Portal de Publicações da Faculdade de Medicina de Campos
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A importância da avaliação do comportamento adaptativo infantil
O comportamento adaptativo na infância refere-se à capacidade da criança de se adequar efetivamente às demandas do ambiente em que vive. O projeto de extensão “Avaliação do Comportamento Adaptativo na Infância”, utiliza como instrumento de análise a Escala de Vineland, com o objetivo de identificar as habilidades sociais, emocionais e cognitivas compatíveis as fases de desenvolvimento infantil. Tal escala inclui 5 domínios: comunicacional, atividades de vida cotidiana, socialização, habilidades motoras e comportamento disruptivo. São realizadas perguntas direcionadas ao cuidador principal do infante sobre o cotidiano do mesmo, gerando um score que revela se o déficit é leve, moderado ou grave. Dessa forma, é possível uma análise global de diversas áreas da vida do paciente, para que então seja possível uma intervenção precoce e centrada no prejuízo especifico apresentado de forma individual visando melhora no seu desenvolvimento. O objetivo principal ao aplicar a Escala de Vineland é a identificação e a categorização dos déficits adaptativos visando o planejamento de intervenções individualizadas ao paciente conforme as suas necessidades de adaptação à vida cotidiana e de sua família. A avaliação ocorreu em Campos dos Goytacazes - RJ, com um total de 15 crianças em sua maioria na idade escolar, sendo 14 do sexo masculino e 1 do sexo feminino, no período de agosto de 2023 até junho de 2024, envolvendo um olhar multidisciplinar ao paciente e sua família. O contato inicial surgia da demanda familiar que procurava atendimento na unidade para avaliação psiquiátrica infantil, sendo estratificados segundo escala de gravidade da instituição. Dessa forma, inicialmente realizava-se um acolhimento com a assistente social e a neuropsicóloga, sendo posteriormente encaminhados a avaliação psiquiátrica em que os participantes do trabalho aplicavam o teste as cegas, sem conhecimento das etapas anteriores de avaliação. Ao finalizar a consulta notava-se que a Escala de Avaliação de Vineland auxiliava a corroborar com o diagnóstico e demonstrava algum tipo de deficiência intelectual, associada ou não a outra patologia. Após a aplicação do teste em diversas crianças, é possível notar a individualidade de cada uma, assim como as suas necessidades específicas que necessitam de intervenções focadas, que são indicadas pelo psiquiatra, como também os ajustes necessários ao ambiente educacional e familiar. Por fim, com o diagnóstico, é notório que o cuidador principal se sente acolhido e melhor direcionado para a procura de outros profissionais que poderão ajudar no processo de crescimento e desenvolvimento da criança. Em suma, o trabalho permite o auxílio ao diagnóstico de psicopatologias infantis, bem como o aditamento de programas individualizados de educação e intervenções específicas e, por conseguinte, acompanhar o processo de desenvolvimento da criança e o impacto de estímulos precoces na qualidade de vida. Afinal, o escore tem o fito de oferecer suporte para melhorias diárias, diante das diversas realidades sociais que perpassam o indivíduo em seu crescimento
Farmacoepidemiologia e componentes curriculares: : um diálogo no mesmo idioma
O estudo farmacoepidemiológico tem como objetivo principal avaliar e monitorar a segurança, eficácia e uso dos medicamentos na população. Nesse cenário, o objetivo deste trabalho foi identificar o perfil farmacoepidemiológico da Unidade Básica de Saúde em Baixa Grande e relacioná-lo às disciplinas cursadas (Fisiologia 2, Saúde Coletiva e Farmacoepidemiologia, Química Analítica Qualitativa, Química Orgânica 2, Biossegurança e Farmacobotânica) pelos estudantes do 4º período de farmácia da FMC. O estudo se classifica como transversal observacional e usou como banco de dados o relatório de dispensação de medicamentos da UBS Baixa Grande, referente ao ano de 2023, disponibilizado pela Departamento de Assistência Farmacêutica de Campos dos Goytacazes, RJ. No ano analisado a farmácia da unidade fez 6295 atendimentos e dispensou 154955 unidades farmacêuticas de pouco mais de 100 diferentes tipos de medicamentos. Os mais dispensados foram omeprazol (antiulceroso) 12544 cápsulas, hidroclorotiazida (diurético) com 16590 comprimidos e losartana (anti-hipertensivo) com 29010 comprimidos, os