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Preditores de hiperacusia na migrânea
Introdução
A fonofobia é um sintoma comum e compõe o critério diagnóstico de migrânea, no entanto a hiperacusia ainda foi pouco estudada no contexto da migrânea.
Objetivo
Avaliar a prevalência e os preditores de hiperacusia em pacientes com migrânea.
Metodologia
Estudo prospectivo do tipo caso-controle composto por pacientes com migrânea. Os participantes responderam entrevista estruturada sobre dados demográficos, antropométricos e características clínicas da migrânea. Também responderam questionários validados sobre depressão (IDB), ansiedade (STAIY2), incapacidade (MIDAS), alodinia (ASC-12) e ao questionário de hiperacusia. Foi considerado que o participante tinha hiperacusia quando tivesse pontuação ≥22 no questionário de hiperacusia. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (n° 3.029.972).
Resultados
O questionário foi respondido por 276 pacientes com migrânea, dos quais 237 do sexo feminino, 171 com migrânea episódica e 106 com aura. Em análise univariadas a hiperacusia foi associada a migrânea crônica (OR=2,28; p=0,001), fonofobia (OR=2,56; p=0,017), osmofobia (OR=2,97; p<0,001), alodinia (OR=2,91; p<0,001), ansiedade (OR=10,57; p=0,007), depressão (OR2,89; p=0,002) e incapacidade relacionada a migrânea (OR=2,81; p=0,002). Após regressão logística binária, permaneceram associados a hiperacusia: a forma crônica da migrânea (OR=2,03; p=0,019), osmofobia (OR=2,2; p=0,022) e maior incapacidade relacionada a migrânea (OR=2,5; p=0,022). Idade, gênero, obesidade, aura e fotofobia não se associaram a hiperacusia.
Conclusão
A forma crônica, osmofobia e maior incapacidade foram preditores de hiperacusia em indivíduos com migrânea
A cinesiofobia e a preocupação com quedas estão associadas à redução da mobilidade funcional em pacientes com migrânea
Introdução
Alterações de equilíbrio durante atividades funcionais tem sido observadas em pacientes com migrânea. A literatura sugere que as alterações de equilíbrio estático estão relacionadas com alterações vestibulares, presença de aura e migrânea crônica, porém não se sabe ainda se estes ou outros fatores estão associados à alterações no desempenho funcional dos migranosos.
Objetivos
Investigar a relação entre a mobilidade funcional e as características clínicas da migrânea, presença de sintomas vestibulares, diagnóstico de migrânea vestibular, ocorrência de quedas, medo de quedas e cinesiofobia.
Métodos
Participaram deste estudo transversal 79 mulheres com idade entre 18 a 55 anos, com diagnóstico de migrânea. As voluntárias responderam aos questionários Escala internacional de eficácia de quedas, Escala tampa de cinesiofobia e Dizziness Handicap Inventory, que avaliaram o medo de quedas, a cinesiofobia e a incapacidade relacionada aos sintomas vestibulares, respectivamente. A avaliação da mobilidade foi avaliada pelo teste Timed Up and Go (TUG). O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa (CAAE 04683218.3.0000.5440).
Resultados
A correlação entre as variáveis foi verificada com o Coeficiente de Correlação de Pearson, e modelos de regressão linear múltipla foram aplicados para verificar quais variáveis estavam associadas com a performance no TUG (p<0.05). A mobilidade funcional apresentou correlação fraca e positiva com o medo de quedas (r=0.37, p=0.001) e cinesiofobia (r=0.38, p=0.001). As demais variáveis não apresentaram correlação significativa com o TUG (p>0.05). A análise de regressão linear revelou que a cinesiofobia e o medo de quedas representam 17% da variabilidade do tempo de realização do teste Timed Up and Go.
