Portal de Publicações da Faculdade de Medicina de Campos
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    Percepção das líderes escolares sobre o conhecimento e o comportamento da comunidade frente às arboviroses em Campos dos Goytacazes

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    Os mosquitos do gênero Aedes são os principais vetores da dengue, uma doença que representa uma ameaça global à saúde pública e afeta milhões de pessoas anualmente. Em 2024, foram registrados 19771 casos de dengue em Campos dos Goytacazes (CGOY). A alta incidência pode ser consequência de fatores como o clima favorável, a deficiência no controle efetivo de vetores e o baixo nível de conhecimento e atitude preventiva da população. No entanto, não existem informações disponíveis sobre o nível de conhecimento e as atitudes da população em relação às medidas de prevenção. Este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil, o conhecimento e a percepção de gestores escolares sobre a dengue no bairro Jockey Club/CGOY. Trata-se de uma pesquisa observacional, de abordagem qualitativa, com uso de um questionário semiestruturado. Foram incluídos apenas gestores de escolas públicas e privadas localizadas no bairro Jockey Club, previamente identificados utilizando a ferramenta Google Maps. As entrevistas foram gravadas e transcritas com o auxílio do software Transcriptor. Após a transcrição, o conteúdo foi revisado e categorizado para análise das características sociodemográficas dos participantes, além de sua percepção e conhecimento sobre arboviroses e medidas de prevenção. Foram entrevistados cinco gestoras escolares, o que representa 62,5% das instituições escolares do bairro Jockey Club. A média de idade das participantes foi de 50,8±14,5 anos, e o tempo médio de atuação profissional foi de 11,3±10,6 anos. As entrevistadas residem em CGOY há, em média, 50,0±14,5 anos. Todas as participantes consideram a dengue um problema sério no município. Os principais locais apontados como criadouros do Aedes aegypti foram terrenos abandonados, lixo acumulado, recipientes domésticos, pneus e praças públicas. Apesar desse reconhecimento, 80% delas afirmaram que a população ainda não possui conhecimento suficiente sobre as formas de prevenção da doença. Em relação à atuação do poder público, houve consenso entre as participantes quanto à necessidade de intensificação da fiscalização, realização de campanhas educativas contínuas e estímulo ao maior envolvimento da comunidade. As principais medidas sugeridas incluem educação permanente, limpeza urbana, fiscalização efetiva e campanhas de conscientização. Ninguém relatou ter conhecimento de programas comunitários de combate ao Aedes, o que demonstra a necessidade de maior divulgação e incentivo ao engajamento coletivo. Diante disto, as principais estratégias citadas foram campanhas educativas constantes, divulgação de dados atualizados sobre a doença, ações nas escolas e reportagens de grande impacto. Todas reforçaram o papel fundamental das escolas na prevenção. Os dados mostram uma percepção generalizada de que o nível de conhecimento e o engajamento da comunidade são insuficientes. Além disso, a necessidade de intensificação da fiscalização e de campanhas educativas contínuas reforça a importância de estratégias integradas, que envolvam tanto o poder público quanto a população local. O ambiente escolar se destaca como cenário estratégico para a sensibilização dos alunos e suas famílias, capaz de promover mudanças de comportamento a fim de reduzir os focos do vetor. Pelo ponto de vista das gestoras escolares em um dos bairros mais afetados de CGOY, a dengue é um problema grave devido a fragilidades no nível de informação e no engajamento da comunidade em relação às medidas de prevenção e controle do vetor.

    Protozoários comensais como sentinelas invisíveis: : um alerta para as vulnerabilidades sanitárias não notificadas oficialmente

