Portal de Publicações da Faculdade de Medicina de Campos
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Impactos psicossociais e riscos ambientais em catadores de recicláveis:: relato de caso
Os catadores de materiais recicláveis realizam um importante trabalho de utilidade pública, coletando, separando, recuperando e reciclando materiais sólidos. Porém, apesar de exercerem uma atividade essencial à sustentabilidade urbana, as condições de trabalho são marcadas por vulnerabilidades sociais, riscos ambientais e biológicos, além de sofrerem estigmas sociais que afetam a saúde mental. Esse trabalho objetiva descrever a situação de uma catadora de recicláveis atendida em unidade básica de saúde, evidenciando os múltiplos aspectos que comprometem sua saúde física e mental, além das desigualdades sociais que permeiam sua vivência. Paciente do sexo feminino, 60 anos, residente de bairro periférico. Vive sozinha, com rede de apoio composta por irmãos e um sobrinho. Apresenta escolaridade fundamental incompleta e atua como catadora de recicláveis há 12 anos, exercendo a atividade diariamente por cerca de oito horas, utilizando bicicleta para deslocamento e trabalhando sem qualquer tipo de orientação técnica ou uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Durante a coleta, a paciente percorre terrenos baldios e ruas, muitas vezes tendo contato direto com resíduos domésticos e materiais descartados de forma inadequada. Relata que nunca utilizou EPIs e que já sofreu diversos acidentes, como perfuração na região plantar por prego, além de cortes por cacos de vidro em mãos e pés. Veste roupas comuns e calça chinelos durante a atividade e não possui acesso a protetor solar. Mencionou que os materiais recicláveis são armazenados em sua residência. Do ponto de vista clínico, é diabética e hipertensa. Apresenta ainda diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, em acompanhamento após confirmação por história clínica, exame físico, radiografia e tomografia de tórax, evidenciando infiltrado pulmonar leve. É tabagista crônica, com consumo estimado de até dois maços de cigarros por dia. Apresenta histórico relevante de doenças infecciosas e parasitárias associadas ao contexto ambiental e laboral: pitiríase versicolor em região dorsal, tungíase, infecção por Helicobacter pylori, sífilis pregressa e infecção urinária atual por Escherichia coli. Em outro momento, referiu prurido com formação de bolhas e lesões em membros superiores anos atrás. Ao exame físico, observou-se presença de varizes, edema em membro inferior direito com aumento de circunferência, associado a prurido local. No campo psicossocial, a paciente tem o histórico de transtornos psiquiátricos. Relata agravamento recente do quadro ansioso, vinculados a situações de injustiça social e à precariedade financeira. Refere ainda episódios de discriminação relacionados à sua atividade laboral, o que impacta significativamente sua autoestima e saúde mental. Em suma, o caso apresentado demonstra a interação de múltiplos fatores sociais, ambientais, infecciosos e psicossociais que impactam na saúde da paciente. Evidenciando que a ausência de políticas públicas voltadas para a proteção e formalização da atividade de catadores agrava o ciclo de adoecimento e marginalização social. Dessa forma, reforça-se a urgência de ações em saúde coletiva que promovam a dignidade e proteção desses trabalhadores, assegurando a equidade social e o acesso aos seus direitos trabalhistas
Análise da Incidência de Sífilis em Mulheres em Situação de Rua em Campos dos Goytacazes de 2023 a 2025
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que segue em crescimento no Brasil, especialmente entre mulheres em situação de rua, devido à dificuldade de acesso à saúde e à vulnerabilidade social. Em Campos dos Goytacazes (RJ), essa realidade é evidente. Este estudo investiga a prevalência da sífilis nesse grupo, com base em dados do Centro Pop. Quantificar os casos de sífilis entre mulheres em vulnerabilidade social atendidas pelo Centro Pop entre 2023 e 2025, analisando a taxa de positividade e fornecendo dados para apoiar ações de prevenção e controle. Além disso, busca-se identificar padrões que contribuam para o planejamento de políticas públicas voltadas a populações vulneráveis. Trata-se de um estudo epidemiológico com análise de dados secundários de prontuários de mulheres atendidas pelo Centro Pop entre 2023 e o primeiro semestre de 2025. Foram considerados