Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura - CLAEC
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Festa de Santa Gertrudes: o sagrado e profano no carnaval de Varginha em Mato Grosso
A Festa de Santa Gertrudes é realizada no período do carnaval, na comunidade de Varginha, distrito de Santo Antônio de Leverger, em Mato Grosso. Trata-se de uma comunidade ribeirinha, que mantém a tradição secular de celebrar a festa da santa de maneira peculiar, onde o sagrado e o profano se encontram na dimensão do culto ao popular pela presença de grupos de Cururu e Siriri, que animam os quatro dias de carnaval. A festa abre com as cerimônias de uma celebração religiosa que se segue com a reza do terço de maneira cantada e responsorial. Esse ritual tem continuidade com a subida do mastro, acompanhada pelas toadas do cururu, cujo entoar de cantigas, empresta do sagrado, passagens bíblicas, louvando a santa, padroeira do carnaval de Varginha. Mastro erguido consagra a promessa cumprida pelos devotos e festeiros, que retornam ao salão da festa para a roda do cururu. É uma roda de violeiros e de tocadores de ganzá que celebram a graça alcançada por meio de toadas de um folguedo autóctone, dos mais antigos de Mato Grosso. A roda do cururu em festas tradicionais, dependendo do número de participantes, costuma invadir a madrugada, pelo fato da sequência de apresentações, que ora está para a cantoria coletiva, ora para uma espécie de trovas entre duplas, que contagia o público. Ao findar tamanha festança é hora de degustar o tradicional cozidão. Uma iguaria da culinária local, que dá aos tocadores, festeiros e convidados, a completude da festa. Nos demais três dias, o Siriri tem o sabor do profano, animando o carnaval todas as tardes, pelas ruas da Comunidade. Os tocadores retornam à casa da festa na terça feira de carnaval, para a descida do mastro, repetindo outro ritual, que se tem a comemoração com a tradicional feijoada
EXTRANJERIDAD, INESPECIFICIDAD Y VOCES FEMENINAS EN LAS AMÉRICAS: UNA LECTURA CONTRASTIVA DE LOS VIDEOPOEMAS “LA INMIGRANTE” (NICARAGUA, 2017) Y “DEAF BROWN GURL” (EUA-INDIA, 2015)
La videopoesía es una manifestación artística que se construye desde la década de los años 1970, y que borra las fronteras entre el arte escrito y la tecnología del entretenimiento que es el video. Los videopoemas son formas de creación que se caracterizan por su intersemiosis, su intermedialidad y por ser producciones colectivas e interdisciplinares; asimismo, se han expandido gracias a la tecnología intermedia y a las plataformas online de video. Las ideas de Julia Kristeva en su libro Estrangeiros para nós mesmos (1994), en el cual habla sobre la condición de extranjero y critica el rechazo hacia migrantes y refugiados, así como hacia aquellos que son considerados como los otros, son base para el análisis del cruce de fronteras (geográficas, culturales, tecnológicas, estéticas), de los videopoemas “La inmigrante” (2017) y “Deaf Brown Gurl” (EUA-India), en los cuales dos mujeres protagonistas son consideradas como “extranjeras” y deben enfrentar la alienación de esas etiquetas dadas por una comunidad a la que no pertenecen. Así mismo, los apuntes de Florencia Garramuño en su libro Frutos Estranhos (2014) aportan al análisis de la inespecificidad del videopoema y a la determinación de las peculiaridades de este tipo de producciones y su interacción entre lenguajes, recursos y elementos de este tipo de productos en constante transformación. Esta investigación es financiada por medio de la bolsa de Demanda Social de la Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), canalizada a través del programa Becas Brasil PAEC OEA-GCUB
O impacto cultural da pandemia na prática da capoeira
A capoeira enfrentou grandes mudanças socioculturais ao longo dos últimos séculos. Com a chegada da pandemia e da demanda por novas práticas de comportamento, os capoeiristas são levados a ressignificar suas ritualísticas e perceber outras abordagens metodológicas para o desenvolvimento do jogo. O artigo tem como objetivo reconhecer o cenário de adaptação da prática da capoeira e identificar caminhos desenvolvidos pela e para a capoeira após o isolamento social. Por meio de uma análise de ações desenvolvidas pelo Grupo de Capoeira Beribazu durante a pandemia, argumenta-se alternativas metodológicas para continuidade da prática. Neste cenário, a inserção das ferramentas tecnológicas se torna um caminho fundamental para o desenvolvimento de difusão da capoeira
