Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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Portuguarañol: língua de conhecimento e tradução da fronteira, em Xirú de Damián Cabrera
Este trabalho é o resultado de leitura e análise da obra do escritor paraguaio Damián Cabrera. A narrativa do referido autor, apresentada neste evento é o romance Xirú. Nessa obra Cabrera apresenta um mundo fronteiriço como protagonista do romance. A narrativa de Cabrera aborda o cenário fronteiriço do Alto Paraná, onde as culturas se misturam, pois dentre muitas as peculiaridades, as pessoas que povoam esse espaço são denominadas “brasiguayos” (brasileiros/paraguayos), que falam uma língua denominada “portuguarañol” (português/ guarani/ espanhol). Além de apresentar mais esta obra da literatura hispano-americana, este trabalho tem o objetivo de lançar luz sobre diversos conceitos como: crítica biográfica fronteiriça, literaturas de fronteira, estéticas periféricas e especialmente sobre o plurilinguajeo que ocorre neste lócus.
A RETROALIMENTAÇÃO DO EXCLUDENTE ESPAÇO ESCOLAR BRASILEIRO: uma análise relativa à terceira revisão da Base Nacional Comum Curricular
O presente texto tem como objetivo analisar quais são as implicações da produção do discurso da Base Nacional Comum Curricular sobre equidade e igualdade e na relação do documento com os reais espaços escolares. Considerando estes compósitos, refletimos sobre o documento buscando analisar (i) a forma como são construídos os discursos sobre igualdade e equidade na BNCC; (ii) a aplicabilidade dos princípios, contidos no fragmento A BNCC e o pacto interfederativo; (iii) o comprometimento dessa proposta com a pluralidade do corpo discente nacional. Este trabalho, que analisa o documento normativo, está baseado nas ideias e conceitos panóptico, corpos “dóceis” e discurso de controle, amparados nas obras A ordem do discurso e Vigiar e punir, de Michel Foucault
Bolívia e Equador: um breve estudo comparado acerca da real efetivação das políticas de gênero, voltadas para mulheres, após as mudanças constitucionais
Tendo em vista a maior participação das mulheres na política boliviana e equatoriana, a partir do processo de mudança constitucional em ambos os países, o presente artigo responde a seguinte questão: quais são as diferenças entre as políticas de gênero implementadas, no âmbito das políticas equatorianas e bolivianas, a partir das novas Constituições que entraram em vigor, respectivamente, em 2008 e 2009? A hipótese para tal questionamento traduz-se na ideia de que a lacuna entre implementação e efetivação das políticas de gênero é menor na Bolívia do que no Equador. Para realização da pesquisa, o objetivo geral consistiu em analisar as divergências das políticas de gênero introduzidas, na Bolívia e no Equador, a partir das novas Constituições que entraram em vigor no ciclo progressista dos respectivos Estados. Ademais, os objetivos específicos perseguidos foram os seguintes: a) identificar avanços e retrocessos dessas políticas de gênero a partir da implementação de ambas as Constituições; b) apontar possíveis desafios para as políticas de gênero nesses países. A partir da metodologia qualitativa, utilizando a técnica bibliográfica e documental, o presente artigo é um estudo comparativo das políticas de gênero implementadas na Bolívia e no Equador após a implementação das Constituições dos novos Estados Plurinacionais. O resultado encontrado salienta que no Equador a lacuna entre implementação e efetivação das políticas de gênero é maior do que na Bolívia, todavia, há pouca diferença entre os Estados
Os Novos Significados Culturais e Existenciais das Muçulmanas Brasileiras
Este trabalho investiga o encontro entre a mulher brasileira e o discurso tradicionalista da religião Islam no sentido de como tal aproximação constitui uma referência para os novos valores culturais, existênciais e religiosos das brasileiras muçulamanas nas comunidades islâmicas firmemente arraigadas na tradição. Partiu-se, da revisão das principais questões de gênero observadas em campo com entrevistas, em especial, a relação do feminisno com o reconhecimento do valor e da legitimidade de vivências, crenças e modos de vida. Além disto, analisou-se como as considerações dessas mulheres foram interpretadas a luz do autor Charles Taylor que se dedicou a descrever os contextos contemporâneos nos quais mostram-se cada vez mais globalizados e multiculturais.
