanto, vamos abordar alguns exemplos de tecnologias sociais, no Estado de Minas Gerais, que possam receber contribuições do design social. Estudam-se os modelos Librário, Antenados produtora e Ecobolsa Brasil, atuantes na RMBH (Região Metropolitana de Belo Horizonte-Minas Gerais-Brasil). Considera-se que os exemplos de tecnologias sociais apresentados e as possibilidades atuações de projetos experimentais do design, podem gerar empreendimentos e promover o desenvolvimento socioeconômico local e o contexto cultural

    FESTIVAL RAÍZES: CONTRIBUIÇÕES PARA A LUTA ANTIRRACISTA DENTRO DO ESPAÇO ACADÊMICO

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    A finalidade deste estudo é relatar sobre a experiência na organização do Festival Raízes nos anos de 2014 e 2015 na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O Festival Raízes surgiu no ano de 2013 com o intuito de promover dentro e fora da Universidade Federal de Minas Gerais o dia nacional da consciência negra, 20 de novembro. Desde então ocorreu consecutivamente de 2013 a 2015, sendo neste último ano realizado também na cidade de Campinas- SP, na Universidade de Campinas (UNICAMP). Partimos do pressuposto que a Universidade é um espaço que ignora e invisibiliza a luta de minorias, o Festival se configurou como importante instrumento de valorização das lutas e causas dos estudantes negros dentro e fora deste espaço e consequentemente se firmou enquanto ação de promoção ao debate e ao diálogo frente aos desafios enfrentados

    AS DISCUSSÕES DE GÊNERO NO ENSINO DE LITERATURA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

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    O relato de experiência observa e analisa a prática escolar do gênero conto e filme, desenvolvida por estudantes do 3º ano do ensino médio. Para efetuar essa atividade, foram realizadas em sala de aula exibição de filmes e oficinas de leitura literária de uma seleção de contos de Marina Colassanti e Clarice Lispector, com um grupo de trinta e um alunos do ensino médio de uma escola pública de Cuiabá/MT. O resultado da proposta de intervenção demonstrou interesse e motivação, especialmente desencadeada pela ideia provocativa da abordagem literária proposta para a turma. Palavras-chave: Gênero; Ensino; Literatura

    Universidade Mercadológica x Espaço de Diversidade Cultural

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    O presente artigo tem por objetivo abordar a temática sobre as mudanças na universidade brasileira e no mundo, referindo-se à oferta de cursos e seu papel social para a formação. A metodologia utilizada para a propagação do assunto se deu de modo bibliográfico através das leituras realizadas sobre o tema. Nota-se que, cada vez mais, as Universidades estão ampliando sua atuação em todo nosso território brasileiro, mas aponta-se, enquanto questionamento se ela está preparada para tal expansão. A universidade, nos moldes atuais, tem potencial para responder às necessidades de uma sociedade que se transforma a cada dia, uma vez que está assumindo novos contornos sociais. Sua concepção configura-se como lugar ou espaço responsável, tanto pela formação técnica e humana, como pela percepção crítica do contexto sócio cultural em que se inserem seus alunos.  Os resultados obtidos com a pesquisa se mostram alinhadas com as literaturas realizadas sobre o tema, a universidade, sua reforma e seu comprometimento social com a formação do estudante. Conclui-se que os desafios são muitos para os sujeitos envolvidos na instituição universitária, porém há possibilidades de construir novas perspectivas em torno do ensino interdisciplinar

    Crenças e atitudes linguísticas de falantes de espanhol como língua de herança

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    As áreas de fronteira entre o Brasil e os países da América do Sul abrigam uma enorme diversidade linguística, de contato entre o português, línguas hispânicas, indígenas e de imigração, como os dialetos do alemão, italiano, entre outras. Ante tal cenário, objetiva-se, neste trabalho, discorrer sobre crenças e atitudes manifestadas por falantes, descendentes de espanhóis, que residem no Brasil, cuja língua dominante é o português, com respeito a sua língua de herança, mais especificamente à língua espanhola. O efeito das atitudes sobre a realidade social há certo tempo é tema de investigação no campo da Psicologia Social e é essencial quando a discussão gira em torno da vitalidade de determinada variedade linguística em um contexto específico. Nesse viés, vale, também, discutir, brevemente, acerca da substituição linguística e lealdade linguística, conceitos importantes no que respeita à substituição ou não da língua de herança pela língua portuguesa. Tal trabalho resulta de uma pesquisa de mestrado, em fase inicial, desenvolvida em uma região destacada pela proximidade com países hispano-falantes e por abrigar, entre diversos povos imigrantes, paraguaios, chilenos, peruanos, uruguaios, entre outros. As noções tratadas estão, também, intimamente envolvidas com os estudos a respeito do bilinguismo, na perspectiva de uso da língua e não necessariamente de competência linguística dos falantes. Partindo das reflexões trazidas, nota-se que o processo de estigmatização, no cenário em que línguas e culturas estão em contato, corrobora para a não valorização de umas das culturas e ensino de uma das línguas

    Produções de sentido e ressignificações nas narrativas da MPB: “Arrumando Letras” no megafone da internet.