três representando 37,5% das unidades farmacêuticas dispensadas na unidade. Nesse cenário, a metodologia ativa de aprendizagem se destaca como uma ferramenta valiosa, permitindo aos alunos desenvolverem competência e habilidades em um ambiente colaborativo. Assim, a integração dos componentes curriculares do 4º período do curso de farmácia permite aos estudantes a exemplificação de um diálogo que se comunica avidamente com o estudo farmacoepidemiológico proposto, permitindo compreender os principais desequilíbrios fisiológicos inerentes à população assistida, destacando a fisiologia renal, cardíaca, hemodinâmica e do trato gastrointestinal. Além disso, materializa conceitos como coeficiente de partição, pKa, ionização, fórmula estrutural e reações orgânicas discutidas nos componentes de química do período. O estudo das bulas dos medicamentos permite a identificação de interações medicamentosas com fitoterápicos e chás medicinais abordados no componente de farmacobotânica, ademais, o estudo pormenorizado dos fármacos evidencia a importância de parâmetros de farmacovigilância destacados na disciplina de biossegurança. Nesse contexto, o estudo conclui que o delineamento do perfil farmacoepidemiológico, além de potencializar a aprendizagem, é essencial para geração e aprimoramento de políticas públicas, não só no âmbito da recuperação, mas também na prevenção de doenças e na promoção da saúde
Evidências causais do efeito dos anti-inflamatórios não esteroidais no desenvolvimento da doença renal
Os rins são cruciais na eliminação de drogas, contudo, esse processo muitas vezes se dá às custas da toxicidade medicamentosa. Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são medicamentos de ampla utilização pela população, porém, o bloqueio inespecífico das ciclooxigenases culmina com nefrotoxicidade importante. Seu uso prolongado ou em doses elevadas está associado à insuficiência renal aguda, nefrite intersticial e aumento do risco de doença renal crônica (DRC), especialmente em pacientes idosos ou com comorbidades. O objetivo do estudo foi identificar os fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença renal crônica, com ênfase para o papel dos anti-inflamatórios nesse processo, em pacientes diagnosticados com a doença. O estudo teve caráter observacional transversal, com abordagem de pacientes com diagnóstico de DRC cadastrados na Associação Amigos do Rim no município de Campos dos Goytacazes, RJ. Foram entrevistados 83 pacientes no mês de maio de 2024. A entrevista foi baseada em formulário de pesquisa semiestruturado digital utilizando a plataforma REDCap. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Campos. O gênero predominante para DRC foi o feminino (59,04%). A comorbidade mais prevalente foi a hipertensão com (40,65%) seguida de dislipidemia (19,35%). Os AINEs citados como os mais utilizados foram ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida. Os fatores de riscos como idade avançada (acima de 51 anos, 49,3%) e a presença de comorbidades como hipertensão (40,65%), diabetes (18,06%), e dislipidemias (19,35%) aumentam o risco de nefrotoxicidade provocada pelo uso inadequado de AINEs. Entre os pacientes entrevistados, 34,9% alegaram fazer uso de AINEs por automedicação no passado, antes do diagnóstico, e 15,6% informaram que faziam uso contínuo desses medicamentos, além disso, 19,2% usavam esses medicamentos mais de três vezes ao dia. Nesse sentido, tendo em vista que a fisiopatologia da toxicidade renal dos anti-inflamatórios é bem conhecida, é essencial conscientizar a população sobre os riscos da automedicação com AINEs e a necessidade de acompanhamento médico e farmacêutico, educando os pacientes sobre os riscos inerentes ao seu uso irracional, especialmente quanto ao impacto sobre a função renal. Agindo assim, é possível reduzir o impacto dos anti-inflamatórios no desenvolvimento de DRC e melhorar os resultados de saúde a longo prazo
Educação em saúde: : principais dúvidas levantadas por professores da rede municipal de Campos dos Goytacazes quanto à Diabetes Mellitus
