Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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A LGBTfobia como uma marca da cultura heterossexual
O texto apresenta a LGBTfobia como marca da cultura heterossexual que condiciona jovens ao regramento de uma única expressão da sexualidade. Essa reflexão é parte das análises da Dissertação de Mestrado, Vozes de Estudantes do Ensino Médio sobre a LGBTfobia em uma Escola Estadual em Campo Grande, MS, defendida em 2019 no Mestrado Profissional em Educação na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul que investigou a percepção de 140 estudantes por meio a pesquisa empírica sobre a LGBTfobia. O estudo foi dividido em duas etapas, em que a primeira reuniu jovens entre 14 e 18 anos mediante trabalho de sensibilização; e a segunda, com entrevistas individuais, roteiro pré-estabelecido que explorou a temática pesquisada por O pensamento exposto nesse artigo referenda a epistemologia foucaultiana para compreender a materialidade dos corpos LGBT que demarcam a visibilidade da identidade sexual como rompimento do poder heterossexual e apresentam a identidade sexual como marco de resistência a cultura LGBTfobica Campo Grande, MS. O estudo revelou que os estudantes, em geral, são submissos aos preceitos da heterossexualidade. Observou -se que as buscas por afeto e desejo estabelecem redes de apoio e enfrentamento a LGBTfobia que e uma marca da cultura heterossexual que atravessa a constituição identitaria dos /das jovens participantes da pesquisa.Palavras-Chaves: Sexualidades. Jovens. LGBTfobia
AS TEMÁTICAS CULTURAIS NO ENSINO DE GEOGRAFIA
RESUMO O referido trabalho apresenta uma análise documental a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do Documento Curricular de Ciências Humanas e Ensino Religioso do Estado do Tocantins (DCT) com o objetivo de investigar quais as competências e habilidades abordam as temáticas culturais no ensino fundamental de Geografia e refletir sobre a importância dessas temáticas para a educação geográfica. O percurso utilizado na pesquisa foi iniciado pela delimitação nos documentos curriculares as habilidades dos anos finais do ensino fundamental que correspondem do 6º ao 9º ano do componente curricular de Geografia. O estudo foi estruturado em três partes: reflexão sobre o conceito de cultura, e como está apresentado o currículo para o ensino de geografia a partir da BNCC e das DCT com vistas aos aspectos culturais na escola a partir da abordagem da Geografia Cultural. Após leitura, análise e investigação, foi feita a seleção de algumas habilidades e competências que possuem relação com as temáticas culturais para análise, e posteriormente deu-se a discussão da pesquisa, que fundamenta-se na constatação de que está presente em todos os anos do ensino fundamental anos finais habilidades que abordam a temática cultural. Verificou-se que há ainda um caminho a percorrer para que o ensino de geografia a partir dos aspectos culturais seja de fato discutida na sala de aula de forma significativa com o uso de metodologias que auxiliem o processo de ensino e aprendizagem através da realidade de vida dos estudantes. Nesse sentido, é imprescindível que os professores sejam preparados na sua formação inicial e também continuada para desenvolver as temáticas culturais relacionando-as com aspectos da vivencia do estudante. Palavras-chaves: Cultura; Geografia; Ensino; BNCC; DCT
FORMAÇÃO EDUCACIONAL FILOSÓFICO-POLÍTICA NO BRASIL DO INÍCIO DO SÉCULO XXI: O PROBLEMA DA ALTERIDADE PELA EDUCAÇÃO
Projeta-se na formação educacional filosófico-política, no Brasil do início do século XXI, a pretensa macro eficiência do ensino em Filosofia, em que se destaca os conteúdos em direitos humanos, consoante as diretrizes curriculares Nacionais e Estaduais que, não denotam eficácia no aprendizado filosófico-político do aluno, identificando-se assim, uma anomia do ensino em Filosofia que, padece em transformar o indivíduo, em um cidadão crítico reflexivo. O Estado do Paraná, por exemplo, estabelece desafios sócio educacionais a serem abordados e trabalhados em sala de aula. São eles, Leis Estaduais e Federais que dispõe sobre: - prevenção e uso indevido de drogas; - educação das relações étnico-raciais e ensino de história e cultura afro-brasileira e africana; - educação das relações étnico-raciais e ensino de história e cultura indígena; - educação para o envelhecimento digno e saudável; - sexualidade; - direitos humanos; gênero e diversidade; - enfrentamento da violência na escola, entre outros. São direitos fundamentais previstos na Constituição Federal do Brasil de 1988, sendo que, todos fazem parte da formação histórica em direitos humanos desenvolvidos no século XX e XXI. Buscar-se-á realizar o enfrentamento de uma proposta dialógica, que deve ir além da Legislação vigente, que apresentará um ensino interdisciplinar em direitos humanos, por meio de casos concretos que abordem os referidos temas, intrínsecos a formação de seres humanos crítico-reflexivos
