Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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Moisés Bertoni: Ciência e Estado
Seria a ciência uma forma de afirmar, consolidar ou estremecer relações internacionais? Em que medida a ciência se produziu nesta relação entre nacional e internacional na América Latina no início do século XX? Estas perguntas surgiram na pesquisa sobre a obra de Moisés Bertoni durante o período em que viveu e publicou na República do Paraguai (1890-1929). Nascido na Europa, Bertoni escolheu o Paraguai para trabalhar e findar seus dias. Ali, empreendeu enorme trabalho científico de campo e fundou sua própria editora, a Ex Sylvis. A partir dela, publicava seus resultados e também recebia publicações do mundo todo, especialmente de autores da América. O financiamento estatal, mesmo que precário, estabeleceu estreitas relações entre o Estado e a produção intelectual de Bertoni. Não sem razão, ele e sua família representavam o Paraguai em congressos científicos internacionais, estabelecendo contatos e buscando afirmar um lugar para ele no circuito científico e para aquele país no concerto das nações. Em fase inicial, a pesquisa aponta a relação ambivalente entre o esforço científico de perseguir leis e regras universais, e a delimitação dessas práticas em fronteiras nacionais. Neste sentido, Bertoni é co-participante da construção do estado-nação paraguaio, de suas significações identitárias e da fixação de suas fronteiras simbólicas
Os Novos Significados Culturais e Existenciais das Muçulmanas Brasileiras Los nuevos significados culturales y existenciales de las musulmanas brasileñas
Este trabalho investiga o encontro entre a mulher brasileira e o discurso tradicionalista da religião Islam no sentido de como tal aproximação constitui uma referência para os novos valores culturais, existências e religiosos das brasileiras muçulmanas nas comunidades islâmicas firmemente arraigadas na tradição. Partiu-se, da revisão das principais questões de gênero observadas em campo com entrevistas, em especial, a relação do feminismo com o reconhecimento do valor e da legitimidade de vivências, crenças e modos de vida. Além disto, analisou-se como as considerações dessas mulheres foram interpretadas a luz do autor Charles Taylor que se dedicou a descrever os contextos contemporâneos nos quais mostram-se cada vez mais globalizados e multiculturais.
O governador mata-mendigos: o periódico Ultima Hora contra Carlos Lacerda em 1963
Uma matéria publicada pelo jornal carioca Ultima Hora em janeiro de 1963 denunciou o extermínio de moradores de rua por policiais do estado da Guanabara, Brasil, gerando grande comoção pública. A condição particular de Carlos Lacerda, simultaneamente adversário político do jornal e governador do estado, resultaria em diversas tentativas de vinculá-lo aos crimes perante o público leitor e eleitor. Apresentamos algumas tentativas de construir tal vínculo nas páginas do Ultima Hora, através de casos pontuais e com destaque para o uso de imagens. A politização do conteúdo se evidencia no confronto das edições do jornal com a progressão e conclusões das diversas investigações sobre o caso, podendo resultar tanto de ações explicitamente orquestradas quanto das disposições e categorias de percepção duráveis de agentes específicos. Em vista do histórico de conflitos precedente entre o periódico e Carlos Lacerda, propomos uma leitura que priorize tais disposições duráveis, apoiando-nos em contribuições de Roland Barthes, Luc Boltanski e Patrick Champagne
Cultura & Formação Docente
A questão da cultura e seu papel central nas formas com as quais a sociedade se organiza é uma discussão atual em diversas áreas do conhecimento. Podemos assumir que os elementos da cultura são socialmente construídos e historicamente partilhados, portanto a cultura é uma construção essencialmente humana e social. Ela permite ao homem identificar-se enquanto indivíduo, transformar a natureza e transformar-se a si mesmo. Nesse contexto, entendemos que a formação inicial de professores pode ser caracterizada pela incorporação intencional de certos elementos da cultura, historicamente aceitos, determinados mediante disputas de poder e que representam as necessidades formativas que emergem de um dado contexto social e momento histórico. Esse é um trabalho teórico onde nos propomos a discutir alguns paradigmas de formação para pensar a cultura no contexto da formação de professores. Em uma análise interpretativa, procuramos construir nossa argumentação em torno da prerrogativa da centralidade da cultura no processo da formação docente. Consideramos que cursos de licenciatura se constituem por um processo de interação de seus agentes com os elementos da cultura historicamente construídos e sistematizados na graduação. Esta dimensão do processo formativo se estabelece não apenas pela natureza da relação que os indivíduos estabelecem com o currículo, mas também pelas concepções explícitas e/ou implícitas nele impressas. O currículo, assim, é uma questão da cultura como qualquer outra construção humana. Deste modo, o currículo é também uma atividade política porque de uma forma particular organiza a cultura e consequentemente as relações de poder e sua influência na identidade do professor em formação. Portanto, consideramos que formar-se professor é incorporar elementos culturais específicos do fazer docente. E a identidade docente se elabora na medida da interação com o currículo enquanto ferramenta cultural, nos processos de representação social que são estabelecidos ao longo da formação docente
Neocolonialismo da Educação no Rio de Janeiro: a política pública de padronização do processo ensino-aprendizagem.
