Portal de Publicações da Faculdade de Medicina de Campos
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    Farmacoepidemiologia do Centro de Saúde de Guarus e sua integração com os componentes curriculares do 4° período do curso de farmácia

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    A farmacoepidemiologia visa compreender o perfil de utilização de medicamentos por uma dada população e avaliar a segurança e eficácia dos medicamentos utilizados, com forte correlação com a farmacologia clínica. O presente estudo teve como objetivo a definição do perfil farmacoepidemiológico do Centro de Saúde de Guarus e sua interação com os componentes curriculares do 4° período da graduação em farmácia da Faculdade de Medicina de Campos. Foi realizada uma pesquisa documental retrospectiva, a partir dos dados disponibilizados pelo Departamento de Assistência Farmacêutica de Campos dos Goytacazes analisando os registros de dispensação de medicamentos controlados da unidade Centro de Saúde de Guarus de janeiro a dezembro de 2023. Foram dispensados 151638 unidades farmacêuticas de medicamentos controlados na unidade. Os fármacos mais dispensados foram benzodiazepínicos, inibidores seletivos da recaptação da serotonina, antidepressivo tricíclico, antiepiléticos, respectivamente, clonazepam (29020 comprimidos), fluoxetina (20304 comprimidos), amitriptilina (16280 comprimidos) e carbamazepina (10853 comprimidos), que correspondem somados a mais da metade (50,4%) dos medicamentos controlados dispensados na unidade. Estudos científicos mostram que correlacionar componentes curriculares com práticas integradoras multidisciplinares maximiza a capacidade de compreensão do estudante, qualificando o processo de ensino aprendizagem e tornando palpável o conhecimento discutido em sala de aula. Assim, os medicamentos citados acima foram sistematicamente relacionados com os componentes cursados no 4º período (Biossegurança, Saúde Coletiva e Farmacoepidemiologia, Farmacobotânica, Fisiologia II, Química Orgânica II e Química Analítica Qualitativa). Conclui-se que o estudo realizado a partir dos dados de dispensação do Centro de Saúde de Guarus permitiu uma visão geral do contexto farmacoepidemiológico da população assistida pela unidade e a visão panorâmica criada por intermédio das discussões integradoras dos componentes curriculares permitem novos desafios relacionados à proposição de políticas públicas relacionadas ao uso racional de medicamentos

    O uso de componentes da Cannabis sativa no Transtorno do Espectro Autista

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    Autism Spectrum Disorder (ASD) is defined as a neurodevelopmental disorder that manifests in childhood, characterized by impairments in social interaction, communication, and behavior. ASD is often accompanied by various comorbidities such as sleep disorders, attention deficit, hyperactivity, and even epilepsy. Therefore, the importance of appropriate therapeutic treatments targeting the symptoms of the disorder is emphasized. The objective of this research is to analyze studies regarding the effectiveness and adverse effects of Cannabis sativa extract in ASD. The contributions of this research aim to provide information that may support the use of these psychopharmaceuticals in the treatment of the disorder and possibly their pediatric use for medicinal purposes, considering that the sooner therapeutic intervention is initiated, the better the prognosis. This is a systematic literature review conducted from February to June 2022, utilizing databases such as SciELO, PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Lilacs, WorldCat, as well as official websites such as ANVISA and the Federal Senate. From the databases used, 17 articles were found, of which 8 were selected, published between 2019 and 2021. The reviewed literature agrees that Cannabis-based interventions are effective in treating the primary symptoms and secondary aspects of ASD.O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é definido como um transtorno neuropsiquiátrico desenvolvido na infância, no qual ocorre prejuízo na interação social, comunicação e comportamento. O TEA possui várias comorbidades associadas, tais como distúrbios do sono, déficit de atenção, hiperatividade e até mesmo epilepsia. Diante disso, destaca-se a importância de tratamentos terapêuticos adequados que atuem nos sintomas da doença. O objetivo desta pesquisa é analisar estudos sobre a efetividade e os efeitos adversos do uso de extrato da Cannabis sativano TEA. As contribuições da pesquisa visam a disponibilizar informações que possam dar suporte para o uso desses psicofármacos no tratamento do transtorno e, possivelmente, seu uso pediátrico para uma abordagem medicamentosa, visto que, quanto mais rápida a instituição terapêutica, melhor o prognóstico.  Trata-se de uma revisão bibliográfica sistemática, realizada nos meses de fevereiro a junho de 2022, nas bases de dados SciELO, PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Lilacs, WorldCat e em sites oficiais como ANVISA e Senado Federal.  Nas bases de dados utilizadas foram encontrados 17 artigos e, desses, selecionados 8, publicados entre os anos de 2019 e 2021. As revisões analisadas concordam que procedimentos à base de Cannabis são eficazes para o tratamento dos principais sintomas e nos aspectos secundários do TEA

