Portal de Revistas Científicas Electrónicas da Universidade Pedagógica de Maputo
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20 Anos de inclusão ou (re) integração educacional em Moçambique?
Consideramos a história da educação especial a nível internacional e a importância da educação para todos no sucesso de aprendizagem. Nesta revisão objectivamos reflectir sobre a implementação da educação inclusiva em Moçambique (1998 - 2018) à luz das exigências da UNESCO e UNICEF com as práticas educativas nacionais. Em meio a esta discussão foi possível depreender que, nas variáveis de sucesso, Moçambique destaca-se por uma educação inclusiva sem lei; com políticas e práticas educativas divergentes; a falta de flexibilidade ou ajustamentos curriculares são cada vez mais; o financiamento exíguo; falta e/ou precárias adaptações arquitectónicas e formativas; os sistemas de apoios e serviços especializados inexistentes; a sensibilização comunitária e social menos pragmática; o envolvimento do tecido familiar menos presente; as estratégias colaborativas entre sectores da área não são evidentes; a liderança, tomada de decisão e responsabilização pouco claras podendo assim cristalizar-se cada vez mais a integração educacional. Por assim dizer-se, assistimos um "divórcio" psico-pedagogicamente instituído entre as políticas e as práticas educativas inclusivas. Conclusivamente, destacamos a necessidade para a mudança da nomenclatura NEE para Educação Inclusiva, e a inscrição/inclusão da disciplina Educação Inclusiva em todos os subsistemas de educação nacional
Considerações do Modelo Bioecológico de Urie Bronfenbrenner para Análise das Implicações da COVID-19 na inclusão social
Nesta pesquisa de natureza teórica, procurou-se identificar as implicações do COVID-19 na inclusão social através das considerações da teoria bioecológica proposta por Urie Bronfenbrenner (1917-2005). Tendo em consideração que este modelo teórico analisa em simultâneo os processos proximais, aspectos pessoais, o contexto e o tempo de forma dinâmica a partir de um nível micro ao nível macro, torna-se pertinente elaborar explicações sobre como é que as atitudes e as decisões individuais podem ter implicações na família, comunidade, no país, continente e no mundo e vice-versa. Foi possível constatar que a problemática da pandemia COVID-19 associada as precárias condições de vida nos países subdesenvolvidos, a fragilidade da economia e a crise política, comprometeu a inclusão social e colocou em risco a vida das pessoas levando a última instância a morte. Embora haja enorme diversidade cultural, associada ao histórico de famílias alargadas e coesão grupal, o cenário actual vai exigir que no futuro sejam feitas mudanças atitudinais nas interações sociais a vários níveis, o que é desafiante para a inclusão social
Perseguir a utopia, mesmo com a pandemia!
O ano de 2020 está a ser marcado pela crise sanitária global, provocada pelo coronavírus. A crise perturbou o funcionamento dos países, incluindo na área de educação. No caso de Moçambique as aulas presenciais foram suspensas e, em substituição, se emigrou para o ensino online. No texto, apresentamos uma reflexão, a partir da nossa experiencia pessoal enquanto professor universitário, sobre as vicissitudes porque o processo das aulas online passa, o que nos leva a ideia de que podemos ter passado de uma universidade em crise, dada a desigualdade social que caracteriza os seus estudantes, à uma universidade injusta, uma vez que o ensino online veio agravar a situação daqueles que já se encontravam em desvantagem
PRÁTICAS COLABORATIVAS NO PROCESSO DE ENSINO-ARENDIZAGEM: DESAFIOS E PERSPECTIVAS NA PROMOÇÃO DE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