resultados de testes para ISTs, local e período do atendimento. A análise foi descritiva, com uso de gráficos e taxas de positividade para identificação de padrões. Os dados revelaram que, entre os testes realizados no período, a sífilis apresentou a maior taxa de positividade, com 4 casos positivos entre 19 testes (21%). Para o HIV, 2 dos 27 testes foram positivos (7%) e, na hepatite B, 1 caso positivo foi registrado entre 29 testes (3,4%). Os resultados mostram que, apesar da sífilis ter maior prevalência, o HIV e a hepatite B também estão presentes entre as mulheres atendidas. As maiores taxas foram observadas em áreas de maior vulnerabilidade social, o que pode estar associado ao acesso precário a serviços de saúde e à violência vivenciada por essas mulheres. O estudo evidencia a necessidade de intensificar ações de prevenção e controle das ISTs, com foco na sífilis, voltadas especialmente para mulheres em situação de rua. A alta incidência reforça a importância do diagnóstico precoce, do acesso facilitado ao tratamento e da criação de políticas públicas inclusivas. Os dados obtidos servem como base para estratégias mais eficazes de enfrentamento dessas infecções em populações socialmente marginalizadas
Projeto plantas medicinais:: Cissus verticillata - Potencial Terapêutico no Manejo do Diabetes Mellitus Tipo 2
O uso de plantas medicinais representa uma importante estratégia terapêutica, especialmente em regi- ões com acesso limitado a medicamentos convencionais. A espécie Cissus verticillata, popularmente conhecida como “insulina vegetal”, destaca-se na fitoterapia pelo seu potencial hipoglicemiante, sendo tradicionalmente utilizada no manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 e em complicações associadas. Catalogar e revisar as propriedades medicinais da Cissus verticillata, abordando seus aspectos botânicos, químicos e terapêuticos, com ênfase no tratamento do diabetes. Realizou-se uma extensa pesquisa sobre as características morfológicas da planta, identificando-se sua forma arbustiva e trepadeira com folhas simples ou trifoliadas, flores verde-amareladas e frutos tipo baga. As principais classes químicas identificadas incluem flavonoides, compostos fenólicos, esteróis, quinonas, aminoácidos, alcaloides e o estilbeno resveratrol. A forma tradicional de preparo mais frequente é o chá por decocção das folhas, com posologia usual de 8 gramas em 500 ml de água, administrado duas vezes ao dia. Foram também abordados os efeitos adversos e contraindicações, destacando-se riscos potenciais em gestantes devido à toxicidade observada em estudos pré-clínicos. Aspectos agronômicos como plantio e época ideal de colheita das folhas também foram identificados, recomendando-se a colheita no início das chuvas para maior concentração dos compostos bioativos. A experiência demonstrou que, embora utilizada pela medicina popular, a ausência e dificuldade de padronização e estudos clínicos robustos sobre segurança e eficácia representa um grande desafio. Observou-se que o uso indiscriminado pode potencializar efeitos adversos, principalmente em associação com medicamentos antidiabéticos convencionais. Em estudos com ratos, foi identificado efeito diabetogênico quando realizada a extração hidroalcoolica, levantando um ponto de cautela. A necessidade de maior conscientização sobre o uso seguro dessa planta é essencial para minimizar riscos e promover sua inserção segura na prática terapêutica. A Cissus verticillata possui significativo potencial terapêutico para o manejo do Diabetes Mellitus tipo 2, associado especialmente à presença de compostos bioativos como flavonoides e resveratrol. Em especial, em locais aonde o tratamento convencional à diabetes é dificultado. Contudo, a segurança de seu uso requer mais estudos clínicos detalhados. Recomenda-se fortemente que a utilização terapêutica da planta ocorra sob supervisão profissional, com ênfase em futuras pesquisas para estabelecer protocolos padronizados e seguros, garantindo seu uso racional e eficaz na fitoterapia
Síndrome de Williams:: relato de caso, medicina centrada na pessoa e prática baseada em evidências
