Revista Amazônica sobre Ensino de Geografia
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Etnomapeamento e etnozoneamento: aula de campo com a turma formação de professores indígenas do alto Solimões FACED/UFAM na comunidade Filadélfia – Benjamin Constant/AM
O presente trabalho apresenta uma proposta de prática de campo como instrumento essencial para o ensino de Geografia, compreendida enquanto experiência socioespacial capaz de promover a contextualização e a articulação entre teoria e prática. Parte-se do pressuposto de que toda ação pedagógica requer planejamento estruturado, especialmente quando envolve processos colaborativos. Nesse sentido, propõe-se a realização de etnomapeamento e etnozoneamento, em consonância com a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI, 2012). A experiência foi desenvolvida na Comunidade Filadélfia, no município de Benjamin Constant, Amazonas, no âmbito do PIBID, junto ao Curso de Formação de Professores Indígenas do Alto Solimões, da Universidade Federal do Amazonas. Fundamentada na valorização da realidade dos discentes e na aproximação com o mundo vivido, a proposta fortalece a Educação Escolar Indígena ao promover reconhecimento territorial, identidade e protagonismo comunitário, que oportuniza a resistência, insistência e insurgência tão necessárias mediante o contexto contemporâneo
A hermenêutica como método de interpretação da sala de aula : reflexão e análise do processo de produção do planejamento e das práticas pedagógicas no ensino básico
Esse artigo tem por objetivo explorar e analisar, de forma crítica, o método hermenêutico e sua importância, limites e desafios no contexto de produção do planejamento e das práticas pedagógicas de profissionais da educação geográfica. Para isso, realizamos entrevistas com professoras de Geografia atuantes na educação básica e que tiveram, em sua carreira acadêmica, um aprofundamento teórico em hermenêutica. Analisamos essas entrevistas em busca de compreender os limiares e as possibilidades de contribuição que a hermenêutica oferece quando aliada ao processo de planejamento
Educar em meio aos conflitos: Precarização e Invisibilização do ensino em assentamentos de reforma agrária no Pará
Os conflitos agrários são embates constantes na história do estado do Pará, nos assentamentos rurais são diversas as dimensões sociais afetadas por esses processos conflituosos, dentre elas, o processo de ensino. Este artigo se debruça sobre os conflitos existentes no Projeto de Assentamento (PA) Irmã Dorothy Stang (Anapu/PA) e no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Serra Azul (Monte Alegre/PA), analisando como os conflitos precarizam ou inviabilizam o processo de ensino de suas escolas. Nossa metodologia está baseada em dados primários e secundários, levantados através de trabalhos de campo, entrevistas, registros fotográficos e pesquisa bibliográfica. Nosso trabalho verificou que disputas políticas no PDS Serra Azul dificultam o processo de construção de uma escola polo na região, mantendo precário o sistema atual de ensino, enquanto no PA Irmã Dorothy Stang, a violência de grileiros chega a inviabilizar o processo de ensino a partir de reiterados incêndios criminosos na escola local.
Palavras-chave: Conflitos; Assentamentos rurais; Ensino; Campesinato; Amazônia
Entrelaçando raízes e paisagens: a fotografia como linguagem didática na construção da concepção da identidade territorial marajoara
O artigo analisa a fotografia como ferramenta pedagógica para abordar a identidade territorial marajoara no ensino de geografia. Assim tendo como base a eficácia de integração da concepção de identidade territorial à linguagem fotográfica, incentivando uma consciência crítica nos alunos. A metodologia qualitativa baseia-se em referências bibliográficas sobre identidade territorial e Fotogeografia. Os resultados mostram que a fotografia captura tanto o ambiente físico quanto as conexões emocionais e identitárias dos estudantes com o território, enriquecendo o processo educativo. Isso fortalece o senso de pertencimento e a compreensão das influências culturais, sociais e naturais no contexto local. Além disso, destaca-se a importância de um ensino alinhado à realidade dos alunos, com a fotografia sendo uma proposta didática prática e aplicável. A pesquisa contribui para um ensino sensível à identidade territorial, capacitando os alunos a serem agentes ativos na promoção de seu pertencimento ao lugar
Os conceitos geográficos como fundamentos do raciocínio geográfico: uma análise da perspectiva dos alunos da escola Marcantonio Vilaça II, Manaus-AM
O objetivo principal deste estudo foi investigar a percepção dos estudantes do Ensino Médio da Escola Marcantonio Vilaça II sobre a importância e a aplicação dos conceitos geográficos na construção do raciocínio geográfico durante o ensino de Geografia. A pesquisa baseou-se numa revisão bibliográfica abrangente, com destaque para as contribuições de Callai (2001), Castellar (2022), Girotto (2015), Gomes (2012), Gutiérrez (2012), Pontuschka (2009), Moreira (2012) e Santos (2012). Com base nesses referenciais, foram identificadas alternativas e possibilidades tanto no âmbito teórico-metodológico quanto no prático para uma melhor compreensão da temática. Por meio de entrevistas e questionários, o estudo revelou um panorama positivo, em que a maioria dos estudantes demonstrou confiança e conhecimento sobre os conceitos geográficos. No entanto, os resultados também indicaram uma desconexão entre o conhecimento teórico e a sua aplicação prática. Além disso, o estudo destacou áreas que exigem maior atenção pedagógica, especialmente na compreensão dos conceitos de "Sociedade", "Natureza" e "Território".
