Portal de Publicações da Faculdade de Medicina de Campos
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Espondilodiscite complicada após procedimento urológico:: um relato de caso
A espondilodiscite é uma doença infecciosa da coluna vertebral com elevada morbidade, composta pela junção de osteomielite vertebral, espondilite e discite. É sabido que o principal agente causador da doença é o Staphylococcus aureus. A ressonância nuclear magnética (RNM) é o exame de imagem padrão-ouro para diagnóstico, além de ser utilizado como método avaliativo da eficácia terapêutica, porém, o diagnóstico definitivo se dá através da cultura do material coletado por punção e biópsia. O tratamento pode ser feito de maneira conservadora com base no uso de antibióticos, órteses e repouso, ou cirúrgica, descomprimindo a coluna, desbridando a área infectada e fusão vertebral. Esse relato tem como objetivo relatar um caso de espondilodiscite complicada após ressecção transuretral da próstata, abordar a importância da antibioticoterapia adequada em casos como este e da realização da urocultura como exame pré-cirúrgico. Paciente de sexo masculino, 78 anos, branco, previamente hígido com queixas urinárias obstrutivas devido a uma hiperplasia prostática benigna, realizou uma ressecção transuretral (RTU) da próstata. No pós operatório, 25 dias após a RTU, o paciente procurou atendimento hospitalar com queixa de lombalgia associada a dificuldade de deambular e febre. Foi realizada uma Ressonância Magnética da coluna lombo-sacra a qual evidenciou uma espondilodiscite infecciosa em T11-T12, L1-L2, L4-L5 E L5-S1, caracterizada por líquido intradiscal, edema realçado pelo contraste da medula óssea dos corpos vertebrais e erosões dos platôs vertebrais, além de alterações inflamatórias com edema da musculatura paravertebral posterior e dos iliopsoas, sem evidências de coleções e presença epidurite anterior em S1 e T11-T12. Realizou-se também uma biópsia percutânea intervertebral para cultura do material cujo resultado foi negativo para presença de patógenos. A coloração de GRAM demonstrou: raras células epiteliais de descamação, numerosos leucócitos ausência de formas bacterianas e ausência de leveduras. Em relação ao tratamento, inicialmente, no hospital de origem, foram administrados por vinte e dois dias um esquema de antibioticoterapia contendo Vancomicina e Ceftriaxone a fim de cobrir respectivamente o Staphylococcus aureus, principal agente causador da espondilodiscite e enterobacterias (presentes no trato urinário). O paciente evoluiu com Síndrome do Pescoço Vermelho, uma farmacodermia imposta pelo uso da Vancomicina. Após o insucesso do primeiro esquema terapêutico, foi iniciada a terapia combinada de Linezolida 600mg, intravenoso a cada 12h e Cefepime 2g intravenoso a cada 12h, ambos por 42 dias. Além disso, foi administrado também a Dexametasona 4mg intravenoso, 1x ao dia durante 10 dias. Ao final do tratamento com a antibioticoterapia adequada, o paciente evoluiu com ausência de febre e dor ao deambular, bem como melhora significativa do quadro infeccioso. A esse respeito, conclui-se que é de suma importância a solicitação de urocultura prévia à procedimentos de manipulação de vias urinárias, tais como a RTU de próstata, a fim de detectar possíveis patógenos que podem gerar infecções posteriormente. Além disso, é imprescindível conhecer os principais germes causadores de infecções do trato urinário e da espondilodiscite a fim de traçar o esquema de antibioticoterapia adequado para cada paciente
Análise clínico-patológica e prognóstica dos pacientes com neoplasias malignas da região de cabeça e pescoço diagnosticados no Hospital Escola Álvaro Alvim