As políticas públicas de educação ao redor do mundo estão passando por um processo de padronização internacional. O sistema PISA (Programme for International Studant Assiment), que conta atualmente com a participação de 32 países, promove testes internacionais com o objetivo de estabelecer níveis de aprendizado. Para tanto, são criados sistemas genéricos de avaliação que desprezam as particularidades de cada região analisada. Além disso, há a proposta de mecanização do conhecimento, sendo estabelecidos apenas parâmetros para mensurar pseudo competências sobre o entendimento de Ciências, Matemática e a capacidade de leitura dos estudantes. Muitos países são signatários do sistema PISA. Sendo assim, as políticas públicas destes passaram a estabelecer metas que direcionam o processo ensino-aprendizagem a uma padronização aos parâmetros internacionais e desprezam a formação crítica do indivíduo. Inspirada no sistema PISA, no ano de 2009, a prefeitura do Rio de Janeiro criou a Prova Rio. Desde então, a Secretaria Municipal de Educação busca, a partir de um sistema genérico, estabelecer o nível de aprendizagem, nas disciplinas de Português, Matemática e Ciências, dos discentes inscritos regularmente na rede municipal de educação do Rio de Janeiro. Este trabalho tem como objetivo discutir as políticas públicas do Neoconialismo da educação, tendo como foco o exemplo da cidade do Rio de Janeiro. Além disso, propõe estimular práticas de decolonização da educação como forma de resistência a essa política pública de educação
Pequenas Discussões Decoloniais no audiovisual
RESUMO Vivemos num período único na história, o tempo para se denunciar passou, precisamos agir rápido para não assistimos de camarote o fim de nossas culturas e algumas manifestações populares; as narrativas negras estão sendo silenciadas, pelo Narciso capitalista, que vem devorando várias culturas O que precisamos fazer para discutir Cultura, Preconceito, e demais assuntos polêmicos, dentro de um discurso decolonial, usando como base o processo criativo audiovisual? Até que ponto as narrativas audiovisuais podem denunciar e representar as identidades negras silenciadas pela história? Pretendo levantar algumas discussões sobre a temática, fazendo algumas abordagens, usando a fala de alguns autores como, Elisa Martins, Mingolo, Adelia Miglievich Ribeiro, Mario Chagas, Luciana Ballestrin, José Jorge, dentre outros. Por isso em tempos de mudanças se requer ações, e proponho uma discussão a ser levantada, para o que possa ser feito como ação de intervenção, para o fortalecimento da identidade negra dentro dessas discussões. PALAVRAS-CHAVE: Discurso Decolonial, Audiovisual e Identidade negra. RESUMEN Vivimos en un período único en la historia, el tiempo para denunciar pasó, necesitamos actuar rápido para no asistimos de camarote el fin de nuestras culturas y algunas manifestaciones populares; las narraciones negras están siendo silenciadas, por el Narciso capitalista, que viene devorando varias culturas ¿Qué necesitamos hacer para discutir Cultura, Preconcepto, y demás asuntos polémicos, dentro de un discurso decolonial, usando como base el proceso creativo audiovisual? ¿Hasta qué punto las narraciones audiovisuales pueden denunciar y representar las identidades negras silenciadas por la historia? En el caso de que se produzca un cambio en la calidad de vida de las personas que viven en el país, Por eso en tiempos de cambios se requiere acciones, y propongo una discusión a ser levantada, para lo que pueda ser hecho como acción de intervención, para el fortalecimiento de la identidad negra dentro de esas discusiones. PALABRAS CLAVE: Discurso Decolonial, Audiovisual e Identidad negra
Em prol do Progresso: a Conquista do Deserto e a emigração italiana na Argentina