Cultura, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade: desafios e perspectivas
Este trabalho, intitulado “Cultura: interdisciplinaridade e transdisciplinaridade: desafios e perspectivas” traz uma discussão cujo objetivo principal é o compartilhamento de alguns conceitos básicos sobre a temática, uma discussão sobre mudanças a respeito da cultura educacional, ao discutir algumas experiências vividas pelo coautor, enquanto professor, em uma trajetória de quase 20 anos na educação superior brasileira. O problema de pesquisa quer identificar de que forma as experiências interdisciplinares e transdisciplinares contribuem para a formação dos alunos da educação superior, com desenvolvimento de novos paradigmas culturais. São usados, como caminhos metodológicos, a revisão de literatura – abordando os conceitos mais importantes e as ferramentas utilizadas – e os dados empíricos e etnográficos a partir das experiências de observação e de vivências de alguns processos interdisciplinares e transdisciplinares no estado do Pará. Como resultados obtidos neste trabalho, a partir das situações citadas, temos um aprendizado mais humanizado, com interação efetiva e o despertar do senso crítico a partir do uso dos processos de interdisciplinaridade e transdisciplinaridade
PROGRAMA DE BOLSAS DE EXTENSÃO – UEMS: UMA ANÁLISE SOBRE A FORMAÇÃO DOS ACADÊMICOS BOLSISTAS EGRESSOS DAS UNIDADES UNIVERSITÁRIAS DE DOURADOS E PONTA PORÃ
A presente pesquisa tem como objetivo analisar as contribuições do Programa Institucional de Bolsa de Extensão da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), sobre a formação dos acadêmicos bolsistas egressos. O universo da pesquisa envolveu os bolsistas egressos do Programa Institucional de Bolsas de Extensão-PIBEX-UEMS, das unidades universitárias de Dourados e Ponta Porã, no período de 2014 a 2018. Para efeitos metodológicos, foram levantados os dados dos bolsistas egressos junto a PROEC-UEMS e as coletas dos dados foram realizadas por meio de entrevistas, utilizando o Formulário Google Forms, incluindo perguntas relativas à importância que o programa PIBEX exerceu na formação acadêmica e na inserção ao mercado de trabalho. Os resultados mostraram que o PIBEX nos últimos 5 (cinco) anos, teve um total de 364 (trezentos e sessenta e quatro) bolsistas contemplados com 4.301(quatro mil, trezentos e uma) bolsas pagas e um investimento de R$ 1.720.400,00 (Um milhão, setecentos e vinte mil e quatrocentos reais). Dos 364 (trezentos e sessenta e quatro) bolsistas egressos, 51 (cinquenta um) responderam ao questionário, o que corresponde a 14% do total
O Rei de Havana, de Pedro Juan Gutièrrez e o Mundo Maldito
A Literatura oferece uma importante contribuição para a compreensão do mundo sócio-cultural. Ela é uma instituição viva, que deve ser entendida como um processo histórico, político e filosófico; semiótico e linguístico; individual e social, a um só tempo. Ela possui o efeito de multiplicar as possibilidades de leitura. Torna-se, portanto, uma forma privilegiada de compreensão do imaginário de uma época, permitindo que ela enxergue traços que outras fontes não nos forneceriam. Literatura é caracterizada por trabalhar com possibilidades, enquanto, por outro lado, as Ciências Sociais lidam com a realidade, levando em consideração que a literatura não tem compromisso com os fatos chamados históricos – ou seja, ela não tem a obrigatoriedade de ser fiel aos acontecimentos sociais do presente e do passado. Neste sentido, o presente artigo analisa O Rei de Havana de Pedro Juan Gutièrrez Nesta obra conta-se a história do jovem chamado Reinaldo, que perde a família de uma forma estúpida e passa a levar uma vida de pura miséria pelas ruas de Havana, onde só há espaço para a fome e o sexo até o desfecho final que será sua morte no anonimato. Ao aproximar o leitor de um mundo brutal e em franca deterioração, O Rei de Havana, apresentam habitantes que acabam por tornarem-se invisíveis e descartáveis. Esta é reconhecida como integrante do realismo sujo e apresenta certos aspectos da história cubana na narrativa ficcional em que é contada
O INVERNO DAS CIGARRAS E RELAÇÃO DA SOCIEDADE COM OS ARTISTAS
