UNIFRAN - Publicações Acadêmicas (Univ. de Franca)
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IDENTIFICAÇÃO DO DIFERENTE: os posts publicitários de Lu do Magazine Luiza, em perspectiva bakhtiniana
O Magazine Luiza, empresa brasileira do ramo de vendas, utiliza, em sua publicidade, o avatar digital Lu, uma personagem virtual 3D, que divulga produtos e interage com os consumidores nas redes sociais. O presente trabalho analisa essa publicidade em que um avatar se apresenta como produtor de enunciados e assume uma identidade própria. Para tanto, fundamenta-se nas proposições teóricas do Círculo de Bakhtin, em especial, no conceito de relação dialógica, que se estabelece entre o eu e o outro nos enunciados. São analisados quatro posts publicitários, de 2019, publicados no Instagram e no Facebook, e os dez primeiros comentários de cada post. Os resultados da análise destacam, nos enunciados, a construção da humanização do avatar, bem como a tentativa de identificação entre Lu e os consumidores, por meio de um estilo afetuoso e coloquial. Lu se aproxima de seus interlocutores, busca estabelecer uma relação de amizade e confiança, e, assim, conquistá-los como clientes. Procura-se, com o estudo, discutir sobre o modo recente de fazer publicidade e vender produtos, que estabelece diálogos “reais”, afetuosos e de confiança entre pessoas e avatares. Se, como afirma Bakhtin, a constituição do sujeito se dá na relação com o outro, ela, mais do que nunca, se realiza em ambientes sem fronteiras entre o real e o virtual
ASPECTOS DO SISTEMA DE REMISSIVAS EM DICIONÁRIOS ESCOLARES DE TIPO 2
O sistema de remissivas constitui-se numa rede de relações léxico-semânticas dentro de uma obra lexicográfica e é um importante recurso, pois religa, relaciona e complementa informações que, à princípio, estão compartimentadas. (BARROS, 2002). Este artigo situa-se nos domínios da Lexicografia. Fundamentar-nos-emos em Barros (2002), Welker (2004), Pontes (2009) e Damim (2005). Nossas reflexões buscam analisar e tecer considerações sobre o funcionamento da rede de remissivas de um dicionário escolar de tipo 2, isto é, uma obra desenvolvida para alunos que cursam do 2º ao 5º anos do ensino fundamental, possui, em sua composição, um número mínimo de 3.000 e máximo de 15.000 verbetes, além de uma proposta lexicográfica adequada a alunos em fase de consolidação do domínio tanto da escrita quanto da organização e da linguagem típicas do gênero dicionário. Nosso corpus consta da seguinte obra: Saraiva, Kandy S. de Almeida; Oliveira, Rogério Carlos G. de. Saraiva Júnior; dicionário da língua Portuguesa ilustrado. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2009. Nossas observações apontam para a falta de critérios claros e definidos, bem como o tratamento dado às informações que compõem o sistema de remissivas
NÃO SEJA BURRO!: PRECONCEITO COMO A CHAVE PARA O SUCESSO
Este artigo busca analisar, à luz de teorias sociolinguísticas, o primeiro vídeo da série online Não seja burro!, de Marcela Tavares, veiculada no YouTube e no Facebook. O primeiro vídeo dessa série teve grande repercussão nessas redes e contava com 1.470.952 visualizações no YouTube em julho de 2017. A série, composta, até a data de elaboração deste artigo, por 14 vídeos, propõe ensinar a escrever e a falar “corretamente” a língua portuguesa, de acordo com uma gramática normativa do português que não é explicitada, seguindo as regras da autointitulada professora Marcela Tavares, a qual institui formas “corretas” e “erradas” de se expressar. Como atestado por Santos (2017), os enunciados de Tavares são perpassados por um discurso purista sobre a linguagem, o qual despreza as variedades linguísticas, tomando-as como erradas, instituindo o que chamamos de preconceito linguístico. Neste artigo, pesquisa ampliada de Trabalho de Conclusão de Curso (SANTOS, 2017), com base estudos em Sociolinguística, buscamos, primeiramente, discutir alguns conceitos teóricos e, a seguir, apresentar a análise de alguns comentários de Marcela Tavares presentes no primeiro vídeo de sua série online, explicitando a coerência dessas ocorrências condenadas, tendo em vista o sistema da língua portuguesa, e a incoerência de Tavares ao julgá-las
A UTILIZAÇÃO DA ESCRITA NO WHATSAPP E SUA INFLUÊNCIA NA PRODUÇÃO DE TEXTOS ESCOLARES DO ENSINO FUNDAMENTAL
