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O trabalho político das emoções: cuidados, pandemia e protesto na Espanha
We analyse the impact of the pandemic on the care system in Spain. In particular, we focus on the perspective of relatives to illuminate the crisis of the residential care model that the COVID-19 pandemic brought to light. The pandemic had a major impact on Spanish care homes, with one of the highest mortality rates in the European Union. This caused suffering, not only for residents, but also for relatives, who reacted by mobilising and demanding political accountability. In line with the anthropology of emotions, we analyse the emotional grammars underlying the protest to show how the suffering of relatives becomes intelligible in the framework of a residential care model in crisis, and how it acquires political value beyond the private and individual sphere in which care is usually understood. Thus, we show the political work of emotions and their analytical potential in examining the transformations and challenges of the current care system.El artículo analiza la forma como la pandemia impactó el sistema de cuidados en España. Toma como elemento central de análisis la crisis del modelo residencial que la pandemia evidenció y lo hace desde la perspectiva de los familiares. La pandemia tuvo un impacto importante en las residencias, con uno de los índices de mortalidad más elevados de la Unión Europea. Ello provocó sufrimiento, no solo en los residentes, sino también en los familiares, quienes reaccionaron movilizándose y exigiendo responsabilidades por lo acontecido. En línea con la antropología de las emociones, se trata de analizar las gramáticas emocionales que subyacen a la protesta, para mostrar cómo el sufrimiento de los familiares se torna inteligible en el marco de un modelo de atención residencial en crisis, y como adquiere valor político más allá del ámbito privado e individual en el que suele pensarse el cuidado.Este artigo analisa como a pandemia impactou o sistema de cuidado na Espanha. Toma como elemento central de análise a crise do modelo residencial que a pandemia trouxe à tona e o faz a partir da perspectiva dos familiares. A pandemia teve um grande impacto nas casas de idosos, com uma das maiores taxas de mortalidade da União Europeia. Isso causou sofrimento, não apenas entre os residentes, mas também entre os familiares, que reagiram mobilizando-se e exigindo responsabilidade pelo que aconteceu. Em consonância com a antropologia das emoções, o objetivo é analisar as gramáticas emocionais subjacentes ao protesto, para mostrar como o sofrimento dos familiares se torna inteligível na estrutura de um modelo de cuidado residencial em crise e como ele adquire valor político além da esfera privada e individual na qual o cuidado é normalmente pensado
Violência intradomiciliar contra idosos: análise comparativa dos períodos pré, durante e pós-pandemia de Covid-19
The present work aims to present an analysis about domestic violence against the elderly in the periods before, during and after the Covid-19 pandemic. The interest on this topic is linked to the accelerated growth of the number of elderly and the index of violence in the family context during a pandemic. Violence against the elderly is not a new phenomenon. The practice of violence against the elderly is centered on the denial of the right to life, of the legitimate exercise of power through the transgression of norms and tolerance, by the violation of trust that exists between different generations. The Statute of the Elderly, Law 10.741/03 (Brazil, 2003), ensures that the elderly person enjoys all fundamental rights inherent to the human person and that aging is a very personal right. Thus, their protection is a social right, with the corresponding duty of the State to guarantee it when the rights recognized in the Law are threatened or violated. However, there is a significant increase in the number of cases of domestic violence to elderly people, mainly verified during the period of social isolation due to the COVID-19 pandemic. According to the literature consulted, no studies were found that deal with this comparative analysis. A qualitative quantitative approach will be used, with the “Dial 100” database. The analysis of data from qualitative-quantitative and documentary research, issued by the portals of defense of the elderly between the years 2019 and 2022, will be carried out as a way to better understand the dynamics and cases of notifications existing before, Pre and post-pandemic of Covid-19. The defense of the right to life of elderly people, by protective public policies, is placed as a word of “ordem” for the State. Violence against the elderly person; it is an expression inherent to capitalism itself, in view of the defense by the marketing ethno-ism, which perceives these subjects as unfit for work. The COVID-19 pandemic; intensified the cycles of intra-residential violence against the elderly, given the limitations, care, social isolation necessary in view of the vulnerability of the attack to the virus.El presente trabajo tiene por objetivo presentar un análisis sobre la violencia intrafamiliar contra la persona mayor en los períodos pre, durante y después de la pandemia de Covid-19. El interés sobre el tema está vinculado al acelerado crecimiento del número de ancianos y del índice de violencia en el ámbito familiar en período de pandemia. La violencia contra las personas mayores no es un fenómeno nuevo. La práctica de violencia contra el anciano está centrada en el impedimento del derecho a la vida, del ejercicio legítimo del poder por medio de la transgresión de normas y de la tolerancia, por la violación de la confianza que existe entre las diferentes generaciones. El Estatuto del Anciano, Ley 10.741/03 (Brasil, 2003), asegura que la persona mayor goza de todos los derechos fundamentales inherentes a la persona humana y que el envejecimiento es un derecho muy personal. Así, su protección es un derecho social, con el correspondiente deber del Estado de garantizarlo cuando los derechos reconocidos en la ley son amenazados o violados. Sin embargo, se observa el aumento significativo en el número de casos de violencia intrafamiliar a la persona mayor, principalmente verificado; en el período de