Entre 1870 e 1890, o mundo da rede global comportou dois fenômenos que viriam a se unir: a Conquista do Deserto na Argentina e a emigração italiana. A partir de 1870, como bem suscitou J. F. Bertonha em Os italianos (2005), cerca de 2,9 milhões de emigrantes italianos chegaram na Argentina a fim de suprimir a demanda por mão de obra ali existente. Eram trabalhadores rurais e urbanos que tiveram de se sujeitar ao mercado global, fornecendo seus braços e músculos para a pecuária argentina. A recém incorporação dos pampas e da Patagônia ao Estado argentino através da Conquista do Deserto havia levado à ampliação das propriedades agropecuárias. A consequente maximização da demanda por trabalhadores seria suprimida pelos italianos. Para a Itália recém unificada, a possibilidade de levar seus povos ao mundo para conquistá-lo consistiu em uma manifestação de seu peculiar pensamento imperialista. Nesse trabalho, objetivamos discorrer sobre a sincronia entre a Conquista do Deserto na Argentina oitocentista e o processo imigratório-imperialista italiano, apresentando as principais características desses fenômenos e suas implicâncias. Nosso aporte teórico fundamentar-se-á nas contribuições dos pesquisadores J. F. Bertonha e A. C. Pompeu
Projeto de Urbanização em Queimados, Baixada Fluminense: Metas do projeto e mudanças sociais, econômicas e culturais
O consórcio Conectar Queimados procura urbanizar o centro de Queimados, na Baixada Fluminense, por meio de DOTS (Desenvolvimento Orientado do Transporte Sustentável). Esse objetivo é inédito na Baixada Fluminense, e está na sua fase de planejamento; é uma oportunidade única observar as mudanças sociais, econômicas e culturais mantendo atenção aos discursos e as reações da população local, olhando para as diferentes classes, etnias, gêneros, lugares, idades, escolaridades e tempos. O consórcio irá facilitar o deslocamento de pessoas, seja por transportes públicos, ciclovias ou caminhadas, e fará com que o tempo casa-trabalho-casa seja reduzido. Por isso é relevante acompanhar a trajetória de pessoas antes e depois, sempre levando em conta o deslocamento diário e as mudanças trazidas pelo consórcio. O projeto ainda está em planejamento, o que permitirá uma análise completa do que mudará, de que grupos sairão beneficiados e quais não
O reconhecimento da terra quilombola e o patrimônio cultural: o caso do Distrito do Maruanum-AP
O Distrito do Maruanum localizado no Estado do Amapá pertencente ao município de Macapá é composto por dezesseis comunidades, dentre elas três comunidades reivindicam o reconhecimento de território quilombola: Santa Luzia do Maruanum, Carmo do Maruanum e São João do Maruanum II. Indícios históricos apontam que a região onde está localizado o Distrito do Maruanum era um grande quilombo composto por negros fugidos da condição de escravos. Nesse território, os ex-escravos conquistaram a liberdade e mais tarde fundaram vilas e um modo de viver diferenciado com a dependência da natureza, especialmente dos recursos naturais. Nesse novo contexto social do quilombo, os negros firmaram alianças com os ameríndios, se miscigenaram e formaram um patrimônio cultural único com o criar-saber-fazer das louças de barro, da cestaria de talas e da gastronomia com a arte da produção da farinha de mandioca. Para a titulação como terra quilombola é necessário que as comunidades reivindiquem esses territórios por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) que instaura um processo de regularização de território quilombola passando por seis etapas: autodefinição quilombola; elaboração do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) integra o Relatório Antropológico; publicação do RTID; portaria de reconhecimento; decreto de desapropriação e titulação. O objetivo desse trabalho é discutir sobre a importância do Relatório Antropológico para o reconhecimento da terra quilombola, para isso utilizamos o método exploratório de natureza qualitativa por meio da pesquisa bibliográfica e documental. Como o Relatório Antropológico é um documento de cunho científico, ele aponta questões mais profundas com dados sobre o processo histórico da comunidade, como se dá a organização social e os usos produtivos e culturais com a identificação do patrimônio cultural
Miss Gay – Construindo imaginários sobre a cidade
O presente texto observa um fenômeno da cultura urbana e da arte transformista, o concurso Miss Brasil Gay exerce o papel de atrativo para o desenvolvimento do turismo cultural e turismo de eventos além de trazer reconhecimento e olhares da mídia. Este estudo visa apresentar o evento, realizado na cidade mineira de Juiz de Fora há mais de 38 anos o que permeia imaginários como um local do protagonismo gay. O certame se destaca por ser a celebração de uma tradição urbana que movimenta o comércio local e população entorno de sua realização, o que instituiu o evento como o quarto Registro Imaterial do município, criando um imaginário sobre a cidade