As neoplasias malignas da região de cabeça e pescoço abrangem as malignidades decorrentes da cavidade oral, faringe, laringe, seios paranasais e os cânceres originados das glândulas salivares maiores e menores. Sua prevalência em desenvolvimento tem apresentado um crescimento significativo nos últimos anos, frequentemente diagnosticadas em estágios tardios e com prognósticos ruins, além de ações preventivas ineficientes. Analisar retrospectivamente o perfil clínico-patológico e prognóstico dos pacientes com neoplasias malignas da região de cabeça e pescoço diagnosticados no Hospital com período superior há cinco anos de acompanhamento. Estudo retrospectivo, longitudinal e observacional com os pacientes de um Hospital em Campos dos Goytacazes. As informações utilizadas através da análise secundária e anônima das informações disponíveis nos prontuários médicos do Setor Oncológico da Instituição. O presente estudo foi Aprovado pelo Comitê de Ética. Foram incluídos os pacientes maiores de 18 anos diagnosticados com neoplasias malignas da região de cabeça e pescoço confirmado por exame histopatológico, e excluídos os menores de 18 anos e os casos com exame negativo para essas neoplasias. Todas as informações coletadas estão sendo reunidas em uma planilha do programa Excel®. As variáveis analisadas serão apresentadas através de proporções e médias, utilizando gráficos e tabelas com auxílio de programa estatístico SPSS®. O nível de significância para as decisões estatísticas será de p<0,05. Foram coletados os dados sociodemográficos e clínico-patológicos de 166 pacientes e foi observado que houve um predomínio no acometimento da doença em indivíduos do sexo masculino (n= 135; 81%) em relação ao feminino (n= 31; 19%). A idade ao diagnóstico variou de 26 a 94 anos com média de idade de 59 anos (±12,72). Em relação a raça 43/166 (26%) foram descritos como pardos (OR 0,5; IC95%; p=0.0534). Em relação a histopatologia das neoplasias malignas investigadas, a maioria dos casos foi do tipo carcinoma (n= 134; 80%). O óbito foi verificado em 30 pacientes de 166 casos (18%). As neoplasias malignas de orofaringe apresentam uma alta incidência na população do Norte Fluminense e esta análise desempenhará um papel crucial no manejo eficaz e no prognóstico. A identificação precoce de fatores de risco e o estudo dos estágios da doença maximizam as chances de cura e reduzem complicações associadas
Os Cuidados paliativos na contribuição da assistência à saúde de pacientes oncológicos
O câncer é uma doença crônica ameaçadora da vida e os pacientes acometidos pela doença, assim como seus familiares, precisam de um olhar para um cuidado mais amplo. Nesse sentido, os cuidados paliativos (CP) por apresentar uma visão de acolhimento diferenciada, desempenham um papel crucial na minimização do sofrimento, que engloba a dor física, psicológica, social e espiritual. Além disso, os CP visam promover a interação interdisciplinar/transdiciplinar, que promove a eficácia das abordagens com diferentes visões do conhecimento. O Trabalho tem como objetivo proporcionar melhoria da saúde dos pacientes e acolhimento dos cuidadores, através de um maior tempo para o diálogo, identificar sofrimentos e/ou dificuldades não relatados em consultas pregressas com outros profissionais e contribuir para a equipe médica e/ou de enfermagem para futuras condutas. A pesquisa é um estudo clínico observacional e/ou intervencionista, utilizando questionários qualitativos de avaliação com os pacientes oncológicos com metástase e seu principal cuidador, no setor de oncologia do Hospital Escola Álvaro Alvim. Foram entrevistados oito pacientes e oito acompanhantes, sendo dois pacientes do sexo masculino e seis do sexo feminino, sendo nas faixas etárias de 45 a 68 anos. Metade dos pacientes apresentou negação no início da doença. Duas pacientes estavam em intenso sofrimento psicológico e conflitos com seus cônjuges, devido extrema falta de libido e negação de seu próprio corpo após os impactos estéticos alterados pela doença e pelo tratamento. Uma das pacientes relata “que sua vida está em outra etapa, não sente mais prazer na relação sexual, é como se estivesse vendo a vida de outra maneira”. Dois pacientes idosos relataram sofrimento