A Síndrome de Williams é uma condição genética rara causada por microdeleção no cromossomo 7q11.23, com manifestações fenotípicas, cognitivas e comportamentais específicas. Este relato descreve o caso de um adolescente cujo diagnóstico foi inicialmente sugerido por sua mãe, profissional da área da saúde, diante da dificuldade encontrada por médicos para a definição diagnóstica. A hipótese foi acolhida por profissional médico, que solicitou o exame FISH, confirmando a deleção 7q11.23. Desde então, foi estabelecido um plano terapêutico estruturado em parceria com a família, guiado por diretrizes clínicas atualizadas, especialmente da plataforma UpToDate®. O paciente apresenta fenótipo facial típico, atraso no desenvolvimento global, sociabilidade acentuada, perfil cognitivo heterogêneo, além de sintomas compatíveis com TDAH. Avaliações neuropsicológicas e fonoaudiológicas documentam déficits em funções executivas, literalidade, rigidez cognitiva e sensorialidade auditiva alterada. O tratamento atual inclui atomoxetina e aripiprazol, com boa resposta clínica. Exames de imagem revelaram agenesia de corpo caloso e alterações visoespaciais; exames cardíacos, laboratoriais e auditivos são compatíveis com o espectro clínico da síndrome. Intervenções multiprofissionais em curso incluem psicopedagogia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e participação em atividades extracurriculares. O caso destaca a importância da escuta clínica ampliada, da participação ativa da família no processo diagnóstico e da adaptação das melhores evidências à realidade ambulatorial de cidades do interior. Embora em conformidade com a maior parte das recomendações para a síndrome, o caso ainda requer avaliação oftalmológica, mapeamento renal completo e investigação do sono. A experiência reitera o valor de um cuidado integral e personalizado, mesmo em cenários com recursos limitados, e propõe que o alinhamento entre ciência, prática clínica e saber familiar pode ampliar a efetividade terapêutica em condições genéticas raras
Sífilis gestacional e risco de transmissão vertical:: estudo epidemiológico de 2020 a 2024 em Campos dos Goytacazes- RJ
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode apresentar quadros clínicos variados e diferentes estágios (primário, secundário, latente e terciário). Quando contraída durante a gestação, em casos de detecção tardia ou abandono do seguimento pré-natal, eleva-se o risco de transmissão ao feto por via transplacentária. A sífilis gestacional e a sífilis congênita configuram um desafio à saúde pública Brasileira, evidenciando uma falha no seguimento obstétrico, seja pela não execução, ou detecção e tratamento adequado no período viável da gestação. Este projeto consiste na avaliação da prevalência dos casos de sífilis gestacional e de sífilis congênita na cidade de Campos dos Goytacazes no período de 2020 a 2024, a fim de estimar a probabilidade de transmissão vertical da infecção. Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, do tipo descritivo, com base em dados secundários obtidos no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Entre 2020 e 2024 foram notificados 903 casos de sífilis gestacional e 496 casos de sífilis congênita, com 83,3% das gestantes entre 20 e 39 anos. Na análise temporal de 2020-2022, ocorreu um aumento nos casos de sífilis gestacional, de 10 casos em 2020 para 322 em 2022, correspondente a um acréscimo de 3102% em dois anos. O início da pandemia de COVID-19 em 2020 possivelmente contribuiu para a subnotificação e queda na adesão ao acompanhamento pré-natal naquele período. Por outro lado, na investigação de 2023-2024, nota-se uma queda nos registros de sífilis congênita de 59,3%, o que implica em uma possível melhora nas ações de prevenção e controle da doença nas gestantes. A correlação anual entre os casos de sífilis gestacional e congênita permite inferir uma relação causal: o aumento do número de gestantes diagnosticadas reflete no crescimento dos casos congênitos, indicando maior risco de transmissão vertical. Dessa forma, apesar da disposição de exames e tratamento pelo SUS, a sífilis gestacional continua a refletir iniquidades em saúde. Contudo, em anos com maior prevenção os dados comparativos revelam que: observou a redução dos casos de sífilis congênita, logo, pressupõe-se que a adesão ao pré-natal e a Atenção em Saúde primária foram eficientes para reduzir a transmissão vertical, mas não a contaminação de gestantes. A testagem precoce, vínculo eficiente com o cuidado pré-natal e envolvimento dos parceiros das gestantes são boas estratégias para reduzir os efeitos desfavoráveis
Tumor de Wilms:: relato de caso