    Psoríase palmo-plantar de difícil tratamento:: desafios clínicos em um relato de caso

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    A psoríase é uma doença inflamatória crônica mediada pelo sistema imunológico que pode ser classificada de diversas formas, a depender do principal local de acometimento. Sua etiologia ainda não é bem esclarecida, mas sabe-se que a doença é relacionada à predisposição genética. Na psoríase palmo-plantar, as placas escamosas e eritematosas que surgem devido à proliferação acentuada de queratinócitos em mãos e pés despertam incômodo no público afetado, sendo associadas a prurido e comprometimento da qualidade de vida. O seu tratamento é determinado pela severidade, pelas comorbidades e pelo acesso a serviços de saúde, podendo variar desde tratamentos tópicos como corticoides, análogos da vitamina D e fototerapia, até tratamentos sistêmicos. Quanto à severidade da doença, aplica-se na prática médica o escore PASI (Psoriasis Area Severity Index), o qual avalia a gravidade da psoríase e fornece resultado numérico, de 0 a 72. Apresentar manifestações clínicas de psoríase palmo-plantar refratárias a primeiro tratamento em criança e expor novas alternativas para seu manejo. Paciente do sexo masculino, 6 anos, com diagnóstico prévio de psoríase desde os 2 anos e 6 meses, compareceu à clínica de dermatologia com queixas de eritema, descamação, fissuras e dor em palmas das mãos e plantas dos pés. A mãe do paciente relata que o filho apresentava tristeza, vergonha das lesões e desinteresse de frequentar a escola. Na história familiar, ressalta-se que há positividade para psoríase, visto que o pai e a avó paterna da criança possuem a doença. O resultado do PASI foi de 22.20, o que justifica psoríase na sua forma moderada a grave. Foram solicitados exames laboratoriais e o exame PPD teve resultado de 5mm, sendo iniciada Isoniazida por 6 meses. Para o tratamento da psoríase, a escolha inicial foi o retinóide Acitretina 10mg de uso oral por 30 dias, em associação com Propionato de Clobetasol e Vaselina Salicilada a 10% de uso tópico. Em retorno, mediante pouca melhora das lesões, a terapêutica foi modificada para Etanercepte, um imunobiológico disponibilizado pelo SUS para crianças a partir dos 6 anos. O tratamento foi feito por 9 meses e houve redução significativa das lesões, aumento da autoestima do paciente e benefícios nas relações pessoais na escola. A psoríase de difícil tratamento é um importante tópico de abordagem pois a doença afeta não somente a pele do paciente, mas também traz prejuízos em seu psicológico. Com o advento dos imunobiológicos, foi possível observar melhora nas lesões refratárias, resgatar a autoestima do paciente e trazer o bem-estar de volta para sua vida

    Avaliação dosimétrica de radioatividade na areia da praia de Atafona, São João da Barra, RJ

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    O presente estudo tem como objetivo verificar a radioatividade da areia da praia de Atafona, São João da Barra, um importante local turístico na região litorânea do Brasil, no interior do estado do Rio de Janeiro. A radioatividade advém dos elementos radioativos presentes na areia, que é chamada de monazítica. Foram coletadas amostras para medir a radioatividade, medida em microsieverts por hora (μSv/h), utilizando o contador de Geiger. As análises ocorreram nos meses de outubro e novembro de 2023, em três pontos da praia, utilizando frascos de 50, 500 e 1000 ml. O contador Geiger revelou a presença de radiação ionizante nas amostras dos frascos com o volume de 500ml e 1000ml coletados na parte da praia em direção a rua Júlio de Souza, ponto C, com os respectivos valores: 1,34 uSv/h e 2,78 μSv/h. A amostra de 50 ml do ponto C foi utilizada para a detecção dos elementos químicos presentes na areia monazítica, como o Tório (Th), através da análise de Fluorescência de Raios X (FRX). Com base nos resultados obtidos, recomenda-se a continuidade das pesquisas, visando o mo- nitoramento constante da radioatividade nesta praia, assim como, os elementos radioativos presentes na areia monazítica e seus possíveis efeitos benéficos