Triangulação
Este trabalho apresenta reflexões e proposições em processos artísticos contemporâneos desenvolvidas sob a influência da noção de fronteira. A tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai, lugar de origem da artista-pesquisadora, foi o ponto de partida para a produção poética, com atenção para suas sonoridades específicas. Entre elas estão o espaço sonoro fronteiriço, onde coexistem múltiplas vozes, e a fluidez das línguas atravessadas e híbridas, que não seguem gramáticas e sintaxes estáticas e acontecem de maneira subjetiva no próprio falar. Partindo da escuta dessas sonoridades e do reconhecimento de um lugar ocupado pelo som dentro do campo das artes visuais, são apresentadas duas proposições sonoras resultantes da pesquisa (D)espacio, a instalação Triangulação e a faixa sonora Entre. As práticas em arte contemporânea possuem um potencial de questionamento e transgressão dos contornos estabelecidos, traçando outras conexões, cartografando territórios temporários, contaminados, atravessados, fronteiriços
Práticas de racismo e xenofobia contra universitários estrangeiros oriundos de países caribenhos em Belém do Pará.
Mini Resumo Este trabalho nasceu a partir da produção de uma pesquisa de iniciação científica na qual se pode verificar, através do processo reflexivo, a demanda de investigar mais a fundo as relações cotidianas do/as interlocutores/as participantes. A princípio, se pretendia pesquisar sobre as relações de gênero existentes entre universitários/as haitianos/as no contexto da cidade de Belém do Pará. No entanto, através das primeiras entrevistas semiestruturadas realizadas no âmbito da referida pesquisa, foram identificados relatos de racismo e xenofobia sofridos pelos/as já mencionados/as estudantes. Diante do exposto se julgou pertinente alterar as categorias analíticas da pesquisa, estendê-la a uma monografia de conclusão da graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará, e, além de haitianos/as, expandir os/as sujeitos/as pesquisados/as para universitários/as oriundos/as dos demais países caribenhos. Esta pesquisa está dividida em três partes. Na primeira parte apresento um levantamento bibliográfico acerca da literatura sobre racismo e xenofobia buscando sinalizar as contribuições mais importantes sobre estas categorias em distintos contextos geográficos. Na segunda parte, ao realizar entrevistas semiestruturadas, busco identificar práticas de racismo e xenofobia no dia-a- dia de universitários/as oriundos/as de países caribenhos em Belém do Pará, e em seguida analisar seus impactos. Ao finalizar, faz-se um debate visando instigar novas pesquisas que contribuam para a luta antirracista. Palavras-Chave: Racismo, xenofobia, universitários, caribenhos. 1. Introdução De acordo com Munanga (2004, p, 01) ‘’O conceito etimológico de raça ‘’veio do italiano razza, que por sua vez veio do latim ratio, que significa sorte, categoria, espécie’’. E a partir dela, surgiu um comportamento chamado racismo (BANTON, 1977, p. 39). Já a palavra xenofobia vem do grego, através da junção das palavras xénos que significa: estranho ou estrangeiro com a palavra phobos que significa: medo. Logo, xenofobia é o termo utilizado para definir medo, rejeição, aversão, etc. ao estrangeiro (DE ALBUQUERQUE JR, 2016, p.09). Apesar de não terem o mesmo significado, em contextos migratórios, o racismo e a xenofobia caminham juntos na produção de opressões, conforme pretende mostrar essa pesquisa. Trata-se de uma monografia de conclusão da graduação em Ciências sociais na Universidade Federal do Pará, nascida a partir da produção de uma