Conexões entre espaço geográfico e cuidado de si: um diálogo (im)possível mediado pela cultura
O espaço faz parte da nossa vida, o percebemos, concebemos e vivemos nele, mas mesmo assim quase nunca nos damos conta da geograficidade iminente à nossa existência, de como ela se manifesta no dia a dia, reverberando em quem somos. Já o cuidado de si, tendemos a localizar apenas no indivíduo, mas ao transformá-lo em ação, percebe-se que ele o transcende, pois possui a dimensão do coletivo, social e cultural intrínseco a ele. São dois conceitos que andam em caminhos bem distintos, mas que em dado momento apresentam conexões. A fim de fazer esse diálogo acontecer a cultura se faz necessária enquanto mediadora, organizando e possibilitando-o. Este artigo tem como objetivo refletir sobre essas (im)possíveis aproximações. Utilizamos a revisão bibliográfica como metodologia; trata-se de um trabalho exploratório, visamos mais a sugerir do que a concluir. No decorrer do texto, alcançamos essas conexões pretendidas a partir das reflexões sobre o autoconhecimento, o conectar com a natureza, as implicações da pandemia, a potência da cidade, os lugares de afeto, entre outras
Vida, formação, carreira e participação no cenário político de Mato Grosso da Professora Celcita Pinheiro: um relato de experiência
O relato de experiência observa e analisa a vida, formação, carreira e participação no cenário político de Mato Grosso da Professora Celcita Pinheiro. Para efetuar essa atividade, foram realizadas entrevistas, através da memória oral, utilizado-se do testemunho de pessoas que participaram de sua trajetória profissional, ex-alunos, e do próprio sujeito da pesquisa, bem como a análise de fonte documental, que se deu através de: atas parlamentares, jornais, fotografias, folhetos, vídeos, entre outras fontes que auxiliaram na busca de informações obtidas. O resultado da proposta demonstrou os níveis de articulações do conhecimento adquirido na carreira de professora, bem como na atuação políticas nos espaços de poder e disputa, com influência direta através de sua criação familiar, formação docente e trajetória profissional, que, foi de grande valia para o desenvolvimento de sua atuação como Deputada Federal, se dedicando à área da Educação, Ensino, Juventude e Desenvolvimento Social
Em tempo de pandemia (Covid-19), é muito triste sem folia
Todos os anos a cidade histórica de Natividade realiza uma das maiores Festa do Divino Espírito Santo, do estado do Tocantins, Brasil, atraindo milhares de devotos. Isso ocorre com cortejos e rituais ricos em arte, cores, figurinos, cantorias, giro das folias, fogos de artifícios e abundância de comidas e bebidas. A festividade é, acima de tudo, uma experiência e vivência de tradição, fé e devoção da comunidade. Em 2020, com o avanço dos casos do novo coronavírus, classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma pandemia (Covid-19), os organizadores da Festa do Divino Espírito Santo de Natividade suspenderam a festividade, adiando-a para o ano de 2021. O primeiro grande impacto em razão da conjuntura adversa foi sentida no Domingo de Páscoa, quando o tradicional ritual das Folias do Divino não aconteceu, posto que demanda aglomeração de pessoas. Diante do contexto de mudanças inesperadas, o objetivo deste texto consiste em mostrar, por meio das narrativas dos devotos, os sentimentos de dor e tristeza, mas também de resiliência e ressignificação, em decorrência da não realização do giro das Folias do Divino, no ano corrente. Para tanto, recorro às discussões teóricas de Moraes Filho (1979), Abreu (1999), Cascudo (2012), Enes (1998), Schwarcz (2001) e Messias (2010), para subsidiar as análises. Palavras-chave: Festa do Divino Espírito Santo; Pandemia (Covid-19); Devoção; Resiliência
Territorialidade, Território e Identidade Espacial: Uma abordagem teórica sobre os aspectos sociais da sua construção, pela via da memória coletiva.