    Perfil do doador lipêmico no hemocentro regional de Campos dos Goytacazes - RJ

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    No Brasil há um trabalho incansável em busca de mais doadores de sangue. Contudo, são descartadas diariamente grandes quantidades de bolsas por não atenderem às especificações de qualidades previstas pela legislação brasileira que geram prejuízos para população e Estado. O processo de produção dos hemocomponentes se inicia com a captação dos doadores, selecionados para avaliação de critérios clínicos e hematológicos vigentes na triagem, que precede a doação, coleta, processamento e armazenamento das bolsas. Durante esse processo, existem fatores que interferem na qualidade dos hemocomponentes produzidos, o que leva ao descarte e à perda considerável de bolsas. Um desses fatores é a existência de lipemia. Avaliar o perfil do doador de sangue lipêmico das bolsas descartadas no Hemocentro, e identificar possíveis fatores envolvidos, para minimizar a perda dos hemocomponentes. Estudo retrospectivo, realizado por meio da coleta de dados de doadores das bolsas descartadas, entre janeiro e dezembro de 2023, provenientes do Hemocentro. Os indivíduos eram maiores de 18 anos, de ambos os sexos, que foram incluídos após a assinatura dos respectivos termos de assentimento e consentimento. Os seguintes dados foram coletados: sexo, idade, IMC, horário da coleta, tipo de refeição antes da coleta de sangue, e uso diário de medicações. O percentual do descarte das bolsas foi calculado e comparado com os dados da literatura, como também relacionado aos dados dos seus doadores. Foram incluídos 125 doadores lipêmicos, dos quais 82,3% (103/125) eram do sexo masculino, 71,2% (89/125) eram pardos, 77,6% (97/125) tinham IMC acima de 25, e tinham média de idade de 40 anos. As doações lipêmicas predominaram entre 15 e 16 horas, e a maioria dos doadores não informou os medicamentos utilizados. Para o aproveitamento das bolsas é necessário o seguimento do protocolo do Hemocentro. É possível que o excesso de peso seja um dos interferentes na lipemia dos doadores. Porém, salientamos que também não constava nas fichas os medicamentos utilizados pelos doadores, seja porque não havia espaço suficiente para essa anotação ou pela omissão pelo próprio doador. O seguimento rigoroso dos protocolos para doação de sangue é fundamental para prevenir o descarte das bolsas e melhor aproveitamento dos hemocomponentes

    A Importância do Médico da Família e da Comunidade na adesão ao tratamento de diabetes tipo 2

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    O diabetes tipo 2 é uma condição crônica complexa que exige um gerenciamento contínuo e multifacetado eficaz. A adesão ao tratamento é crucial para evitar complicações graves e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Este estudo aborda a importância do médico da família e comunidade (MFC) na promoção da adesão ao tratamento entre pacientes com diabetes tipo 2. O MFC é fundamental nesse processo, pois proporciona um cuidado contínuo, centrado no paciente e adaptado às necessidades individuais, facilita a adesão ao tratamento por meio de estratégias de educação em saúde, suporte emocional e acompanhamento regular. O objetivo deste relato de caso é ilustrar a importância do MFC na promoção da adesão ao tratamento em um paciente com diabetes tipo 2. Busca-se demonstrar como a relação de longo prazo e o cuidado personalizado oferecido pelo MFC podem melhorar significativamente o controle glicêmico e a qualidade de vida do paciente. O caso estudado envolve uma paciente feminina de 63 anos, com diagnóstico de diabetes tipo 2 há 14 anos. Inicialmente, a paciente apresentava baixa adesão ao tratamento, refletida por níveis elevados de hemoglobina glicada (HbA1c) de 10.7%, e glicemia pós-prandial de 443 mg/dl. Após ser integrado ao cuidado contínuo de um MFC, a paciente começou a participar de consultas regulares, e integrada a outros especialistas, praticou ações de mudança do estilo de vida como dieta hipocalórica. Durante o acompanhamento de 5 meses, observou-se uma redução significativa da glicemia pós-prandial para 176 mg/dl, bem como uma melhora geral no bem-estar e na compreensão do manejo da doença. Conclui-se que o relato de caso destaca o papel crucial do MFC na promoção da adesão ao tratamento do diabetes tipo 2. A abordagem contínua e personalizada, característica do MFC, permite uma melhor gestão do diabetes através, de ações de serviços integrados como, nutrição, intervenções educacionais e suporte emocional. A relação de confiança estabelecida entre o MFC e o paciente é fundamental para superar barreiras à adesão ao tratamento, resultando em melhores resultados de saúde

