Revista Amazônica sobre Ensino de Geografia
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Identidade e Educação geográfica na atualidade a partir das temáticas de Gênero e Sexualidades
Discutir sobre Educação e Ciência, e mais especificamente sobre ensino de Geografia no sul do Brasil, hoje, passa também por um debate que inclui pautas relativas a gênero e sexualidades. Por esse motivo, o presente texto visa explanar a dificuldade da inclusão destes tópicos no currículo da Geografia, e sua respectiva necessidade, perante as demandas de uma sociedade que pretende ser plural e democrática. Assim, após uma revisão teórica, fica a evidência da necessidade de uma mudança de paradigma, onde o gênero e as sexualidades não sejam mais vistos como algo secundário, mas dotados de geograficidade, ou seja, categorias de análise próprias da produção do espaço e da Geografia, enquanto campo de saber preocupado com as desigualdades presentes na sociedade.
Palavras-chave: Geografia; Gênero; Sexualidades; Ensino; Currículo
Aspectos metodológicos do uso do lapbook como recurso didático e metodologia ativa, pautado na aprendizagem significativa e na BNCC para o ensino de Geografia
Este artigo apresenta uma experiência pedagógica com o uso do "lapbook" como recurso didático e metodologia ativa no ensino de Geografia, fundamentada na teoria da aprendizagem significativa e orientada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A prática foi realizada no IFPA – Campus Belém, com turmas do curso de licenciatura em Geografia e do 2º ano do ensino médio integrado. O lapbook, entendido como “livro em camadas”, permite ao aluno organizar e sistematizar conteúdos por meio de dobraduras, promovendo o protagonismo estudantil. A metodologia foi aplicada em cursos técnicos de Design, Mineração, Mecânica, Desenvolvimento de Sistemas e Saneamento Básico. Observou-se uma intervenção alinhada à BNCC, especialmente à competência geral nº 5, ao incentivar o uso de diferentes linguagens na construção de sentidos. Os resultados destacam a eficácia do lapbook na mediação do professor e na melhoria da relação ensino-aprendizagem, conforme os princípios defendidos por David P. Ausubel.
Palavras-chave: Ensino de Geografia. Lapbook. Metodologia ativa. Aprendizagem significativa. BNCC
Dobras entre corpo e mapa na transamazônica paraense
A Transamazônica (Br-230) paraense possui sua imagem congelada há décadas: a estrada enlameada, carros parados ou tratores derrubando uma floresta vazia de gente abrindo o espaço amazônico para um projeto de modernização autoritária. Reproduzida e reprodutiva em termos de ensino de geografia - inclusive para crianças/jovens que vivem à beira da estrada, nos assentamentos e comunidades vicinais - em livros didáticos e discursos que enquadram a escala regional (como totalizante e explicativa) em detrimento das escalas lugarizadas em campo. O resultado desta dinâmica não se restringe a uma distância entre o que se vive como fenômeno e o que se aprende como conceito, vai na direção da reprodutibilidade de uma “inexistência da potência criativa” das vicinais, lugares de construção de uma geografia junto a mapeamentos que, de lá, forcem o repensar dos fundamentos inabaláveis das imagens congeladas, dos mapas generalistas e suas projeções, escalas e simbologia padronizantes. Para tanto, realizamos junto com estudantes e professores de duas escolas vicinais do município de Pacajá (PA), no período que foi de início de 2016 até 2019, uma série de mapas mentais desenvolvidos com estudantes sobre o passado, presente e futuro da vicinal. Ou seja, tentativas de provocar o corpo no mapa e o mapa no corpo em um contexto de situação-limite da existência, dada a precariedade das condições escolares, bem como dos diversos enfrentamentos vividos pelos estudantes e professores. Este engajamento corporal na tentativa de pensar a vicinal como lugar em instituição e, daí, uma abertura situada ao mundo é o que dá sentido à geocartografia. É possível concluir que: a) frente às representações sedimentadas, paralisantes e de sobrevoo da Transamazônica paraense, o exercício de reativação fenomenológica do sentido de geocartografar, desde às vicinais, provoca a emergência de um sentido subjetivo que não separa o emocional do simbólico na feitura de mapas; b) o engajamento corporal e o olhar situado de professores e estudantes não tem apenas valor de exemplo totalizável, mas de abertura ao novo na medida em que fazem uma simbologia que revela a necessidade de construir uma ponte dialógica entre o que se vive na vicinal e o mundo que a tematiza de maneira “inexistida”
Eneida de “Terra Verde”: uma voz na/da Amazônia
A obra Terra Verde: Versos Amazônicos foi o primeiro livro publicado pela jornalista, escritora e militante política Eneida de Moraes (1904-1971). Apesar de ser considerado pela autora como uma “obra de adolescente”, apresenta poemas onde o espaço geográfico belenense é visualizado sob o olhar de uma das maiores escritoras de seu tempo. Elementos da natureza, ruas e feiras nos levam a uma excursão sinestésica de uma cidade que tem cor, cheiro, movimento, calor e alma, cruzando sensações. Assim, o livro possui um valor didático, de ensinamento social que recomendamos ser usado em sala de aula.