espiritual, visto que “sentia muita falta de ir à igreja”, visto que perdeu a autonomia e sua família não os levam. Todos os pacientes se designaram cristãos, mas também relataram que a religião/espiritualidade foi fundamental para ajudar a lidar com o processo e os impactos do adoecimento, sendo fundamental para o processo de aceitação e força para vencer cada etapa. Dos acompanhantes; quatro se sentem preocupados com a doença do familiar; quatro se sentem tristes e ansiosos e tiveram resistência no início do diagnóstico do familiar. Além disso, sobre a alimentação, seis pacientes disseram que aumentaram o apetite com o início do tratamento com quimioterapia e dois disseram que não tiveram alteração, os acompanhantes relataram a mesma informação, sendo que uma acompanhante afirmou que fez a introdução, sem indicação médica, de suplementos como whey protein e creatina, afirma ter observado mudança considerável na saúde do paciente para enfrentar o tratamento. Diante disso, os pacientes que estão em tratamento com câncer requerem uma atenção maior, pois durante as entrevistas verifica-se uma carência por uma conversa amiga, isso faz com que eles se sintam mais valorizados como pessoa e não como um paciente oncológico. Dessa forma, o intuito do trabalho tem sido também ajudar os pacientes sobre algumas informações. Indubitavelmente, trouxe um conforto para algumas angústias após uma conversa mais prolongada, sem rigor de tempo, compreendendo o lado do paciente e do acompanhante na fase de enfrentamento da doença e dos diferentes impactos em cada individualidade e, assim, proporcionando uma atenção à saúde centrada na pessoa
Plantas medicinais: : uma abordagem sobre o uso em crianças
A utilização de plantas medicinais é uma prática comum para uma parcela significativa da população, passada de geração para geração por influência cultural, social e/ou econômica. Preparos a base de plantas medicinais constituem extração de substâncias químicas para administração e, nesse sentido, demandam uso racional, principalmente, em idosos, gestantes e crianças. O presente trabalho objetivou identificar as espécies vegetais prevalentemente utilizadas em crianças, avaliando seu uso racional, no intuito de evidenciar fragilidades dessa prática e alertar à população e aos profissionais de saúde quanto à importância do uso racional de plantas medicinais. Foi realizado um estudo observacional transversal, com aplicação de questionário. A amostragem, por conveniência, totalizou 100 pessoas, acima de dezoito anos, residente em Campos dos Goytacazes – RJ, responsável por criança. A coleta de dados ocorreu no mês de junho de 2024, na creche Estadual Monteiro Lobato e na escola municipal João Goulart. As variáveis analisadas incluíram: espécies de plantas medicinais, estado da amostra (fresca ou seca), forma de preparo, indicação, idade da criança. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, da Faculdade de Medicina de Campos, com parecer nº 6.860.677. 46% dos respondentes afirmaram fazer uso de plantas medicinais em crianças, sendo a maior prevalência de uso identificada em crianças entre um e seis anos de idade (76%). Em 96% das respostas o uso é realizado sem recomendação de um profissional de saúde. Dentre as plantas medicinais mais citadas na administração em crianças estão: a Camomila (39,1%), Cidreira (37,0%), Erva-doce (23,9%), Hortelã (19,6%) e Saião (17,4%), sendo a planta fresca a apresentação mais utilizada e a decocção e xarope caseiro, as formas de preparo mais frequentes, com a mistura de cerca de 3 a 4 plantas na preparação. O uso da Camomila e Cidreira, apontado pelos entrevistados, está relacionada a finalidade de acalmar e, da Hortelã e Erva-doce, com a finalidade digestiva e tratamento de cólica intestinal. Dessas espécies, excetuando o saião (Kalanchoe brasiliensis), todas estão descritas no Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira (FFFB, 2ª ed.). O FFFB, recomenda o uso da