Conclusão
A mobilidade funcional dos pacientes com migrânea está associada a cinesiofobia e ao medo de quedas, e pode ser influenciada em pequena proporção por estes mesmos fatores
Cinesiofobia em mulheres com migrânea episódica e crônica
Introdução
A cinesiofobia é caracterizada pelo medo irracional do movimento e está presente em aproximadamente metade dos pacientes com migrânea. Sabe-se que esses pacientes, quando apresentam a forma crônica da migrânea, com mais de 15 dias de cefaleia por mês, apresentam maior prevalência de alodinia, níveis mais severos de incapacidade cervical, bem como maior prevalência de comorbidades psicossociais, como a presença de catastrofização, ansiedade e depressão. Dentre essas comorbidades psicossociais, a investigação da relação entre cinesiofobia e migrânea ainda é recente e não está estabelecido se o medo de movimento está associado à diferentes apresentações clínicas da migrânea. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar a cinesiofobia em mulheres com migrânea episódica e crônica.
Métodos
Neste estudo transversal foram incluídas 189 mulheres diagnosticadas com migrânea, entre 18 e 55 anos de idade, que foram estratificadas de acordo com a frequência de crises em grupo migrânea episódica (n=106, 33,3 anos, DP 9,39) e grupo migrânea crônica (n=83, 34,9 anos, DP 10,48). As participantes completaram o questionário Tampa Scale for Kinesiophobia (TSK), para avaliação do medo do movimento. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa (CAAE 59620716.2.0000.5440).
Resultados
A comparação entre os grupos foi realizada através do teste t de Student (α = 95%) e os dados revelaram que o grupo migrânea crônica apresentou em média maiores índices de cinesiofobia (38,8 pontos, DP 9,0) comparado ao migrânea episódica (36,1 pontos, DP 8,6; p=0,039).
Conclusão
Indivíduos com migrânea crônica apresentam maior nível de cinesiofobia mensurada pelo TSK do que indivíduos com migrânea episódica
Perfil clínico e sociodemográfico de indivíduos com disfunção temporomandibular atendidos no projeto Alívio
Introdução
A Disfunção Temporomandibular (DTM) compõe um coletivo de afecções cujos sintomas incluem dores na face e cefaleia.
Objetivos
Definir o perfil clínico e sociodemográfico dos pacientes com DTM atendidos no projeto Alívio da UFES.
Material E Métodos
Trata-se de um estudo descritivo. Colheu-se dos prontuários: idade, sexo, estado civil, número de filhos, tempo e intensidade da dor (EVN), consultas prévias ao projeto, diagnóstico clínico pelo DC/TMD, dados de questionários de incapacidade cervical (NDI) e limitação de função mandibular (MFIQ).
Resultados
Entre novembro/2020 e agosto/2021 foram atendidos 19 pacientes. 83,3% eram do sexo feminino, com média de idade de 38.06 (±14.3) anos, 50% solteiros, 44,4% casados e 5,6% divorciados e média de 0,61 filhos. Consultaram-se anteriormente ao projeto em média com 2 profissionais, sendo eles 83,3% dentistas, 33,3% médicos e 27,8% fisioterapeutas. Todos apresentavam dor crônica (>3 meses) e a dor média foi de 4,32 (±2,6). O diagnóstico de DTM pelo DC/TMD revelou que 88,9% tinham mialgia e 77,8% artralgia; 88,9% mialgia e artralgia. 38,9% dos pacientes tiveram diagnóstico de cefaleia atribuída à DTM, 61,1% deslocamento de disco articular, 44.4% doença articular degenerativa e 11,1% subluxação. O NDI evidenciou os respectivos percentuais de incapacidade cervical: 27,8% nenhuma, 33,3% leve, 16,7% moderada e 16,7% severa. O MFIQ revelou o mesmo percentual de incapacidade mandibular (38,9%) para escores baixo e moderado e 22,2% escore severo.A literatura evidencia a prevalência do gênero feminino com DTM, maior frequência de DTM do tipo mista ou mialgia, sendo a tensão cervical um dos fatores desencadeantes/perpetuantes de dor e cefaleia, resultando em algum grau de incapacidade, tanto mandibular quanto nas atividades de vida diária.