Wilms tumor is the most frequently occurring pediatric kidney tumor and it one of the most treatment-responsive tumors. The present study aims to report a case of Wilms tumor in a pediatric patient. A 4-year-old female child presented to the consultation with constipation and an abdominal mass on the right, which did not exceed the midline of the abdomen. The diagnosis was confirmed through ultrasound and computed tomography. Treatment includes surgery and chemotherapy, with the tumor being extremely chemosensitive. This report reiterates the importance of accurate and early diagnosis of Wilms Tumor, thus ensuring even better survival, given the advances already achieved in recent decades.O Tumor de Wilms é o tumor renal pediátrico mais frequente e um dos mais sensíveis ao tratamento. Este estudo tem como objetivo relatar um caso de Tumor de Wilms em um paciente pediátrico. Trata-se de uma criança de 4 anos, do sexo feminino, que compareceu à consulta apresentando constipação intestinal e uma massa abdominal à direita, sem ultrapassar a linha média do abdome. O diagnóstico foi confirmado por meio de ultrassonografia e tomografia computadorizada. O tratamento inclui cirurgia e quimioterapia, sendo o tumor altamente quimiossensível. Portanto, este relato reforça a relevância de um diagnóstico precoce e preciso, essencial para otimizar os resultados terapêuticos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes
Aplasia de medula associada à hemoglobinúria paroxística noturna em paciente jovem
Paroxysmal nocturnal hemoglobinuria (PNH) is a rare clonal disease that can present with hemolysis, thrombosis, and bone marrow failure, frequently associated with aplastic anemia (AA). This study aims to report the case of a young patient diagnosed with PNH who developed severe pancytopenia and AA. This is a case report study, conducted at the Álvaro Alvim Teaching Hospital, in Campos dos Goytacazes (RJ), in the year 2025. The diagnostic investigation included laboratory tests, bone marrow biopsy, and flow cytometry, which confirmed the presence of PNH clone and bone marrow aplasia. However, while the patient was waiting for transfer to a tertiary hospital unit for bone marrow transplantation, he presented with severe infectious and hemorrhagic complications, evolving to death. It is concluded that the overlap between PNH and AA represents a significant clinical challenge, requiring early diagnosis and specialized intervention to avoid unfavorable outcomes.A hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) é uma doença clonal rara que pode cursar com hemólise, trombose e falência medular, frequentemente associada à anemia aplástica (AA). Este estudo tem como objetivo relatar o caso de um paciente jovem com diagnóstico de HPN que evoluiu com pancitopenia grave e AA. Trata-se de um estudo do tipo relato de caso, realizado no Hospital Escola Álvaro Alvim, em Campos dos Goytacazes (RJ), no ano de 2025. A investigação diagnóstica incluiu exames laboratoriais, biópsia de medula óssea e citometria de fluxo, que confirmaram a presença de clone HPN e aplasia medular. No entanto, enquanto o paciente aguardava transferência para uma unidade hospitalar terciária para a realização de transplante de medula óssea, apresentou quadro infeccioso e hemorrágico grave, evoluindo para óbito. Conclui-se que a sobreposição entre HPN e AA representa um importante desafio clínico, exigindo diagnóstico precoce e intervenção especializada para evitar desfechos desfavoráveis
Impactos na qualidade de vida do paciente com acne:: avaliação através da aplicação do questionário DLQI (Dermatology Life Quality Index)
A acne é uma doença de caráter inflamatório caracterizada pela hiperqueratinização, aumento da produção de sebo nos folículos pilosos e colonização pela bactéria Cutibacterium acnes. Existem gatilhos que podem predispor o aparecimento da acne, tais como estresse, dieta, predisposição genética e distúrbios hormonais. Os tratamentos utilizados podem variar desde medicações tópicas, antibióticos orais até retinóides sistêmicos. Pacientes com acne podem ter comprometimento significativo da qualidade de vida e adquirirem ansiedade, depressão, fobia social e baixa autoestima, por isso recomenda-se a abordagem desse assunto nas consultas médicas destes indivíduos. O objetivo deste trabalho é analisar os impactos na qualidade de vida do paciente com acne através da aplicação do questionário DLQI, em português, Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia; determinar o quanto a pele do paciente foi afetada por causa da inflamação; identificar se houve