pesquisa de iniciação científica, na qual a principio se pretendia investigar as relações de gênero entre universitários haitianos/as no seu convívio com demais sujeitos/as no município de Belém do Pará. Contudo, em todas as entrevistas semi-estruturadas (DUARTE, 2002, p, 147) realizadas foram identificados relatos de racismo e xenofobia praticados contra os/as interlocutores/as participantes, e diante de tal problemática, julgou-se pertinente alterar as bases analíticas da pesquisa objetivando problematizar as referidas práticas no cotidiano deste grupo de estudantes, à luz da teoria antropológica e dos estudos culturais. Nesse sentido, seguem abaixo alguns resultados parciais desta pesquisa, que até o presente momento se encontra em andamento. 2. Alguns apontamentos sobre as origens e causas do racismo e da xenofobia. 2.1 O racismo Para compreender o racismo torna-se necessário primeiro entender as origens científicas do conceito de ‘’raça’’, tendo este último surgido no Ocidente (assim com os conceitos de classe e nação) no século XVIII, sendo primeiramente usado para qualificar ‘’[...] a descendência comum de um conjunto de pessoas’’ (BANTON, 1977, p, 39). Já no século XIX ‘’[...] veio a significar uma qualidade física inerente’’ (idem, ibdem, p, 30). Com o surgimento do cientificismo, no século XIX, vários pesquisadores Europeus se interessaram em pesquisar sobre a categoria ‘’raça’’ e seus desdobramentos, nesse segmento destacam-se pesquisas que categorizaram a espécie humana a partir de critérios biológicos e/ou culturais visando identificar e justificar: ‘’[...] A existência das raças; [...] A continuidade entre o físico e o moral; [...] A ação do grupo sobre o indivíduo; a [...] Hierarquia universal dos valores; e a [...] Política baseada no saber’’ (TODOROV, 1939, p, 108 – 09 – 10), para essa doutrina científica deu-se o nome de racialismo. E é a partir da doutrina do racialismo que surge o comportamento chamado racismo (idem, ibdem, p 107). . O racismo, de sua gênese até o presente momento, está em constante transformação em todas as sociedades em que se faz presente, e, conforme já foi dito, ele tem origens no Ocidente, mais especificamente dentro dos processos de dominações coloniais, tendo sido tais processos endossados através de teorias racialistas (idem, ibdem, p 127). No Brasil, os conflitos, desigualdades e opressões pautadas em parâmetros raciais existem desde a chegada dos colonizadores Portugueses (conforme o/a leitor já deve saber), porém, vem passando por transformações tornando-se cada vez mais complexo, institucionalizado e avançado, tudo em prol da manutenção de uma colonialidad del poder (QUIJANO, 2000, p, 201). Sobre este contexto cabe pontuar algumas questões. A primeira delas é que o racismo na sociedade brasileira se caracteriza pelo que Moore (2007, p, 278) chama de ‘’[...] ordem pigmentocrática de dominação, fenotipóbica, fenotipocêntrica e miscigenadora, geradora de preconceitos raciais e desigualdades sociais que são permanentemente negados ou escondidos’’. E como ferramenta estratégica de dominação visando o negar e o (tentar) esconder tais questões estabeleceu-se o ‘’mito da democracia racial’’(MOORE, 2007, p, 278) (NASCIMENTO, 2016, p, 83). Este mito se caracteriza pelo esforço de pregar a imagem de que em uma nação miscigenada como o Brasil não há preconceito racial. Porém, Moore (2007, p, 263) é categórico ao afirmar que ‘’[...] é pura ficção achar que a miscigenação reduz o racismo. Pelo contrário, ele o magnifica e o potencializa, tornando a vida nessas sociedades multirraciais um verdadeiro inferno em torno às feições, cor de pele, forma de nariz e textura de cabelo’’. As consequências desses processos são notáveis na sociedade brasileira. Para constatar isso nem precisa ser um/a pesquisador/a profissional, basta abrir as páginas policiais dos jornais, consultar os taxas oficias de homicídios, de acesso à educação, saúde, emprego, etc. (MOORE, 2007, p, 284). 