inflorescência da Camomila (Matricaria chamomilla), em preparo extemporâneo por infusão e a indicação depende da fórmula de preparação, incluindo: tratamento sintomático de queixas gastrintestinais leves, de sintomas do resfriado comum, de lesões leves e inflamações da boca e orofaringe e alívio de afecções cutâneas. Todas as fórmulas apresentam advertência quanto a faixa etária, havendo fórmula com recomendação de uso pediátrico acima de 12 anos. A Cidreira (Lippia alba) é indicada para adultos como auxiliar no alívio da ansiedade leve, como antiespasmódico e como antidispéptico, sendo indicado seu preparo por infusão das folhas e flores. A Hortelã (Mentha x piperita), preparada por infusão das folhas, é indicada como auxiliar no alívio de sintomas dispépticos. A depender da fórmula, seu uso é previsto apenas em adultos. As plantas medicinais de administração mais frequente em crianças têm sido utilizadas de forma errada no que tange o preparo, a faixa etária e, em alguns casos, o uso terapêutico. Os responsáveis precisam ser orientados sobre o uso racional de plantas medicinais e os perigos que elas podem representar
Perfil dos medicamentos vencidos em domicílio
A dispensação indevida de medicamentos, seja em função da automedicação ou do descumprimento de regulamentações vigentes relativas à dispensação de medicamentos tarjados, assim como a interrupção ou troca da medicação, contribuem para o armazenamento, muitas vezes, inadequado desses produtos nas residências, dando origem as conhecidas “farmacinhas caseiras”. Essa prática contribui para geração de medicamentos vencidos, desperdício econômico e pode representar risco à saúde da população e ao meio ambiente. O presente trabalho objetivou identificar o perfil das “farmacinhas caseiras”, verificando a forma de armazenamento dos medicamentos nas residências, a existência e perfil dos medicamentos vencidos, bem como o grau de conhecimento sobre a forma correta de armazenamento e descarte desses produtos. Foi realizado um estudo observacional transversal, com aplicação de questionário a residentes de Campos dos Goytacazes, RJ, maiores de 18 anos, de ambos os gêneros. A coleta dos dados ocorreu no período de abril a julho de 2024, com amostragem por conveniência, que, até o momento, totalizou 50 participantes. A pesquisa foi aprovada pelo CEP, da Faculdade de Medicina de Campos, com parecer nº 6.829.198. Os resultados parciais do estudo revelaram que todos os respondentes possuem medicamentos armazenados em casa e que 88% nunca recebeu orientação quanto ao local correto de armazenamento. 48% dos respondentes armazenam os medicamentos no armário do quarto. Armários da cozinha e banheiro totalizam 38%. A umidade destes ambientes pode causar degradação do medicamento, o tornando impróprio para uso, ainda que dentro do prazo de validade. Em 18% dos domicílios havia medicamentos vencidos, com média de 2,3/domicílio. 52% estavam vencidos há mais de 6 meses. 95,2% dos vencidos foram comprados em farmácias e drogarias. Dentre os vencidos, os medicamentos genéricos são os mais prevalentes (66,6%), possivelmente, em função da Lei n° 9787/1999 que ampliou o acesso a medicamentos. No tangente à necessidade de prescrição, 48% dos vencidos eram tarjados. Medicamentos Isentos de Prescrição (MIP) e Medicamentos de Notificação (MN), totalizaram 52%. O acesso aos medicamentos não tarjados, por meio de autosserviço, não justifica o percentual encontrado uma vez que, quando restringido seu acesso ao usuário (RDC 41/2012), não foi observado diminuição no consumo. O percentual de tarjados vencidos, por sua vez, pode estar associado à deficiência do mercado na oferta de produtos fracionáveis, o que gera sobras, ou ao não cumprimento das regulamentações vigentes referentes à dispensação. A renda per capita familiar de mais de 70% dos respondentes que forneceram essa informação (34%), é de até um salário-mínimo o que, avaliado em conjunto com a forma prevalente de aquisição