algum tipo de constrangimento ou limitação; se a acne interferiu nas atividades diárias ou lazer; se impediu que o paciente fosse trabalhar ou estudar em algum momento da vida e identificar se houve impacto nas relações pessoais e sexuais. Esse é um estudo longitudinal prospectivo e os dados incluídos serão coletados de ambula- tórios de Dermatologia de um hospital filantrópico e de duas clínicas privadas da cidade de Campos dos Goytacazes. Será aplicado um questionário antes e um após três meses do tratamento da acne e os dados serão analisados a partir de gráficos do programa Excel. Com base na análise dos dados coletados de cinquenta pacientes ao longo do trabalho, é possível observar que um grande número de portadores de acne sofre algum tipo de impacto em sua qualidade de vida, com destaque para a segunda pergunta do questionário a qual aborda sobre o constrangimento, nela, vinte e sete pacientes obtiveram a pontuação máxima do questionário e isso expressa o extremo constrangimento devido a sua doença. Quarenta pacientes também relataram que a acne já os impediu de trabalhar ou estudar, destes, vinte e três alegaram que este é um problema importante. Também observou-se que a acne interferiu de forma negativa nas atividades diárias e na vida sexual. Após a aplicação do segundo questionário, após o tratamento, em todos os cinquenta, obteve-se resultado “zero”, isso demonstra que a melhora clínica da acne está associada a uma melhora substancial na qualidade de vida dos pacientes, refletindo-se em maior autoconfiança, melhor desempenho nas atividades diárias e maior integração social. Isto posto, a presente pesquisa, evidenciou que a acne exerce um impacto negativo significativo na qualidade de vida dos pacientes acometidos. Os resultados obtidos corroboram os dados da literatura atual, que apontam para os efeitos psicossociais dessa condição dermatológica, frequente- mente subestimados na prática clínica. A análise dos escores demonstrou que, além das manifestações cutâneas, a acne compromete aspectos emocionais, sociais e funcionais da vida dos indivíduos. Dessa forma, reforça-se a importância de uma abordagem terapêutica integral, que considere não apenas o tratamento clínico das lesões, mas também o suporte psicológico e emocional dos pacientes. Os achados deste estudo contribuem para o entendimento ampliado da acne como uma doença que afeta de maneira multidimensional a vida dos pacientes, destacando a necessidade de estratégias de cuidado mais abrangentes e humanizadas
Articulação entre escola e família na prevenção de doenças na infância:: abordagens lúdicas e escuta qualificada como estratégias em saúde
O bem-estar infantil está ligado ao aprendizado e desenvolvimento nos primeiros anos, evidenciando a importância de promover a saúde por meio de atividades lúdicas que estimulem autonomia e auto-cuidado. Campos dos Goytacazes, RJ, possui 126 creches municipais que atendem 8.789 crianças de até 5 anos, ocupando a segunda posição no estado em número de matrículas na educação infantil. O objetivo do presente trabalho é promover hábitos saudáveis e prevenção de doenças com crianças da educação infantil, suas famílias e equipe escolar, a partir da escuta ativa e participação comunitária, por meio de atividades lúdicas. Rodas de conversas foram realizadas em duas escolas, uma em território Quilombola e outra em área urbana, com os 43 responsáveis, 9 professores e 4 acadêmicas de medicina, possibilitando a identificação de temas prioritários: alimentação saudável, gripe, resfriado e pediculose. Com base nesses temas foram desenvolvidas atividades lúdicas, buscando fortalecer o vínculo família-escola, o aprendizado e estímulo para o cuidado e prevenção de doenças desde a infância. Entre os temas trabalhados com 62 crianças, seus responsáveis e equipe escolar, estão: higienização das mãos, gripe e resfriado (diferenças entre essas doenças e espirrar corretamente), alimentação saudável e pediculose. As atividades lúdicas incluíram brincadeira do espirro com dança, lavagem das mãos com glitter, jogo do dado para “conhecendo os sentidos” e teatro de fantoches com a peça “Alimentação saudável”. Foram ainda distribuídos folhetos para prevenção/tratamento da pediculose e um pente fino. A participação das crianças, equipe escolar e famílias demonstrou o potencial transformador do projeto, reforçando a importância da interdisciplinaridade e Educação em Saúde no ambiente escolar. A Educação em Saúde por