O artigo traz uma reflexão sobre as perspectivas e desafios no desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, atendendo as novas dinâmicas de formação docente. Essa dinâmica ou estratégia visa promover a educação colaborativa entre alunos, alunos-professores e outros intervenientes do processo educativo, tendo como base a metodologia ou estratégia de educação centrada no sujeito da formação. A reflexão enquadra-se no paradigma qualitativo através de adopção da pesquisa bibliográfica, usando as reflexões dos teóricos humanistas Carl Rogers, Piaget e Vygostky. A reflexão sustenta a premissa de que a aprendizagem colaborativa, como estratégia e prática, deve ser adoptada como nova metodologia de aprendizagem dos alunos, pois permitirá o desenvolvimento de valores como a solidariedade, a partilha de conhecimentos, a empatia, aceitação positiva e a congruência para mudança de personalidade colaborativa enquanto aprendem e permite optimizar o ambiente escolar mais envolvente e educacional. É nesse diapasão que a reflexão incide sobre como proporcionar uma aprendizagem significativa a partir da colaboração entre sujeitos aprendentes e demais actores do processo de ensino-aprendizagem
Análise Semiótica E Sociolinguística Da Diversidade Cultural, Racial E Linguística Na Escrita Humorística De Sérgio Zimba Em Moçambique
Análise Semiótica E Sociolinguística Da Diversidade Cultural, Racial E Linguística Na Escrita Humorística De Sérgio Zimba Em Moçambique
Célia Helena Nhancupe Manjate
RESUMO:
A diversidade cultural, social, racial, étnica e linguística pode ser observada nas grandes cidades contemporâneas, que não escapam ao olhar aguçado do artista. De facto, a escrita humorística de Sérgio Zimba permite-nos ver e ler a cidade e a vida em Maputo descrita como um ponto de encontro, um espaço de coabitação e sobretudo como um espelho de Moçambique multifacetado em miniatura, que nos propomos explorar do ponto de vista da semiótica, análise discursiva e sociolinguística urbana, uma vez que as imagens, o discurso e as línguas se entrelaçam com astúcia, humor, ironia e arte. O nosso objectivo nesta comunicação é de analisar a forma como esta diversidade está organizada e reproduzida no desenho humorístico, na escolha das personagens que atraem a atenção do leitor (mesmo o menos alfabetizado) pelos seus gestos expressivos, os seus nomes típicos, os seus registos linguísticos autênticos, os seus modos de falar casuais, a sua maneira de vestir, o seu carácter, o seu temperamento, as suas formas de ser e também de que modo esta mesma diversidade reflecte interacções do dia-a-dia e tensões entre as culturas, classes sociais, raças e línguas na cidade de Maputo desenhada pelo caricaturista Sérgio Zimba.
Palavras-chave: Moçambique. Escrita. Humor. Semiótica. Sociolinguística. Diversidade
Auto-eficácia e motivação académica na perspectiva sócio-cognitiva de aprendizagem
Propomo-nos, com este corpo de revisão, discutir a associação do senso entre a auto-eficácia e a motivação académica, sob prisma sócio cognitivo de aprendizagem de Albert Bandura que, no contexto da psicologia da educação, este modelo apresenta uma abordagem com enfoque para as crenças e expectativas intrapessoais próprias dos alunos. Enfatizamos aqui, questões de auto-eficácia e motivação académica ressaltando o papel do aluno e do professor no contexto ecológico - sistémico de aprendizagem. Nesta lógica, a auto-eficácia é assumida como conjunto de percepções ou crenças que pesam sobre o sujeito em relação às suas singulares capacidades, habilidades e competências de organização e execução das actividades para determinados resultados académicos. E, a motivação neste caso, representa uma energia intrínseca ou extrínseca, que estimula o organismo à acção. Em meio a esta discussão, a auto-eficácia e motivação representam-se como dois construtos interdependentes e indissociáveis, elegíveis, para o desempenho, desenvolvimento e rendimento académico do aluno. O professor encarregado de competências interpessoais, lhe é nobre e exclusivo o acto pedagógico para suscitar, promover e assegurar o desenvolvimento destas capacidades de acordo com as particularidades, experiências de êxito e fracasso do aluno, a realidade sistémica e os objectivos de realização educativa.