As influências das mídias digitais e das estratégias empreendidas em seu uso e possíveis influências sobre a linguagem escrita, especificamente, no Whats-App, são o escopo deste estudo. Fundamentado em pesquisas desenvolvidas por Crystal (2001), Galli (2002), Xavier (2011), Marcuschi e Hoffnagel (2007), Araújo e Biasi Rodrigues (2005) e Marcuschi (2010), trata-se de levantamento bibliográfico que reflete sobre a linguagem na contemporaneidade, mais especificamente, a linguagem produzida nos novos meios digitais, especialmente as mensagens de WhatsApp, e sua possível interferência sobre a produção de textos dos estudantes do ensino fundamental. Para tanto, faz-se uma breve incursão pela história da escrita, tendo por base os estudos de Higounet (2003) que traduzem a evolução dessa modalidade como uma necessidade histórica do ser humano e permite perceber a linguagem digital como um novo estágio nesse processo evolutivo. Assim, percebe-se a necessidade de se considerar a linguagem produzida nos meios digitais como material de análise pelos/as professores/as de língua portuguesa que atuam no ensino fundamental, séries finais, os quais, através dessa abordagem, poderão ter uma melhor compreensão de certos problemas apresentados na escrita dos estudantes e, consequentemente, contribuir para o avanço na produção da escrita desses estudantes em níveis mais formais
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The studies developed about the body, through the theoretical-analytical perspective of the Discourse Analysis (AD), have contributed to basic reflections both on the process of constitution of the senses and on the process of constitution of the subjects. The body, in the constitution of the subjectivity, occupies, from Psychoanalysis, a fundamental position, as it is not considered a biological effect, nor only a psychological one. The boundary concept of drive allows viewing the body as part of the subjectivity, which has consequences for the discursive functioning when considering that the theory of subjectivity that supports the epistemological structure of DA is of a psychoanalytic nature. In the present proposal of reflection, the psychoanalytical basis in the conception of the subject of the discourse is not neglected and, based on this, the work analyzes the discursive functioning of soundwave tattoos. These are tattoos whose design reproduces a sound and, with the aid of a cell phone app, it is possible to hear what is tattooed. The article theoretically and analytically articulates elements about the concept of body in the DA, specifically seeking to think about the tattooed body. The reflection is advanced by relating the tattooed body to the materialized sound in the body, whose listening is done through an external device, which ends up complementing the subject’s body to enable the transformation of the image into a sound wave. All this complexity involving the way the discourse is materialized reaches subjectivation, in a relationship of incompleteness between the ideological interpellation and the unconscious repression, getting to the notion of real of the body (LEANDRO-FERREIRA, 2011a). Os estudos desenvolvidos sobre o corpo, através da perspectiva teórico-analítica da Análise de Discurso (AD), têm contribuído com reflexões basilares tanto sobre o processo de constituição dos sentidos quanto sobre o processo de constituição dos sujeitos. O corpo, na constituição da subjetividade, ocupa, a partir da Psicanálise, posição fundamental, por não ser considerado um efeito somente biológico, tampouco somente psicológico. O conceito-limítrofe de pulsão autoriza olhar o corpo como parte da subjetividade, o que tem consequências no funcionamento discursivo ao se considerar que a teoria da subjetividade que sustenta o quadro epistemológico da AD é de natureza psicanalítica. Não se negligencia, na presente proposta de reflexão, o embasamento psicanalítico na concepção do sujeito do discurso e, com base nisso, o trabalho analisa o funcionamento discursivo de tatuagens de ondas sonoras. Trata-se de tatuagens cujo desenho reproduz um som e, com o auxílio de um aplicativo de celular, é possível ouvir o que está tatuado. O artigo articula teórica e analiticamente elementos sobre a concepção de corpo na AD, buscando trabalhar sobre o corpo tatuado. Avança-se na reflexão ao relacionar o corpo tatuado ao som materializado no corpo, cuja escuta se faz através de um dispositivo externo, que acaba por complementar o corpo do sujeito para possibilitar a transformação de imagem em onda sonora. Toda essa complexidade envolvendo a forma como o discurso se materializa atinge a subjetivação, em uma relação de incompletude entre a interpelação ideológica e o recalcamento inconsciente, chegando-se à noção de real do corpo (LEANDRO-FERREIRA, 2011a). 
