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A IMPOSSIBILIDADE DA EXPERIÊNCIA IMEDIATA EM KANT
Este artigo visa analisar o idealismo tratado na segunda edição da Crítica da Razão Pura dando enfoque ao problemático. Segundo Kant, o idealismo cartesiano é incapaz de garantir a existência de algo através da experiência imediata. Kant apresenta a necessidade de haver não apenas pressuposição da existência de coisas externas, mas também a sua experiência. Para Descartes, a experiência interna é suficiente para a garantia de sua validade objetiva, portanto, a experiência externa é apenas pressuposta. Para alcançar seu objetivo de refutar o idealismo problemático, Kant afirma algo desvinculado da experiência interna, portanto, que esteja que esteja no espaço. A prova de existir algo externo ao sujeito permanente dá garantia de que não há possibilidade de afirmar algo como real e verdadeiro tão somente atribuindo ao sentido interno tal garantia. A prova de objetos externos torna-se alvo determinante na refutação do idealismo, pois através dela é possível colocar em cheque a validade objetiva garantida pelo sentido interno. Segundo Emundts, Kant na refutação do idealismo caracteriza-se por provar a existência de objetos externos. Klotz apresenta que o objetivo de Kant é estabelecer um fundamento na experiência externa de modo que as intuições possam ser consideradas verdadeiras. Caranti considera que através da experiência do sujeito, pode-se inferir que há objetos externos. Esses objetos externos podem ser compreendidos como alucinações ou entidades mentais
A CONSTITUIÇÃO TÁTIL DO CORPO (LEIB) EM IDEIAS II, ATRAVÉS DAS SENSAÇÕES LOCALIZADAS (EMPFINDNISS)
Neste trabalho apresentaremos o modo como o corpo (Leib) constitui-se segundo Husserl através do tato, sendo está constituição demonstrada a partir das sensações-localizadas (Empfindniss) na obra Ideias II. Faremos em um primeiro momento uma diferenciação entre coisa-material (Ding) e corpo (Leib), visando com isso, angariar uma maior clareza do significado próprio de corpo (Leib) na fenomenologia de Ideias II. Em um segundo momento analisaremos a possibilidade de constituição do corpo (Leib) a partir das percepções visuais e táteis. Concluiremos afirmando que segundo Husserl, o corpo (Leib) se constitui primordialmente através do tato, sendo sua constituição tátil trazida à vista de maneira clara, através das análises referentes as sensações-localizadas (Empfindniss)
A FELICIDADE EM ARISTÓTELES
O ser humano a todo momento está em busca da felicidade. Inúmeros autores tentaram demonstrar no que consiste a felicidade e o que se deve fazer para chegar a mesma. Entre esses inúmeros autores se encontra Aristóteles e é da sua teoria da felicidade que iremos nos ater nesse artigo. Primeiramente vamos nos dedicar a diferença dos seres que faz Aristóteles, se utilizando basicamente da obra De Anima, posterior a essa definição vamos analisar os dois tipos de virtudes que o nosso autor propõe, as éticas e as dianoéticas, algo determinante para conseguirmos entender o conceito de felicidade em Aristóteles. Já com essas duas definições feitas podemos adentrar sem medo ao tema proposto, A felicidade em Aristóteles, aqui nos utilizaremos basicamente da obra Ética a Nicômaco, onde no primeiro capítulo da obra o autor relata com bastante precisão esse tema. Ao findar o trabalho pretendemos concluir que a felicidade não está nos prazeres, nem nas honras, nem em outro lugar, a não ser na parte mais elevada da alma, a nossa inteligência e, é através dessa inteligência que exercita as virtudes dianoéticas que conseguiremos chegar à felicidade acessível unicamente a seres humanos
O presente trabalho é um ensaio analítico do problema dos universais proposto na obra Metafísica de Aristóteles. Tomando como objeto o conteúdo aporético da XV questão do Libro B da referida obra, buscar-se-á apresentar uma possível solução para esta aporia[1]. Primeiramente realizaremos uma exposição axiomática do problema. Em seguida, reconstituiremos a gênese metafísica da aporia. Pretendemos, ainda, desenvolver uma explanação sobre a relevância deste problema para o sistema de investigação ‘ousiológico’ de Aristóteles, e, finalmente, proporemos uma solução para o paradoxal problema dos princípios.
