Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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Deixem os velhinhos ter professores e professoras que estudaram e/ou pesquisaram a modalidade Educação Jovens e Adultos: estudos sobre a EJA
Este artigo apresenta reflexões e questões acerca dos estudos sobre a Educação de Jovens e Adultos nos cursos de licenciatura em especial os da área da Arte e, um levantamento em repositórios de publicações cientificas para verificar a incidência das pesquisas que estudam a Educação de Jovens e a Arte. Considerando que jovens, adultos dentre estes, os idosos, têm direito a oferta de uma educação de qualidade e que está garantido em legislação educacional que trata da formação inicial dos professores para a Educação Básica estudos que incluem a Educação de Jovens e Adultos e suas especificidades. A pesquisa se caracteriza como bibliográfica e documental e se propõe a contribuir para fomentar a discussão apresentada aos leitores do artigo que são membros de comissões ou núcleos docentes estruturantes que elaboram Projetos Pedagógicos de Cursos de licenciatura e a leitores membros de colegiados que aprovam estes projetos. Considerando que os estudantes da EJA são compostos de grupos historicamente excluídos, contribuir para a melhoria da oferta é a nossa proposta
Os Direitos Humanos e as contradições na titulação das terras das comunidades quilombolas do Tocantins
O objetivo do artigo é realizar uma análise da situação das comunidades quilombolas do estado do Tocantins pelas contradições evidenciadas nas dificuldades de materialização do direito ao território tradicional previsto na Constituição Federal de 1988 e em instrumentos normativos de Direito Internacional. A partir de uma perspectiva crítica, o debate expõe a forma como o campo antropológico e o jurídico se inter-relacionam para garantir os direitos constitucionais e materialização dos Direitos Humanos em franca contradição com os interesses das elites rurais brasileiras e expansão do agronegócio, fator que expõe as contradições, também, no campo jurídico entre os interesses individuais e o coletivos, bem como as tensões enfrentadas pelos remanescentes das comunidades quilombolas na luta pela titulação de suas terras. O estudo identifica e analisa – a partir dos princípios constitucionais - a atuação de instituições como a Defensoria Pública, Ministério Público e Poder Judiciário do estado do Tocantins frente aos conflitos decorrentes das disputas territoriais envolvendo tais interesses
Falta Brasil no Miss Brasil? A construção de gênero e de padrões
A intenção deste artigo é apresentar os concursos de beleza normativos, como Miss Universo e Miss Brasil, descrevendo-os, situando-os, bem como propor a análise desses eventos como dispositivos da cultura urbana e como espaços de construção de gênero. Diante do exposto e dentre as possibilidades, podemos abordar a naturalização do conceito de beleza mostrado nos concursos de miss e a lógica de construção de um tipo particular de beleza
A moda numa perspectiva de inclusão a partir do despertar para a sustentabilidade e cultura local.
O presente trabalho teve o objetivo de despertar práticas culturais na cidade de São João dos Patos no intuito de encontrar elementos que identificassem a cultura local para serem agregados em bolsas que seriam entregues em um evento de grande visibilidade. Com a socialização desses elementos, o bordado ponto cruz, que é característica na cidade, foi difundido e socializado, assim como a história das artesãs que bordam ultrapassaram as barreiras físicas e geográficas, dando a elas a propriedade de que fazem parte do processo cultural local
Cultura e identidades artesanais não subalternas: notas sobre um povoado em Minas Gerais
Este artigo apresenta reflexões acerca da construção das identidades culturais mediadas por elementos da cultura material no povoado de Vitoriano Veloso - Minas Gerais, Brasil. Considera o contexto colonial e pós-colonial da cultura na América Latina para compreender o protagonismo no espaço da subalternidade. A análise se apoia na perspectiva de que o contexto da patrimonialização, que favoreceu a atividade artesanal como alvo de desenvolvimento local, possibilitou graus de autonomia irreversíveis. A observação e a pesquisa etnográfica realizadas entre 2014 e 2020, no âmbito do projeto de doutorado, acolheram elementos identitários que evidenciam subversões cotidianas que articulam tradição inventada e adaptações da cultura local visando a sobrevivência do povoado. A significativa capacidade de gerir a vida escapa a noção de subalternidade como um estado determinado e determinante, expondo fissuras por onde sobressaem táticas de resistência sutis. Palavras-chave: Identidades culturais; pós-colonialismo; subalternidade; cultura; artesanato.