    Prevalência do Transtorno do Espectro Autista nos pacientes com Síndrome de Down

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    A Síndrome de Down é uma alteração genética caracterizada, comumente, pela adição de uma cópia extra no cromossomo 21. Ao destacar os aspectos comportamentais do paciente com Síndrome de Down (SD), há um estereótipo associado o qual enfatiza que o acometido, geralmente, não possui retraimento social ou dificuldade em demonstrar afeição por outros. No entanto, percebe-se que esse estereótipo acaba por mascarar justamente as atitudes que podem apontar a presença de outras doenças nesses indivíduos e, consequentemente, favorece a marginalização de tratamentos complementares. Um exemplo de manifestação clínica extra Síndrome de Down que apontaria para uma coexistência com o transtorno do espectro autista (TEA) seriam dificuldades dos pacientes com SD em desenvolver noção social, olhar mútuo e motivação para aprender novas coisas. Ao seguir nesse âmbito, entretanto, sabe-se que o diagnóstico de autismo em indivíduos com SD é complexo e, acumula-se a isso, a tendência de pais e profissionais em atribuir qualquer oscilação comportamental à anormalidade cromossômica e seus efeitos no discernimento intelectual, abstraindo a possibilidade da existência de alguma comorbidade. Analisar a prevalência do TEA em indivíduos com SD que frequentam a Associação de Proteção e orientação aos Excepcionais (APOE) em Campos dos Goytacazes no ano de 2023.2 e 2024.2. Essa é uma pesquisa clínica descritiva, do tipo transversal. As informações contidas nessa pesquisa serão provenientes da análise dos resultados encontrados a partir do questionário e método de triagem do TEA aplicado em pacientes com SD do APOE. Esse projeto terá como critérios de exclusão crianças que não são do município de Campos dos Goytacazes, que não apresentam síndrome de Down, crianças para o M-CHAT, menores de 16 meses e maiores que 30 meses e para o Autism Spectrum Screening Questionnaire (ASSQ) menores que 6 anos e maiores que 17 anos. Essa pesquisa conta com a participação de 14 indivíduos com SD. Não foram encontradas diferenças de manifestações clínicas nem de prevalência da coexistência das síndromes em pacientes de sexos diferentes, nem de classes sociais diferentes. Um ponto observado foi diferença no grau de manifestação de sintomas em crianças com idades diferentes. Está em análise que existam diferenças no desenvolvimento de indivíduos que tiveram um diagnóstico tardio das síndromes associadas frente aos que já possuem o diagnóstico da associação da SD e do TEA. A ocorrência de uma pesquisa que revele a prevalência de um comorbidade como o TEA em indivíduos com SD mostra-se uma oportunidade para os familiares do caso adotarem um tratamento e uma educação que melhor corresponda à realidade, já que o diagnóstico incompleto das crianças que apresentam as síndromes associadas as coloca em uma posição de negligência. Os resultados da pesquisa tendem a mudar visões restritas de responsáveis dos acometidos com SD que, comumente, apresentam desatenção à possibilidade do autismo nesses indivíduos

    Observatório de meningites em Campos: : monitoramento das ações preventivas e das intervenções terapêuticas