dos medicamentos, evidencia um desperdício financeiro vinculado à perda do produto que onera, por vezes, os menos favorecidos. Quanto ao descarte desses produtos, 88% não receberam nenhuma orientação, no ato da dispensação, o que explica o baixo percentual de descarte em local apropriado (10%). Os resultados apontam para a necessidade de ações de educação em saúde que incluam orientações sobre o armazenamento de medicamentos em domicílio e apontam para eventuais fragilidades das regulamentações/fiscalizações que possam mitigar a prática das farmacinhas caseiras que representam risco a saúde da população e ao meio ambiente
Hábito de fumar e a qualidade de vida de estudantes de medicina de uma universidade no Centro-oeste do Brasil
Alcohol and tobacco are the most commonly consumed substances by young university students. The industry understands that this group will form an important consumer market in the future. Among university students, especially in the health field, the reasons for consumption are curiosity and social acceptance to make new friends at college, in addition to the anxiety and stress that academic life brings. To evaluate the smoking habit and quality of life of medical students at a university in the Midwest of Brazil. This is an observational, cross-sectional, quantitative study. An electronic questionnaire in Google Forms containing 30 questions and the Medical Outcomes Study 36-item Short-Form Health Survey (SF-36) questionnaire were applied to medical students at the Evangelical University of Goiás – UniEVANGÉLICA. 298 participants, 72.1% women and 27.9% men, aged between 21-30 years, white skin color, and single marital status. Regarding smoking habits, 43.9% had tried some type of tobacco at least once, and of these, 44.3% declared themselves as non-smokers. The average age of smoking initiation was 18.3 years (± 1.9), ranging from 15 to 24 years. Among the types of tobacco, marijuana was cited by 58% of the 131 reports of types of items smoked. The SF-36 indicated that the vitality domain had the lowest average (51.2 ± 18.9); and the functional capacity domain had the highest (90.6 ± 13.4). Most participants had tried some type of tobacco at least once. Being between the ages of 17 and 20 is a risk factor that may influence the experimentation of tobacco. And, when we talk about tobacco, we include, in addition to cigarettes, the various forms, such as electronic cigarettes and hookah. The university represents an educational support environment and must act to provide examples of healthy habits.O álcool e o fumo são as substâncias mais consumidas pelos jovens universitários. A indústria entende que esse público forma um importante mercado consumista no futuro. Entre os universitários, principalmente da área da saúde, os motivos de consumo são a curiosidade e aceitação social para fazer novos amigos na faculdade, além da ansiedade e estresse que a vida acadêmica proporciona. Este estudo avaliou o hábito de fumar e a qualidade de vida de estudantes de medicina de uma universidade no Centro-oeste do Brasil. Trata-se de um estudo observacional, transversal quantitativo. Um questionário eletrônico no Google Forms contendo 30 questões e o questionário Medical Outcomes Study 36-item Short-Form Health Survey (SF-36), foram aplicados aos estudantes de medicina da Universidade Evangélica de Goiás – UniEVANGÉLICA. Resultados: 298 participantes, 72,1% mulheres e 27,9% homens, com faixa etária entre 21-30 anos, cor da pele branca, e estado civil solteiro. Sobre o hábito de fumar 43,9% experimentou ao menos uma vez algum tipo de fumo, sendo que destes 44,3% dos participantes se declararam como não fumantes. A média de idade de iniciação ao tabagismo foi de 18,3 anos (± 1,9), variando entre 15 e 24 anos. Entre os tipos de fumo a maconha foi citada por 58% dos 131 relatos de tipos de itens fumados. O SF-36 indicou que o domínio vitalidade apresentou menor média (51,2 ± 18,9); e o domínio capacidade funcional a maior (90,6 ± 13,4). A maioria dos participantes experimentou ao menos uma vez algum tipo de fumo. Estar na faixa etária entre 17 e 20 anos é um fator de risco que pode influenciar em experimentar o tabaco. E, quando se fala em tabaco, inclui além do cigarro comum as diversas formas, como o cigarro eletrônico e o narguilé. A universidade representa um ambiente de suporte educativo e deve agir no sentido de proporcionar exemplos de hábitos saudáveis
