Portal de Publicações da Faculdade de Medicina de Campos
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Análise bibliométrica sobre o tema bronquiolite pediátrica na base Scopus
Bronchiolitis is one of the most common acute viral infections of the lower respiratory tract affecting children. It is responsible for the majority of respiratory hospitalizations worldwide. This study examines the bibliometric analysis of acute viral bronchiolitis to demonstrate the increase of research in this area in Brazil and worldwide. It also analyzes the evolution of publications on “Pediatrics Bronchiolitis” over the last few years and the changes in the approach to this pathology that may contribute to its diagnosis, clinical management, and treatment. To do so, this research uses bibliometric methods of performance analysis and mapping. Data was collected from the Scopus database in August 2023. The search was carried out with the expressions “bronchiolitis” and “pediatrics”. In this study, the search was for articles that included these terms in the title or keywords, limiting the search to articles published in periodicals. Bibliometric indicators were obtained, including the number of publications per year, country, institution, number of citations of articles by country, journals, authors who publish articles in their country and publications with collaborators from other countries. Network mapping was also performed using the co-citation method for authors and documents, co-authorship for countries, and co-occurrence for keywords and overlap network mapping using co-occurrence for keywords. Results: The United States is the country that has published the most on the subject, as well as its institutions and journals; American authors also contribute the most to publications from other countries. The increasing number of studies conducted in recent years shows the growing interest of the scientific community in one of the most frequent respiratory diseases in children under the age of 2. Conclusion: Bronchiolitis is still the leading cause of hospitalization in this age group, presenting secondary bacterial infection as a complication, as well as having a worse prognosis and greater severity in children who have some underlying pathology. Clinical manifestations were reported–among them, cough and fever were the most frequent–as was the therapy used, with clinical support and oxygen therapy still being the mainstay of treatment. Respiratory effort was the main cause of intervention measures, such as invasive ventilation and longer hospital stays. Between 2020 and 2021, a decrease in the number of cases was observed, probably because of the use of masks and social distancing during the peak of the COVID-19 pandemic.A bronquiolite é uma das infecções virais agudas do trato respiratório inferior que mais acometem crianças, sendo responsável por grande parte das hospitalizações por quadros respiratórios em todo o mundo. O objetivo deste estudo foi realizar uma análise bibliométrica sobre o tema bronquiolite pediátrica, no Brasil e no mundo. A pesquisa foi realizada na base Scopus, em agosto de 2023, por meio das expressões de busca: bronquiolite e pediatria. Foram obtidos indicadores bibliométricos relacionados ao número de publicações por ano, por país, por instituições, por número de citações de artigos por país, por periódicos, por autores que publicam artigos em seu país e por publicações com colaboradores de outros países. Realizou-se também o mapeamento de rede, utilizando o método de cocitação para autores e documentos, coautoria para países e coocorrência para palavras-chave, além do mapeamento de rede de sobreposição, com base na coocorrência de palavras-chave. Os Estados Unidos são o país que mais possui publicações sobre o tema, assim como as suas instituições e periódicos; os autores norte-americanos também estão entre os que mais contribuem com publicações em parceria com outros países. O número crescente de estudos ao longo dos últimos anos demonstra o aumento do interesse da comunidade científica por uma das doenças respiratórias mais frequentes em crianças menores de dois anos. A bronquiolite ainda é responsável por grande parte das internações nessa faixa etária e apresenta, como complicação, a infecção bacteriana secundária, além de estar associada a pior prognóstico e maior gravidade em crianças com alguma patologia de base. Foram constatadas manifestações clínicas, sendo a tosse e a febre as mais frequentes, assim como a terapêutica utilizada, tendo o suporte clínico e a oxigenoterapia como base do tratamento. O esforço respiratório foi o principal responsável pela adoção de medidas de intervenção, como ventilação invasiva e prolongamento do tempo de internação hospitalar. Entre os anos de 2020 e 2021, observou-se uma redução no número de casos, provavelmente em decorrência do uso de máscaras e do distanciamento social durante o pico da pandemia de COVID-19
