Portal de Publicações da Faculdade de Medicina de Campos
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Diagnóstico de três pacientes com Síndrome de Morquio IV-A em centro de referência em genética no Norte Fluminense
Introdução: dentre as doenças de depósito lisossomal (DLS) que ocorrem por mutações hereditárias autossômicas recessivas, as mucopolissacaridoses (MPS) podem ser classificadas em sete distúrbios de acumulo de glicosaminoglicanos. A síndrome de Morquio A (MPS IV-A), ocorre por atividade aberrante da enzima Nacetilgalactosamina 6-sulfatase, codificada pelo gene GALNS modificado com incidência de 1 entre 76.000 a 640.000 nascidos vivos. Os portadores da MPS IV-A apresentam displasias esqueléticas, face grosseira, baixa estatura, dores articulares e patologias cardiorrespiratórias, sendo que a terapia de reposição enzimática (TRE) com alfaelosulfase semanalmente é o protocolo aprovado. Embora não interrompa a evolução da doença, ocorre melhora na qualidade de vida dos portadores. Objetivo: promover triagem retrospectiva de MPS diagnosticadas no serviço de genética emum centro de referência no Norte Fluminense, no período de 2006 a 2022. Descrições:após aplicação metodológica escolhida, foram filtrados três pacientes em um total de3.500 pacientes com sinais e sintomas clássicos de MPS e diagnóstico confirmadopor exames bioquímicos de MPS IV-A. Primeiro relato: paciente masculino, 20 anos.Chegou ao serviço de genética aos 4 anos e 7 meses de idade no ano de 2006,portando exames com alterações compatíveis com MPS IV-A. Na revisão neonatal,foi relatado pela mãe do paciente internação prévia na unidade de terapia intensivapor comunicação interventricular com resolução espontânea. O exame quantitativodos metabólitos de glicosaminoglicanos (GAG’s) na urina demonstra elevação naconcentração com 171 mg GAG/mmol creatinina para a referência de 4-6 anos (<9,2mg GAG/mmol creatinina). O sequenciamento do gene GALNS (16q24.3) reveloumutação missense no éxon 11. Ao exame físico, apresentava baixa estatura (100 cm),abdome globoso, encurtamento de membros, voz fina, macrocefalia (54 cm deperímetro cefálico), encurtamento de pescoço e membros superiores em antebraço,pés e mãos em valgo, flush de esclera, tórax encurtado, discreto afastamento dentárioe déficit auditivo. Além disso, relatou artralgia intensa em joelho e quadril, apresentando limitação de marcha e dispneia. O desenvolvimento cognitivo mostrouse preservado. Após oito anos da primeira consulta, o paciente retornou com artralgia crônica, cansaço físico durante a anamnese e dois episódios de dor precordial. Aos 11 anos e 8 meses, o exame quantitativo dos GAG’s urinários manteve elevação com 8,34 mg GAG/mmol creatinina (<6,7 mgGAG/mmol creatinina, entre 10-15 anos). Entretanto, o tratamento com alfaelosulfase não foi realizado por perda de seguimento. Segundo relato: paciente feminina, 27 anos e 9 meses. Procurou o serviço de genética em 2013 aos 18 anos com diagnóstico prévio de MPS IV-A. Ao exame físico: baixa estatura (100 cm), pescoço encurtado, ponte nasal aumentada,dentes espaçados, tórax encurtado, pectus protuso, encurtamento dos membrossuperiores com proeminência bilateral dos antebraços, mãos displásicas com clinodactilia do quinto dedo, quadril e membros inferiores encurtados bilateralmente, pés displásicos com tortuosidade de dedos bilateralmente e voz anasalada com respiração forçada, mesmo em repouso. Por motivos burocráticos, a paciente interrompeu TRE e demonstrou piora significativa da clínica. Dois anos após, retornou com tosse e secreção purulenta, artralgia intensa em punhos, mãos, quadril e dorso. Após realização de radiografia torácica, tratou com amoxicilina por apresentar infiltrado pulmonar em hemitórax direito. Desde o início do tratamento a paciente interrompeu e reiniciou o tratamento em intervalos irregulares. Em 2019 retornou para consulta com o protocolo em pausa e as queixas pregressas mantidas. A paciente segue na terapia referida sem mudanças estatísticas em parâmetros antropométricos. Terceiro relato: paciente feminina, 9 anos e 10 