meio de atividades lúdicas mostrou impacto positivo para promoção da saúde nos participantes. O desenvolvimento das ações em parceria com a família e a equipe escolar, desde a formulação dos temas até o engajamento nas brincadeiras, jogos e no encerramento com um lanche saudável possibilitou o fortalecimento dos vínculos entre escola, família, comunidade e as extensionistas. A ludicidade facilitou a compreensão dos conteúdos e estimulou autonomia, autoestima e senso de pertencimento nas crianças. A interdisciplinaridade entre estudantes da saúde e profissionais da educação enriqueceu o processo, unindo saberes acadêmicos e populares. Relatos familiares indicaram que os aprendizados foram levados para o lar, ampliando o alcance das ações. A experiência confirma a escola como espaço estratégico de cuidado, prevenção e transformação social. Destaca a importância de ações baseadas em escuta ativa, ludicidade e participação comunitária, voltadas às necessidades locais. A parceria entre universidade, escola e famílias foi fundamental para a consolidação e enriquecimento de saberes, com ênfase na promoção da saúde das crianças desde os primeiros anos. O projeto reforça a necessidade de ampliar e manter iniciativas interdisciplinares que coloquem cuidado, diálogo e inclusão no centro das políticas públicas de saúde e educação
Cobertura vacinal e casos de coqueluche na cidade de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro - Brasil
A coqueluche é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. No Brasil, a vacinação infantil inclui três doses da vacina pentavalente aos 2, 4 e 6 meses, reforço da DTP aos 15 meses e aos 4 anos, além da vacina dTpa para gestantes a partir da 20ª semana de gestação, a fim de prevenir a transmissão vertical ao recém-nascido. Esse esquema vacinal foi eficaz por anos, mas em 2023 houve aumento mundial de casos, possivelmente devido à redução na cobertura vacinal durante a pandemia de COVID-19, que afetou a imunização e o controle da doença. Este estudo, em andamento, analisou a relação entre cobertura vacinal e incidência de coqueluche em crianças até 1 ano de idade na cidade de Campos dos Goytacazes, no período de 2017 a 2024. Utilizou-se uma abordagem epidemiológica descritiva, retrospectiva, com dados do SINAN e do SI- -PNI, analisados via Google Sheets e testes estatísticos (Fisher e Pearson). Durante o período, foram notificados 27 casos, com 11 confirmados (40,74%), sendo 8 (72,72%) em crianças até 1 ano. Em 2024, houve o maior número de registros (9), com 6 casos em crianças até 1 ano, e 3 casos entre 5 e 10 anos. A maioria dos casos apresentava esquema vacinal completo, e o teste de Fisher não indicou associação estatística significativa entre vacinação e ocorrência de coqueluche (p=0,3473). A correlação entre cobertura vacinal e casos foi fraca e positiva (r=0,27). Apesar do aumento de casos em 2024 no Brasil e no Rio de Janeiro, a incidência em Campos dos Goytacazes permaneceu relativamente baixa, possivelmente devido à manutenção de altas coberturas vacinais — por exemplo, 96,87% das crianças receberam a pentavalente em 2018, enquanto o estado teve uma queda de 55% no mesmo período. A pandemia de COVID-19 também contribuiu para a redução da transmissão devido ao isolamento social, por outro lado, o relaxamento das medidas levou ao ressurgimento da doença. Os resultados preliminares indicam que fatores como subnotificação, registros incompletos, desigualdades socioeconômicas, acesso à saúde e possíveis falhas na conservação das vacinas podem influenciar esses achados. Além disso, há casos em crianças imunizadas, sugerindo falhas primárias ou secundárias na resposta vacinal, ou exposição precoce ao patógeno. Embora a maioria da população infantil estivesse com esquema vacinal completo, a presença de casos em crianças imunizadas pode indicar limitações na efetividade da vacina ou fatores individuais. Os dados reforçam a importância de manter altas coberturas vacinais, especialmente em gestantes, e de estratégias de busca ativa para crianças com esquemas incompletos. O aumento de casos em 2024 evidencia a necessidade de vigilância contínua e investigação de possíveis lacunas na imunização. Estudos mais robustos, como coortes prospectivas serão necessários para compreender melhor a dinâmica da doença no município e identificar fatores relacionados às falhas vacinais, sejam na resposta imunitária, na circulação do patógeno ou na operacionalização da vacinação