2.2 A xenofobia O medo e a rejeição às pessoas pertencentes a grupos distintos estão presentes na humanidade desde tempos remotos. Há registros de práticas xenófobas nas sociedades tribais (ALBUQUERQUE JUNIOR, 2016, p, 16), no mundo Grego (MOORE, 2007, p, 55) e até nas atuais sociedades modernas (ALBUQUERQUE JUNIOR, p, 61). A xenofobia se manifesta a partir do contato sensorial com o outro, ou seja, para o xenófobo um simples olhar, ouvir, cheirar ou tocar alguém estranho ao seu meio social pode lhe causar incômodo, aversão e até ódio (idem, ibdem, p, 169). Nessa perspectiva, na era vigente, as distinções que mais têm gerado comportamentos xenófobos são as marcadas por nacionalidade, religiosidade, ideologia política e raça, sendo o racismo bastante associado à xenofobia (idem, ibdem, p, 21). No Brasil, racismo e xenofobia costumam caminhar juntos. O grande fluxo de imigração haitiana para o Brasil ocorrido a partir de 2010 prova isso, visto que, no decorrer de sua história, o Brasil já recebeu outros grandes fluxos migratórios de grupos oriundos de países distintos (em destaque para grupos vindos de países dos continentes asiático e europeu) mas que tiveram boa recepção em solo brasileiro, tanto pelo Estado quanto pela população local. Já no caso dos haitianos estes sofreram tanto com a burocracia estatal quanto com o estranhamento da população, esta que em alguns lugares reagiu através de boatos que associavam a chegada dos haitianos com o aumento da criminalidade em determinadas cidades e que até mesmo estes teriam trazido epidemias de doenças para o Brasil, dentre outros. Diante de tais afirmativas, Cruz Neto (2017, p, 121) afirma que as reações negativas de brasileiros contra os haitianos ocorreram pautadas na distinção racial. 3. Práticas de racismo e xenofobia contra universitários estrangeiros oriundos de países caribenhos em Belém do Pará. Até o presente momento já foram entrevistados seis indivíduos, sendo uma mulher e quatro homens de origem haitiana e uma mulher da Jamaicana. Além deles, até esta etapa, já foi identificada a presença de mais seis haitianos recém-chegados na cidade de Belém do Pará e três Jamaicanos que já estão na referida cidade há alguns meses. Já foi estabelecido contato com alguns dos haitianos recém-chegados, porém optou-se em entrevista-los apenas nos próximos meses, visto que eles ainda estão aprendendo a língua portuguesa. Já em relação aos Jamaicanos, ocorreu que após entrevista com a única a colaborar com esta pesquisa até a etapa vigente, ela entrou em contato conosco informando que seus colegas não têm interesse em colaborar com esta pesquisa. Ao indagarmos se ela sabia os motivos do não interesse ela disse que não sabia explicar. Desde então não houve mais contato entre nós por questões de respeito e ética. Sobre o perfil dos/as entrevistados/as, trata-se de estudantes universitários oriundos/as do Haiti e da Jamaica que estão em Belém do Pará estudar na Universidade Federal do Pará – campus Guamá, com ingresso através dos programas de intercâmbio Acadêmico através dos programas PEC – G (Programa estudante convênio – graduação) e PEC – PG (Programa estudante convênio – pós-graduação), ambos do governo Federal Brasileiro em parceria com governo de nações de todos os