Carnaval e política cultural no Rio de Janeiro
O trabalho analisa a política cultural do carnaval na cidade do Rio de Janeiro, traçando um histórico do século 20 e abordando a conjuntura atual de crise neoliberal. A partir da fusão entre samba e carnaval, característica do Rio de Janeiro, observa-se uma política de repressão por parte do Estado, preocupado em controlar as expressões culturais negras no início do século 20. A potência desta cultura popular desperta interesses do Estado e do capital, transformando o carnaval das escolas de samba em símbolo da identidade nacional e mercadoria de consumo de massa. A incorporação do carnaval pela indústria cultural se processa na segunda metade do século 20, acentuando a mercantilização da festa e promovendo sua espetacularização televisiva. Após a virada neoliberal dos anos 1990 tem-se a venda de enredos, com o predomínio dos desfiles patrocinados. Cenário que alcança o auge no século 21, para em seguida sofrer um revés com a crise econômica e a eleição do bispo Marcelo Crivella para a prefeitura
Perspectivismo ameríndio como modelo de desenvolvimento e sustentabilidade: giro descolonizador sobre a natureza
O artigo versa sobre o perspectivismo ameríndio como modelo de desenvolvimento e sustentabilidade, opondo ao modelo capitalista ocidental entranhado nas nossas estruturas sócio-produtivas. A natureza é apresentada dentro do espectro descolonizador que promove a reconexão do humano como estrutura integrada aos processos naturais. Diante disso, pretendemos apresentar o contraponto do domínio cosmológico ocidental que estabelece o padrão colonial-moderno-capitalista de poder sobre a natureza e o perspectivismo ameríndio que pretende refundar o humano à natureza. A compreensão do domínio epistemológico ocidental permite comparar e assim, deslocar os conceitos de precificação e objetificação da natureza e transvalorar a outra escala de desenvolvimento e sustentabilidade para uma ecologia pachamama. Entretanto, é preciso decantar o conceito de natureza é pensá-la para além da monetarização inerente aos pressupostos ocidentais. A mudança proposta é a sustentabilidade viabilizada pela ecologia da natureza ou pachamama que requer especular sobre uma realidade alternativa que vislumbre outras subjetividades humanas, dentro de uma cosmologia que acarrete formas diferenciadas de alteridade com toda a vida planetária e assim, interconectar seres que são constituídos filosoficamente com concepções mais alargadas de humanidade. O perspectivismo ameríndio desenvolve um conjunto de prática, crença e raciocínio acerca da possibilidade da existência do multinaturalismo, a análise sinótica as subjetividades comportam conjunto de pensamentos e conceitos alinhavados dentro do sistema complexo de valores e ações e caminham para o alinhamento de discussões de uma ecologia filosófica, ou seja, elevar o debate sobre a natureza a primeiro plano filosófico-ecológico, e fomentar a existência de uma sociedade intercultural que traz para o contexto a reciprocidade de agenciamento do social-cultural-natural, bem como a multiplicidade de agentes dentro da experiência coletiva que somos arrastados. No campo metodológico o trabalho realiza revisão bibliográfica e apresenta de forma interdisciplinar os trabalhos de teóricos decoloniais, na maioria, latino-americanos
ENSINO SUPERIOR, ECOLOGIA DE SABERES E PRESENÇA INDÍGENA NA UNIVERSIDADE PÚBLICA: UMA PROPOSTA DE PESQUISA
As Ciências Humanas e Sociais constituem campo privilegiado para refletir a respeito da produção do conhecimento, suas características e efeitos na sociedade mais ampla. Nessa linha, as universidades são lócus de produção de uma forma específica de conhecimento, o científico, que, historicamente, caracterizou-se por ser restrito à elite, dando dimensão de universal para um saber ocidental e moderno. Nesse sentido, excluiu coletivos portadores de conhecimentos relevantes, dando-os como inexistentes. No Brasil, as políticas públicas contribuíram, nos últimos anos, para mudar o perfil da universidade, incluindo coletivos historicamente dela excluídos. Paradoxalmente, do ponto de vista político, esse tem sido um elemento que vem atraindo críticas à universidade pública, que passou a ser questionada em sua relevância social e competência na produção de conhecimento. O artigo apresenta