aislamiento social debido a la pandemia de Covid-19. Según la literatura consultada, no se encontraron estudios que traten de este análisis comparativo. Se utilizará un enfoque cualitativo, con base de datos “Dial 100”. Se realizará el análisis de los datos, a partir de las investigaciones quali-cuantitativas y documentales, emitidas por los portales de defensa de la persona mayor entre los años 2019 y 2022, como forma de entender mejor la dinámica y los casos de notificaciones existentes antes, Pre y post pandemia de COVID-19. La defensa del derecho a la vida de las personas mayores, por políticas públicas protectoras, se coloca como palabra de “ordem” para el Estado. La violencia contra la persona mayor, se configura como una expresión inherente al propio capitalismo, teniendo en cuenta la defensa por el etarismo mercadológico, que percibe a estos sujetos como ineptos para el trabajo. La pandemia de COVID-19 ha intensificado los ciclos de violencia intrafamiliar contra las personas mayores, teniendo en cuenta las limitaciones, el cuidado, el aislamiento social necesario ante la vulnerabilidad del ataque al virus.O presente trabalho tem por objetivo apresentar uma análise acerca da violência intrafamiliar contra a pessoa idosa nos períodos pré, durante e após a pandemia de Covid-19. O interesse sobre o tema está vinculado ao acelerado crescimento do número de idosos e do índice de violência no âmbito familiar em período de pandemia. A violência contra a pessoa idosa não é um fenômeno novo. A prática de violência contra o idoso está centrada no impedimento do direito à vida, do exercício legítimo de poder por meio da transgressão de normas e da tolerância, pela violação da confiança que existe entre as diferentes gerações. O Estatuto do Idoso, Lei 10.741/03 (Brasil, 2003), assegura que a pessoa idosa goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana e que o envelhecimento é um direito personalíssimo. Assim, sua proteção é um direito social, com o correspondente dever do Estado de garanti-lo quando os direitos reconhecidos na Lei forem ameaçados ou violados. No entanto, observa-se o expressivo aumento no número de casos de violência intrafamiliar à pessoa idosa, verificado principalmente; no período de isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19. De acordo com a literatura consultada, não foram encontrados estudos que tratam dessa análise comparativa. Será utilizada uma abordagem qualiquantitativa, tendo como base de dados o “Disque 100”. Será realizada a análise dos dados, a partir das pesquisas qualiquantitativa e documental, emitidos pelos portais de defesa da pessoa idosa entre os anos de 2019 e 2022, como forma de melhor compreender a dinâmica e os casos de notificações existentes antes, pré e pós-pandemia da Covid-19. A defesa pelo direito à vida das pessoas idosas, por políticas públicas protetivas, é colocada como palavra de “ordem” para o Estado. A violência contra a pessoa idosa; configura-se como uma expressão inerente ao próprio capitalismo, tendo em vista a defesa pelo etarismo mercadológico, que percebe esses sujeitos como inaptos ao trabalho. A pandemia da Covid-19; intensificou os ciclos de violência intradomiciliar contra a pessoa idosa, tendo em vista as limitações, os cuidados, o isolamento social necessário diante da vulnerabilidade do acometimento ao vírus
Liberdade em vertigem: Para quem os direitos humanos servem?
This paper seeks to analyze the problem of the philosophical-legal foundation of human rights. It states the question: to whom do Human Rights serve? Human Rights are considered the outcome of a historical victory for humanity. However, the unfolding of globalization and capitalism, particularly after the digital revolution, into savage, unbridled, total, and radical capitalism implied a situation that Marx detected almost 200 years ago: the abyss between the ways of life of two humanities. On the one hand, those who possess the means of production and exercise their citizenship within the ideological apparatus of the State, and on the other hand, the mere “abstract citizens,” the puppets who support the superstructures that perpetuate the maintenance of the status quo, which threatens the most precious asset that human beings possess: life. Thus, this article aims to critically investigate under which circumstances the hegemonic discourse that lies under human rights has established itself as a mechanism for subjectivizing and shaping contemporary societies, mainly through two institutions: freedom and private property. To achieve this goal, it will intertwine, on the one hand, an in-depth study of the fundamental principles of Hegel’s Philosophy of Law, which contributed to the consolidation of Human Rights, and, on the other hand, the critique of Human Rights as articulated by Karl Marx.
En el presente trabajo, se plantea un análisis del problema de la fundamentación filosófico-jurídica en torno a los Derechos Humanos. Se cuestiona: ¿Para quiénes sirven los Derechos Humanos? Estos son considerados como el resultado de una victoria histórica de la humanidad. Sin embargo, el desarrollo mismo de la globalización y el capitalismo, después de la revolución digital, hacia un capitalismo salvaje, desenfrenado, total y radical, ha resultado en la estructuración de lo que Marx ya había detectado hace casi 200 años: el abismo existente entre los modos de vida de dos humanidades. Por un lado, aquellos que poseen los medios de producción y ejercen su ciudadanía frente a los aparatos ideológicos del Estado; y por otro, los meros “ciudadanos abstractos”, los títeres que sustentan estas superestructuras que promueven el mantenimiento del statu quo que amenaza el bien más preciado que posee el ser humano: la vida. Este artículo tiene como propósito investigar de manera crítica en qué circunstancias el discurso hegemónico que fundamentó los Derechos Humanos se estableció como un mecanismo de subjetivación y formateo de las sociedades contemporáneas, principalmente a través de dos institutos: la libertad y la propiedad privada. Para ello, se entrelazarán, por un lado, el desarrollo de las Líneas Fundamentales de la Filosofía del Derecho de Hegel que ayudaron a consolidar los Derechos Humanos, y, por otro, la crítica a los Derechos Humanos fundamentada y enunciada por Karl Marx.