Atualmente, a prevalência de Diabetes Mellitus (DM) no Brasil gira em torno de 9.4%, com tendência de aumento contínuo nos próximos anos. Estuda-se que o desenvolvimento e mortalidade por DM têm forte relação com indicadores sociais e de acesso a serviços de saúde, sendo recorrente entre aqueles com menos de três anos de escolaridade e em estado de maior vulnerabilidade social. A lacuna entre a linguagem técnica do atendimento médico e a compreensão desses pacientes mostra-se um fator para maiores complicações e morbidade consequentes da DM. Nesse cenário, esse projeto de extensão curricular buscou entender e sanar as dúvidas da população em relação ao conhecimento da DM, elucidando questões sobre prevenção, fisiopatologia, diagnóstico, sinais e sintomas, tratamento, mitos, crenças e verdades que permeiam o dia a dia da realidade brasileira. Com a análise das questões mais frequentes, será produzida uma cartilha com abordagem das principais dúvidas para os pacientes do CSEC, a fim de ampliar o processo de conscientização. Para isso, foram realizados encontros com professores da rede pública na Secretaria de Saúde, onde as dúvidas expostas durante o bate-papo foram explicadas por alunos do componente de Iniciação ao Exame Clínico. Os nichos mais abordados foram a relação com fatores emocionais e genéticos, a dieta ideal, os conceitos de pré-diabetes e diabetes gestacional, valores laboratoriais, risco de desenvolvimento em crianças, orientações para a alimentação oferecida nas escolas e para a conscientização de pais e cuidadores quanto à importância de dietas saudáveis. Os professores também questionaram os sintomas e complicações e a diferença entre os tipos 1 e 2 da doença. Posteriormente, foi aplicado o Finnish Diabetes Risk Score, método para estadiar, por meio da anamnese e exame físico, o risco dos professores desenvolverem DM tipo 2 nos próximos 10 anos. Os participantes receberam, via e-mail, o resultado do seu score e aqueles que pontuaram risco muito elevado foram agendados para início do acompanhamento clínico. Foi visto que para além da intelectualidade universitária – indispensável para a boa prática médica –, a importância em saber compartilhar informações de forma acessível para todos é essencial. A maior taxa de morbidade consequente à evolução descontrolada da DM entre grupos de menor escolaridade é um desfecho que pode ser prevenido com a democratização do acesso a informações sobre saúde. A diferença entre o discurso médico e as necessidades dos pacientes é um obstáculo que os impede de desempenharem um papel mais ativo na gestão de sua saúde. Mais do que acesso à saúde, faz-se necessário um modelo de diálogo eficaz com a população, para que ela se torne capacitada e consciente sobre as medidas individuais de manejo de condições clínicas preveníveis e cada vez mais prevalentes. 
Associação entre o pré-natal e a incidência da infecção por Sífilis na gestação em uma maternidade no Norte Fluminense, no período 2023-2024
A Sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) de grande relevância para a saúde pública no Brasil, e com inúmeros desfechos negativos no contexto materno-fetal. Embora a doença e seus mecanismos de transmissão sejam amplamente conhecidos, os fatores relacionados ao aumento de sua incidência necessitam de uma investigação aprofundada. Caracterizar a execução do pré-natal, o perfil sociodemográfico das mães, analisar o rastreio para infecção por sífilis na gestação, e a co-infecção com toxoplasmose e HIV. Trata-se de um estudo transversal prospectivo com análise de prontuários das puérperas atendidas em uma maternidade no Norte Fluminense no período de setembro de 2023 a agosto de 2024. Atualmente, o estudo contém 2.003 binômios materno-fetais. Deste total, 39% das gestantes (783/2.003) realizaram um número igual ou menor a 6 consultas de pré-natal. A média de consultas entre as gestantes que participaram do pré-natal foi de 7,18, e a média de idade geral foi de 25,6 anos. O número de consultas torna-se inversamente proporcional e estatisticamente relevante ao número de gestações quando comparamos os grupos primigestas vs 7 gestações (p= 0.2873). No que tange à condução do pré-natal, 43,9% (879/2.003) das gestantes foram avaliadas para sífilis no primeiro trimestre; 25,8% (518/2.003) no segundo; 40,5% (812/2.003) no terceiro; e, 99.1% (1.986/2.003) foram avaliadas na admissão para o parto. Houve 0,84% (17/2.003) gestantes sem registro de teste rápido na admissão para o parto em seus prontuários. Destaca-se que 12,4% (248/2.003) das gestantes foram testadas somente no parto. A partir desse rastreamento identificou-se, 7,2% (144/2.003) casos de sífilis, dos quais somente 63,2% (91/144) foram tratados conforme o protocolo do Ministério da Saúde. A média de consultas dessas