Educação popular em saúde e promoção da saúde por meio de atividades lúdicas:: interação de pré-escolares, pais, responsáveis e professores
A promoção da saúde na educação básica é essencial para o desenvolvimento integral da criança impactando o desenvolvimento físico, mental e emocional ao longo da vida. Em Campos dos Goytacazes, RJ, a prefeitura gerencia 99 creches municipais, com cerca de 11.287 crianças de 1 a 3 anos. O Projeto Risoterapia em Ação, parte do programa de extensão da Faculdade de Medicina de Campos, alinhado com a Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEP-SUS), que valoriza saberes populares e participação comunitária, em parceria com o Programa de Saúde na Escola (PSE), visa promover e prevenir a saúde em creches e escolas. Promover saúde a pré-escolares de 2 e 3 anos em creches públicas de Campos dos Goytacazes, RJ, por meio de atividades lúdicas, envolvendo crianças, responsáveis e equipe escolar em temas relacionados à higiene pessoal, com intuito de orientar e incentivar atitudes de prevenção e autocuidado para redução de doenças na infância. Iniciado em junho de 2023, a primeira etapa contou com uma roda de conversa ocorrida em setembro de 2023 com responsáveis, diretores e professores de creches municipais, discutindo saúde infantil e temas de interesse para o público-alvo, como pediculose, gripe, resfriado, verminoses, alergias, carrapatos e problemas emocionais. A segunda etapa envolveu planejamento de ações lúdicas focadas em pediculose, gripe e resfriado. Entre março e abril de 2024, atividades foram realizadas para o público-alvo, incluindo a contação da história "Minha amiga piolhenta" com fantoches e brincadeiras como “banho no chuveiro”, pintura e jogo de memória sobre “higiene pessoal”. Os responsáveis participaram de uma conversa sobre “Prevenção e tratamento para pediculose”, “Gripe e Resfriado: o que é preciso saber”. Foram ainda distribuídas cartilhas com os temas, pente fino e formulário para registro das impressões sobre as atividades desenvolvidas. O Projeto contribuiu para o conhecimento dos participantes ao abordar temas de saúde e doenças, definidos a partir da interação com a comunidade envolvida. O brincar possibilita a aprendizagem de forma prazerosa e efetiva, permitindo que a criança explore sua criatividade e desenvolva novas habilidades. A utilização de atividades lúdicas, com o teatro, enriqueceu a experiência, transmitindo conhecimento de forma leve, inovando o modelo tradicional de ensino. Ao final do Projeto, a boa adesão e o impacto positivo das atividades lúdicas, deixaram evidente que essa dinâmica facilitou a interação entre os realizadores, as crianças e os responsáveis. Participaram do projeto 143 crianças de 2 a 3 anos, 74 pais/responsáveis, 15 professores e 4 acadêmicos de medicina em uma creche municipal de área vulnerável. Foram realizadas atividades lúdicas abordando temas levantados nas rodas de conversa. O teatro de fantoches tratou da pediculose, enquanto as brincadeiras incentivaram a higiene pessoal. Os responsáveis participaram das atividades, esclareceram dúvidas sobre gripe e resfriado, e receberam cartilhas informativas e pente fino. O engajamento dos pais/responsáveis pôde ser verificado durante as atividades e pelo formulário avaliativo. A análise verificou os significados atribuídos ao projeto: “gostei muito”, “gostei da dinâmica”, “dicas importantes”, “bem explicados”, “a forma didática, foi ótima para as crianças”, entre outros.