Conjectura-se, no presente trabalho, uma análise do problema da fundamentação filosófica-jurídica acerca dos Direitos Humanos. Questiona-se: para quem os Direitos Humanos servem? Os Direitos Humanos são considerados como o resultado de uma vitória histórica da humanidade. Entretanto, o próprio desdobramento da globalização e do capitalismo, após a revolução digital, em capitalismo selvagem, desenfreado, total e radical, resultou na estruturação daquilo que Marx já havia detectado há quase 200 anos: o abismo existente entre os modos de vida de duas humanidades. De um lado os que possuem os meios de produção e efetivam sua cidadania frente aos aparelhos ideológicos do Estado; e do outro, os meros ‘cidadãos abstratos’, os fantoches que dão sustento a essas superestruturas que promovem a manutenção do status quo que ameaça o bem mais precioso que o ser humano possui: a vida. O presente artigo tem por propósito investigar de forma crítica em quais circunstâncias o discurso hegemônico que fundamentou os Direitos Humanos se estabeleceu como um mecanismo de subjetivação e formatação das sociedades contemporâneas por meio principalmente de dois institutos: a liberdade e a propriedade privada. Para tanto, entrelaçar-se-á, de um lado, o aprofundamento das Linhas Fundamentais da Filosofia do Direito de Hegel que ajudaram a consolidar os Diretos Humanos, e, por outro, a crítica aos Direitos Humanos fundamentada e enunciada por Karl Marx
Ficções da zona de sacrifício: cronotopos do horror antropocênico em Distância de resgate, de Samanta Schweblin
This article delves into the intersection of contemporary horror and the Anthropocene phenomenon in the work of Argentine writer Samanta Schweblin. Firstly, it explores the intrinsic connection between horror and climate change, highlighting how genre literature can reflect and respond to the ecological challenges of today's era. Schweblin, in turn, employs specific spatiality in her narratives, focusing on the monocultures of transgenic soybeans in rural Argentina, which can be framed under the concept of Sacrifice Zone. This choice not only provides a vivid backdrop but also serves as a means to problematize chronotopes, a concept introduced by Mikhail Bakhtin, especially the classical chronotopes of horror from the global north, characterized in the text as operating on the periphery of horror. The article then analyzes how Schweblin develops a unique horror literature that challenges the colonial history of Latin America from a transversal and systemic perspective, connecting bodily, social, and environmental dimensions. Her writing evokes a sense of estrangement and unease, delving into the complexities of human and ecological relationships in the era of the Anthropocene. By situating her narratives in a Latin American context, Schweblin offers a distinctive perspective on the devastating effects of colonialism and human exploitation on the environment. In summary, Schweblin's work not only provides an original insight into contemporary horror but also serves as a reflection on the interactions between humanity, nature, and power in an increasingly human-dominated world.Este artículo explora la intersección entre el horror contemporáneo y el fenómeno del Antropoceno en la obra de la escritora argentina Samanta Schweblin. En primer lugar, se analiza la conexión intrínseca entre el horror y el cambio climático, destacando cómo la literatura de género puede reflejar y responder a los desafíos ecológicos de la era actual. Schweblin, a su vez, emplea una espacialidad específica en sus narrativas, centrándose en las monoculturas de soja transgénica en la Argentina rural, que puede enmarcarse bajo el concepto de Zona de Sacrificio. Esta elección no solo proporciona un telón de fondo vívido, sino que también sirve como un medio para problematizar los cronotopos, un concepto introducido por Mikhail Bakhtin, especialmente los cronotopos clásicos del horror del norte global, caracterizados en el texto como operando en la periferia del horror. El artículo luego analiza cómo Schweblin desarrolla una literatura de horror única que desafía la historia colonial de América Latina desde una perspectiva transversal y sistémica, conectando dimensiones corporales, sociales y ambientales. Su escritura evoca un sentido de extrañeza e inquietud, adentrándose en las complejidades de las relaciones humanas y ecológicas en la era del Antropoceno. Al situar sus narrativas en un contexto latinoamericano, Schweblin ofrece una perspectiva distintiva sobre los efectos devastadores del colonialismo y la explotación humana en el medio ambiente. En resumen, el trabajo de Schweblin no solo ofrece una visión original del horror contemporáneo, sino que también sirve como una reflexión sobre las interacciones entre la humanidad, la naturaleza y el poder en un mundo cada vez más dominado por el impacto humano.Este artigo examina a interseção entre o horror contemporâneo e o fenômeno do Antropoceno na obra da escritora argentina Samanta Schweblin. Inicialmente, aborda-se a conexão intrínseca entre o horror e as mudanças climáticas, destacando como a literatura de gênero é capaz de refletir e reagir aos desafios ecológicos da era atual. Schweblin, por sua vez, utiliza uma espacialidade específica em suas narrativas, focando nas monoculturas de soja transgênica no interior argentino, no que pode ser enquadrado sob o