gestantes foi de 6.16. A exposição, fazer 6 consultas ou menos, aumentou em 49% o risco do desfecho VDRL+ (OR 0,51; IC 95% 0,36:0,72; p=0.00121). Quanto aos critérios de definição para os casos de notificação, especificamente a situação 1 da sífilis congênita do SVS 07/2017, 7,6% (11/144), se enquadram em tal condição. Em relação ao perfil da gestante infectada, 70,86% são pardas, 17,32% pretas e 11,82% brancas. Sobre o nível de escolaridade, 43,65% ignorado, 35,71% ensino fundamental e 20,63% ensino médio. Acerca dos fatores de risco, 12,69% faziam uso de bebida alcoólica, 10,31% tabaco, 7,14% relataram uso de cannabis e 4,76% cocaína. Sobre o tratamento dos parceiros, apenas 14,96% foram tratados. A média de idade das gestantes infectadas foi de 24,8 anos. Além disso, foram identificados 0,65% (13/2.003) casos de HIV, sendo 0,26% (4/2.003) casos de coinfecção sífilis/HIV. Em relação à toxoplasmose, 13,5% (272/2.003) das gestantes não foram testadas em nenhum momento da gestação. Entre as testadas, foram detectados 42,1% (729/1731) casos. Sendo o perfil de doença aguda 0,3% (2/729) (IgM+), subaguda 18,3% (134/729) (IgM e IgG+), crônica 81,3% (593/729) (IgG+), e o restante suscetíveis. A cadeia de transmissão do Treponema pallidum na gestação é sustentada pela associação de fatores como acompanhamento do pré-natal inadequado ilustrado pela chegada tardia das gestantes e o não tratamento simultâneo da mesma com o parceiro, que resultam em diagnósticos atrasados, reinfecções, possíveis desfechos negativos e com importante contribuição para mortalidade perinatal em nosso município
Diluição de antibióticos na pediatria de um hospital público: : contribuições da orientação farmacêutica para profissionais de saúde
Os antibióticos são uma das classes farmacológicas mais utilizadas nas enfermarias de clínica pediátrica de unidades hospitalares, sendo também a com maiores implicações na ocorrência de Problemas Relacionados a Medicamentos (PRM) em crianças hospitalizadas, comprometendo especialmente a eficácia do tratamento e a segurança do paciente. O objetivo do presente artigo foi identificar as principais dúvidas e dificuldades dos profissionais responsáveis pela diluição de antibióticos no setor de clínica pediátrica de um hospital público do município de Campos dos Goytacazes, RJ, e como a orientação farmacêutica contribui para a realização desse procedimento. O estudo ocorreu mediante aplicação de questionário à equipe de enfermagem responsável pela diluição de medicamentos da unidade hospitalar em questão e se iniciou após submissão e aprovação do comitê de ética em pesquisa da Faculdade de Medicina de Campos com o parecer de número: 6.703.464. Foram abordados os 9 profissionais da equipe, 7 deles aceitaram participar da pesquisa e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Os resultados revelaram que uma das principais dúvidas apontadas pelos profissionais atuantes no processo de diluição de antibióticos no setor de pediatria foi a estabilidade dos fármacos após a diluição, sendo esta informação fundamental para garantir o armazenamento adequado do medicamento e seu uso na preparação de múltiplas doses, situação comum na rotina pediátrica. Com relação à orientação farmacêutica, afirma-se a necessidade de promoção a educação continuada em saúde e a capacitação dos profissionais que realizam o processo de diluição (em maioria técnicos e auxiliares de enfermagem) por meio de: intervenções farmacêuticas na análise da prescrição, garantia da segurança do tratamento medicamentoso, avaliação das possíveis interações medicamentosas e incompatibilidades, promoção da farmacovigilância, suporte e orientação aos familiares e acompanhantes da criança, organização de treinamentos, emissão de tabelas de diluição de fármacos, manuais e guias farmacoterapêuticos e padronização de prescrições médicas. Assim, evidencia-se a importância do suporte e orientação do farmacêutico para além da dispensação de medicamentos no balcão da farmácia hospitalar, sendo este profissional essencial na garantia da segurança e na eficácia da farmacoterapia
Uma atualização sobre os efeitos adversos do uso do zolpidem