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    As enteroparasitoses, tradicionalmente negligenciadas, são marcadores de desigualdade social em países em desenvolvimento, onde afetam milhões de pessoas. Associam-se à pobreza, ao saneamento deficiente e ao acesso limitado à saúde e à educação. A principal via de transmissão é fecal-oral, através de água, alimentos ou superfícies contaminadas. Embora a vigilância priorize parasitos patogênicos, protozoários comensais como Endolimax nana, Entamoeba coli e Iodamoeba butschlii são importantes indicativos de contaminação fecal e falhas de higiene, e sua negligência pode comprometer estratégias de controle. Objetiva-se avaliar a prevalência de enteroparasitas em escolares de uma comunidade de Campos dos Goytacazes (RJ), correlacionando os achados do exame com dados socioeconômicos e sexo, a fim de identificar indicadores ocultos de risco sanitário. Trata-se de estudo transversal realizado no segundo semestre de 2024, em projeto de extensão em uma escola de Travessão (Campos dos Goytacazes, RJ). Foram coletadas amostras fecais de escolares e familiares e aplicados questionários de caráter socioeconômico para classificação segundo o Critério Brasil. As amostras foram analisadas pela técnica de Hoffman e os dados foram correlacionados com sexo e classe social. A tabulação foi feita no Microsoft Excel. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, CAAE 79665324.2.0000.5244, com assinatura de TCLE por todos os participantes (ou responsáveis legais). Das 16 amostras fecais analisadas, 62,5% foram positivas para enteroparasitas. Endolimax nana foi o mais prevalente, 50%. Entamoeba coli, Iodamoeba bütschlii e Entamoeba histolytica estiveram presentes em 1 caso cada (igual a 6,25%), com um indivíduo coinfectado. Entre os 7 participantes da classe C1, 42,9% apresentaram parasitose. Já na classe DE (9 participantes), 77,8% estavam parasitados, sugerindo maior exposição entre indivíduos de menor poder aquisitivo. Quanto ao sexo, os casos positivos foram igualmente distribuídos entre mulheres (5/10) e homens (5/6). Assim, a associação mais expressiva ocorreu com a classe econômica, indicando que a desigualdade social, neste contexto, se sobrepõe ao fator gênero. O estudo revela protozoário patogênico e alta prevalência de comensais. Apesar de não serem notificados oficialmente, esses atuam como sentinelas de falhas sanitárias, o que contribui para a falsa percepção de ausência de risco nessas populações. Em um município sem levantamentos escolares desde 2012, os achados trazem um panorama inédito e evidenciam a urgência de políticas públicas e educação em saúde

    Esporotricose em face de criança:: relato de caso

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    A Esporotricose, causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii, é uma micose endêmica e negligenciada com crescente impacto na saúde pública, especialmente no Brasil, devido à sua disseminação zoonótica, especialmente através de felinos infectados. Sua manifestação em crianças é rara, principalmente em face, podendo gerar implicações clínicas, sociais e psicológicas. O diagnóstico precoce é fundamental para tratamento adequado e prevenção de complicações. A doença apresenta-se de forma crônica ou subaguda, com lesões cutâneas polimórficas. A esporotricose humana foi incluída na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública, sendo a notificação realizada por meio da ficha individual de notificação. Relatar um caso de esporotricose facial em paciente pediátrico, destacando a importância do diagnóstico diferencial, da conduta terapêutica adequada com monitoramento hepático e da abordagem multidisciplinar. Paciente masculino, 8 anos, branco, natural de Campos dos Goytacazes e residente no bairro Jardim Carioca, foi encaminhado ao serviço de Pediatria do Hospital Geral de Guarus em 26/06/2025, apresentando lesão crostosa em face à direita há cerca de um mês, com adenomegalia cervical e pré-auricular. Já havia feito uso ambulatorial de Benzetacil e Amoxicilina com Clavulanato, sem melhora. Foi internado com hipótese diagnóstica de Impetigo e iniciado tratamento com Oxacilina e compressas mornas por 6 dias, sem evolução satisfatória. Após novo interrogatório, a mãe relatou contato prévio do menor com um felino com lesões no focinho. Diante disso, foi solicitada avaliação dermatológica, realizada biópsia incisional da lesão e, após confirmação diagnóstica de esporotricose, iniciou-se tratamento com Itraconazol 100 mg/dia, associado à solicitação de exames laboratoriais. Três dias após o início do antifúngico, os marcadores hepáticos apresentaram alteração (TGO: 110 U/L; TGP: 115 U/L), levantando a necessidade de atenção especial ao uso da medicação antifúngica em pacientes pediátricos, considerando possível ajuste de dose para prevenção de hepatotoxicidade. O paciente recebeu alta hospitalar com encaminhamento para seguimento ambulatorial no Centro de Doenças Infecto- -Parasitárias (CDIP), orientações de precaução com contato social e medidas adequadas com o felino envolvido, reforçando que o animal não deve ser sacrificado, mas sim encaminhado para diagnóstico e tratamento veterinário. O caso ressalta a importância da suspeição clínica de esporotricose em casos de lesões ulceradas refratárias, especialmente em crianças com histórico de contato com felinos. O uso adequado do Itraconazol, com atenção à dose e ao monitoramento laboratorial, é essencial para garantir a segurança e eficácia do tratamento