conceito de Zona de Sacrifício. Essa escolha não apenas fornece um pano de fundo vívido, mas também funciona como um meio de problematizar os cronotopos, conceito introduzido por Mikhail Bakhtin, especialmente os cronotopos clássicos do horror do norte global, que no texto são caracterizados como desempenhando um funcionamento de horror de periferia. Em seguida, o texto analisa como Schweblin desenvolve uma literatura de horror singular que desafia a história colonial da América Latina, a partir de uma perspectiva tranversal e sistêmica, que conecta as dimensões corporais, sociais e ambientais. Sua escrita evoca um sentido de estranhamento e inquietação, mergulhando nas complexidades das relações humanas e ecológicas na era do Antropoceno. Ao situar suas narrativas em um contexto latino-americano, Schweblin oferece uma perspectiva singular sobre os efeitos devastadores do colonialismo e da exploração humana sobre o meio ambiente. Em suma, o trabalho de Schweblin não apenas oferece uma visão original do horror contemporâneo, mas também serve como uma reflexão sobre as interações entre humanidade, natureza e poder em um mundo cada vez mais dominado pelo impacto humano
Lá estava minha russalka: o imaginário aquático e a alteridade em “Taman”, de Mikhail Liérmontov
This article proposes an analysis of the chapter "Taman", part of Mikhail Lermontov's novel A Hero of Our Time (1840), with an emphasis on the role played by the sea in the narrative, as well as the construction of otherness, which takes the form of the "strange" inhabitants of the coastal village. "Taman" depicts the short passage of Russian army officer Grigory Pechorin through the town of the same name, which serves as a border between Russia and Ukraine, whose territory was partially controlled by the Russian Empire at the time of writing. This border element is reflected in the characters Pechorin meets there. There is a strong cultural mix in them, including Ukrainian, Tatar and Cossack elements, which can be seen in their clothing and language. This difference is a source of estrangement and distrust for the official. In this way, we also see the chapter as an example of a colonial encounter in 19th century Russophone literature. Lermontov's critical, albeit often ambiguous, stance towards the Empire leads him to subvert several of the tropes typically associated with colonial literature of the period and invites post-colonial readings that help elucidate Russia's dual self-perception as a nation marginalized by Western Europe and, at the same time, as an imperial power vis-à-vis Eastern Europe, the Caucasus, and Central Asia. For the purposes of this study, we will make some brief observations about the role of bodies of water in Russian culture. We will then investigate the complex relationship between the poets of the Golden Age and the and the Russian imperial project, as well as the specificities taken on by Lermontov's work in this context. Finally, we will analyze the chapter "Taman", considering the historical significance of the region to Russia, as well as the border and multicultural aspects of the characters, so Other to the protagonist.This article proposes an analysis of the chapter “Taman”, part of Mikhail Lermontov’s (2013) novel A Hero of Our Time (1840), with an emphasis on the role played by the sea in the narrative, as well as the construction of otherness, which takes the form of the “strange” inhabitants of the coastal village. “Taman” depicts the short passage of Russian army officer Grigory Pechorin through the town of the same name, which serves as a border between Russia and Ukraine, whose territory was partially controlled by the Russian Empire at the time of writing. This border element is reflected in the characters Pechorin meets there. There is a strong cultural mix in them, including Ukrainian, Tatar and Cossack elements, which can be seen in their clothing and language. This difference is a source of estrangement and distrust for the official. In this way, we also see the chapter as an example of a colonial encounter in 19th century Russophone literature. Lermontov’s critical, albeit often ambiguous, stance towards the Empire leads him to subvert several of the tropes typically associated with colonial literature of the period and invites post-colonial readings that help elucidate Russia’s dual self-perception as a nation marginalized by Western Europe and, at the same time, as an imperial power vis-à-vis Eastern Europe, the Caucasus, and Central Asia. For the purposes of this study, we will make some brief observations about the role of bodies of water in Russian culture. We will then investigate the complex relationship between the poets of the Golden Age and the and the Russian imperial project, as well as the specificities taken on by Lermontov’s work in this context. Finally, we will analyze the chapter “Taman”, considering the historical significance of the region to Russia, as well as the border and multicultural aspects of the characters, so Other to the protagonist.Este artigo propõe uma análise do capítulo “Taman”, parte do romance O herói do nosso tempo (1840), de Mikhail Liérmontov (2013), com ênfase ao papel exercido pelo mar na narrativa, assim como à construção da alteridade, que toma a forma dos “estranhos” habitantes do vilarejo costeiro. “Taman” retrata a curta passagem do oficial do exército