meses. A primeira consulta ocorreu no ano de 2013 aos 5 meses de idade. Ao exame físico: mão em tridente, facediscretamente grosseira, abdome globoso e hérnia umbilical. A hipótese diagnósticade MPS foi direcionada pelo aumento dos índices de GAG’s urinários, pois os examesde dosagem de cariótipo G, quitotriosidase, e teste expandido do pezinho paraestabelecer os diagnósticos diferenciais para as doenças de Prune – Belly e Gaucherforam não reagentes. Por esse motivo, a contraprova da elevação de GAG’s foisolicitada para dar início ao protocolo de reposição enzimática, em que o laudoretornou elevado, confirmando o achado. Em 2014, aos 9 meses de idade, iniciou otratamento com alfaelosulfase após confirmação de MPS IV-A. Após dois anos, aavaliação antropométrica apresentava baixa estatura, discreto ganho de peso, displasia esquelética importante, aumento da ponte nasal, piora da face grosseria e pectus protruso, escoliose do tipo GIBA, braquidactilia, voz anasalada, roncos, dificuldades para dormir e espessamento discreto do primeiro quirodáctilo. A mãe da paciente relatava melhora nas complicações respiratórias, com alívio do cansaço e diminuições dos roncos, porém observava-se o início das displasias esqueléticas. Em 2016, aumentou-se a dose do tratamento, sendo que, por intercorrências no agendamento da reposição enzimática, ficou aproximadamente quarenta e oito semanas sem TRE e desenvolveu um quadro de infecção respiratória evoluindo para unidade de terapia intensiva (UTI) com recidivas esporádicas nos dois anos seguintes. A paciente seguiu com consultas de acompanhamento e em sua avaliação física no ano de 2020, apresentava discreto crescimento em estatura (104 cm) e, noano seguinte, 107 cm. Até o dia de hoje mantem o uso de TRE. Conclusão: os pacientes encontrados pela triagem demonstraram clínicas semelhantes e compatíveis com os dados literários sobre os indivíduos já diagnosticados com a Síndrome de Morquio IV-A. Pode-se observar que a paciente do índice três, a qual iniciou a terapia de forma mais precoce, teve relativo crescimento em altura, comparada aos outros pacientes encontrados. Vale ressaltar que, ao interromper a terapia, os pacientes dois e três desenvolveram infecções respiratórias, demonstrando a necessidade de se manter a TRE para prevenção e estabilização dos quadros respiratórios. Os casos relatados são poucos para definir prevalência da síndrome no município, no entanto, apontam a suma importância do trabalho de rastreio, diagnóstico precoce das doenças genéticas e implementação do tratamento que é promovido pelo serviço de genética. A triagem dos casos auxiliou na análise da evolução dos sintomas e da qualidade de vida dos pacientes após TRE.
Educação em Saúde para prevenção da COVID-19: divulgando ciência usando mídias sociais
No período da e pós-pandemia pela COVID-19, as redes sociais se tornaram cada vez mais um ambiente de caráter informativo e educacional. Por ser uma plataforma de fácil acesso e que abrange um grande público, a divulgação nas mídias de informações com base científica e confiáveis se faz extremamente necessária e deve ser incentivada para que a população possa adquirir conhecimento e seja capaz de formular um pensamento crítico sobre tais assuntos. Os infográficos, nesse sentido, têm sido uma promissora ferramenta de ensino utilizada para promoção da educação em saúde nas plataformas sociais, sendo utilizado como um popular recurso digital para disseminar informações de modo eficiente, objetivo e com credibilidade. Os infográficos se apresentam como uma publicação de fácil compreensão, com resumos bem didáticos e referências confiáveis, ajudando a combater a desinformação, promovendo melhor alfabetização em saúde do público-alvo. No entanto, o acesso volumoso de informações na internet não capacita os usuários a identificar a veracidade do que leem. Em geral, a aquisição da notícia se limita à visualização de uma única publicação, aos primeiros resultados da busca, sem preocupação em identificar a fonte e então seguem para outros assuntos, muitas vezes, sem nem recordarem onde