Sem grandes aspirações acadêmicas, este trabalho propõe-se a prestar uma singela homenagem aos artistas, que têm tornado a nossa vida mais leve durante a pandemia do novo Coronavírus. Com base na imagem da cigarra das fábulas de Esopo e de Jean de La Fontaine e de algumas releituras feitas por escritores brasileiros, como Monteiro Lobato, José Paulo Paes e Millôr Fernandes, pretende-se refletir sobre o papel dos artistas na sociedade. Ideias expressas por Platão, nos livros A República e Íon, e por Otácvio Paz, em O arco e a lira, auxiliarão nas discussões sobre o lugar de quem se dedica à arte e à cultura em um mundo padronizado. A partir de diálogos com as versões revisitadas dessa fábula, espera-se demonstrar que o canto das cigarras é imprescindível e, portanto, precisa ser preservado
O ensaio biográfico do Sul como resposta à relação da crítica brasileira com a teorização descolonial
O presente artigo apresenta a tese de que o ensaio biográfico do Sul é uma resposta possível à relação da crítica brasileira com a teorização decolonial. Nesse sentido, a questão que potencializa essa relação origina-se de um apontamento realizado por Walter Mignolo no livro Histórias locais / projetos globais (2003), segundo o qual o Brasil apresenta postura crítica diferente da de outros países que compõem a América do Sul ao se mostrar mais receptivo às teorias estrangeiras. Se, por um lado, tal imagem remete ao princípio antropofágico de devorar as “teorias itinerantes” para fortalecimento interno, por outro, evoca a questão da dependência cultural ao tomar teorias europeias e norte-americanas como modelo a ser repetido e não como lição. A rede conceitual discutida nesse artigo se detém no conceito de “resposta epistêmica” e para embasar a discussão proposta serão utilizados os apontamentos de Walter Mignolo em Histórias locais / projetos globais (2003), “Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política” (2008) e “Colonialidade: o lado mais escuro da modernidade”, Boaventura de Sousa Santos em O fim do império cognitivo (2019) e Edgar Cézar Nolasco em “Descolonizando a pesquisa acadêmica: uma teorização sem disciplinas” (2018) e “Por uma gramática pedagógica da fronteira-Sul: exterioridades” (2019)
A representação visual da “Cuiabá 300 anos”
Em abril de 2019 a cidade de Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, completou 300 anos, diversas homenagens e campanhas foram exibidas e veiculadas em virtude da comemoração. Desta maneira, buscamos identificar, através da leitura de materiais visuais comemorativos, aspectos que constroem, identificam e vinculam a representação de Cuiabá e seus “300 anos”. Para isso, foram analisados elementos que compõe a imagem escolhida de modo a compreender, a partir de materiais visuais comemorativos sobre a “Cuiabá 300 Anos” a representação relacionada a esta comemoração
CULTURA E ALIMENTAÇÃO NO BRASIL: CASO DAS MULHERES DO ASSENTAMENTO MILTON SANTOS
Os valores, identidade e estilo de vida de uma sociedade podem ser distinguidos e compreendidos através de um elemento capital "comida". O Assentamento Milton Santos está localizado no município de Americana, região sudoeste do Estado de São Paulo, Brasil, a cultura tem uma influência particular sobre os hábitos alimentares das mulheres desta região. Apesar da força da industrialização dos alimentos no Brasil, essas mulheres carregam dentro de si a prática do cuidado e são as guardiãs dos conhecimentos ancestrais transmitidos ao longo do tempo, um dos quais é o alimento. Isto inclui a forma de como os alimentos são produzidos, preparados e utilizados. Na maioria das regiões do Brasil, a alimentação cotidiana é baseada na disponibilidade dos produtos do mercado. O objetivo proposto para este trabalho é compreender a influência cultural na alimentação das mulheres do Assentamento Milton Santos. Para isto, foram entrevistadas 6 mulheres sem distinção de idade, escolhidas aleatoriamente que estivessem disponíveis no momento da pesquisa. O método qualitativo de análise de discurso foi utilizado para conduzir esta pesquisa. As falas das entrevistadas foram gravadas em um smartphone com seu consentimento e transcritas depois. Os resultados mostraram que nos lares do Assentamento Milton Santos, as mulheres não dependem apenas dos produtos do mercado, pois sua alimentação também está conectada aos traços socioculturais que ainda preservam. Elas consumem determinados alimentos visando seu melhor estado de saúde ou remediar certas doenças, isto faz com que ocorra uma produção agrícola de autoconsumo