russo, Grigori Petchorin, pela cidade homônima, que demarca a fronteira entre a Rússia e a Ucrânia, cujo território era, à época da escrita da obra, parcialmente controlado pelo Império Russo. Tal caráter fronteiriço se reflete nas personagens que Petchorin encontra lá. Nelas, percebe-se uma forte mistura cultural, que abarca elementos ucranianos, tártaros e cossacos, notáveis por meio de suas vestimentas e linguajar. Essa diferença é fonte de estranhamento e desconfiança para o oficial. Desse modo, também encaramos o capítulo como um exemplo de encontro colonial na literatura russófona do século XIX. A postura crítica, ainda que não raro ambígua, ao Império, assumida por Liérmontov, leva-o a subverter vários dos tropos tipicamente associados à literatura colonial do período e convida a leituras pós-coloniais que auxiliam a elucidar a autopercepção dúplice da Rússia como nação marginalizada pela Europa Ocidental e, ao mesmo tempo, como potência imperial perante a Europa Oriental, o Cáucaso e a Ásia Central. Para os fins deste estudo, teceremos algumas breves observações a respeito do papel dos corpos d’água na cultura russa. Em seguida, abordaremos a relação complexa entre os poetas da Era de Ouro e o projeto imperial russo, assim como as especificidades assumidas pela obra liermontoviana em tal âmbito. Enfim, analisaremos o capítulo “Taman”, considerando a significação histórica da região para a Rússia, além do caráter fronteiriço e multicultural das personagens, tão Outras ao protagonista
A lusofonia enquanto olhar pós-colonial: um percurso difícil que afetou a consolidação da CPLP. Análise do discurso dos média lusófonos online
Lusophony is a postcolonial concept that cannot be viewed in association with any kind of ‘Portugality’ [‘portugalidade’], a term coined during the Estado Novo [the portuguese fascism] and aligned with the slogan “Portugal from Minho to Timor” [“Portugal do Minho a Timor”], so in vogue. Lusophony would soon be amputated if it corresponded only to Portuguese speakers around the world and did not substantiate a symbolic and cultural place, overcoming this semantic correspondence of proximity that originated in an increasingly globalized world, which is inscribed in the present. It thus deviates from the idea of a single language in various countries (all former Portuguese colonies), beyound and an ideal without which there would be no promise of continuity between Portugal and its then overseas provinces. As this is not a closed issue, the colonial past can be problematic. The concept of Lusophony thus concludes with some cleavages. To exemplify it, is the fact that the CPLP-Community of Portuguese-Speaking Countries formalization agreement (1996) left the word out, not merely from the treaty of coincidence, but because it etymologically refers to a Portuguese centrality. And even if it is stated that everything has already been written about Lusophony, at least in theory, the concept is not consensual, and there are several misconceptions that have to be resolved in order to assume its postcolonial dynamics. This article proposes to observe the path of Lusophony through the publication of news in Lusophone online media, which allows us to glimpse the alignment of what is being published regarding the policies developed by some CPLP member countries, especially in Angola. A non-probabilistic sampling was used as a methodology, in which the process was developed through accessibility or convenience. Data collection was done via indirect documentation, in which research news from the Lusophone online media were taken.La lusofonía es un concepto poscolonial que no puede verse en asociación con ningún tipo de ‘portugalidad’ [‘portugalidade’], un término acuñado durante el Estado Novo [el fascismo portugués] y alineado con el lema “Portugal del Miño a Timor” [“ Portugal do Minho a Timor”], tan de moda. La lusofonía pronto sería amputada si correspondiera únicamente a los hablantes de portugués en todo el mundo y no fundamentara un lugar simbólico y cultural, superando esta correspondencia semántica de proximidad originada en un mundo cada vez más globalizado, que se inscribe en el presente. Se desvía así de la idea de una lengua única en varios países (todas las antiguas colonias portuguesas), más allá de un ideal sin el cual no habría ninguna promesa de continuidad entre Portugal y sus entonces provincias de ultramar. Como no se trata de una cuestión cerrada, el pasado colonial puede resultar problemático. El concepto de lusofonía concluye así con algunas divisiones. Para ejemplificarlo, está el hecho de que el acuerdo de formalización CPLP-Comunidad de Países de Habla Portuguesa (1996) omitió la palabra, no sólo por coincidencia, sino porque etimológicamente se refiere a una centralidad portuguesa. Y si bien se afirma que sobre la lusofonía ya está todo escrito, al menos en teoría, el concepto no es consensuado, y hay varios conceptos erróneos que es necesario resolver para asumir su dinámica poscolonial. Este artículo se propone observar el camino de la lusofonía a través de la publicación de noticias en medios lusófonos online, lo que permite vislumbrar el alineamiento de lo que se publica respecto de las políticas desarrolladas por algunos países miembros de la CPLP, especialmente en Angola. Se utilizó como metodología un muestreo no probabilístico, en el que el proceso se desarrolló por