Este trabalho propõe uma análise percuciente sobre a articulação existente entre a territorialidade, a identidade e a memória. Esta integração traduz um conceito de território que está vinculado, na esfera das ciências sociais, à noção de apropriação e de sentimento de pertencimento que é desenvolvido pelos agentes gregários, os quais manifestam tal anseio por intermédio da impressão de suas ações, que amoldam o ambiente e conferem significados ao fragmento espacial. A memória, enquanto participante profícua da construção da identidade, oportuniza a interação entre os protagonistas sociais e o próprio espaço, através da mediação das semânticas simbólicas que o constituem. Refletir-se-á, portanto, sobre a polimorfa formação do espaço, ao tempo em que se processa, também, a consolidação da identidade espacial, com ênfase nas ações inter-relacionais. Tal diálogo desembocará no entendimento de que o território não deve ser vislumbrado meramente pelo aspecto da materialidade do espaço, haja vista que o seu conceito está alinhavado com a incorporação do sentido simbólico e com a vertente política e econômica
O Corpo e a Geopolítica da Tecnocolonização, Tecnocolonialidade do Corpo na Arte, na Cultura e na Educação! (1ª Parte)
O corpo ocidental vive hoje sob o império emergente da tecnologia virtual. Na arte, nas diferentes linguagens; na produção do conhecimento, em ambientes formais ou informais da Educação e em contextos socioculturais diversos. Considerando a construção do corpo, nas artes e na educação, subjacente ao pensamento moderno europeu, sempre, da pré-história à contemporaneidade, esse está vinculado a “tecnologias” para atualização em contextos/situações diversas. A tecnologia tem atuado compondo corpos “andrógenos”, “tecnológicos”, “transumanos” (BRETON, 2015), “corpomídia” (KATZ; GREINER, 2005), entre outros corpos que usam da tecnologia para autoconstrução/autorreconhecimento ou construções/reconhecimentos em contextos múltiplos. Já a Era Digital como recurso “tecno(lógico)” (RODRIGUES; BESSA-OLIVEIRA, 2019a) no corpo é recente (20/30 anos graças a internet) que o controle sobre os “corpos primitivos” (RODRIGUES; BESSA-OLIVEIRA, 2019a) se dão; corpo primitivo é Pré-história e corpo tecnológico modernidade. Da submissão do corpo à tecnologia, das pedras às redes sociais, discutirei um corpo na arte e na educação que subjaz a colonialidade tecnológica. Um corpo sob o controle tecnológico, mas sem ser “tecno(lógico)”, porque quer voltar a ser um “corpo primitivo” (RODRIGUES; BESSA-OLIVEIRA, 2019a) que reconhece a tecnocolonização (BESSA-OLIVEIRA, 2019) do corpo no século XXI que escapa à virtualização/desnaturalização de si, mas que não escapa à tecnocolonialidade que virtualiza o corpo da arte e da educação. Se a virtualização ressalta a exposição do corpo na arte, por meio da imagem ex-posta nas redes sociais, de outra perspectiva a “exposição” corpórea apaga a diferença colonial dos corpos da arte na educação, por exemplo. Logo, expondo-se ou impondo ao corpo a condição de exposição ou de adestramento, o corpo contemporâneo e a geopolítica, por meio da tecnocolonização do corpo, é a tecnocolonialidade que provoca a tecno(lógica) de corpos da exterioridade que não vivem submissões/situações tecno(lógicas) dessa geopolítica. Para contemplar este debate, lanço mão de ideias de retribalização/renaturalização conscientes, por via da corpo-política (MIGNOLO, 2017) que nem a biopolítica foucaultiana contemplou, para desmontar a tecno(lógica) moderna
Morte, cultura e fenomenologia: reflexões possíveis sobre fenômeno de morrer
Este artigo traz à cena o morrer como limite maior do fluxo da existência e o fenômeno da morte enquanto fronteira ôntica e ontológica. Morrer é ação e movimento, para quem vivencia o morrer do outro, a morte é uma fronteira, que tangencia caminhos possíveis. As representações sociais da morte afetam o ambiente privado, os costumes diante da morte são uma construção cultural que se revela em rituais não homogêneos. As formas de “evitação” da morte são percebidas como estratégias de reduzir as possibilidades de morrer. Utilizamos a fenomenologia hermenêutica como prática interpretativa de leitura, a partir de estudiosos das ciências humanas e sociais, propondo um diálogo compreensivo com a fenomenologia heideggeriana. Heidegger afirma que a morte é tomada como ente simplesmente dado, determinado. Consideramos a morte enquanto possibilidade de fronteira apresentando-a como possível constituinte cultural, revelando conflitos que colaboram com a organização social que acontece nos encontros e desencontros com o morrer
Direitas organizadas na América Latina: o caso do I Congresso Sul-Americano da Mulher em Defesa da Democracia, em 1967
O presente artigo analisa a organização do I Congresso Sul-Americano da Mulher em Defesa da Democracia, ocorrido entre 16 e 22 de abril de 1967 na cidade do Rio de Janeiro. O evento, elaborado pela Campanha da Mulher pela Democracia (CAMDE), organização feminina de direita criada em 1962, procurou reunir mulheres de diversos países da América Latina na tentativa de construir redes políticas femininas em reação à Conferência Tricontinental de Havana, ocorrida em 1966, em Cuba. Pretende-se verificar de que modo as organizações femininas de direita existentes na América Latina elaboraram o evento, em que medida essas mulheres se fizeram presentes e como construíram redes políticas femininas a partir de pautas conservadoras. Por último, busca-se analisar o congresso diante da ditadura civil-militar brasileira e as estreitas relações entre a organização do evento com a agenda da ditadura. Cabe destacar que as direitas femininas no Brasil estavam organizadas desde 1962, quando acreditavam na existência de uma real ameaça comunista por parte do governo de João Goulart (1961-1964). Surgiram primeiramente em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas logo em seguida, seguindo diretrizes semelhantes das companheiras paulistanas e cariocas, espalharam-se por Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Naquele contexto político contribuíram para o desgaste do governo, promovendo forte campanha de propaganda, principalmente em escolas, igrejas e associações de bairros; e organizando atos públicos, como as Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Após o golpe civil-militar de 1964, muitas permaneceram organizadas, mantendo-se na “vigília” anticomunista pautada pela ditadura, e na defesa de valores conservadores