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    Meningite é o processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal, e pode ser causada por vários agentes infecciosos como bactérias, vírus e fungos. É de notificação compulsória e fazem parte das Condições Sensíveis à Atenção Primária (CSAP), sendo passíveis de prevenção por meio da imunização. A vacinação é considerada a forma mais eficaz na prevenção da doença, sendo específica para determinados agentes etiológicos. São utilizadas na rotina para imunização de crianças menores de 1 ano e estão disponíveis no Calendário Nacional de Vacinação da Criança do Programa Nacional de Imunizações. Este trabalho apresenta um estudo epidemiológico realizado em Campos dos Goytacazes e análise do impacto da introdução das vacinas contra meningite no Programa Nacional de Imunização no município. Esta é uma pesquisa do tipo transversal, onde os dados foram coletados a partir de fonte primária fornecida pela Vigilância Epidemiológica de Campos dos Goytacazes, através de pesquisa no sistema SIPNI (Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização) e no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), que gera a base de dados de notificações compulsórias. Foram coletadas informações da incidência de meningite e quantitativo absoluto de doses vacinais do ano de 2022. Além disso, serão entrevistados, oralmente, atores relacionados ao processo de acolhimento, diagnóstico, tratamento, imunização e gestão epidemiológica das meningites no modelo grupo focal. O coeficiente de incidência das meningites no período de 2013 a 2019 foi de 14,54/100.000 habitantes, e durante o período de 2020 a 2022, coincidindo com a pandemia de COVID-19, houve uma redução para 6,92/100.000 habitantes. Essa queda podem ser justificadas pela possibilidade de que casos de meningite em pacientes com COVID-19 tenham sido notificados apenas como COVID-19 ou pela redução da transmissibilidade devido às medidas de isolamento social. Em 2020, foi observado um aumento significativo na imunização com a vacina Pneumo 23, pois um maior número de doses foi disponibilizado para o município. De acordo com a entrevista, foi possível observar que a meningite é uma doença comum no município com 20 notificações de casos suspeitos, sendo 13 confirmados, 6 descartados e 1 sem especificação em 2024. O agente mais comum é o Pneumococo e os adultos são os mais acometidos devido a vacinação contra este agente ter sido introduzida em 2010 para crianças até 1 ano. Foi evidenciado a dificuldade para notificar os casos e quando notificados o preenchimento incompleto das informações necessárias para levantamento epidemiológico. Sobre a vacinação vale destacar a necessidade de atualizar a o Calendário de Vacinação. Este estudo pode contribuir para a avaliação e controle das políticas públicas relacionadas ao enfrentamento das meningites

    Fatores sociodemográficos influenciam a intenção de inscrição:: um estudo comparativo entre pacientes dialíticos

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    O transplante renal, o órgão mais transplantado no mundo, é uma intervenção vital que restaura a função renal e melhora a qualidade de vida dos pacientes com insuficiência renal terminal. No Brasil, mais de 37 mil pessoas aguardam um novo rim, evidenciando a alta demanda por transplantes renais. Em regiões com altas taxas de não inscritos, é essencial compreender o perfil desses pacientes para desenvolver estratégias que aumentem as inscrições para transplantes. Investigar o nível de conhecimento sobre diálise, transplante renal e doação em vida entre pacientes submetidos a tratamento dialítico em Campos dos Goytacazes, identificando fatores que contribuem para a alta prevalência de não inscritos para transplante renal. Foi conduzido um estudo transversal de janeiro a junho de 2024, com entrevistas utilizando o questionário Rotterdam Renal Replacement Knowledge-Test (R3K-T), traduzido e adaptado com 21 questões. As entrevistas ocorreram nos dois centros de diálise ambulatorial de Campos dos Goytacazes. Foi utilizado o teste Mann-Whitney para as análises não paramétricas. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética (CAAE: 75652523.9.0000.5244) e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Participaram 123 pacientes, com média de idade de 55,35 (±15,55) anos, sendo 74 (60,1%) homens. Observou-se que 64 (52,89%) tinham ensino fundamental ou menos e 68 (55,2%) eram casados. A doença renal não hereditária foi a mais comum (90 casos, 73,1%), seguida pela hereditária (24 casos, 19,5%) e não informado (9 casos, 7,32%). A maioria dos pacientes (87, 70,7%) não estavam listados para transplante, enquanto 32 (26,0%) estavam listados e 4 (3,25%) já haviam sido transplantados. A prevalência de hipertensão foi de 103 (83,7%) e a diabetes foi de 46 (37,4%). Há uma associação estatisticamente significativa entre ter pelo menos o ensino fundamental completo e estar listado para transplante renal (OR = 0,2357; IC95%: 0,09979-0,5568; p = 0,0013). Além disso, uma idade mais baixa foi associada a um score total maior no R3K-T (Correlação de Spearman = -0,08866365; IC95%: -0,2648 a 0,1420), refletido na média de idade menor dos pacientes listados em comparação aos não listados (48,5 anos vs. 61 anos; p = 0,0003). A mediana de acertos no teste R3K-T foi de 11.229,16 (IQR: 95-135), e o sexo feminino foi associado a uma pontuação significativamente maior (p = 0,00410; IC95%: 0,0395) com médias de 129,59 pontos para mulheres versus 108,627 pontos para homens. A mediana do score do grupo de participantes solteiros e viúvos foi menor quando comparado com o grupo de casados ou em união estável (p = 0,0442; 11 versus 12). No entanto, não houve diferença estatisticamente significativa entre a idade e sexo (p = 0,4548), nem entre o score e a origem da doença renal (p = 0,8362) e a situação na lista de transplantes (p = 0,2150). Conclui-se que, fatores sociodemográficos influenciam decisivamente a intenção de inscrição em listas de transplante renal. A baixa escolaridade, idade avançada e a falta de compreensão sobre os riscos e benefícios do transplante são identificadas como barreiras significativas para a inscrição. A desinformação é um fator chave que contribui para a hesitação em considerar o transplante como uma opção. O estudo sugere também, que as mulheres têm maior propensão a se inscreverem nas listas de transplante, possivelmente devido a uma maior noção de autocuidado e melhor nível educacional