accesibilidad o conveniencia. La recolección de datos se realizó a través de documentación indirecta, en la que se tomaron noticias de investigación de los medios en línea lusófonos.A lusofonia é um conceito pós-colonial, não podendo ser encarado em associação com qualquer tipo de ‘portugalidade’, termo cunhado durante o Estado Novo e alinhado com o slogan “Portugal do Minho a Timor”, então vigente. A lusofonia ficaria, desde logo, amputada se correspondesse apenas aos falantes de português espalhados pelo mundo e não consubstanciasse um lugar simbólico e cultural, extravasando essa correspondência semântica de proximidade que lhe esteve na origem, num mundo cada vez mais globalizado, que se inscreve no presente. Desvia-se, assim, da ideia da existência de uma língua única e de um ideário sem os quais não haveria promessa de continuidade entre Portugal e as suas então províncias ultramarinas. Por não se tratar de um assunto encerrado, o passado colonial pode revelar-se problemático. O conceito de lusofonia encerra, assim, algumas clivagens, não tendo sido por acaso que o acordo de formalização da CPLP (1996) tenha deixado de fora a palavra, não devido a uma mera coincidência, mas por remeter etimologicamente para uma centralidade portuguesa. E, mesmo que se afirme que já tudo foi escrito sobre a lusofonia, faltando apenas colocá-la em prática, ela não é consensual, havendo vários equívocos que têm que ser dirimidos para que se assuma na sua dinâmica pós-colonial. Este artigo propõe observar o percurso da lusofonia através da publicação de notícias nos média online lusófonos, que permita vislumbrar o alinhamento do que vai sendo publicado em relação com as políticas desenvolvidas por alguns países membros da CPLP, principalmente em Angola. Como metodologia, foi utilizada uma amostragem não probabilística, tendo o processo sido desenvolvido por acessibilidade ou conveniência. A recolha de dados foi feita através de documentação indireta, em que na pesquisa se utilizaram as notícias dos média lusófonos que estavam disponíveis online
A ação político-diplomática da UNITA em Portugal durante a primeira fase da Guerra Civil Angolana (1976 – 1988)
The article explores the political and diplomatic actions of the National Union for the Total Independence of Angola (UNITA) in Portugal during the first phase of the Angolan civil war, from 1976 to 1988. The qualitative research gathered data from reports from the US embassy in Lisbon, the Portuguese press of the time, as well as oral sources, through semi-structured interviews with members of the UNITA delegation in Portugal and Portuguese political figures with links to the Angolan organisation. The aim of the article is to describe UNITA’s political and diplomatic activities in Portugal, as well as the connections and channels used to materialise its intentions. The aim is to explore the relevance of Portugal in UNITA’s international diplomatic activities. The data suggests that, in the context of UNITA’s activities in various countries in Africa, Europe and the United States of America (USA), Portugal was an important strategic space for the implementation of its international action in opposition to the Angolan government.El artículo explora las acciones políticas y diplomáticas de la Unión Nacional para la Independencia de Angola (UNITA) en Portugal durante la primera fase de la guerra civil angoleña, de 1976 a 1988. La investigación cualitativa recogió de informes de la embajada estadounidense en Lisboa, la prensa portuguesa de la época, así como la prensa portuguesa de la época, así como de fuentes orales, mediante entrevistas semiestructuradas con miembros de la delegación de UNITA en Portugal y personalidades políticas portuguesas vinculadas a la organización angoleña. El objetivo del artículo es describir las actividades políticas y diplomáticas de UNITA en Portugal, así como las conexiones y canales utilizados para materializar sus esfuerzos. El objetivo es explorar la relevancia de Portugal en la acción de UNITA. Los datos sugieren que, en el contexto de las actividades de UNITA en diversos países de África, Europa y los Estados Unidos de América (EE.UU.), Portugal fue un espacio estratégico importante para la realización de su acción internacional de oposición al gobierno angoleño.O artigo explora a ação político-diplomática da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) em Portugal durante a primeira fase da guerra civil angolana, de 1976 a 1988. A investigação qualitativa recolheu os dados a partir de relatórios da embaixada norte-americana em Lisboa, da imprensa portuguesa da época, bem como de fontes orais, através da realização de entrevistas semiestruturadas a elementos da delegação da UNITA em Portugal e a personalidades políticas portuguesas com ligações à organização angolana. O objetivo do artigo é descrever as atividades político-diplomáticas da UNITA em Portugal, assim como as conexões e os canais utilizados para materializar os seus intentos. O intuito é explorar a relevância de Portugal na ação diplomática internacional da UNITA. Os dados sugerem que, no âmbito da atuação da UNITA em vários países da África, da Europa e nos Estados Unidos da América (EUA), Portugal foi um espaço estratégico importante para a implementação da sua ação internacional em oposição ao governo angolano
São Tomé e Príncipe: uma terra maldita para as oposições?