    Amputações de membros inferiores no Estado do Rio de Janeiro entre 2020 e 2024

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    As amputações de membros inferiores representam um desfecho grave, frequentemente relacionadas ao pé diabético, à doença arterial periférica e a traumas graves. No Brasil, estima-se que cerca de metade dessas amputações seja decorrente de complicações do diabetes mellitus, sendo o pé diabético a principal causa evitável. Traumas decorrentes de acidentes de trânsito ou de violência também representam importante parcela, especialmente entre adultos jovens. Tais procedimentos geram significativo impacto na qualidade de vida, custos hospitalares e refletem deficiências na prevenção e tratamento precoce de doenças crônicas. O presente estudo teve como objetivo analisar o perfil das amputações realizadas no âmbito do SUS no estado do Rio de Janeiro entre os anos de 2020 a 2024, utilizando dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Trata-se de um estudo descritivo e retrospectivo baseado em dados públicos do DATASUS. Foram incluídos procedimentos de amputação ao nível da coxa, perna, pé, tornozelo e desarticulações. Os dados foram extraídos por meio da plataforma TABNET, considerando o local de internação no estado do Rio de Janeiro e o período de janeiro de 2020 a junho de 2024. As taxas foram calculadas com base nas estimativas populacionais do IBGE e expressas por 100.000 habitantes. Foram registradas 5.914 amputações no período. O ano com maior número absoluto de amputações foi 2022 (1.314), seguido por 2023 (1.229). O menor registro ocorreu em 2021 (1.170). A taxa anual variou entre 6,70 e 7,50 por 100 mil habitantes. Os dados de 2024 são parciais (991 registros). Embora o banco de dados não informe a causa direta das amputações, estudos anteriores sugerem que a maioria está associada ao pé diabético, seguido de trauma e isquemia crítica dos membros. Conclui-se que as amputações no estado do Rio de Janeiro mantêm padrão estável, com discreta elevação em 2022. Os dados reforçam a necessidade de estratégias preventivas voltadas ao controle do diabetes, à identificação precoce do pé diabético e à reabilitação pós-trauma, especialmente na atenção primária para detecção precoce de lesões nos membros inferiores

    Tendência dos óbitos por suicídio entre jovens de 15 a 29 anos no estado do Rio de Janeiro entre 2010 e 2022

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    O suicídio é reconhecido como um importante problema de saúde pública global e representa uma das principais causas de morte entre jovens. No Brasil, observa-se um aumento progressivo das taxas de mortalidade por suicídio nas últimas décadas, particularmente entre indivíduos de 15 a 29 anos, faixa etária considerada vulnerável devido a fatores emocionais, sociais e econômicos. Este estudo teve como objetivo analisar a tendência dos óbitos por suicídio entre jovens de 15 a 29 anos no estado do Rio de Janeiro, entre os anos de 2010 e 2022. Trata-se de um estudo ecológico de série temporal, baseado em dados secundários obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponível na plataforma do DATASUS. Foram incluídos os óbitos classificados sob os códigos X60 a X84 da CID-10, desagregados por sexo e por subfaixas etárias (15–19, 20–24 e 25–29 anos). A análise descritiva dos dados revelou um aumento contínuo e significativo no número absoluto de óbitos por suicídio ao longo do período estudado, totalizando 630 casos em 2010 e 1.170 em 2022. Os homens apresentaram taxas consistentemente superiores às das mulheres, com proporção de dois a três óbitos masculinos para cada feminino. A faixa etária de 25 a 29 anos concentrou o maior número de casos em todos os anos analisados, o que pode estar relacionado às pressões sociais da transição para a vida adulta, como instabilidade financeira, dificuldades no mercado de trabalho e sobrecarga emocional. Ainda que o estudo não tenha avaliado diretamente os impactos da pandemia de COVID-19, é plausível supor que o isolamento social, a insegurança econômica e a redução do acesso aos serviços de saúde mental durante esse período tenham contribuído para a intensificação do cenário. Conclui-se que os achados evidenciam a necessidade urgente de políticas públicas específicas para prevenção do suicídio entre jovens, com foco em estratégias de cuidado psicossocial, ampliação do acesso à saúde mental, promoção da resiliência e enfrentamento do estigma associado aos transtornos mentais, sobretudo entre os homens jovens