Palavras-chave: Ensino de Geografia; Conceitos Geográficos; Raciocínio Geográfico
Geografia, meio ambiente e fanzine: uma possível parceria
Ao longo do processo relativo à história de evolução da humanidade, o ser humano tem impulsionado inúmeras transformações e mudanças na natureza, o que também tem demandado esforços coletivos não só de compreender tais transformações e mudanças que tem contribuído para a crise ambiental na contemporaneidade, mas mitigar tais problemas em prol de uma melhor qualidade de vida e sustentabilidade. Assim, é diante da ideia de que a educação ambiental pode e deve ser desenvolvida nas escolas, que esse trabalho teve como objetivo principal refletir sobre as contribuições do uso do Fanzine para se abordar questões ambientais nas aulas de Geografia. Para tal, os procedimentos metodológicos se pautaram nos preceitos da pesquisa colaborativa, apoiada na pesquisa-ação. Evidenciou-se por meio desta investigação que a mídia escolhida pode auxiliar na compreensão de conteúdos que estão sendo abordados, principalmente, por ampliar as possibilidades para se promover a reflexão e o engajamento dos discentes enquanto sujeitos protagonistas em relação a temática ambiental. Por fim, a partir da inserção de métodos de cunho artísticos, pode-se potencializar o (re)dimensionamento de assuntos que necessitam de reflexão sobre um prisma de aspectos, como é o caso das mudanças climáticas na atualidade
Da margem do rio ao cortejo : Marambiré e simbologia social dos negros no quilombo do Pacoval, Alenquer-PA
O presente artigo tem como objetivo analisar a presença do folclore nos estudos sobre a simbologia do Marambiré como processo de resistência cultural negra, consolidada pelos negros da Região do Baixo Amazonas, no município de Alenquer, Oeste do Pará. Visa analisar a festividade que ocorre no Quilombo do Pacoval, assim como sua simbologia ligada à ancestralidade, e o percurso existente relacionado aos signos de danças e adereços históricos que resistem até os dias atuais na Amazônia como importante festa popular negra.
 
Geografia sensível e a construção do sentido de lugar: contribuições de uma caminhante cega
A Geografia, enquanto ciência que estuda o espaço geográfico, pode compreendê-lo a partir dos sentidos humanos, como audição, olfato, paladar, tato e visão. Nas últimas décadas, alguns geógrafos buscaram evidenciar as dimensões sensíveis do espaço, as quais denominamos aqui como Geografia Sensível. Considerando o sentido da visão como hegemônico em grande parte das culturas, a pesquisa com pessoas cegas permite focar a atenção nos demais sentidos. Nesta pesquisa, busca-se compreender a partir da fenomenologia como pessoas cegas percebem a partir de seus sentidos remanescentes ao caminhar pelo espaço público, e, assim, constroem o Sentido de Lugar. O conceito de Lugar é discutido, buscando evidenciar alguns elementos que o definem. Como resultados, são geradas crônicas a partir das narrativas, convidando, assim, o leitor a percorrer os caminhos trilhados e a participar das experiências vivenciadas ao longo da pesquisa
Educação geográfica no lugar de vivência: o trabalho de campo em uma perspectiva fenomenológica
Esse artigo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa realizada no âmbito do mestrado em Geografia e tem como objetivo desenvolver atividades intra e extraescolares que explorem os espaços vividos pelos estudantes, articulando com concepções científicas da Geografia sobre o conceito de lugar. Para isso, utilizou-se como metodologia o trabalho de campo em uma perspectiva fenomenológica de viés humanista com alunos dos anos finais do ensino fundamental de uma escola pública do município de Mata Roma - Maranhão. A análise do material coletado em campo e as atividades desenvolvidas pelos alunos evidenciam o interesse, a participação ativa e a assimilação de ideias significativas acerca dos sentidos de lugar abordados em sala de aula, o que demonstra a viabilidade da proposta de estudo desenvolvido pela via fenomenológica