Bactérias multirresistentes isoladas de casos de infecção em um hospital escola em 2024
A disseminação de bactérias multirresistentes representa um desafio crescente nos ambientes hospitalares, especialmente em unidades de terapia intensiva. A vigilância ativa desses microrganismos é crucial para orientar medidas de controle e tratamento. Avaliar o perfil de resistência antimicrobiana e sua relação com desfechos clínicos em pacientes internados no Hospital Escola Álvaro Alvim. Estudo retrospectivo com análise de 71 pacientes, incluindo 28 com resistência a mais de três classes de antibióticos. Foram examinadas amostras de clínicas, identificando padrões de resistência, perfil etário e mortalidade. Os antibióticos com maior resistência foram Ciprofloxacino (21), Gentamicina (20) e Piperacilina (18). A urina foi a principal fonte de isolamento (57 ocorrências), seguida por hemocultura (40) e aspirado traqueal (29). A média de idade foi de 67 anos para os 48 óbitos, com predomínio do sexo masculino. Casos com resistência a Meropenem e Vancomicina evidenciam infecções por agentes de difícil controle. O estudo evidencia a gravidade das infecções por bactérias multirresistentes e sua associação com alta mortalidade hospitalar, reforçando a importância de estratégias de prevenção e controle eficazes
Comunicações do plexo braquial e suas relações com a Síndrome do Desfiladeiro Torácico
The brachial plexus presents a complex anatomical organization of a tangle of nerves, with frequent variations that may have relevant clinical implications, such as the findings of Thoracic Outlet Syndrome (TOS). This study combined anatomical dissection and literature review to explore these variations and their similar implications in TOS. An upper limb of a male cadaver, preserved in a 10% formaldehyde solution, was dissected in the anatomy laboratory of the Campos Medical School. During dissection, nerve anastomoses were identified, such as the communication between the musculocutaneous and median nerves in the axillary region. These anatomical changes may predispose to neurovascular compressions. The study reinforces the importance of detailed knowledge of anatomical variations to improve diagnostic, anesthetic, and surgical interventions.O plexo braquial apresenta uma complexa organização anatômica, caracterizada por um emaranhado de nervos, com frequentes variações que podem ter implicações clínicas relevantes, como, por exemplo, nos achados da Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT). Este estudo combinou a dissecção anatômica e a revisão da literatura para explorar essas variações e suas implicações na SDT. Foi dissecado um membro superior de um cadáver masculino, conservado em solução de formol a 10%, no laboratório de anatomia da Faculdade de Medicina de Campos. Durante a dissecção, identificaram- se anastomoses nervosas, como a comunicação entre os nervos musculocutâneo e mediano na região axilar. Essas alterações anatômicas podem predispor a compressões neurovasculares. O estudo reforça a importância do conhecimento detalhado das variações anatômicas para o aprimoramento de intervenções diagnósticas, anestésicas e cirúrgicas
Relato de caso - Sarcoma de Ewing:: aspectos clínicos e histopatológicos
Ewing sarcoma is the second most common primary bone neoplasm in childhood, primarily affecting bones and soft tissues. The aim of this study is to report a typical case of this neoplasm, highlighting its clinical and pathological features. We present the case of a 9-year-old female patient with a history of chronic pain in the right lower limb, gradually progressing over more than 10 months. The patient was diagnosed with Ewing sarcoma and initiated chemotherapy, followed by a limb-sparing surgical procedure. At the end of the treatment protocol, she presented only postoperative changes. Follow-up was carried out regularly, and a recurrence was diagnosed one year and two months later. The patient was re-evaluated by the surgical team and underwent amputation of the right lower limb. She is currently undergoing adjuvant chemotherapy. This case illustrates