    Relação entre a prática de atividades extracurriculares e o desempenho acadêmico na medicina

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    To investigate the relationship between the practice of extracurricular activities and the academic performance of medical students. An integrative literature review was conducted focusing on medical students from different countries and educational contexts. Observational and analytical studies that examined the impact of extracurricular activities on mental health and academic performance were obtained from the PubMed, SciELO, CAPES Journal Portal, and LILACS databases. Participation in extracurricular activities is associated with better academic performance, adaptation to the university environment, and the development of personal and professional skills. However, excessive involvement can generate emotional overload and harm students\u27 well-being. It is essential to maintain a balance between curricular and extracurricular activities to promote the comprehensive development and mental health of medical studentsInvestigar a relação entre a prática de atividades extracurriculares e o desempenho acadêmico dos estudantes de medicina. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura com foco nos estudantes de medicina de diferentes países e contextos educacionais. Os estudos observacionais e analíticos que examinaram o impacto das atividades extracurriculares na saúde mental e desempenho acadêmico foram obtidos por meio das bases de dados PubMed, SciELO, Portal de Periódicos CAPES, e LILACS. A participação em atividades extracurriculares está associada ao melhor desempenho acadêmico, adaptação ao ambiente universitário e desenvolvimento de habilidades pessoais e profissionais. No entanto, o envolvimento excessivo pode gerar sobrecarga emocional e prejudicar o bem-estar dos estudantes. É essencial manter um equilíbrio entre atividades curriculares e extracurriculares para promover o desenvolvimento integral e a saúde mental dos estudantes de medicina

    Conscientização e diagnóstico precoce:: o impacto do M-CHAT no rastreio de autismo

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    O Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta o desenvolvimento social, comunicativo e comportamental desde a infância. A detecção precoce é essencial para melhores desfechos. Este trabalho utilizou o teste de rastreio M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers) em crianças de 18 a 30 meses, com o objetivo conscientizar pais e comunidade sobre os sinais iniciais do TEA e a importância do diagnóstico precoce. Aplicar o teste M-CHAT em crianças de 18 a 30 meses para identificar sinais precoces de autismo, destacando a importância da detecção precoce e das intervenções adequa- das e integrar a família no acompanhamento das crianças com TEA ou com risco para o transtorno. O projeto ampliou a conscientização sobre os sinais precoces do autismo, capacitou os pais para os cuidados com a criança e facilitou o acesso a intervenções. Contribuiu para a redução do estigma e evidenciou a importância das abordagens comunitárias na prática médica, aproximando os extensionistas dos desafios reais da atenção à saúde e promovendo uma formação mais empática e proativa. O M-CHAT é uma ferramenta padronizada de triagem utilizada para identificar sinais precoces de risco para o TEA e sua aplicação requer capacitação adequada. O instrumento consiste em 23 questões e o escore é considerado positivo quando a criança apresenta 3 ou mais itens no total, ou 2 ou mais dos itens considerados críticos (2, 7, 9, 13, 14, 15). Diante de um resultado positivo, recomenda-se encaminhamento para avaliação clínica e multidisciplinar. No presente estudo, foram aplicados 61 questionários M-CHAT, com 17 resultados positivos, o que representa uma taxa de 27,8%. Entre os casos positivos, 100% das crianças apresentaram três ou mais respostas indicativas de risco no total, não sendo identificado nenhum caso de positividade com base exclusiva em itens críticos. O presente trabalho buscou esclarecer e informar acerca do TEA. As crianças que apresentaram sinais de risco foram encaminhadas para programas de intervenção precoce, tanto no Hospital Plantadores de Cana quanto no Centro de Saúde Escola (CSEC). A intervenção individualizada e iniciada de forma oportuna é fundamental, especialmente porque, nos primeiros anos de vida, o cérebro apresenta maior grau de neuroplasticidade, favorecendo avanços significativos e duradouros no desenvolvimento infantil, proporcionando melhora na qualidade de vida das crianças com TEA e reduzindo impactos negativos a longo prazo