Conclusão
Apesar da pequena amostra, este estudo revelou o perfil dos pacientes com DTM, permitindo assim criar estratégias de manejo em consonância com esta população
Brainstem tumor as a cause of headache triggered by Valsalva maneuver
Expansive lesions of the posterior fossa or the malformation in the occipitocervical transition can cause headache triggered by Valsalva maneuver, usually of sudden onset and of significant intensity, which usually lasts for a short time. Brainstem tumor is rarely related to cause headache, hence the interest in documenting this patient\u27s case in this article
Pediatric patients at a high risk of headache of ocular origin: the HAMS Score (Hyperopia, Astigmatism, Myopia, and Strabismus)
AbstractPediatric patients identified at increased risk for headache due to ocular refractive errors were evaluated to produce a diagnostic tool called the HAMS score that will help establish the likelihood of headache due to refractive errors.Methods Data on the ocular diagnosis and headache complaints of 726 pediatric patients of both sexes were obtained from the medical records of an ophthalmological service in Brazil (Hospital de Olhos Santa Luzia). Age, use of glasses, and ocular diagnosis were also considered to create an index based on the number of ocular diagnoses in a given individual (HAMS score) to verify their association with the incidence of headache. Once the database was finalized, it was then analyzed to identify the variables capable of predicting the occurrence of headaches, following which a profile of those at the highest risk was produced by comparison.Results Only the ocular diagnosis was significantly associated with headache as a function of sex, age, use of glasses, farsightedness, astigmatism, myopia, and strabismus, indicating the relative impact of each ocular diagnosis on the probability of headache. According to the HAMS score, strabismus is more likely to have headache (5.21), followed by hyperopia (3.10), myopia (2.67), and, finally, astigmatism (1.86). The findings showed that the presence or absence of refraction errors and strabismus is predictive of the occurrence of headache, particularly in a small group of patients (6.2%) where the probability of headache was 57.8%. Such patients were characterized by being younger, having a combination of strabismus, hyperopia, and astigmatism, and already be using corrective lenses.Conclusion The index based on the most common ocular diagnoses (HAMS score) is effective, and it has practical application in identifying children and adolescent patients with a greater or lesser propensity for headaches of ophthalmic origin
Cefaleia ocasionada por uso prolongado de EPI em profissionais da saúde na pandemia da Covid-19
Introdução
Os equipamentos de proteção individual (EPI) fazem parte da rotina de trabalho dos profissionais de saúde. Durante a pandemia da Covid-19, a utilização foi intensificada e prolongada. A cefaleia é observada com frequência em profissionais de saúde pelo estresse e sobrecarga laboral. No presente estudo, exploramos a cefaleia por pressão externa associada ao uso prolongado de EPI.
Objetivo
Investigar a associação de cefaleia ao uso prolongado de EPI em profissionais da saúde durante a pandemia da Covid-19.
Material e Métodos
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura. Utilizamos as bases de dados da PubMed e Web of Science. Os descritores de busca foram: “Headache”, “Mask N95”, “Face shield”, “Protective goggles” e “Personal protective equipament”. Como critério de inclusão, resgatamos somente artigos originais completos. A análise foi realizada por 2 pesquisadoras.
Resultados e Discussões
Inicialmente, foram resgatados 38 estudos, sendo 28 excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade, sendo o produto 10 artigos. Foi observado que o uso ininterrupto do EPI por 4 horas pode causar eventos adversos. A cefaleia foi o evento presente em todos os estudos (n=10/10). Um deles, atribuiu a cefaleia pré-existente como fator que contribui para intensificar a cefaleia por pressão. Outros eventos foram relatados como: marcas e vermelhidão na pele por pressão do EPI; concentração reduzida; falta de ar. A máscara N-95 foi o EPI mais utilizado (n=10/10), seguido dos óculos de proteção (n=6/10) e face shield (n=3/10). A cefaleia foi observada com frequência mulheres e com episódios variáveis de até 6 eventos por mês. As regiões frontal e bi-temporal foram apontadas como locais de dor, que coincidem com as amarrações do EPI.