the importance of early diagnosis and continuous follow-up in pediatric bone neoplasms.O sarcoma de Ewing é a segunda neoplasia óssea primária mais comum na infância, acometendo principalmente os ossos e as partes moles. O objetivo deste trabalho é relatar um caso típico dessa neoplasia, evidenciando suas características clínicas e patológicas. Trata-se do caso de uma paciente do sexo feminino, de 9 anos de idade, com histórico de dor crônica em membro inferior direito, com evolução gradual há mais de 10 meses. A paciente foi diagnosticada com sarcoma de Ewing e iniciou tratamento quimioterápico, seguido de cirurgia conservadora. Ao término do protocolo, apresentava apenas alterações decorrentes do status pós-cirúrgico. O acompanhamento ocorreu de forma regular, com diagnóstico de recidiva após um ano e dois meses. Foi reavaliada pela equipe cirúrgica e submetida à amputação do membro inferior direito. Atualmente, segue em tratamento quimioterápico adjuvante. O caso ilustra a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo em neoplasias ósseas pediátricas
Música e empatia como ferramentas de comunicação interpessoal:: relato de ação humanizada em espaço público
A comunicação interpessoal é um dos pilares da prática médica humanizada, especialmente nos contextos da Atenção Primária à Saúde (APS), onde o vínculo e o acolhimento se tornam essenciais. Este trabalho apresenta um relato de experiência vinculado ao projeto de extensão “Comunicação Interpessoal na Prática Médica: o papel da empatia em sala de espera”, com o objetivo de explorar estratégias empáticas no cuidado com o paciente. A atividade consistiu em uma ação social realizada em uma praça pública localizada próxima ao Centro de Saúde de Custodópolis (CSEC) envolvendo idosos entre 60 e 90 anos que são atendidos pela unidade. A dinâmica foi conduzida por estudantes de medicina e estruturada em torno de roda de conversa, violão e músicas populares escolhidas em diálogo com os funcionários e os participantes. Durante a intervenção, observou-se uma melhora significativa no humor, no engajamento e no bem-estar dos presentes em geral. Notou-se também, senti- mentos de acolhimento, pertencimento e alegria. Além disso, a música despertou memórias afetivas, favorecendo a escuta ativa, o vínculo e a construção de um ambiente de confiança. Um aspecto central desta experiência foi a constatação de que o ambiente — mesmo fora da estrutura física da UBS ou da sala de espera — pode ser um espaço promotor de saúde. A música, neste contexto, se mostrou com capacidade de ressignificar o ambiente, transformando-o em um local de cuidado, escuta e troca. A ação evidenciou o potencial terapêutico e comunicativo da música como ferramenta integradora no ato de cuidar, além de reforçar a importância de estratégias e ações simples e acessíveis na promoção da saúde mental e emocional. A vivência contribuiu ainda para a formação de estudantes mais sensíveis à aspectos pouco valorizados em relação ao adoecimento e à importância de enxergar cada espaço de convivência e atendimento, como oportunidade de promover saúde, melhora na comunicação, vínculo e empatia
Correção Cirúrgica de pectus excavatum pós-trauma torácico por atropelamento: : um relato de caso
O Pectus Excavatum (PE), também conhecido como tórax infundibuliforme, é caracterizado por uma depressão na parte inferior do esterno e região epigástrica. A incidência de PE varia de 0,58% a 3% dos nascidos vivos, com história familiar presente em 23% a 41% dos casos, com predominância do sexo masculino, apresentando proporção variável de 4:1 a 9:1. Além de ser predominantemente de natureza congênita, pode também ser associada a síndromes cromossômicas, como a síndrome de Turner, ou traumas. Esta deformidade limita o espaço intratorácico, podendo deslocar o coração de sua posição natural e, consequentemente, alterar a função normal do sistema respiratório e do sistema cardiovascular. Relatar os achados clínicos e radiológicos do paciente antes e após o procedimento cirúrgico para correção do PE pós trauma torácico; demonstrar a eficácia da cirurgia na correção da deformidade, evidenciada pela melhora dos parâmetros anatômicos e funcionais após a intervenção. Paciente do sexo masculino, 26 anos, com história de atropelamento aos 6 anos de idade, que resultou em deformidade torácica depressiva no hemitórax esquerdo, de caráter progressivo. Ao longo dos anos, a deformidade foi se acentuando, levando não apenas a comprometimento estético, mas também a alterações na dinâmica