    Interações entre omeprazol e clopidogrel em pacientes internados na clínica médica em um hospital de alta complexidade

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    As doenças cardiovasculares foram responsáveis por cerca de 400 mil óbitos no Brasil em 2022. O aumento dessas patologias tem resultado em elevado consumo de medicamentos pela população. O clopidogrel, um pró-fármaco, é amplamente prescrito em protocolos clínicos para pacientes com doenças cardiovasculares, como síndrome coronariana aguda, prevenção pós-intervenção coronária percutânea e infarto agudo do miocárdio. Em especial, pacientes idosos com doenças cardiovasculares apresentam maior predisposição à polifarmácia – uso concomitante de cinco ou mais medicamentos. Esse cenário favorece o surgimento de efeitos adversos gastrointestinais, tornando necessária a prescrição de medicamentos como o omeprazol, um inibidor da bomba de prótons. A polifarmácia e a hospitalização elevam o risco de interações medicamentosas, sendo a associação entre clopidogrel e omeprazol considerada de alto risco para interação grave. O presente estudo teve como objetivo deter- minar a prevalência do uso concomitante de omeprazol e clopidogrel em pacientes internados, identificar as principais complicações clínicas associadas e propor uma alternativa viável para minimizar essa interação. Trata-se de um estudo observacional, transversal e retrospectivo, baseado na análise de 265 prontuários de pacientes que fizeram uso de clopidogrel, com ou sem associação ao omeprazol. A amostra foi majoritariamente composta por indivíduos do sexo masculino, de cor parda, com média de idade de 65 anos. O histórico social revelou alta prevalência de tabagistas ou ex-tabagistas, sendo hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2 as comorbidades mais frequentes. A angioplastia com implante de stent foi o procedimento cirúrgico mais comum, enquanto o infarto agudo do miocárdio predominou entre os diagnósticos. Observou-se que os pacientes que utilizaram omeprazol e clopidogrel concomitantemente apresentaram maior taxa de óbitos. A polifarmácia foi frequente, destacando-se o uso de antiagregantes plaquetários e antilipêmicos. A prevalência do uso concomitante foi elevada e as principais complicações observadas incluíram infarto agudo do mio- cárdio, distúrbios hematológicos, trombose venosa profunda, acidente vascular encefálico isquêmico e tromboembolismo pulmonar. Como alternativa viável para minimizar a interação entre clopidogrel e omeprazol, recomenda-se a substituição do omeprazol por pantoprazol

    Piomiosite tropical associada a osteomielite em adolescente imunocompetente

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    A piomiosite tropical ou primaria é uma infecção bacteriana do tecido muscular esquelético que, embora mais comum em regiões tropicais, vem sendo reconhecida com maior frequência em países de clima temperado, inclusive entre indivíduos imunocompetentes. Entre os sintomas estão as dores musculares, febre e leucocitose. Acomete, principalmente, crianças e adolescentes, podendo evoluir com complicações graves se não diagnosticada e tratada precocemente. Relatar um caso de piomiosite primária com múltiplos abscessos musculares e osteomielite em adolescente imunocompetente, evoluindo de forma favorável após drenagem e antibioticoterapia. Adolescente masculino, 15 anos, previamente hígido, foi admitido com queixa de dor abdominal em hipogástrio e fossa ilíaca esquerda, acompanhada de febre. Estava em uso prévio de ciprofloxacino por suspeita de infecção urinária. Investigação inicial com tomografia computadorizada e ressonância magnética revelou múltiplas coleções líquidas com realce periférico e áreas centrais de necrose, compatíveis com abscessos, localizados nos músculos ílio-psoas bilateralmente (predomínio à esquerda), glúteo médio, região pré-sacral, além de osteomielite envolvendo os corpos vertebrais sacrais, asa sacral direita e osso ilíaco direito. Apresentava ainda comprometimento do reto e canal anal, além de envolvimento da gordura perirretal. Foi submetido a drenagem percutânea guiada por ultrassom com saída de material purulento enviado para análise laboratorial. Culturas do material colhido foram negativas. Foi submetido a abordagem cirúrgica para drenagem do abscesso com uma incisão em fossa ilíaca esquerda e lavagem vigorosa da região muscular anterior e seguida colocação de um dreno tubular para manter drenagem continua. Inicialmente recebeu esquema com meropenem e vancomicina, substituído por oxacilina, ceftriaxona e metronidazol, e posteriormente cefalexina e clavulin por via oral. Durante internação, apresentou episódio de rash cutâneo por provável reação a oxacilina. Os exames laboratoriais demonstraram elevação dos marcadores inflamatórios, discreta anemia e distúrbios de coagulação transitórios, com melhora progressiva. A função cardíaca foi avaliada por ecocardiograma transtorácico, sem achados sugestivos de endocardite. O paciente evoluiu afebril, normotenso, ativo no leito, com boa resposta à antibioticoterapia e melhora clínica progressiva. Após 35 dias de tratamento. Recebeu alta hospitalar com orientações, prescrição de antibióticos orais e encaminhamento para seguimento ambulatorial com infectologia e ortopedia. O caso ressalta a importância da suspeita clínica de piomiosite em adolescentes com febre, dor abdominal e lombalgia, mesmo em pacientes sem comorbidades conhecidas. A abordagem precoce com exames de imagem, drenagem e antibioticoterapia adequada foi decisiva para o bom desfecho clínico. Este relato reforça a necessidade de reconhecimento da piomiosite como diagnóstico diferencial relevante em adolescentes imunocompetentes