Conclusões
A cefaleia por pressão externa tem relação com o uso de EPI, o material de ajuste dos equipamentos é desconfortável, somado a rotina de estresse e longas jornadas de trabalho
Cefaleia em Salvas Crônica responsiva a terapia combinada com Varfarina – Relato de caso
Introdução
ZFA, sexo feminino, 55 anos, hipertensa e diabética, com histórico de migrânea sem aura desde a infância, com bom controle. Apresentou mudança do padrão das crises em 2014, descritas como cefaleia estritamente em hemicrânio esquerdo, forte intensidade, duração 1-2 horas, recorrente, 3-4 ataques/dia, associada a hiperemia conjuntival e congestão nasal ipsilateral. Exame neurológico e Ressonância magnética de encéfalo sem alterações. Realizado teste com indometacina, sem resposta. Tratamento agudo com sumatriptano nasal (boa resposta). Tentado tratamento profilático com diversas medicações, tais quais: prednisona e bloqueio do nervo occipital (boa resposta por curto período), verapamil(resposta parcial), Lítio (sem resposta), melatonina (pouca resposta), clomifeno (resposta parcial). Após refratariedade ao tratamento, optado por iniciar varfarina, com redução significativa das crises. Por último, iniciado Ácido Valpróico (boa resposta) mantendo 1 ataque a cada 2 meses.
Objetivo
Relatar um caso de cefaleia em salvas crônica.
Material e métodos
Revisão bibliográfica em comparação ao relato de caso.
Resultados
A cefaleia em salvas é a mais comum das cefaleias trigeminoautonômicas. Tem prevalência 4-15,6/100000 habitantes, preferencialmente homens adultos jovens. Pode ser episódica ou apresentar-se de forma crônica, com pouca remissão e alta refratariedade terapêutica. Houve necessidade de terapia combinada com várias drogas, sendo a Varfarina uma droga chave, com redução de mais de 50% no controle dos ataques. A Varfarina é indicada apenas nos casos refratários, tem ação como antagonista da vitamina K no metabolismo dos dendritos e neurônios, no ritmo circadiano do hipotálamo e na inflamação neurogênica do óxido nítrico.
Conclusões
A cefaleia em Salvas possui diagnóstico clínico peculiar, sendo cada vez melhor reconhecida e diagnosticada, sendo que o conhecimento e instituição do tratamento precocepode melhorar a qualidade de vida dos pacientes
Incidência da oscilação postural em adultos jovens com cefaleia
Introdução
A cefaleia é uma das doenças mais prevalentes e o segundo agravo de saúde mais comum da população mundial. Entre as alterações relacionadas à dor de cabeça, o desequilíbrio postural vem sendo associado à cefaleia devido à hiperatividade da musculatura cervical alterando o centro gravitacional.
Objetivos
Avaliar a presença de oscilação postural em adultos jovens diagnosticados com cefaleia.
Material e método
Trata-se de um estudo transversal, com abordagem quantitativa, realizado no setor de Fisioterapia do NAMI com o parecer ético nº 4.618.892. Foram inclusos pacientes de ambos os sexos, a partir dos 18 anos, com diagnóstico de cefaleia e sem a presença de distúrbios. Para mensurar o impacto da dor de cabeça e da funcionalidade aplicou-se o questionário Questionário Headache Impact Teste (HIT) e por fim, foi utilizado o baropodômetro e a plataforma guiada pelo programa Footwork Pro®. Para analisar a estabilometria, o paciente foi orientado a subir descalço na plataforma, relaxar os braços ao longo do corpo e manter os olhos fechados durante 10 segundos.
Resultados
A amostra foi composta por 42 pacientes, sendo com predominância do sexo feminino com 85,7% (n=36) com média de idade 30,6 (± 12,9) anos. Em relação as características da cefaleia 71,4% (n=30) relataram dor de intensidade moderada, uma média de 7,02 ± 6,44 de crises por mês e 5,7 ± 6,2 anos com cefaleia. Na estabilometria foi observado uma oscilação anteroposterior de olhos abertos 2,2 ± 1,6 cm e latero-lateral de 1,8 ± 1,7 cm e de olhos fechados anteroposterior 2,7 ± 1,2 cm e latero-lateral 1,7 ± 0,9 cm. Esses dados foram analisados pelo programa SPSS statistic 20.0.
Conclusão
Foi possivel observar a predominância de cefaleia no sexo feminino com intensidade de dor classificada como moderada e obtendo uma maior oscilação postural anteroposterior na análise de olhos fechados