reflexões pertinentes a um projeto de pesquisa que propõe uma análise do processo de expansão da universidade pública no Brasil, especialmente no que se refere à ampliação das políticas de acesso à universidade e, de forma específica, situando esse aspecto na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, UEMS, focando no acesso dos coletivos indígenas à universidade. A pergunta de fundo para a pesquisa se refere às relações provocadas pelas presenças desses coletivos, quais são os efeitos para a promoção de uma ecologia de saberes e quais são as políticas, experiências, projetos, metodologias, vivências nesse sentido. A metodologia consiste em uma abordagem etnográfica, considerando o envolvimento da equipe de pesquisa no campo onde ela ocorre, interdisciplinar, qualitativa, bibliográfica e documental, a partir de dados das coordenadorias e outras instâncias administrativas na universidade, eventos e documentos públicos produzidos por estudantes indígenas
POR UMA GRAMÁTICA PEDAGÓGICA DA FRONTEIRA-SUL: exterioridades
Com a proposta do trabalho objetiva-se discutir conceitualmente uma gramática pedagógica da exterioridade fronteiriça-Sul, tendo por ilustração da discussão a narrativa memorialística do escritor mineiro Silviano Santiago. Quando se pensa em uma gramática pedagógica acerca do lócus fronteira-Sul, entende-se, grosso modo, por uma epistemologia da exterioridade que regida por um método específico. Sobressai daí uma pedagogia descolonial cuja opção propõe uma desobediência epistêmica com relação à epistemologia moderna. Nesse sentido, o modo como oprojeto do intelectual Silviano dialoga com a tradição literária brasileira ilustra, pelo avesso, a proposta da desobediência epistêmica descolonial. A relevância maior da proposta centra-se quando se pontua que tal visada crítica é pouco explorada criticamente. O que tem motivado tal discussão são as produções que vimos arrolando em torno da rubrica de Crítica biográfica fronteiriça, a qual, somada à crítica biográfica e aos estudos descoloniais, constituem a fundamentação epistemológica da proposta. Palavras-Chave: Exterioridade; Fronteira-Sul; pedagogia descolonial; Crítica biográfica fronteiriça; Silviano Santiago
Diversidades de Corpos Biogeográficos e Cênicos: Dentro e Fora da Escola
O Ensino das Artes Cênicas no Brasil sempre foi precário, quase inexistente. Recordando o breve histórico educacional artístico brasileiro “europeizado”, revivemos em nossa memória nossas primeiras atuações, onde reproduzíamos os famosos “teatrinhos”, contando histórias de príncipes e princesas, brancxs e magrxs. De lá para cá, no decorrer do ensino básico (educação infantil à ensino médio), quase nada muda quando nos referimos ao ensino de Arte; infelizmente piora a cada ano. Com tal inquietude, o presente artigo objetiva (re)verificar o Ensino das Artes Cênicas no Brasil, procurando dar vez e voz aos diversos corpos-biogeográficos presentes na escola e fora dela: corpos esses, reféns de discursos padronizados e que foram calados e imobilizados antes mesmo de 1500, calados, pois nunca tiveram a oportunidade de contarem suas próprias histórias, e imobilizados uma vez que foram barrados de se expressarem corporalmente. Percebe-se então, que o ensino escolar sempre foi desumanizado, se pautando em uma educação maçante, onde xs alunxs foram vistxs/tratadxs como corpos-máquina, sendo moldados a ficarem sentados enfileirados, ouvintes de uma aprendizagem – se assim podemos chamar – que não condiziam com suas realidades. Contudo, se vê a importância do Ensino das Artes nas escolas, e o porquê esse não é visto como área do conhecimento, pois requer que x alunx saia da inércia para que com o corpo chegue ao conhecimento, relacionando teoria e prática. Infelizmente, o ofício de atuação sempre foi desvalorizado por/em uma sociedade que reconhece como artistas, apenas os das telenovelas. Entretanto, professores-artistas-pesquisadores têm um papel de suma importância na formação educacional e social dxs alunxs, mostrando à elxs que todos os diversos corpos-biogeográficos presentes na sala de aula podem/devem atuar nos palcos e na vida, e que são sim produtorxs de Arte, Cultura e Conhecimento. Para a discussão usamos autores das Artes e o Pensamento Descolonial esperando, assim, propor uma reflexão outra a respeito da temática