Palavras chave: Amazônia; Belém; Ensino de Geografia
Editorial
Apresentação do volume 4, número 2 da Revista Amazônica sobre Ensino de Geografia. Os editores do número são Wallace Pantoja e Áthila Kzam, professores e pesquisadores do curo de Licenciatura em Geografia, IFPA, Campus Belém
Qual Ensino de Geografia encontramos quando a aula se perde pela eventualidade do Lugar?
Este artigo se interessa em se perder pela seguinte questão: O que surge a partir da escola quando a fronteira que a separa da vida é quebrada por acontecimentos históricos e eventualidades geográficas? A inspiração ocorre com autores diversos que propõem fluxos de pensamentos em composição com a Diferença, se destacando a ideia da eventualidade como uma possibilitadora de aberturas que compõem forças que permitem outras aproximações com o espaço geográfico. Nesse acontecimento eventual o não humano se alia aos personagens humanos, colaborando para que as afetações surjam de encontros ocorridos na escola, sempre desejando extrapolar seus muros, fraturando as fronteiras e trazendo as zonas de indeterminação
Educação geográfica para formação humana
Este ensaio trata dos caminhos da geografia ensinada, como uma realidade que, como tal se mostra atualmente e busca pensar alternativas. A discussão envolve a escola e a educação escolar e neste contexto os caminhos de uma geografia mais consequente para a formação humana.
Palavras-chaves: Ensino de Geografia; Pedagogia da Geografia; Políticas Públicas.
Breves considerações sobre a Geografia Escolar Brasileira contemporânea
O presente artigo revisita a produção em Geografia Escolar produzida no período compreendido entre o final do século XX e as duas primeiras décadas do XXI, fundamentalmente a partir de duas perspectivas: a 1ª é a vivencial, propiciada pela atuação como professora formadora de professores de Geografia, ao longo de quase 25 anos; a 2ª é uma breve consulta aos artigos produzidos no âmbito dos Encontros Nacionais de Prática de Ensino de Geografia/ENPEG e Encontro Nacional da Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia/ENANPEGE, no período em questão, no sentido de identificar as grandes linhas orientadoras de seus conteúdos. Ambas as perspectivas confluem para a afirmação de que a produção científica referente aos processos de ensino e aprendizagem em Geografia, bem como os referentes à formação de professores nessa área, apresentam um crescimento paulatino e progressivo ao longo dos anos. Além disso, algumas ideias são comuns, amplamente utilizadas, balizadoras de argumentos e por isso, neste texto, são designadas como consensos teóricos, a saber: validação da Geografia Escolar como um sub campo da Geografia; finalidade da Geografia Escolar; relação intrínseca da Geografia Escolar com o processo de formação da cidadania; utilização de metodologias ativas; estudo das cidades como basilar às análises geográficas
O uso da cartela de ovos como recurso não convencional para o ensino de cartografia: vivência na escola municipal Professora Zoraide Almeida, Teresina, PI
A pesquisa objetivou analisar o potencial didático do uso de cartelas de ovos como recurso não convencional para o ensino de Cartografia em turmas de 6º ano do ensino básico, enfatizando o processo de ensino-aprendizagem no ambiente escolar. O estudo de cunho quanti-qualitativo apresentou como suporte metodológico a revisão bibliográfica acerca da temática central, bem como um relato de experiência da aplicação de atividades práticas de ensino na Escola Municipal Professora Zoraide Almeida, localizada no município de Teresina-PI. Desse modo, observou-se que o uso de cartelas de ovos como recurso não convencional proporcionou aos discentes a realização de uma análise crítica e reflexiva sobre a inserção no ensino de Cartografia escolar, assim como contribuiu para incentivar e qualificar professores ainda em processo de formação inicial, principalmente em relação à prática docente. Pondera-se neste trabalho as dificuldades de assimilação que os alunos possuem em relação ao conteúdo da Cartografia escolar. Conclui-se que a utilização de recursos não convencionais para o ensino de Cartografia é visto como uma importante estratégia didática no processo de ensino-aprendizagem de Geografia.
Recursos didáticos e práticas cartográficas no ensino de geografia no ensino fundamental de Cajazeiras, Paraíba
O objetivo do presente artigo é analisar as prática de ensino relacionadas a Cartografia realizadas por professores de Geografia do 6º ano de escolas municipais da cidade de Cajazeiras, estado da Paraíba. Metodologicamente, a pesquisa fundamentou-se em entrevista com os seis professores de Geografia das três escolas públicas com maior número de matrículas da referida cidade, afim de conhecer as práticas cartográficas a partir de quatro recursos modelo: maquete de relevo com curvas de nível, mapa em branco impresso, jogo de coordenadas geográficas e software Google Earth Pro. Entre os resultados podemos destacar a pouca utilização das maquetes no ensino de Cartografia na Geografia escolar, a falta de recursos cartográficos que dificulta o uso de mapas em branco impresso, o desconhecimento dos docentes a respeito do jogo como metodologia de ensino e que nem todos os professores possuem o conhecimento necessário para operar o software analisado para o trabalho com a geotecnologia em sala de aula