DETERMINANTES E TENDÊNCIAS DA EVASÃO NO ENSINO SUPERIOR EM MOÇAMBIQUE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
A evasão académica no ensino superior constitui um fenómeno complexo e multifactorial, com impacto significativo na qualidade, sustentabilidade e equidade dos sistemas educativos. Em Moçambique, a expansão da rede universitária nas últimas décadas trouxe consigo o desafio crítico da permanência estudantil. Este artigo apresenta uma revisão sistemática da literatura publicada entre 2008 e 2024, com o objectivo de identificar os determinantes e tendências da evasão no ensino superior moçambicano. A pesquisa foi conduzida em bases de dados como Google Scholar, SciELO, Redalyc e ResearchGate, utilizando palavras-chave em português e inglês. Após a triagem de 95 registos, foram incluídos 10 estudos empíricos e teóricos. Os principais factores de evasão identificados foram: dificuldades económicas, baixa preparação pré-universitária, qualidade pedagógica insuficiente, ausência de políticas de retenção eficazes e desafios de adaptação académica e psicossocial. Os resultados indicam que as taxas de evasão variam entre 15% e 40% nas instituições estudadas, com maior incidência nos primeiros anos e em cursos de Ciências Exactas e Engenharia. A discussão reforça a necessidade de políticas integradas de apoio financeiro, psicossocial e pedagógico, além da realização de mais estudos longitudinais e representativos. Conclui-se que a evasão no ensino superior em Moçambique permanece um problema premente, exigindo intervenções multissectoriais e investigação aprofundada para a sua mitigação
Como estudam os alunos universitários: Levantamento na Universidade Pedagógica de Moçambique
O presente trabalho intitulado como estudam os alunos universitários: levandamento na Universidade Pedagógica de Moçambiqueaborda sobre a forma de como os estudantes organizam a sua aprendizagem e que preparações fazem para serem bem sucedidos no desempenho escolar. Com o objectivo de auscultar como se processa a organização dos estudos pelos alunos universitários, tanto nas ciências quanto nas humanidades. Participaram no estudo 48 estudantes do 1º ano e 3º ano (24 homens e 24 mulheres) distribuídos em dois grupos de cursos: Humanidades e Ciências. Para percebermos o comportamento dos estudantes perante a organização da aprendizagem recorremos a um questionário de 13 (treze) perguntas abertas previamente elaboradas, das quais obtivemos respostas que a partir delas, formamos categorias. Das categorias obtidas, elaboramos quatro dimensões de competências e estratégias de aprendizagem assim caracterizadas: (i) os comportamentos de organização do estudo, a tomada de apontamentos e recursos necessários, a gestão do tempo e a frequência das aulas; (ii) a aquisição e compreensão das matérias e assuntos curriculares, as estratégias deliberadas de processar a informação e de construir o conhecimento; (iii) os aspectos motivacionais, os interesses no curso e nas unidades curriculares que frequentam; e (iv) os comportamentos de preparação e realização das situações de avaliação, incluindo a realização de exames e outras situações de avaliação
EP1 de Uampaco: Exemplos de algumas práticas com vista a promover a aprendizagem escolar das crianças
Moçambique tem-se debatido com várias adversidades no caminho para a consecução dos três eixos principais do Plano Estratégico da Educação, nomeadamente, (i) assegurar a inclusão e equidade no acesso e retenção na escola; (ii) melhorar a aprendizagem dos alunos e (iii) garantir uma boa governação do sistema. Alinhado com o segundo dos eixos referidos, este trabalho mostra como e que se enaltecem algumas práticas com forte impacto na melhoria da aprendizagem dos alunos. Os exemplos são de uma escola que não obstante a carência de recursos com que se debate, particularmente os de ensino e de aprendizagem, entre professores e alunos, tem conseguido alcançar notáveis progressos a partir da adopção de estratégias quer para o trabalho didáctico no contexto de turmas numerosas, quer no sentido de suprir a carência de livros, cadernos, lápis, materiais imprescindíveis na aprendizagem da leitura e da escrita
A relação entre actividades de enriquecimento curriculares/extracurriculares e o desempenho académico
O programa “Escola à Tempo Inteiro” (ETI) do Ministério da Educação (ME) iniciado nas escolas públicas em 2006 veio generalizar o acesso à prática, de forma gratuita, de um conjunto de aprendizagens enriquecedoras do currículo a todos os alunos do 1º Ciclo, com o objectivo de melhorar os resultados escolares dos alunos, ao mesmo tempo que responde às necessidades sociais das famílias em prolongar a permanência das crianças nas escolas (Relatório da CAP 2007-2008). Importa agora verificar se os objectivos propostos foram alcançados e em que medida. O presente trabalho apresenta os resultados de um estudo realizado numa amostra de 597 alunos que concluíram o 6º ano e o 9º ano no ano lectivo de 2011/21012. Os resultados do referido estudo dão conta de uma clara melhoria no desempenho académico dos alunos que frequentaram actividades de enriquecimento curricular durante o primeiro ciclo