    Relato de caso de paciente com Hipomelanose de Ito:: um desafio diagnóstico com atraso neuropsicomotor e cardiopatia congênita

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    A Hipomelanose de Ito (HI) é uma desordem neuroectodérmica rara, com incidência estimada em 1 a cada 8.000 pacientes pediátricos. Resulta de mosaicismo genético, podendo causar alterações cutâneas, neurológicas, musculoesqueléticas, oftálmicas, orais, cardíacas, urológicas e genitais. As manifestações dermatológicas típicas incluem hipopigmentação em padrões lineares ou giratórios, associadas a complicações multissistêmicas, como pneumonias de repetição. Trata-se de um estudo descritivo, tipo relato de caso, baseado na observação clínica de uma paciente atendida em hospital público de Campos dos Goytacazes. Os dados foram obtidos por anamnese com a responsável legal, exame físico detalhado e análise de prontuário, com ênfase nas lesões cutâneas e manifestações sistêmicas. Paciente do sexo feminino, de 9 meses, parda escura, procedente de Campos dos Goytacazes, RJ, foi internada no Hospital Ferreira Machado com pneumonia bilateral. Ao exame físico, apresentava máculas hipocrômicas irregulares, assimétricas, em faixas lineares seguindo as linhas de Blaschko, distribuídas por membros, tronco e face. As lesões estavam presentes desde o nascimento. A avó paterna possuía lesões semelhantes e cardiopatia. Segundo a mãe, a criança já teve três episódios de pneumonia. No exame, constatou-se sopro sistólico 4+/6, taquidispneia, taquicardia (137 bpm) e ginecomastia discreta. O ecocardiograma revelou insuficiência mitral, comunicação interventricular perimembranosa, valvas atrioventriculares no mesmo plano, hiperfluxo pulmonar e dilatação das cavidades esquerdas, resultando em insuficiência cardíaca. Neurologicamente, observou-se atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, com dificuldade de fixação do olhar e coordenação motora fina. A criança aguarda cirurgia corretiva da comunicação interventricular pelo SUS, para redução da sobrecarga cardíaca. A HI é caracterizada por mosaicismo pigmentar, originando máculas hipopigmentadas ao longo das linhas de Blaschko. Se a mutação ocorrer precocemente, outras estruturas embrionárias podem ser afetadas, gerando manifestações neurológicas e cardíacas mais severas. Cerca de 30% dos pacientes com HI apresentam cardiopatias, ressaltando a importância da triagem precoce. O diagnóstico é clínico, baseado nos achados dermatológicos e nas manifestações, e o tratamento requer abordagem multidisciplinar — incluindo pediatria, dermatologia, neurologia, cardiologia e genética — com foco no controle das manifestações e suporte ao desenvolvimento. A HI, de apresentação variável e multissistêmica, exige reconhecimento precoce e intervenção oportuna. Nesse contexto, nota-se que lesões hipopigmentadas podem indicar síndromes genéticas, sendo essenciais a triagem adequada e o acompanhamento integral. Estudos genéticos futuros podem aprimorar o diagnóstico e o manejo

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