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    O presente estudo é parte integrante da pesquisa que está em andamento no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense, que busca analisar se existe, e como ocorre, a misoginia e a lógica do patriarcado nas letras de música MPB e como essas afetações vieram posicionando a mulher no aspecto sociocultural, político e econômico. Através da metodologia Netnografia, investigar como as novas ondas feministas utilizam as redes sociais, como recorte o fórum feminista “Arrumando letras”, sendo território do lugar de fala e expressão, como um “dispositivo” possível de desconstrução e ressignificação da obra de arte, neste caso, a música. Analisar se pode a música, como movimento artístico, influenciar aspectos identitários através da percepção dos sentidos corporais, mapeando entrevistas e depoimentos retirados de sites, portais eletrônicos de jornais e revistas e de outras mulheres que fazem parte da cena neste movimento musical que é dominado pela lógica masculina, cantando letras de empoderamento feminino que visam questionar a naturalização de construções sociais patriarcais, com o objetivo de entendê-las como importante ferramenta de combate ao estigma da mulher, à discriminação e preconceito de gênero no movimento como um todo. Palavras-Chave: arte; lógica do patriarcado; música popular; redes sociais; ressignificação

    Foto-diálogos: ensaios sobre o invisível e o inominável em gêneros e sexualidades

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    O presente trabalho pretende questionar e refletir sobre a beleza, subjetividade e identidade em corpos cotidianamente violentados pelas estruturas de poder vigentes em nossa sociedade. Seja por questões de classe, raça e/ou gênero, padrões estéticos e de comportamento, a normatização da beleza e das identidades atravessa corpos muitas vezes invisibilizados e subjugados na perspectiva do “outro” dominante. Neste trabalho, o objetivo é materializar e instrumentalizar, por meio da fotografia, a visibilidade e a autonomia na escolha de como esses corpos querem ser vistos. Partindo-se da ideia de formação e construção de identidades e subjetividades sob grande influência do olhar do “outro”, a fotografia será utilizada como instrumento de valorização e subversão da ordem heteronormativa, de feminilidades e masculinidades estabelecidas. Numa proposta que poderia ser chamada de foto-diálogo, fotógrafa, fotografados e fotografadas mergulham numa profunda reflexão sobre o quê somos, porquê somos e o quê queremos ser

    Proposta de Curso – Formação Inicial e Continuada/FIC Agente Cultural

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    O Instituto Federal do Paraná – IFPR é uma instituição pública federal que tem como objetivo oferecer educação pública, gratuita de qualidade, buscando o desenvolvimento social, tecnológico e econômico do país e da região. É nesse contexto que propusemos o curso de Agente Cultural. A perspectiva de reconhecimento da cidade, permite dialogar e refletir sobre questões de pertencimento, além das construções materiais e imateriais que constituem a bagagem desse local, dessa comunidade. Faz-se necessário problematizar uma determinada (e ainda recorrente) visão eurocêntrica de cultura, que é hierárquica, classificatória, além disso, baseada na falsa visão linear de evolução das sociedades. Nesse panorama conhecer apenas o que "não representa" a nossa localidade engendra o desafio para se pensar a desobediência pelo giro decolonial, reconhecendo a escola, como primeiro espaço democrático de produção de conhecimentos, epistemes outras, e, pela via antropofágica, deglutir essa não-representação das raízes culturais locais e regionais. Esse diálogo permite interrelações e conexões com diferentes áreas de conhecimento, viabilizando uma formação inicial e continuada amplamente contextualizada com a contemporaneidade. A sociedade contemporânea é o campo preparado para a  discussão de novos conceitos que balizem as relações econômicas e culturais, o momento propício para o cultivo e florescimento da economia criativa e da economia solidária. Nesse contexto, repensar a organização econômica da sociedade é determinante. Conhecer elementos da história, buscar soluções para o problema da escassez, ou seja, de como produzir a satisfação das demandas das pessoas, sempre infinitas, a partir dos sempre finitos recursos que a comunidade dispõe, nos permite problematizar: O que produzir? Quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? O curso propõe dessa forma, resgatar o debate acerca da compreensão, criação e produção de demanda, com foco no desenvolvimento social, cultural e humano. Pensando as relações econômicas diferentes conceitos sobre a lógica da demanda, valorizando o capital humano

    Eu, nós, eles, aqui e acolá: conjugações da invenção do outro

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    O artigo visa problematizar a noção de diferença no contexto de definição do “outro”. Para além da diferença como ponto de partida estanque, busco, à luz de pensadores/as pós-coloniais e decoloniais, bem como de contribuições acerca do antropoceno, questionar e visibilizar a construção das ficções que concebem determinado “outro” como depositário do resto colonial. Em um segundo momento, busco discutir como a noção de diferença colonial atua em uma agenda cartesiana de pensamento, na qual o binário se engendra como naturalização da diferença como desigualdade. Utilizo o conceito de colonialidade como uma ferramenta central neste debate, visto que ele possibilita a nomeação não apenas dos efeitos da diferença, mas problematiza também, e principalmente, as condições da própria inauguração desta Diferença. Utilizo meus próprios marcadores de mulher lésbica e indígena como composições de uma reflexão que tome o corpo como ponto de partida, em sintonia com a reflexão de teóricas como Julieta Paredes e Gloria Anzaldua. Por fim, em diálogo com as teorias decoloniais, faço apostas teórico-políticas de outras formas possíveis de nos havermos com a diferença não como dado inquestionável, mas como entranhada em reciprocidades constitutivas e alocada em redes de partilha horizontalizadas e comunitárias.

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