[1]“(gr. àrcopía; in. Aporia; fr. Aporie, ai. Aporie, it. Aporia). Esse termo é usado no sentido de dúvida racional, isto é, de dificuldade inerente a um raciocínio, e não no de estado subjetivo de incerteza. É, portanto, a dúvida objetiva, a dificuldade efetiva de um raciocínio ou da conclusão a que leva um raciocínio. P. ex., "As A. de Zenão de Eléia sobre o movimento", "As A. do infinito", etc.” (ABBAGNANO, 2007, p. 75
SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL: FUNDAMENTOS E PROCESSOS
Este artigo procura, a partir de uma pesquisa bibliográfica, principalmente nos textos eclesiais, refletir sobre três pilares para um autêntico serviço de animação vocacional. Esses pilares correspondem a uma correta teologia da vocação, a uma eclesiologia de base e uma pedagogia contextualizada. O texto, no primeiro capítulo, propõe uma nova mentalidade vocacional a partir da experiência de um Deus próximo e amigo. A iniciativa de Deus na vocação não dispensa a participação humana, senão que a exige na qualidade de uma resposta livre. Em Jesus Cristo a pessoa não é chamada a ser fiel a si mesmo e a seus projetos, mas ser fiel ao Pai e ao projeto do Reino de Deus. No segundo capítulo, a reflexão está relacionada com a visão eclesiológica. A qual comtempla as categorias Igreja Povo de Deus, comunhão e participação. Nessa visão, a Igreja tem a consciência que a animação vocacional é responsabilidade de todos e se dirigir a todas suas categorias eclesiais. No terceiro capítulo, o objetivo é oferecer algumas indicações práticas e, sobretudo, propor um espaço para construir juntos, passo a passo, a partir de uma espiritualidade vocacional, uma pedagogia vocacional contextualizada. Nesse sentido, a animação vocacional é processo e tem por objetivo despertar; discernir, cultivar e acompanhar as novas gerações no seu discernimento vocacional
PAPAS E ÍNDIOS: O DISCURSO RELIGIOSO DO PAPADO SOBRE A EXPLORAÇÃO/ESCRAVIDÃO INDÍGENA NA AMÉRICA
O artigo analisa o discurso pontifício sobre a escravidão indígena e, mais recentemente, o pedido de perdão pelo ocorrido no processo missionário. Assim, regressivamente são analisados os documentos oficiais de Francisco, João Paulo II, Paulo VI, Pio X, Leão XIII, Gregório XVI, Bento XIV, Urbano VIII e Paulo III sobre o tema. No estudo da documentação se observa que, mesmo que iniciada de maneira titubeante e em meios a disputas políticas mais amplas, próprias do momento, a manifestação de Paulo III, em 1537, inaugurou um tipo discurso que se caracterizará pela condenação da exploração e da escravidão indígena na América. A partir do Concílio Vaticano II, e dentro de um contexto maior, aos poucos, se passou a considerar como legítimo também um pedido de perdão às populações indígenas pelos males da Igreja (ou dos filhos dela). Partindo da teoria sistêmica, podemos então dizer que, a inclusão desses novos conteúdos na comunicação pontifícia, nasce das irritações ambientais de uma sociedade funcionalmente diferenciada
A SUPREMACIA PAPAL NO FINAL DO SÉCULO XI ATÉ O INÍCIO DO SÉCULO XIII: ALGUNS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO PONTIFICADO DE INOCÊNCIO III
Innocent III was Pope at the head of a century that produced Saint Dominic and Saint Francis of Assisi, Saint Bonaventure, and Saint Thomas Aquinas, Saint Clare of Assisi and Saint Elizabeth of Hungary, Saint Anthony of Padua and Saint Louis IX, king of France. It was a period, marked by papal supremacy where one of the main goals of the popes was to secure their position of total leadership over the territories of Christendom. In fact, this goal was of paramount importance and directive to the popes' attitudes towards temporal power. Thus, there was a dichotomy between the popes' essentially traditional attitudes towards the internal political structures of secular society and their radical, even revolutionary, vision of the Church's place in this world. For this reason, the present research aims at presenting some essential elements of the pontificate of Innocent III, interpreting them within his time and bringing them up to date in a way that does not hide the 'absurdities' that the Church has carried out in its history, but rather learns from the past in order to live better the present and envision the future.Inocêncio III foi papa à frente de um século que produziu São Domingos e São Francisco de Assis, São Boaventura e São Tomás de Aquino, Santa Clara de Assis e