consumiram tal informação. Muitas agências de saúde, como a própria OMS, encontram-se mais ativas nas redes sociais e, por conseguinte, a população está se acostumando a recorrer a essas mídias para adquirir conhecimento. A internet, portanto, também é um ambiente perigoso pois, por entre as notícias verídicas, muitas fake news também são disseminadas e acabam não sendo reconhecidas pelos leitores. Mediante essa situação, movimentos contra a ciência, como o discurso antivacina, encontraram no meio digital força para disseminar ideias baseadas em suposições com males não documentados causados pelas vacinas e minimização da gravidade da infecção pela COVID-19. Diante desse cenário, o principal objetivo do presente trabalho é promover a Educação em Saúde por meio de estratégias de divulgação científica sobre autocuidado e prevenção para COVID-19 no Instagram e Facebook. A metodologia utilizada foi: i) levantamento bibliográfico em bases de dados com os descritores COVID-19, coronavírus, prevenção, tratamento, sintomas, mídias sociais, divulgação científica e educação em saúde em português e inglês; ii) criação de um perfil no Instagram e Facebook para o projeto: fmcsaude_arte. iii) elaboração de posts e stories com base em pesquisas e evidências científicas e; iv) disponibilização semanal desses materiais de dez. 2021 a ago. 2022, totalizando 97 publicações e 153 stories no período. O alcance de contas é de 2300, com 132 seguidores, 704 não seguidores, visitas ao perfil 856, 651 curtidas e 1257 interações. Observa-se que os seguidores se concentram em Campos dos Goytacazes, RJ (76%), são do gênero feminino (73%), na faixa de 25 a 44 anos (60%). A Educação em Saúde com uso de estratégias que viabilizam a comunicação pública da ciência, tais como as mídias sociais são um caminho possível para divulgação de informação confiável e segura para a população. Os resultados obtidos apontam a necessidade de se pensar novas medidas para ampliação de contas e seguidores, além de estratégias para avaliação da interação que vem sendo realizada com o material disponibilizado
Prevalência de uso e perfil dos estudantes universitários que consomem metilfenidato em uma instituição de ensino superior
O metilfenidato vem sendo utilizado com a finalidade de melhorar o rendimento nos estudos. O objetivo deste trabalho foi avaliar a prevalência de uso e o perfil dos estudantes que consomem metilfenidato em uma instituição de ensino superior. Trata-se de um estudo observacional transversal, realizado na Faculdade de Medicina de Campos- FMC, com questionário online aplicado aos alunos dos cursos de graduação em farmácia e medicina. Os dados foram avaliados e apresentados em gráficos e tabelas, considerando as variáveis significativas, sendo que 368 atenderam ao critério de inclusão da pesquisa. A prevalência de uso foi de 29,3%, com o seguinte perfil: faixa etária prevalente 23 a 25 anos (35,2%), sexo feminino (62%), curso medicina (69,4%), período 7º (14,8%), a maioria se sente pressionado a ter um bom desempenho para ter reconhecimento social (89,8%), 79,6% declararam que o período de avaliações é período de uso, 80,6% que motivo é para melhorar o rendimento dos estudos. Quanto a forma de aquisição: 65,7% sem prescrição médica, 46,3% obtido com amigo/conhecido. Sobre conhecimento do medicamento: 94,4% sabem que se trata de um medicamento de controle especial e 99,1% conhecem suas indicações clinicas. Em relação aos efeitos adversos: 75,9% não apresentaram reação adversa durante o uso, sendo que os que relataram, em sua maioria, foi taquicardia/agitação. A prevalência de uso do cloridrato de metilfenidato em cerca de um terço dos estudantes universitários como forma de obter melhora no rendimento dos estudos no curso superior é relevante dentro de uma perspectiva de saúde pública. O perfil avaliado desses usuários revela serem estudantes que se importam com o reconhecimento social, portanto buscam o medicamento como forma de solução para um melhor desempenho, fazendo uso, principalmente, nos períodos de avaliações, sem prescrição médica e obtidos com amigos, algumas