torácica e na posição dos órgãos intratorácicos. No período pré-operatório, foram identificados deslocamento do coração para a esquerda e prolapso da válvula mitral, alterações atribuídas à compressão torácica assimétrica e à diminuição do espaço intratorácico decorrente da deformidade. Aos 22 anos, o paciente foi submetido a procedimento cirúrgico para correção da deformidade, no qual foi implantada uma barra metálica com trajeto retroesternal. Essa barra foi fixada na margem anterior do 5º arco costal direito e na margem anterior do 4º arco costal esquerdo. A cirurgia ocorreu sem intercorrências. O objetivo do procedimento foi a correção das curvaturas das costelas e do osso esterno, além do reimplante das cartilagens costais e do reposicionamento dos músculos peitorais, visando restaurar a simetria do tórax e aumentar o volume intratorácico. Após a intervenção cirúrgica, observou-se significativa melhora no contorno torácico, com reposicionamento mais central do coração e melhor distribuição do volume torácico, além de benefícios estéticos e funcionais. O presente relato de caso descreve um PE adquirido, secundário a trauma torácico por atropelamento, condição rara em comparação aos casos congênitos mais frequentemente observados na prática clínica. A sintomatologia apresentou progressão ao longo do tempo, uma vez que a intervenção cirúrgica foi realizada 16 anos após o evento traumático, período em que a deformidade torácica se agravou, levando a repercussões funcionais, incluindo comprometimento cardiovascular. Esse relato é de grande relevância para os profissionais da área da saúde, pois além de documentar uma manifestação pouco comum da PE, também detalha um método cirúrgico específico, com utilização de barra metálica entre os arcos costais, visando a correção da deformidade torácica adquirida. A escassez de publicações sobre essa técnica, especialmente em deformidades adquiridas por trauma, reforça a importância deste estudo para ampliar o conhecimento e as opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da PE
Reações de cardiotoxicidade induzidas por quimioterápicos identificadas durante reconciliação medicamentosa em um Hospital Escola de Alta Complexidade
A quimioterapia é um dos pilares do tratamento do câncer, mas seu uso está frequentemente associado a reações adversas a medicamentos (RAM), entre elas a cardiotoxicidade, que pode comprometer significativamente a função cardíaca, a qualidade de vida e o prognóstico dos pacientes. A cardiotoxicidade pode se manifestar como disfunções leves, arritmias, insuficiência cardíaca ou até morte súbita. Este trabalho tem como objetivo principal identificar os principais quimioterápicos que causam reações de cardiotoxicidade e delimitar a prevalência, o perfil dos pacientes e das doenças mais relacionadas em um hospital escola de alta complexidade. Foram incluídos pacientes com diagnósticos oncológicos confirmados na clínica médica e oncológica e que estavam em uso de tratamento quimioterápico, e excluídos pacientes que ainda estavam em investigação ou com diagnóstico confirmado e fazendo outro tipo terapia. A hipótese central é descobrir quais os quimioterápicos provocam mais dano ao musculo cardíaco, qual perfil de paciente e doenças prévias que estão relacionados a maior exposição a cardiotoxicidade advinda do tratamento preconizado. A metodologia consiste em um estudo observacional transversal, com coleta de dados baseada na reconciliação medicamentosa realizada durante as internações na clínica oncológica de um hospital de alta complexidade. Serão coletadas informações demográficas, clínicas e terapêuticas dos pacientes internados, com especial atenção aos relatos de RAM, uso de quimioterápicos, e histórico de doença cardiovascular. A análise será feita por estatística descritiva, com apoio do Microsoft Excel®, e os dados éticos seguirão as diretrizes do comitê de ética. Foram coletados e analisados, até agora, dados de 48 pacientes que detinham tratamento vigente e estavam internados para realizá-lo. A amostra foi composta por 48 pacientes, sendo 20 do sexo masculino (41,7%) e 28 do feminino (58,3%), com média de idade de 59,6 anos. Do total, 39,6% apresentavam histórico pessoal de doença cardíaca (DC), enquanto 62,5% possuíam história familiar de DC. Os efeitos cardíacos mais frequentes foram dispneia (16,7%), edema de membros inferiores (12,5%), palpitações (10,4%), hipertensão arterial sistêmica prévia ou agravada (10,4%) e taquicardia (8,3%). Quanto aos tipos de neoplasia, destacaram-se: mama (25%), próstata (14,6%), colo de útero (12,5%), cólon (5%) e linfoma não Hodgkin (8,3%). Para avaliar a associação entre quimioterápicos e efeitos cardíacos, aplicou-se o teste Qui-Quadrado aos cinco fármacos mais prevalentes: Capecitabina, Carboplatina, Paclitaxel, Cisplatina e Leuprorrelina. O resultado (X²=8.42; p=0.13) não evidenciou associação significativa (p>0.05). Adicionalmente, os quimioterápicos com maior risco relativo - Paclitaxel (OR=3.75; IC95% 0,63-22,4; p=0.18), Carboplatina (OR=2.50; IC95% 0,51-12.3; p=0.25) e Doxorrubicina (OR=2.40; IC95% 0,19-30,1; p=0.57) - não apresentaram significância estatística isoladamente. Acredita-se que os resultados deste estudo poderão subsidiar intervenções mais seguras e personalizadas na prescrição de quimioterápicos, contribuindo para o aprimoramento da farmacovigilância hospitalar e redução da morbimortalidade por efeitos adversos
Implementação do serviço de Conciliação Medicamentosa em um Hospital Escola de Alta Complexidade
A segurança do paciente tem como objetivos a redução de riscos, prevenção de eventos adversos e a promoção de um ambiente de cuidado seguro e eficaz. Neste contexto, a Conciliação Medicamentosa (CM) desponta como estratégia essencial nesse cenário, permitindo a comparação estruturada entre medicamentos previamente utilizados pelo paciente e as prescrições atuais, a fim de prevenir discrepâncias e reduzir danos. O presente relato descreve a experiência vivenciada por estudantes da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) no âmbito de um projeto de extensão desenvolvido no Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA), com o objetivo de aplicar de forma prática os princípios da conciliação medicamentosa, além de analisar seus benefícios na formação acadêmica e na assistência hospitalar. O projeto consistiu em visitas sistemáticas aos pacientes internados, abrangendo desde o momento da admissão até a alta hospitalar ou o óbito, com coleta minuciosa de dados sobre medicamentos em uso, revisão das prescrições médicas e registro de intercorrências. Essa atuação proativa possibilitou a identificação de erros de prescrição, falhas na administração de medicamentos e interações medicamentosas potencialmente perigosas, muitas delas com repercussões clínicas observáveis. As informações colhidas eram sistematicamente repassadas à equipe multiprofissional, contribuindo para decisões clínicas mais seguras e personalizadas. A vivência diária no hospital permitiu não apenas a consolidação de conhecimentos sobre o uso de medicamentos e materiais hospitalares, mas também o desenvolvimento de habilidades como comunicação interpessoal, raciocínio clínico, observação crítica e trabalho em equipe. Além disso, o envolvimento dos discentes reforçou a importância da farmacovigilância e da humanização no cuidado ao paciente. Os dados registrados durante a execução do projeto forneceram subsídios para melhorias nos fluxos internos do hospital e sensibilizaram a equipe assistencial para a relevância da revisão terapêutica contínua. A experiência no projeto de CM foi extremamente enriquecedora do ponto de vista acadêmico e profissional, ao proporcionar contato direto com situações reais de risco medicamentoso, permitindo aos estudantes atuarem de maneira ativa na promoção da segurança do paciente e na qualificação do cuidado prestado
Síndrome de Apert:: relato de caso e revisão da literatura
A Síndrome de Apert é uma condição genética rara, caracterizada por craniossinostose precoce, sindactilia complexa e malformações viscerais e neurológicas. Resulta de mutações no gene FGFR2, com padrão de herança autossômico dominante. A apresentação clínica é variável e frequentemente associada a comprometimento neuropsicomotor. A confirmação genética é fundamental para diagnóstico preciso, prognóstico e definição terapêutica, que deve ser conduzida por equipe multidisciplinar. O acompanhamento ao longo do crescimento é essencial devido à possibilidade de complicações estruturais e funcionais. Relata-se o caso de uma adolescente com diagnóstico genético confirmado de Síndrome de Apert, abordando sua evolução clínica, intervenções cirúrgicas, manifestações neurológicas e o impacto funcional ao longo do tempo, com discussão contextualizada frente à literatura médica atual. Paciente do sexo feminino, nascida a termo e sem intercorrências perinatais relevantes, apresentou desde o nascimento sinais sugestivos da síndrome, como braquicefalia, dismorfismos faciais marcantes e fusão digital completa em mãos