Santa Isabel da Hungria, Santo Antônio de Pádua e São Luís IX, rei da França. Foi um período, marcado pela supremacia papal onde uma das principais metas dos papas era assegurar sua posição de liderança total sobre o território da cristandade. Aliás, este objetivo era de suma importância e diretiva das atitudes dos papas em relação ao poder temporal. Deste modo, havia uma dicotomia entre as atitudes essencialmente tradicionais dos papas em relação às estruturas políticas internas da sociedade secular e sua visão radical, até mesmo revolucionária, do lugar da Igreja neste mundo. Em virtude disso, a presente pesquisa tem por objetivo, apresentar alguns elementos essenciais do pontificado de Inocêncio III, interpretando-os dentro do seu tempo e atualizando-os em uma vivência que não oculte os ‘absurdos’ que a Igreja realizara na sua história, mas que saiba aprender do passado para melhor viver o presente e perspectivar o futuro
O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÃO EM ARTHUR SCHOPENHAUER
This article seeks to analyze the concepts of will and representation in Arthur Schopenhauer's work The World as Will and Representation. The philosophical origin of these concepts is found in Kant, specifically in the notions of the phenomenal world and the noumenal world (thing-in-itself), which respectively represent the domain of possible knowledge and the realm of that which cannot be known by human reason. In this context, Schopenhauer redefines Kant's concept of phenomenon by relating it to representation, and asserts that it is possible to access the noumenal world, where the will resides. Thus, representation expresses the external appearance of the world, while will is the essence of all things. Consequently, the will is a blind, insatiable, and irrational force that moves all beings. From there, the article addresses the implications generated by the primacy of will over representations, especially in human nature, resulting in pain and suffering.O artigo busca analisar os conceitos de vontade e representação na obra O mundo como vontade e representação, de Arthur Schopenhauer. A origem filosófica destes conceitos encontra-se em Kant, mais especificamente nas concepções de mundo fenomênico e numênico (coisa-em-si), os quais representam, respectivamente, o domínio do conhecimento possível e o âmbito daquilo que não se pode conhecer pela razão humana. Nesse contexto, Schopenhauer ressignifica o conceito kantiano de fenômeno, relacionando-o com o de representação, bem como afirma ser possível relevar o mundo numênico, no qual residiria a vontade. Com isso, a representação expressa a aparência externa do mundo, enquanto que a vontade é a essência em si de todas as coisas. Com efeito, a vontade é uma força cega, insaciável e irracional que move todos os seres. A partir daí, aborda-se as implicações geradas pela primazia da vontade perante as representações, especialmente na natureza humana, cujo resultado é dor e sofrimento
AS PARTICULARIDADES DAS INTERVENÇÕES MILITAR E FEDERAL NOS MUNICÍPIOS
Diante da incapacidade de o município solucionar uma problemática, esta pode agravar e acarretar crises e conflitos. Nesse momento, o Estado pode intervir para restaurar o equilíbrio entre as relações. A essa atitude de contribuição ao município para que ele possa restabelecer a ordem, dá-se o nome de intervenção, podendo ser caracterizada como militar ou federal. Em se tratar de intervenção militar, o Brasil a vivenciou desde 1964 até 1985. Por outro lado, a intervenção federal foi observada mais recentemente, no ano 2018 na cidade do Rio de Janeiro. Portanto, este trabalho sugere uma reflexão acerca da intervenção militar ocorrida nesta cidade
(IN)CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 13.491/17: UMA ANÁLISE SOB O ASPECTO FORMAL E MATERIAL
No ano de 2017 foi editado dispositivo legal que alterou o artigo 9° do Código Penal Militar, apliando a competência da Justiça Militar. Dessa forma. a presente pesquisa visa investigar como se deu o processo de criação e aprovação da lei 13.491 e analisar possível inconstitucionalidade formal e material no referido dispositivo. Para tanto, o autor se utilizou do método de abordagem dedutivo, procedimento monográfico e pesquisa bibliográfica. A conclusão parcial da pesquisa é de que a lei 13.491 apresenta inconstitucionalidade formal e material, além de violar tratados internacionais do qual o Brasil é signatário