vezes em sites. Mesmo com poucos relatos da presença de reações adversas, como taquicardia/agitação durante o uso do cloridrato de metilfenidato, o número revelado na pesquisa deve ser considerado, mostrando uma necessidade de orientação aos futuros profissionais de saúde, de forma a conscientiza-los sobre os riscos da utilização indiscriminada do medicamento. Sugere-se a criação de medidas preventivas em relação ao uso abusivo, o oferecimento de apoio psicológico para os estudantes que já utilizam o medicamento sem prescrição médica, além de campanhas de conscientização para os estudantes de medicina e farmácia, abordando a responsabilidade de uma prescrição e uma dispensação correta, adequada que seja baseada na ética de ambas as profissões
Os aspectos que corroboram para o aumento do número de casos de doenças cardiovasculares na atenção primária em Campos dos Goytacazes
Introdução: Na perspectiva das doenças cardiovasculares (DCV) um cuidado de qualidade exercido pela atenção primária visa não só a prescrição de medicamentos, mas também a melhoria da qualidade de vida do paciente, a fim de evitar o desenvolvimento dos fatores de risco. A doença crônica mais evidenciada atualmente em idosos é a hipertensão arterial, que pode causar insuficiência cardíaca, insuficiência renal e doença vascular de extremidades. Vale ressaltar a importância de investigar e da busca da prevenção das DCV, já que elas formam o grupo de doenças crônicas mais frequentes e acarretam o desenvolvimento de outras doenças. Objetivos: Analisar a ocorrência de doenças cardiovasculares entre os pacientes atendidos na Unidade Básica de Saúde Custodópolis e a ação da unidade em relação a esse cenário. Métodos: Esse estudo possui uma amostragem de 100 pacientes, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos e a inclusão neste projeto foi voluntária por meio de assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados e discussão: Diante a aplicação dos formulários 44,6% dos entrevistados possuem doenças cardiovasculares e dentre eles 67,3% não descobriram tais doenças precocemente. Cerca de 46,5% dos participantes possuem mais de 60 anos e 42,6% entre 30 e 60 anos, estando de acordo com a literatura. Ademais, 52,5% possuem diagnóstico de Diabetes Mellitus (DM), 58,4% de Hipertensão Arterial (HA) e 45,5% de Dislipidemia, o que vai de encontro com as estatísticas já existentes. De acordo com os pacientes que possuem comorbidades, 67,3% relataram usar a medicação regularmente para controle e tratamento delas. Ressalta-se que 25,7% relataram ingerir bebida alcoólica e 14,9% são tabagistas. 46,5% apresentaram ter uma alimentação não balanceada. Entretanto, 75,2% disseram ir ao médico regularmente, evidenciando a ação da Unidade Básica de Saúde de Custodópolis. Conforme estudos pré-existentes, os fatores de risco em relação a DCV são tabagismo, dislipidemia, hipertensão arterial, diabetes mellitus, sedentarismo, uma dieta pobre em vegetais e frutas, uso de álcool, idade acima de 45 anos para homens e 55 anos para mulheres, entre outros. Dentre esses fatores de risco, o sedentarismo costuma ser o mais prevalente nos pacientes acometidos pelas DCV e isso vai de encontro ao resultado obtido nos formulários, onde 64,4% relataram não praticar atividade física. Além disso, a maior parte dos participantes da pesquisa possuem HA e DM já diagnosticados, indo de encontro aos estudos que abordam a relação entre essas patologias e as doenças cardiovasculares. Por fim, percebe-se a grande relação entre os fatores de risco abordados em teoria nos estudos existentes e na prática nos pacientes atendidos em Custodópolis. Conclusão: Destaca-se a importância das medidas educativas a fim de orientar a comunidade sobre mudanças nos hábitos de vida, ligados à alimentação, prática de atividade física e comorbidades, uma vez que o mesmo encontra-se diretamente atrelado ao desfecho vivenciado por muitos pacientes na atenção primária de saúde. Assim, a atenção básica mostra-se como peça fundamental na consolidação e promoção de saúde entre comunidade e políticas públicas.