According to ANVISA, in recent years, there has been a significant increase in sales of Zolpidem, a notification that raises concern, as approximately 40% of the population experiences difficulty sleeping, insomnia disorder, using this as a justification for seeking the medication. However, the primary recommendation is to seek the root cause of the disorder. Zolpidem is a hypnotic-sedative drug, belonging to the imidazopyridine class, which acts in the treatment of insomnia, showing a good response in the induction and maintenance of sleep, but it presents various adverse effects. Therefore, a patient investigation should be conducted before choosing the treatment. The article aims to describe the adverse effects of prolonged use of Zolpidem and the possible health damages it may cause. This is a systematic literature review conducted in the digital databases of the Virtual Health Library (VHL), Google Scholar, PubMed, and Scielo. A total of 117 articles were found with the following descriptors: “Zolpidem,” “adverse effects,” and “anxiolytics.” Inclusion criteria were review articles published in the last 16 years in English, Portuguese, and Spanish; exclusion criteria included restricted access articles, incomplete texts, and duplicates. The twelve selected studies point to insomnia, which can be primary or secondary, as a sleep disorder that, in addition to requiring an accurate diagnosis, needs a good evaluation for treatment decision, recommending limiting Zolpidem prescriptions to short-term treatment, as this drug presents various side effects, such as headache, falls, sleepwalking, amnesia, cognitive impairment, and it also poses risks to pregnant women and especially to the fetus, which may be born with low weight. In long-term treatment with Zolpidem, the drug may lose its effects, and the risk of dependence increases with the dose and duration. Throughout the development of the work, it was noted that Zolpidem had a significant increase in use, making it necessary to seek campaigns for the rational use of medications and pharmaceutical care during dispensing, so that the pharmacist can guide and clarify doubts about the use, risks of drug interactions, and the adverse effects that Zolpidem may present. It is noteworthy that there is little information about interactions, effects, and, mainly, campaigns for the rational use of medications. Therefore, more scientific studies on the topic are needed. De acordo com a ANVISA, nos últimos anos, houve um aumento significativo nas vendas do Zolpidem, notificação que desperta preocupação, pois aproximadamente 40% da população apresenta dificuldade para dormir, transtorno da insônia, sendo utilizada essa justificativa para a procura do consumo do medicamento. No entanto, a recomendação primária consiste na busca pela origem do que causa o transtorno. O Zolpidem é um fármaco de ação hipnótico-sedativo, pertencente à classe das imidazopiridinas, que atua no tratamento da insônia, apresentando uma boa resposta na indução e manutenção do sono, porém apresenta diversos efeitos adversos. Dessa forma, deve ser realizada uma investigação do paciente antes da escolha do tratamento. O artigo tem como objetivo descrever os efeitos adversos do uso prolongado do Zolpidem e os possíveis danos que trazem à saúde. Trata-se de uma revisão sistemática de literatura realizada nas bases de dados digitais da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Acadêmico, PubMed e Scielo. Foram encontrados 117 artigos com os seguintes descritores “Zolpidem”, “efeitos adversos” e “ansiolíticos”. Como critérios de inclusão, estabeleceu-se artigos de revisão publicados nos últimos 16 anos nos idiomas em inglês, português e espanhol; como critérios de exclusão, definiu-se artigos de acesso restrito, textos incompletos e com duplicidade. Os doze estudos selecionados apontam a insônia, que pode apresentar caráter primário ou secundário, como um distúrbio do sono que, além de demandar um diagnóstico preciso, necessita de uma boa avaliação para decisão do tratamento, sendo recomendado limitar as prescrições de Zolpidem para tratamento a curto prazo, uma vez que esse fármaco apresenta diversos efeitos colaterais, como dor de cabeça, quedas, sonambulismo, amnésia, comprometimento cognitivo, além de possuir riscos às gestantes e, principalmente,ao feto, que pode nascer com baixo peso. Já no tratamento a longo prazo com o Zolpidem, o fármaco pode perder seus efeitos e o risco de dependência aumenta com a dose e a duração. Ao longo do desenvolvimento do trabalho, notou-se que o Zolpidem teve um aumento significativo na utilização, sendo necessário buscar por campanhas do uso racional de medicamentos e a atenção farmacêutica no ato da dispensação, a fim de que o profissional farmacêutico oriente e esclareça dúvidas sobre o uso, os riscos de interação medicamentosa e os efeitos adversos que o Zolpidem pode vir a apresentar. Destaca-se que há pouca informação sobre as interações, efeitos e, principalmente, campanhas do uso racional de medicamentos. Sendo assim, são necessários mais estudos científicos sobre o tema