Elizabethkingia meningoseptica:: relato de caso de infecção atípica multiresistente em unidade de terapia intensiva no Norte Fluminense
A Elizabethkingia meningoseptica, é uma bactéria aeróbica gram-negativa de rara prevalência, com potencial de desencadear graves infecções, bem como índice relevante de múltipla resistência à antibioticoterapia. Relaciona-se com quadros de meningite, septicemia, pneumonia, infecções do trato urinário, infecções cutâneas e associadas a dispositivos externos, com uma taxa de mortalidade de 30-54% Identifica-se indivíduos imunocomprometidos e neonatos como grupos mais afetados, principalmente em ambientes nosocomiais. Tal patógeno possui poucos relatos no Brasil, sendo a última publicação no ano de 2014 em Recife-PE, apresentando uma maior prevalência na Ásia e Europa. Apresentamos aqui evidências da presença de uma infecção atípica e multirresistente por Elizabethkingia meningoseptica, seu manejo terapêutico realizado em uma unidade de terapia intensiva no Norte Fluminense, bem como o curso da doença, que resultou em óbito. Paciente masculino, 49 anos, foi admitido na UTI do Hospital Álvaro Alvim (HEAA) no município de Campos dos Goytacazes, após transferência de um hospital público. Com suspeita inicial da síndrome pulmão-rim, juntamente de outros quadros agravantes como choque séptico pulmonar e DRC agudizada dialítica, foi tratado empiricamente com vancomicina + meropenem, porém sem melhora evolutiva e com instabilidade hemodinâmica, havendo necessidade de traqueostomia e uso de drogas vasopressoras. Solicitados exames de imagem e cultura por amostra de sangue e secreção traqueal, em que os resultados demonstraram no isolamento das amostras, a bactéria Elizabethkingia meningoseptica, com ausência do antibiograma por escassez do padrão de interpretação para tal germe. A tomografia de tórax revelou opacidades em vidro fosco, opacidades alveolares e áreas de broncograma aéreo em ambos os pulmões e mais acentuados em bases pulmonares. Com isso, foi prescrito esquema medicamentoso com levofloxacino + piperacilina/tazobactam + sulfametoxazol/trimetoprim. Além da antibioticoterapia, foi instituído tratamento de suporte, reposição de eletrólitos e ajustes de parâmetros ventilatórios. Aproximadamente dez dias após o início da nova conduta terapêutica, o paciente evolui com parada cardiorrespiratória, sendo assistido pela equipe com repetidas manobras de reanimação, sem sucesso. O complexo desfecho deste caso está intimamente relacionado à dificuldade em definir uma terapia eficaz para o microrganismo identificado, uma vez que os tratamentos empíricos convencionais se mostraram ineficazes. Apesar de o diagnóstico inicial não ter sido confirmado, a resistência a múltiplos fármacos representa um desafio alarmante para o sistema de saúde, pois impede a implementação de tratamentos direcionados. O isolamento dessa bactéria demonstra a urgência de um controle eficaz contra agentes infecciosos multirresistentes
A elaboração de um Boletim Epidemiológico sobre Mortalidade Materna em um município da região Norte Fluminense (2018-2022)
O Conselho de Saúde é um órgão colegiado, deliberativo e permanente no Sistema Único de Saúde (SUS). Seu papel é proporcionar a participação democrática, formulação de políticas locais e na fiscalização da execução da política de saúde, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, além de articular com instâncias superiores a fim de promover equidade em saúde e buscar meios e respostas diante de situações críticas e emergenciais. Sua realização acontece quando diante das propostas pautadas, o conselho analisa e aprova o plano de saúde, bem como o relatório da gestão e informa a sociedade. Sobre a sua atuação por meios oficiais. Compreender a importância da existência do Conselho de Saúde como fórum representativo nos municípios, destacando o Conselho Municipal de Saúde de Campos dos Goytacazes como local de participação e deliberação dos cidadãos nas decisões relacionadas com as políticas públicas da área da saúde, aproximando os representantes da sociedade geral e, dessa forma, observando se o conselho tem sido utilizado de forma certa e eficaz para benefício da sociedade. Trata-se de estudo observacional de reuniões mensais do Conselho Municipal de Saúde de Campos dos Goytacazes durante o período de 1 ano, tendo início no 2osemestre de 2023 e conclusão no 1o semestre de 2024, bem como discussão das atas apresentadas e divulgação Via mídia social