Síndrome nefrótica em paciente portador de sífilis congênita: relato de caso
Syphilis is an infectious disease of great incidence and epidemiological importance, and actions aimed at encouraging safe sexual practices can contribute to modify this statistic. Congenital syphilis is characterized as the infection of the fetus, when the pregnant woman with the infection is not treated or receives inadequate treatment. The purpose of this report is to describe a case of renal manifestation of Syphilis in a 3-month-old patient, who presented syndromic and laboratory manifestations compatible with nephrotic syndrome, and their challenges for management and diagnostic conclusion. Given this situation, it is necessary to raise the awareness of professionals and the community about the importance of early diagnosis and effective treatment.Sífilis é uma doença infecciosa de grande incidência e importância epidemiológica, e ações voltadas para o incentivo de práticas sexuais seguras podem contribuir para modificar essa estatística. A Sífilis congênita é caracterizada como a infecção do concepto, quando a gestante portadora da infecção não é tratada ou recebe tratamento inadequado. O objetivo desse relato é descrever um caso de manifestação renal da sífilis em paciente de 3 meses, que apresentou manifestações sindrômicas e laboratoriais compatíveis com síndrome nefrótica, e seus desafios para o manejo e a conclusão diagnóstica. Diante desse quadro, faz-se necessária a sensibilização de profissionais e da comunidade sobre a importância do diagnóstico precoce e tratamento eficaz
Excesso de peso negligenciado por pacientes e profissionais de saúde : distanciamento entre o que é preconizado pelas diretrizes e realizado em centros assistenciais
Individuals who underestimate their actual weight tend to have lower health care behaviors, as well as seek specialist assistance less frequently. Health care professionals play an important role in the management of obesity, because measuring body weight makes it possible to identify and treat people with inadequate weight, who do not always recognize themselves as such. Of the total of 325 participants, 57.5% were overweight, and 48.3% of them had incorrect self-assessment of weight. Female gender (p 0.037), habit of weighing themselves more frequently outside the appointment (p 0.001), and history of having been previously weighed in a medical appointment (p 0.015), received a diet supervised by a specialized professional (p 0.02) or previous anti-obesity drug treatment (p 0.046) correlated with a greater chance of getting the self-assessment of weight right. On the other hand, 34.8% of participants reported that they had never been weighed in outpatient medical appointments, only 54.6% of overweight patients were referred for specialized follow-up, and 24% of obese patients were prescribed medication. Nevertheless, 33.2% of those with overweight underestimated their real body weight. Our results confirm the need for the adoption of measures to increase the perception of obesity as a public health problem, both by patients and health professionals.Indivíduos que subestimam seu peso real tendem a ter comportamentos de menor cuidado com a saúde, bem como procurar assistência especializada com menor frequência. Profissionais de saúde desempenham importante papel no manejo da obesidade, pois a aferição do peso corporal permite identificar e tratar pessoas com peso inadequado, que nem sempre se reconhecem como tal. Do total de 325 participantes, 57,5% apresentava excesso de peso corporal, e 48,3% dos errou a autoavaliação do peso. Sexo feminino (p 0,037), hábito de pesar-se com maior frequência fora da consulta (p 0,001) e histórico de ter sido previamente pesado em consulta médica (p 0,015), recebido dieta supervisionada por profissional especializado (p 0,02) ou tratamento farmacológico antiobesidade prévio (p 0,046) se correlacionaram com maior chance de acertar a autoavaliação do peso. Por outro lado, 34,8% dos participantes relataram nunca terem sido pesados em consultas médicas ambulatoriais, somente 54,6% dos pacientes com excesso de peso foi encaminhado para acompanhamento especializado, e 24% dos pacientes com obesidade recebeu a prescrição de medicamentos. Não obstante, 33,2% daqueles com excesso de peso subestimou seu real peso corporal. Nossos resultados confirmam a necessidade de adoção de medidas para aumentar a percepção da obesidade como problema de saúde pública, tanto por parte de pacientes, quanto por profissionais de saúde
Perfil demográfico, de conhecimento e comportamento para COVID-19 como medida de prevenção e autocuidado