Esquemas terapêuticos realizados em casos de infecção por Trichomonas vaginalis resistentes a metronidazol: : uma revisão bibliográfica
Trichomoniasis is the most prevalent non-viral sexually transmitted infection worldwide, caused by Trichomonas vaginalis. This parasitic infection primarily affects women, who may experience clinical manifestations such as leukorrhea, unpleasant vaginal odor, vulvar itching, and a cervix resembling a strawberry. While metronidazole is the drug of choice for treating this infection, strains of T. vaginalis resistant to this medication have been increasingly reported globally. In this context, the objective of this study was to conduct a literature review of reported case studies involving alternative therapeutic regimens used for metronidazole-resistant T. vaginalis strains, published up to the year 2019.The databases used were PubMed and the Scientific Electronic Library Online (SCIELO). Scientific articles that were fully available online and provided detailed information on alternative treatment approaches for metronidazole-resistant T. vaginalis infections were included. Systematic reviews, master’s dissertations, and doctoral theses published up to 2019 were excluded.Results: A comprehensive analysis of 16 scientific articles was conducted, yielding 23 clinical cases. Regarding therapeutic regimens, tinidazole was the most commonly used drug for cases of metronidazole-resistant strains, followed by paromomycin and iodopovidone.No standardized therapeutic guidelines were observed among healthcare professionals in cases of metronidazole-resistant T. vaginalis infections based on the analyzed reports.A tricomoníase é a infecção sexualmente transmissível não viral mais prevalente no mundo causada por Trichomonas vaginalis. Essa parasitose acomete, principalmente, mulheres que podem apresentar manifestações clínicas como leucorreia, odor vaginal desagradável, prurido vulvar e cérvice com aspecto de morango. O metronidazol é o fármaco de escolha para o tratamento dessa infecção, no entanto, cepas de T. vaginalis com resistência a este medicamento têm sido cada vez mais relatadas no mundo. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo realizar uma revisão bibliográfica dos relatos de caso com esquemas terapêuticos alternativos utilizados em casos de cepas de T. vaginalis resistentes ao metronidazol publicados até o ano de 2019. As bases de dados utilizadas foram o Pubmed e Scientific Eletronic Library Online (SCIELO). Incluiu-se artigos científicos que estavam completamente disponíveis on-line e que dispunham de informações detalhadas acerca do tratamento alternativo utilizado para os casos de infecções por T. vaginalis resistentes a metronidazol. Foram descartadas revisões sistemáticas, dissertações de mestrado e teses de doutorado publicadas até 2019. Além disso, foi realizada a leitura completa e análise de 16 artigos científicos. Dentre eles, foram recuperados 23 casos clínicos. Em relação aos esquemas terapêuticos, o tinididazol foi o fármaco mais utilizado nos casos de cepas resistentes a metronidazol, seguido de paromicina e iodopovidona. Por outro lado, não foi observada uma padronização das condutas terapêuticas a serem seguidas pelos profissionais da saúde em casos de infecções por T. vaginalis resistentes a metronidazol nos relatos analisados
Bloqueio simpático venoso na terapêutica da dor crônica em paciente com fibromialgia:: relato de caso