AS FORMAS DE EXPRESSÃO DE FUTURO NAS CARTAS DE LEITORAS DA REVISTA FEMININA GLOSS
Este trabalho investiga a expressão variável de futuro em cartas de leitoras, extraídas da revista feminina contemporânea Gloss, publicadas no período de 2008 a 2013. Verificamos quais são as diferentes estruturas linguísticas empregadas pelas adolescentes: a forma sintética (futuro simples); a forma perifrástica (verbo IR no presente + infinitivo); a forma perifrástica (verbo IR no futuro + infinitivo) e a forma do presente. Além disso, verificamos se essas diferentes formas de expressão aparecem com a presença ou ausência de adjuntos adverbiais de tempo e se estão relacionadas a valores semânticos modais. Após a seleção e codificação dos dados, analisamos os resultados seguindo a metodologia da teoria variacionista. Como resultado, a perífrase IR no presente + infinitivo e o verbo no presente do indicativo (ora como auxiliar modal, ora como principal), mostraram ser os mais produtivos entre as leitora
O feminismo em dicionários de língua portuguesa: uma abordagem discursiva
A palavra feminismo tem circulado, de forma recorrente, nos discursos das mídias e das redes sociais. A partir da discursivização, mas não só, de que o feminismo não é bem compreendido pela população, optamos por analisar esse verbete (feminismo) pela perspectiva da Lexicografia Discursiva (Orlandi, 2000; Nunes, 2008 e Pontes e Santos, 2014) em dois diferentes dicionários: o Houaiss (2009) – na versão impressa, e o Dicio – na versão online. O primeiro, porque é uma das obras lexicográficas mais consagradas da nossa língua; o segundo, porque acreditamos ser um dicionário bastante acessado e/ou consultado, uma vez que é a primeira indicação do site de buscas Google. Nossa análise considera os elementos e a ordem de sua apresentação na microestrutura de cada um dos verbetes e as definições acompanhadas de suas abreviações e seus exemplos (em alguns casos). Notamos que, embora o texto lexicográfico seja visto por muitos teóricos como neutro e imparcial, ele se configura como discurso, atravessado por uma formação ideológica e suas condições de produção
CHARGE, MEMÓRIA E POLÊMICA: o caso Bolsonaro
Este artigo se divide em três partes. Em primeiro lugar, faz uma breve exposição sobre memória, ethos e polêmica, conceitos-chave da Análise do Discurso que auxiliam na leitura de charges. Em segundo lugar, apresenta uma caracterização da charge como um gênero humorístico, com ênfase em elementos que facilitam ou dificultam sua interpretação, conforme sua ligação com um contexto mais ou menos imediato e conforme as informações que ela demanda por parte do leitor. Por fim, analisa algumas charges em função do ethos que as personagens retratadas dão a perceber
“MACHO DISCRETO”: heteronormatividade, identidades silenciadas e representações (homos)sexuais nos perfis do aplicativo de relacionamentos Grindr
Resumo: O objetivo deste artigo é compreender e averiguar como são construídas, por meio de discursos de autorrepresentação, as identidades dos usuários do aplicativo de relacionamentos Grindr, utilizado principalmente por homens gays (ou bissexuais), com a finalidade de marcar encontros. Busco, especificamente, analisar as representações (homos)sexuais que esses sujeitos fazem de si mesmos e do outro em seus perfis virtuais, averiguando o confronto entre a escolha de certas identidades e o silenciamento de outras através das estratégias de negociações identitárias. A escolha desse aplicativo se deu em razão ao seu intenso crescimento de usuários e pela expressiva popularidade que ele adquiriu nos últimos anos, visto que os sujeitos, caso queiram, podem disponibilizar fotografias e informações básicas sobre si para criarem um tipo de “autoidentidade”. Para efetivo funcionamento, o Grindr opera segundo ferramentas de geolocalização, as quais fornecem a distância quase exata entre os sujeitos ali inseridos virtualmente, facilitando o encontro entre os mesmos. O percurso metodológico utilizado para a análise dos dados busca romper com as fronteiras e limites disciplinares, em direção a uma perspectiva inter/trans/indisciplinar. Amparo-me, para isso, nas perspectivas epistemológicas dos Estudos da Linguagem e da Teoria Crítica do Discurso, dos Estudos Culturais, Antropológicos e da Sociologia