continentes do mundo. Por questões éticas os nomes dos entrevistados serão preservados durante todas as etapas desta pesquisa. Seguem abaixo dois relatos contidos em algumas das entrevistas até então realizadas. Eu estava esperando um amigo próximo a um bloco salas de aula na Universidade Federal do Pará e havia uma senhora me olhando, e nem me cumprimentou, sendo que na minha educação temos que respeitar o mais velhos, esta senhora me perguntou: você é de onde? Eu respondi: sou do Haiti. Ela respondeu: o que você está fazendo aqui? Eu respondi: estou estudando. Ela respondeu: você recebe bolsa? Eu disse que sim. Aí ela começou a falar que não era pra eu estar aqui, pois não é pra isso que ela paga os impostos dela e que o governo deveria acabar com isso. Aí eu nem fiquei com raiva dela, pois alguns idosos costumam a falar coisas que não devem falar, entendeu? Aí eu só fiz ir embora. Na outra vez eu estava esperando passar o ônibus com um grupo de amigos e um senhor começou a falar: bando de macacos africanos vem pra cá roubar as vagas de nossos filhos nas Universidades. Aí eu fiquei um pouco constrangido, pois havia muita gente na parada de ônibus, mas nada fiz também. (Estudante Haitiano, 2017). Um dia eu estava na fila do restaurante da Universidade Federal do Pará, aí havia uma mulher também na fila na minha frente. Tinha bastante gente na fila e em um dado momento involuntariamente eu encostei o meu corpo no dela. Em seguida pedi desculpas e permaneci calada. Depois disso eu notei que a mulher ficou nervosa e não parava de olhar para trás, ela até colocou a mochila dela para frente temendo que acontecesse algo. Como eu sou mais alta que ela de para notar que ela escreveu uma mensagem em seu celular dizendo ‘’amiga, tem uma negra estranha atrás de mim e estou com medo que ela me roube’’. Após ler isso eu fiquei bastante constrangida, pois eu jamais faria isso. Também noto que quando estou no ônibus indo da Universidade para o local em que resido acompanhada de um colega de origem africana que tem o tom da pele mais escura que a minha as pessoas que estão no ônibus ficam olhando com estranheza para ele (Estudante Jamaicana, 2018). No trecho do relato do estudante haitiano percebe-se que, apesar dele pertencer a uma nação que está fora das delimitações geográficas do continente africano, em função da semelhança na cor da pele negra dele e de seus amigos, ambos foram tratados de ‘’forma reducionista e homogênea como ‘os africanos’. ’’ (MUNGOI, 2012, p, 127). Nos dois relatos apresentados se pode inferir que tais atos foram motivados pela cor da pele negra dos entrevistados, o que caracteriza tais práticas como racismo, todavia, em outro trecho da entrevista com o estudante haitiano, nota-se também a presença de um preconceito marcado por sua origem de lugar, sendo esta uma das características da xenofobia, conforme já exposto. 4. Conclusões De acordo com Moore (2007, p, 293) ‘’A luta permanente e multifacetada contra o racismo nas suas formas estruturais e sistêmicas, no imaginário social, e nas suas formulações ideológicas, se faz necessária em nível planetário’’. Já Albuquerque Junior (2016, p, 170) aponta que é somente através de práticas educativas que poderemos combater a xenofobia. Diante de tais afirmativas, nota-se que quanto mais aliados na luta a contra opressões motivadas por marcadores sociais da diferença (raça, classe, gênero, etc.), melhor. Nesse ponto de vista Ribeiro (2017, p.84) afirma que “é preciso cada vez mais que homens brancos cis estudem branquitude, cisgeneridade, masculinos”. E é com essa missão que esta pesquisa deverá avançar.