A fibromialgia é uma condição caracterizada pela dor musculoesquelética crônica e generalizada, hiperalgesia, alodinia, parestesia, fadiga, além de distúrbios do sono, psiquiátricos e cognitivos. A falta de conhecimento em relação à sua etiologia dificulta o diagnóstico e leva a tratamentos de eficácia reduzida. O bloqueio simpático venoso (BSV) consiste na infusão lenta de fármacos, como a lidocaína, a cetamina e a clonidina, por via venosa. Esse procedimento promove, além do bloqueio simpático, anestesia das terminações nervosas do endotélio vascular, analgesia e vasodilatação, levando à redução ou eliminação álgica. Assim, torna-se uma alternativa terapêutica para alívio das dores crônicas refratárias às terapias convencionais e confere melhor qualidade de vida aos pacientes. Este relato de caso objetiva descrever o tratamento por BSV em uma paciente com fibromialgia, destacando o seu papel e importância na melhora das dores crônicas e, consequentemente, da qualidade de vida e funcionalidade dos pacientes com essa condição. Paciente do sexo feminino, 81 anos, portadora de hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus (DM) e diagnóstico prévio de fibromialgia, compareceu à consulta com queixa de dor generalizada de alta intensidade, sem melhora com fármacos. Relata início dessas dores há 20 anos, com piora progressiva e refratariedade ao tratamento convencional, levando ao desenvolvimento da dependência de opioides. Após tentativa com diversas opções terapêuticas, atualmente está em uso de trazodona, pregabalina, clonazepam, duloxetina e buprenorfina, com ausência de resposta a um controle álgico satisfatório. Em relação à sintomatologia, a paciente relata dores musculares significativas em ombros, quadril e membros inferiores, alterações cognitivas, fragilidade, queda capilar, polaciúria e insônia. Foi indicada a realização de dois ciclos de BSV, com intervalo de sete dias entre eles, utilizando a lidocaína 3 mg/kg, associada à cetamina 0,2 mg/kg e clonidina 150 mcg, em infusão contínua, durante uma hora e em local monitorado. Posteriormente ao segundo ciclo de BSV, a paciente já evoluiu com melhora parcial das dores crônicas, do humor e dos episódios de insônia, com ausência de efeitos adversos significativos. Nesse cenário, torna-se fundamental reforçar a atenção acerca do BSV como possibilidade terapêutica não convencional, visando o alívio das dores crônicas, a redução do uso desenfreado de opioides e de seus efeitos adversos, bem como a recuperação da qualidade de vida dos pacientes com essa condição
Estudo farmacoepidemiológico da UBS Eldorado e sua interseção com componentes curriculares do curso de graduação em farmácia
A interseção entre farmacologia e epidemiologia constitui um campo essencial para compreender o uso e os efeitos dos medicamentos em diferentes populações. Este estudo foi realizado a partir dos dados de dispensação da farmácia da Unidade Básica de Saúde do Parque Eldorado, em Campos dos Goytacazes, RJ, e sua integração com os componentes curriculares do 4º período do curso de farmácia. A metodologia empregada incluiu a análise detalhada do relatório de dispensação de medicamentos da unidade no ano de 2023, disponibilizado pelo Departamento de Assistência Farmacêutica do município. Os resultados revelaram total de 167053 unidades farmacêuticas de medicamentos dispensados na UBS Eldorado ao longo do ano, abrangendo 89 fármacos. Entre os medicamentos mais dispensados destacaram aqueles para o tratamento da hipertensão arterial como losartana (31140 comprimidos), anlodipino (11050), hidroclorotiazida (10735) e atenolol (8250), os quais representam 36,6% do total dispensado. A conexão entre os conteúdos do 4º período e o medicamento losartana, por exemplo, permite, sob a ótica da Fisiologia II, a compreensão de seu efeito como bloqueador do receptor de angiotensina II, com ampla utilização no controle da pressão arterial. A Química Orgânica II permite análise crítica da fórmula molecular (C22H23ClN6O) desse fármaco. Quanto à Química Analítica Qualitativa se considera o padrão estabelecido na Farmacopeia Brasileira que define a variação dosimétrica entre 98,5% e 101% em relação à substância anidra. A Saúde Coletiva e Farmacoepidemiologia apresenta a losartana como um fármaco listado na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e a Farmacobotânica evidencia a probabilidade de sua interação prejudicial com o chá de alecrim, considerando o risco de sinergismo hipotensor. A segurança e a garantia da eficácia são extensivamente discutidas no componente Biossegurança, a qual é fundamental no processo de controle, armazenamento e distribuição de medicamentos de ampla utilização pela população. A integração curricular é fundamental para a formação de profissionais capazes de promover saúde e assegurar o acesso aos medicamentos. Esse enfoque integrador tem papel significativo no ensino e na formação farmacêutica e contribui para uma abordagem holística na prática clínica e na gestão de políticas de saúde