e pés. Após suspeita clínica precoce, realizou ressonância magnética que evidenciou braquicefalia acentuada e alterações cerebrais: agenesia quase total do corpo caloso, má rotação dos hipocampos e dismorfismo do III ventrículo. Evoluiu com atraso global do desenvolvimento e déficits cognitivos. Teste genético identificou a mutação c.755C>G (p.Ser252Trp) no gene FGFR2, confirmando o diagnóstico. Entre os dois e três anos de idade, foi submetida à primeira cirurgia craniana corretiva. Na fase pré-escolar, iniciou reabilitação multiprofissional. Ao longo da infância, foi submetida a diversas cirurgias ortopédicas para separação de sindactilias e correções estruturais nos membros. Avaliações radiográficas demonstraram coxa valga bilateral, subluxação femoral, diástase púbica e agenesia de falanges, além de escoliose discreta. Apresenta hipermetropia, astigmatismo e estrabismo leve. Os exames auditivos indicaram limiares funcionais, com alteração neurossensorial unilateral. Exames de EEG seriados não revelaram atividade epiléptica e a paciente nunca apresentou crises convulsivas. A polissonografia não indicou apneia obstrutiva. Atualmente, aos 12 anos, está inserida em programa de reabilitação motora, estimulação cognitiva e apoio escolar especializado. Apresenta limitações funcionais, porém com progressos na adaptação às atividades escolares e sociais. O caso descrito representa um quadro clássico e completo de Síndrome de Apert, com envolvimento craniofacial, esquelético, neurológico e sensorial. A confirmação genética e o acompanhamento sistemático permitiram a elaboração de um plano terapêutico longitudinal e centrado no paciente. A evolução reforça a importância de uma abordagem integrada, com participação de múltiplas especialidades e suporte familiar contínuo. O manejo precoce e estruturado, mesmo em contextos de recursos limitados, pode favorecer ganhos funcionais e melhor qualidade de vida
Prolongamento de intervalo QT identificado durante serviço de conciliação medicamentosa
A conciliação medicamentosa é um processo sistemático e essencial que visa garantir a continuidade e a segurança do tratamento farmacológico do paciente durante transições no cuidado, como admissões hospitalares, transferências entre setores ou alta médica. Esse procedimento consiste na comparação entre os medicamentos que o paciente fazia uso anteriormente e aqueles prescritos em cada etapa do atendimento com o objetivo de identificar e corrigir discrepâncias, omissões, duplicidades e evitar eventos adversos e interações entre os medicamentos prescritos. Nesse contexto, o objetivo é descrever um caso de identificação de interação medicamentosa durante atividade no Hospital Escola Álvaro Alvim. O registro do caso foi submetido e aprovado pelo comitê de ética da Faculdade de Medicina de Campos. Mulher, 76 anos, diagnosticada com mieloma múltiplo, portadora de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, doença renal crônica com injúria renal aguda sobreposta, hipertensão arterial sistêmica, anemia crônica, fibrilação atrial permanente, hipotireoidismo, admitida por prostração, dor abdominal e desconforto respiratório. Durante a internação, dentre os vários medicamentos prescritos, foi identificada interação grave (de acordo com o Up to Date) entre os fármacos amiodarona, domperidona e quetiapina. A justificativa para a sugestão de se evitar a combinação dos fármacos reside no fato da literatura científica destacar significativo risco de prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma (ECG). Na ausência do referido exame no prontuário da paciente, foi sugerida realização do ECG que confirmou alteração compatível com a descrição da literatura, com intervalo QT corrigido maior que 500ms. A partir do laudo, a domperidona foi suspensa da prescrição no dia seguinte, a quetiapina teve dose ajustada nos dias subsequentes e a paciente recebeu alta com ajuste da prescrição e orientação adequada, mantendo apenas o uso da amiodarona. Neste caso, o elevado risco de torsades de pointes, uma arritmia ventricular grave cujo prejuízo tende a ser mais severo que o benefício da estratégia farmacoterapêutica adotada, conduziu ao ajuste da terapia medicamentosa. O uso racional dos medicamentos é uma prática que deve ser promovida antes, durante e após a internação hospitalar e o serviço de conciliação medicamentosa contribui para uma análise pormenorizada da prescrição, mitigando interações medicamentosas que, quando observadas no paciente, podem ser decisivas para o seu prognóstico