Atitudes linguísticas em torno do uso e do ensino-aprendizagem de línguas em contexto multilinguístico
Este trabalho visa apresentar o projeto de pesquisa “Atitudes linguísticas em torno do uso e do ensino-aprendizagem de línguas em contexto multilinguístico” que está sendo realizado na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), a partir deste ano (2018). Trata-se de uma proposta de investigação dentro da área da Linguística Aplicada, em sua vertente INdisciplinar (MOITA LOPES, 1998, 2006), com vistas a analisar os comportamentos linguísticos de falantes de diferentes grupos étnicos em torno do uso e do ensino-aprendizagem das línguas presentes nesse cenário sociolinguisticamente complexo, que abriga estudantes, profesores e técnicos administrativos de varias regiões do Brasil, dos demais países da América-Latina e, ainda, do Caribe. Diante disso, o projeto pretende focalizar grupos participantes desse contexto universitário, por meio da aplicação de roteiros de entrevistas que contemplem as atitudes linguísticas prestígio ou desprestígio – preconceito ou estigma – dos falantes e seus falares, nas ocorrências das línguas usadas pela comunidade acadêmica. As análises serão feitas quantitativamente e qualitativamente a fim de tentar compreender um pouco mais este espaço, para que também as minorias sejam ouvidas, averiguando como estão acontecendo esses contatos e como os falantes estão se comportando linguisticamente nesse cenário multilíngue
Poeira x Unicon: diferentes discursos
Neste trabalho foram analisados dois periódicos produzidos por sujeitos que participaram de diferentes maneiras do processo que envolveu a construção da usina de Itaipu. O Boletim Poeira e o Informativo Unicon foram pesquisados com o objetivo de expor as contradições deste empreendimento construído com base em muitos conflitos. Os dois instrumentos de organização foram pensados não só para noticiar o que acontecia, mas também educar e organizar seus leitores diante da construção da hidrelétrica binacional
Deslocamento na fronteira: possibilidades e limites de construções identitárias
Este artigo tenciona refletir sobre a construção da identidade dos brasileiros, conhecidos como “brasiguaios”, que se deslocaram para o Paraguai há mais de três décadas e que, na atualidade, seguem o movimento de retorno. No mesmo caminho, será feita a discussão sobre as memórias individuais e as coletivas que marcam o conflito por terra, intensificado em 2008 e iniciado ainda nos anos de 1980, diante de duas mudanças políticas que envolveram os dois países (ditadura militar e governo democrático), colocando em reflexão o lugar político do Estado Nação. Para contextualizar os acontecimentos serão chamados dois nomes de pesquisadores como Lindomar Albuquerque e Celso Amorim Salim, que se dedicaram às temáticas de migração e imigração na fronteira Brasil/Paraguai e alinhavaram o contexto histórico dos fatos. A abordagem tem como objetivo pensar a construção da memória como representação a partir dos registros de textos (notícias em jornais locais e nacionais) que procuram interpretar, de um modo singular, os acontecimentos e marcar a construção de identidade dos brasileiros de forma significativa nos contextos de memória coletiva. No almejo da conclusão, é possível sinalizar uma disputa étnica em torno de um conflito por terra, sendo a dialética entre memoria individual e coletiva um dos pontos mais importantes para a fabricação de sentidos dos textos jornalísticos e no imaginário fronteiriço
A atuação e mobilização de movimentos sociais para a consolidação das políticas púbicas de comunicação no Brasil
Há, no Brasil, iniciativas de movimentos sociais e coletivos representativos da sociedade civil que lutam com objetivo de combater a concentração econômica na mídia, a ausência de pluralidade e de diversidade social e cultural, enfim, contra os obstáculos para a consolidação da comunicação pública e cidadã. Torna-se importante a mobilização social e a identificação dos movimentos existentes para buscar garantir o direito à comunicação, permitindo o acesso de todos os segmentos da sociedade à propriedade, produção e utilização dos meios de comunicação social, de forma a contrapor o modelo majoritário do controle dos veículos por parte da iniciativa privada. Conceitos como espaço público e nova cidadania (DAGNINIO, 2004), hegemonia (SADER, 2007), nova democracia civil (FRANK e FUENTES, 1989), movimento sociais, democracia e cidadania (DURIGUETO; MONTAÑO, 2011), regulamentação das mídias (CABRAL; CARVALHO, 2013) e redemocratização (PINTO, 2012) serão aqui abordados