    Emprego de agentes nootrópicos no aprendizado e cognição nos alunos do primeiro ao quarto ano de medicina da Faculdade de Medicina de Campos

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    Os nootrópicos, comumente referidos como "fármacos da inteligência", são substâncias que estimulam o sistema nervoso central, potencialmente melhorando a concentração e o foco. Entre os principais representantes dessa categoria estão o Metilfenidato, as Anfetaminas, o Piracetam e a Cafeína. Tradicionalmente utilizados no tratamento de transtornos como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Alzheimer e esquizofrenia, esses agentes têm apresentado um aumento significativo no uso entre estudantes de medicina. A crescente demanda por desempenho acadêmico aprimorado tem levado esses estudantes a recorrer aos nootrópicos para melhorar a concentração e, consequentemente, o desempenho nos estudos. Neste contexto, este trabalho objetiva avaliar o uso de nootrópicos no processo de aprendizagem e na cognição de discentes do primeiro ao quarto ano da Faculdade de Medicina de Campos. Trata-se de um estudo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, no qual foram aplicados questionários a um total de 416 alunos, analisando suas motivações, padrões de uso, impacto no desempenho acadêmico, percepções de riscos e benefícios, fontes de informação e conscientização dos impactos na saúde mental. Os resultados indicaram que a grande maioria dos estudantes dessa instituição não faz uso de nootrópicos (84,7%). Observou-se também que os alunos que os utilizam estão em períodos mais avançados (7° e 8° período) e têm maior clareza sobre as peculiaridades dessa classe farmacológica. Além disso, foi notado que muitos participantes conhecem colegas que usam essas medicações para auxiliar nos estudos, sendo a principal motivação a melhoria da concentração (43,9%). Outro dado relevante é que, mesmo entre os alunos dos últimos períodos, as informações sobre tais fármacos foram obtidas predominantemente através da internet (40,3%) e de amigos (31,6%), e não de professores ou do ambiente acadêmico (11,2%). Apesar de acreditarem que essa classe medicamentosa pode auxiliar no desempenho acadêmico, os entrevistados não recomendariam seu uso sem indicação clínica. À luz desses fatos, sabe-se que a procura por nootrópicos experimentou um aumento substancial devido à alta demanda e sobrecarga durante o período do estudo no curso de medicina conforme indicado pela literatura anterior. Assim, essa tendência é ainda apoiada pelas conclusões do presente trabalho, que revela uma maior prevalência de uso de nootrópicos entre os estudantes à medida que progridem nos anos acadêmicos. Em conclusão, este estudo fornece uma contribuição valiosa para a compreensão do uso de nootrópicos. Dessa forma, é importante destacar a necessidade de instituições fornecerem informações mais claras sobre esse assunto, pois muitos entrevistados que não fazem uso desses fármacos, desconhecem suas funções

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