O SARS-CoV-2 surgiu no final de 2019, na cidade de Wuhan, China, quando vários casos de um tipo de pneumonia grave foram relatados e com muitas mortes. A gravidade da doença está relacionada com diferentes fatores inerentes aos indivíduos infectados, incluindo aspectos referentes ao seu perfil de conhecimento sobre a COVID-19 e comportamento no autocuidado e prevenção. Desse modo, a identificação desses aspectos é imprescindível para proposições de estratégias no controle à educação em saúde. O objetivo do presente trabalho é caracterizar o perfil demográfico, o conhecimento e comportamento para prevenção da COVID-19 de moradores do bairro de Novo Eldorado, em Campos dos Goytacazes, RJ. Para realização da investigação foi feito um estudo transversal, com maiores de idade, utilizando um questionário adaptado de inquérito aplicado na China, complementado com questões demográficas e epidemiológicas, de modo a compreender aspectos do público-alvo. Os dados foram coletados entre julho e dezembro/2021, geridos por smartphones, a partir da plataforma REDCap que contribuiu também na análise das variáveis e descrição dos perfis sociais, de conhecimento e comportamento para prevenção da COVID-19. Dos 156 participantes, a idade média é de 53 (DP 2,9) anos, 115 (74%) mulheres, solteiras (48%), com ensino fundamental incompleto (54%), sendo 48% desempregados ou autônomos (28%). Possuem rendimento de cerca de um salário mínimo mensal (64%). 101 (65%) dos respondentes identificaram corretamente o SARS-cov2 como um vírus e 51% assinalaram que a transmissão é por via aérea. O uso de máscara é citado por 142 indivíduos (91%), quando perguntado sobre "como me devo proteger". Quanto ao conhecimento sobre os sintomas para COVID-19, a febre foi o mais citado, 104 (66,7%). O uso de máscaras de tecido com uma/duas camadas é prevalente (133/78%), sendo considerada a necessidade de troca frequente para limpeza. O isolamento social foi praticado por 89 (57%) dos indivíduos. O perfil demográfico dos moradores do Novo Eldorado é de mulheres solteiras, protestantes, com ensino fundamental incompleto, desempregadas, com renda mensal inferior ao salário mínimo. Sobre o conhecimento e comportamento para o autocuidado e preocupação com a contaminação de terceiros, os participantes do estudo relataram, em sua maioria, que a forma de transmissão é aérea e que utilizam máscara de pano, sendo essa que eles têm acesso. Verifica-se assim que estratégias de educação em saúde poderão minimizar a carência de informações a fim de promover a prevenção e autocuidado para COVID-19. 
Unidade de Terapia Intensiva COVID-19: perfil dos pacientes internados e as possíveis interações medicamentosas apontadas para os medicamentos mais prescritos
No fim do ano de 2019, o mundo foi surpreendido por um surto viral provocado pelo vírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19. Em alguns casos, a COVID-19 evolui com prognóstico insatisfatório, causando síndrome respiratória grave e distúrbios da coagulação, necessitando o paciente de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) e uso de politerapia. Nesse contexto, o presente estudo objetiva identificar o perfil dos pacientes internados em UTI COVID de um hospital particular de Campos dos Goytacazes e levantar as possíveis interações medicamentosas relacionadas aos medicamentos mais prevalentes nas prescrições. Trata-se de um estudo observacional transversal retrospectivo, com dadoscoletados nos prontuários de pacientes internados, no período de 25 de junho a 25 de agosto de 2021, com as seguintes variáveis: idade, sexo, comorbidade préexistente e medicamentos prescritos. Dos 22 pacientes incluídos no estudo, 54,5% eram do sexo masculino. A idade média dos pacientes era de 71,3 (± 17,6) anos e 100% apresentavam doença pré-existente, sendo a média de comorbidades por paciente de 2,9. Das comorbidades descritas nos prontuários, as doenças cardiovasculares eram as mais comuns, seguida da Diabetes Mellitus (DM). Quanto aos medicamentos prescritos, 13 foram identificados em 50% ou mais dasprescrições, tendo suas possíveis interações fármaco/fármaco e gravidade levantadas por meio da base de dados Micromedex. A fentanila, medicamento de maior prevalência nas prescrições, apresentou o maior número de possíveis interações classificadas como de gravidade importante, seguida do midazolan que, por sua vez, apresentou o maior percentual de possíveis interações classificadas como contra-indicação. As interações farmacocinéticas se revelaram a mais prevalente (73,8%). De posse do perfil dos pacientes acometidos por COVID-19 internados em UTI e conhecedores dos riscos quanto à interação associada aos medicamentes frequentemente prescritos no tratamento dos mesmos, é possível traçar estratégias para melhor estruturar o serviço de saúde visando a qualidade esegurança no tratamento
Manual para a curricularização da Extensão da Faculdade de Medicina de Campos
O presente Manual tem como principal objetivo orientar e oferecer esclarecimentospara comunidade acadêmica na inclusão e registro das ações de extensão,dos componentes curriculares que forem propor atividades de extensão no currículo,sendo essas consideradas como um conjunto de atividades curriculares obrigatóriasque compõem a carga horária dos Cursos de Graduação na Faculdade de Medicinade Campos (FMC)