The temptation to neutralize the opposition, “inherited” from dictatorial colonialism, has existed since the beginning of independence. During the political transition after the 25th of April, benefiting from a favorable situation and, in particular, the recognition of the OAU, the São Tomé and Príncipe Liberation Movement, a historic independence party, neutralized the Free Popular Front, a weak conservative formation, and the Associação Cívica Pró-MLSTP, a group of radicalized young people that suddenly went from being useful to being a nuisance. Before independence, for the sake of imperative unity, the slightest expression of divergence in the intentions, more intuitive than explicit, of the MLSTP was curtailed. Independence was followed by fifteen years of single-party rule. After the adoption of representative democracy in 1990, there was an alternation in power resulting from free and fair elections. In any case, occasional statements indicated some discomfort with democratic rules. Several acts denounced the desire for political neutralization of opponents. Recently, as a corollary of the wisdom of a long-term political strategy, the moment of greatest difficulty for democracy, that is to say, for any opposition, may have arrived. In this text, in addition to a historical perspective, we will attempt to identify the adverse factors – among others, economic difficulties, drives to adhere to the redemptive figure and the Big Man, relative ease of capture and deviation from the institutions’ purpose – to the performance of the oppositions in a cramped island society.La tentación de neutralizar a la oposición, “heredada” del colonialismo dictatorial, ha existido desde el comienzo de la independencia. Aún durante la transición política posterior al 25 de abril, beneficiándose de una situación favorable y, en particular, del reconocimiento de la OUA, el Movimiento de Liberación de Santo Tomé y Príncipe, histórico partido independentista, neutralizó al Frente Popular Libre, una débil formación conservadora, y la Associação Cívica Pró-MLSTP, un grupo de jóvenes radicalizados que de repente pasaron de ser útiles a ser una molestia. Antes de la independencia, en aras de la unidad imperativa, se restringió la más mínima expresión de divergencia en las intenciones, más intuitiva que explícita, del MLSTP. A la independencia le siguieron quince años de gobierno de partido único. Después de la adopción de la democracia representativa en 1990, hubo una alternancia en el poder resultante de elecciones libres y justas. En cualquier caso, declaraciones ocasionales indicaron malestar con las reglas democráticas. Varios actos denunciaron el deseo de neutralización política de los opositores. Recientemente, como corolario de la sabiduría de una estrategia política de largo plazo, puede haber llegado el momento de mayor dificultad para la democracia, es decir, para cualquier oposición. En este texto, además de una perspectiva histórica, intentaremos identificar los factores adversos – entre otros, las pruebas y deficiencias, los impulsos de adhesión a la figura redentora y el “pulso fuerte”, la relativa facilidad de captura y el desvío del propósito de las instituciones – al desempeño de las oposiciones en una pequeña sociedad insular.A tentação da neutralização da oposição, “herdada” do colonialismo ditatorial, subsiste desde os primórdios da independência. Ainda durante a transição política após o 25 de Abril, beneficiando de uma conjuntura favorável e, em particular, do reconhecimento da OUA, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, partido histórico da independência, neutralizou a Frente Popular Livre, uma débil formação conservadora, e a Associação Cívica Pró-MLSTP, um grupo de jovens radicalizados que passou subitamente de útil a incómodo. Antes da independência, a bem da imperiosa unidade, cerceou-se a mínima expressão da divergência dos intentos, mais intuídos do que explícitos, do MLSTP. À independência, seguiram-se quinze anos de regime de partido único. Após a adoção da democracia representativa em 1990, passou a existir alternância no poder resultante de eleições livres e justas. Em todo o caso, ocasionais locuções indiciavam a menor acomodação com as regras democráticas. Vários atos denunciaram o desejo de neutralização política dos opositores. Recentemente, corolário da sageza de uma estratégia política de longo prazo, poderá ter chegado o momento de maior dificuldade para a democracia, o mesmo é dizer, para qualquer oposição. Neste texto, para além de uma perspetiva histórica, ensaiaremos identificar os fatores avessos – entre outros, provações e carências, pulsões para a adesão à figura redentora e ao “pulso forte”, relativa facilidade de captura e de desvio de finalidade das instituições – à performance das oposições numa exígua sociedade islenha
Conflitos por água, coletividades locais e políticas governamentais
The objective of this paper is to analyze government policies for water management in relation to the treatment given to conflicts over water sharing involving local communities, especially traditional or ethnically distinct peoples and communities. The starting point is an analysis of the bibliography on water conflicts in different national contexts and situations involving local communities. The following is an overview of the origin and current state mechanisms for water resource management in South American countries, analyzing in more detail the formulation and implementation of the National Water Resources Policy (NWRP) in Brazil. The paper then seeks to reflect on the way in which these state mechanisms imply the management of traditional peoples and communities, or ethnically distinct populations, based on the analysis of government policies and the way in which their rights are conceived in them. This analysis is developed based on participant observation in an official evaluation of the 20th anniversary of the NWRP and in events in the area of water resources and ethnography of documents – publications of multilateral organizations and government documents.El objetivo de este trabajo es analizar las políticas gubernamentales para la gestión del agua en relación con el tratamiento que se da a los conflictos por el reparto del agua que involucran a comunidades locales, especialmente a pueblos y comunidades tradicionales o étnicamente diferenciados. Se inicia con un análisis de bibliografía sobre conflictos por el agua en diferentes contextos nacionales y situaciones que involucran a comunidades locales. A continuación, se presenta