Re- lato: Foram discutidos temas como aprovação do processo que solicita o Credenciamento Habilitação para o Hospital Ferreira Machado, como Unidade de Assistência em Alta Complexidade em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral, aprovação do Processo que solicita o Credenciamento e Habilitação de 9 Leitos UTI Adulto, para o Hospital dos Plantadores de Cana, aprovação do Processo que solicita o Credenciamento e Habilitação para o Hospital Álvaro Alvim como Unidade de Assistência em Alta Complexidade em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral, aprovação de data e Regimento da Etapa Municipal para a 1a Conferência Estadual de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, contratualização 2024 do Conselho Municipal, apresentação do Projeto de Ambulatório Osteoporose, discussão de contratos e convênios, discussão de orçamento e finanças, discussão da 4a Conferência Estadual de Saúde de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde do ano de 2024. Constatou-se que o Conselho Municipal de Saúde é um órgão de suma importância para sociedade, devido aos valiosos assuntos tratados e votados durante as sessões mensais, mas que possuem pouca visibilidade, tanto no meio dos próprios estudantes e profissionais de saúde, quanto na sociedade no geral. Dessa forma, apesar de ser muito efetivo no seu papel de articulação superior e fiscalização, ainda assim deixa a desejar na transmissão das informações tratadas e decididas
Osteomielite crônica de mandíbula:: relato de caso
A osteomielite é definida como uma inflamação do osso trabecular e medula óssea. Quanto a sua classificação temporal apresenta-se em aguda, caracterizada pela colonização e posteriormente formação do biofilme, processo inflamatório infeccioso e diminuição local do suprimento sanguíneo por aumento da pressão intra-óssea, e a crônica, consequente da ausência ou falha do tratamento, desvitalização da matriz óssea e formação de fistulas. Em casos de cronificação da doença, o local afetado pela baixa vascularização sanguínea evolui para uma necrose isquêmica do osso, resultando na separação de fragmentos desvascularizados, fenômeno conhecido como sequestro ósseo. Um grande problema associado à osteomielite crônica é a permanência dos microrganismos no tecido necrosado por um longo período, principalmente quando o desbridamento do tecido morto é feito de maneira inadequada, dificultando o sucesso terapêutico. Este resumo relata o caso de um paciente que desenvolveu osteomielite crônica em mandíbula após implante dentário. Casos de osteomielite crônica de mandíbula são consideravelmente raros, principalmente quando agentes bacterianos atípicos estão presentes. A investigação clinica deve ser cautelosa, procurando possíveis relações com infecções hospitalares, fraturas, uso descriminado de antibióticos, ou implantes dentários. Para que o tratamento seja assertivo é necessário que o agente infeccioso seja identificado, contribuindo para um tratamento conservador com antibioticoterapia mais eficaz e precisa no combate ao patógeno. Um aspecto importante do caso que exalta a importância de uma abordagem terapêutica mais direcionada é o fato de que abordagens antimicrobianas empíricas, sem um direcionamento correto quanto ao patógeno, podem causar seleção de bactérias resistentes, contribuindo ainda mais na evolução para um estágio crônico da doença. Sexo feminino, 77 anos de idade, sob recomendação de um especialista odontológico realizou implante total da arcada dentária inferior. Após procedimento odontológico, evoluiu para um quadro infeccioso em região ântero-superior direita da mandíbula. Diante do quadro, diversas abordagens terapêuticas e cirúrgicas foram adotadas, porém sem sucesso, cronificando a infecção. Depois de 3 anos sem resolução, consultou com um infectologista, onde foi solicitada a realização de biópsia de fragmento ósseo da mandíbula, confirmando o diagnóstico de osteomielite crônica. Na cultura houve identificação das bactérias Escherichia coli (anexo 1) e Morganella morganii (anexo 2), o que contribuiu para a escolha da droga antimicrobiana baseado nos testes de sensibilidade aos antimicrobianos contendo informações sobre concentração inibitória mínima. O tratamento conservador foi eficaz com melhora clínica e laboratorial. Com o resultado da biopsia de fragmento ósseo, antibiograma e concentração inibitória mínima, o antimicrobiano como um tratamento conservador foi assertivo na cura do paciente