un panorama del origen y estado actual de los dispositivos de gestión de los recursos hídricos en los países de América del Sur, analizando con más detalle la formulación e implementación de la Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) en Brasil. Se busca, entonces, reflexionar sobre la forma en que estos mecanismos estatales implican la gestión de pueblos y comunidades tradicionales, o poblaciones étnicamente diferenciadas, a partir del análisis de las políticas gubernamentales y la forma en que se conciben sus derechos. Este análisis se desarrolla a partir de la observación participante en una evaluación oficial de los veinte años del PNRH y en eventos en el área de recursos hídricos y etnografía documental – publicaciones de organismos multilaterales y documentos gubernamentales.O objetivo deste trabalho é analisar políticas governamentais para a gestão das águas com relação ao tratamento conferido a conflitos pela partilha da água que envolvem coletividades locais, especialmente povos e comunidades tradicionais ou etnicamente diferenciados. Parte-se da análise de bibliografia sobre conflitos pela água em diferentes contextos nacionais e situações envolvendo coletividades locais. Em seguida, apresenta-se um apanhado sobre a origem e os atuais dispositivos estatais de gestão dos recursos hídricos em países da América do Sul, analisando mais detalhadamente a formulação e a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) no Brasil. Procura-se, então, refletir sobre a forma como esses mecanismos estatais implicam a gestão de povos e comunidades tradicionais, ou de populações etnicamente diferenciadas, a partir da análise das políticas governamentais e do modo como são, nelas, concebidos seus direitos. Esta análise é desenvolvida a partir de observação participante em avaliação oficial dos vinte anos da PNRH e em eventos da área de recursos hídricos e etnografia de documentos – publicações de organizações multilaterais e documentos governamentais
A protomariologia paulina: “Nascido de mulher” (Gl 4,4-5)
This article makes a mariological analysis of Galatians 4:4-5 and seeks to highlight their contributions to the foundation of the christian faith. The oldest biblical reference to Jesus’ mother is found in Gal 4:4-5. The “apostle of the gentiles” (Rom 11:13) refers to Mary of Nazareth in the context of the incarnation of Son of God, without mentioning her name. The pauline expression “born of woman” (Gal 4:4) refers to the precarious and fragile human condition assumed by the Son of God. The expression “born under the law” (Gal 4:4) indicates Jesus’ ethnic origin. He is the son of a jewish woman. Galatians 4:4-5 served as the basis for future mariological elaborations. The Church Fathers resort to this pauline reference to answer to gnostic currents and nestorianism. The Letter to the Galatians indicates Mary’s divine motherhood and her collaboration in the history of salvation indirectly. Paul’s mariology is quite sober and strictly christocentric. The analysis of this protomariology leads to the rediscovery of the first foundations of biblical and systematic mariology. Initially, the article deals with the mystery of the incarnation in the corpus paulinum and analyzes the chiastic structure of Gal 4:4-5. Then, it delves into the expressions “born of woman” and “born under the law” and highlights the importance of Galatians as an early response to docetism and nestorianism. Finally, it suggests in Paul an elementary biblical mariology.Este artículo ofrece un análisis mariológico de Gál 4,4-5 y pretende destacar sus aportaciones a la fundación de la fe cristiana. La más antigua referencia bíblica a la madre de Jesús se encuentra en Gál 4,4-5. Sin mencionar su nombre, el “apóstol de los gentiles” (Rom 11,13) se refiere a María de Nazaret en el contexto de la encarnación del Hijo de Dios. La expresión paulina “nacido de mujer” (Gál 4,4) se refiere a la condición humana, en su precariedad y fragilidad, asumida por el Hijo de Dios. La expresión “nacido bajo la ley” (Gál 4,4), a su vez, indica el origen étnico de Jesús: es hijo de una mujer judía. Gál 4,4-5 sirvió de base para futuras elaboraciones mariológicas. Los Padres de la Iglesia utilizan esta referencia paulina para responder a las corrientes gnósticas y al nestorianismo. La Carta a los Gálatas indica indirectamente la maternidad divina de María y su colaboración en la historia de la salvación. La mariología de Pablo es muy sobria y estrictamente cristocéntrica. El análisis de esta protomariología conduce al redescubrimiento de los fundamentos originales de la mariología bíblica y sistemática. El artículo, mediante un análisis narrativo, aborda en primer lugar el misterio de la encarnación en el corpus paulinum y analiza la estructura quiástica de Gál 4,4-5. A continuación, profundiza en la comprensión de las expresiones “nacido de mujer” y “nacido bajo la ley”, subraya la importancia de Gál 4,4-5 como respuesta temprana al docetismo y al nestorianismo. Por último, sugiere una mariología bíblica elemental en Pablo.O presente artigo oferece uma análise mariológica de Gl 4,4-5 e busca ressaltar suas contribuições para a fundamentação da fé cristã. Em Gl 4,4-5, encontra-se a mais antiga referência bíblica à mãe de Jesus. Sem mencionar seu nome, o “apóstolo dos gentios” (Rm 11,13) refere-se a Maria de Nazaré no contexto da encarnação do Filho de Deus. A expressão paulina “nascido de mulher” (Gl 4,4) remete à condição humana, em sua precariedade e fragilidade, assumida pelo Filho de Deus. A expressão “nascido sob a lei” (Gl 4,4), por sua vez, indica a origem étnica de Jesus: Ele é filho de uma mulher judia. Gl 4,4-5 serviu de base para as futuras elaborações mariológicas. Os Padres da Igreja recorrem a essa referência paulina para responder às correntes gnósticas e ao nestorianismo. A Carta aos Gálatas indica, indiretamente, a maternidade divina de Maria e a sua colaboração na história da salvação. A mariologia de Paulo é bastante sóbria e, estritamente, cristocêntrica. A análise dessa protomariologia leva à redescoberta dos fundamentos primeiros da mariologia bíblica e sistemática. O artigo, por meio de uma análise narrativa, em um primeiro momento, trata sobre o mistério da encarnação no corpus paulinum e analisa a estrutura quiástica de Gl 4,4-5. Em seguida, aprofunda a compreensão das expressões “nascido de mulher” e “nascido sob a lei”, destaca a importância de Gl 4,4-5, enquanto resposta antecipada ao docetismo e ao nestorianismo, e, por fim, sugere, em Paulo, uma mariologia bíblica elementar