Portal de Periódicos Mestrado e Doutorado da Estácio
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Salas de acolhimento do ProJovem: reflexões acerca do direito à educação
Na ocasião em que a sociedade se mobiliza visando à institucionalização de espaços para receber crianças de famílias que trabalham e/ou estudam à noite, este artigo apresenta os resultados de pesquisa acerca do processo de implantação, em 2012, das chamadas salas de acolhimento para os filhos dos estudantes do ProJovem Urbano, demanda nacional desde o início do Programa, em 2005. A metodologia articula abordagens quantitativas e qualitativas, em estudo de caso no município de Itaboraí (RJ). Os resultados mostram que tais salas são instrumento de apoio bastante eficiente para a permanência dos jovens na escola, mas não se configuram a única solução para a evasão observada. A expectativa é que as recomendações aqui presentes subsidiem ações similares visando à permanência escolar, considerando a importância que esses equipamentos assumem para aqueles que são privados do direito à educação, por não terem com quem deixar seus filhos enquanto estudam.
Palavras-chave: Direito à educação. Educação de jovens e adultos. Juventude. ProJovem Urbano. Salas de acolhimento
Base Nacional Comum Curricular e educação inclusiva: algumas considerações
O presente artigo objetiva analisar como a Educação Especial na perspectiva inclusiva está sendo tratada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) aprovada no final de 2017. Para isso, por meio de pesquisa documental, realizou-se uma análise comparativa entre as três versões apresentadas pelo Ministério da Educação: as versões de 2015 e 2016, que foram submetidas à consulta popular, e sua última versão aprovada em 20 de dezembro de 2017. Adotou-se como referencial a perspectiva histórico-cultural a partir de publicações referentes às duas primeiras versões da BNCC e a legislação vigente relativa à perspectiva inclusiva. Os resultados apontam que nas duas primeiras versões há um capítulo específico para a Educação Especial, o qual define alguns termos que serviriam de subsídios para a oferta de serviços nessa modalidade, dentre eles: Atendimento Educacional Especializado - AEE; estudo de caso; plano de AEE; ensino do Sistema Braille; ensino do uso do Soroban; estratégias para autonomia no ambiente escolar; orientação e mobilidade; entre outros. No entanto, na versão aprovada e já em vigor, pouco se encontrou sobre a Educação Especial e/ou perspectiva inclusiva e o capítulo presente nas duas primeiras versões foi suprimido nesta última, sendo também que nada consta sobre a Educação Especial, sua organização e seu papel no processo educativo. A reflexão apresentada convida os leitores a aprofundar as discussões sobre o contexto educacional atual, pensar sobre as instabilidades e mudanças que, por vezes, evidenciam uma perspectiva de inclusão, mas deixam de tratar questões relevantes para que a mesma seja efetiva.
Palavras-chave: Base Nacional Comum Curricular. Educação Especial. Perspectiva Inclusiva
Condições de trabalho no contexto da Educação em prisões: percepções de professores de Ciências no município do Rio de Janeiro/RJ
Esta pesquisa tem como tema a percepção de professores de Ciências da Educação em prisões sobre suas condições de trabalho, buscando descrever e problematizar as situações vivenciadas por esses profissionais. A amostra foi constituída de 10 professores do quadro funcional da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Os dados, obtidos por meio de entrevista individual semiestruturada, foram tratados qualitativamente com base na metodologia de análise de conteúdo - modalidade de análise temática. Entende-se que tais professores convivem, durante sua atividade laboral, com situações de abuso de autoridade e desrespeito pelos funcionários do sistema penal, além de condições extremas de insalubridade e insegurança. Apesar disso, os docentes acreditam que a escola deve aceitar sua condição de subalterna perante a lógica carcerária. Assim, é necessário mudar os sistemas prisional e educacional, afirmando os princípios da Lei de Execução Penal e o papel social da escola.
Palavras-chave: Condições de trabalho docente. Educação em prisões. Ensino de Ciências. Educação de Jovens e Adultos
ẸÌ€ká»ÂÌ láti á¹£ayé: Educação e resistência nos candomblés
Este texto aborda desde uma perspectiva educacional, epistemológica e política os terreiros de candomblé, para pensá-los como espaços que, para além de sua dimensão religiosa, também se mostram como espaços de construção de resistências a múltiplos processos opressivos constituídos na Modernidade. Reflete sobre as maneiras pelas quais a dimensão, que no trabalho será chamada de entremundos, favorece encontros com elementos diversos, por vezes conflituosos, buscando não a anulação das partes envolvidas nas tensões, mas fortalecer a comunidade, promovendo modos diversos de aprendizagens e gestão do poder. Elementos como o racismo, o sexismo e outros vetores de desigualdade são enfrentados nos terreiros, fazendo com que seus membros sejam capacitados para lidar de modo coexistente com as diferenças, sem gerar hierarquias opressivas. Convoca, ainda, a pensar os terreiros como espaços nos quais o fortalecimento das identidades tensionadas pelos lastros do colonialismo possam se fortalecer, oferecendo perspectivas de resistência à chamada crise.
Palavras-chave: Candomblés. Terreiros. Educação. Resistência
Um estudo da relação professor-aluno e da indisciplina: representações expressas por meios verbais e não verbais de interação.
Esta pesquisa busca compreender como a interação professor-aluno é representada por um grupo de estudantes do primeiro e do terceiro ano do curso de pedagogia de uma instituição de ensino superior de São Paulo. A pesquisa trata de um tipo específico de relacionamento conflituoso gerado por comportamentos indisciplinados em sala de aula e utilizou o referencial teórico das representações sociais criado por Serge Moscovici para compreender o contexto no qual as representações foram produzidas e seu impacto nas interações. Inicialmente, 85 sujeitos dissertaram sobre o tema indisciplina, e os dados coletados foram analisados pela análise de conteúdo e pelo programa Alceste. Os resultados revelaram as principais significações atribuídas ao tema. Em seguida, 14 sujeitos foram convidados a participar de dramatizações no papel de professores. A tarefa era reproduzir os conflitos gerados pela indisciplina em sala de aula. Após as dramatizações, os atores e 23 membros da platéia refletiram sobre a vivência. Os comentários foram transcritos e analisados segundo a análise de conteúdo, que revelou outras representações. As cenas foram filmadas, e foi possível catalogar os gestos e as movimentações mais frequentes dos atores no papel de professores. Foi estabelecida uma comparação entre as formas verbais e não verbais de interação. Os resultados indicaram que os gestos e as movimentações dos corpos dos atores em cena traduziram algumas das representações expressas nas outras etapas da pesquisa e revelaram também algumas contradições.
Palavras-chave: Interação professor-aluno. Indisciplina. Meios verbais e não verbais de interação. Representações sociais
O saber Institucionalizado: desafios e possibilidades da universidade na pós-modernidade
Este texto pretende abordar a questão da institucionalização do saber: sua legitimação ou deslegitimação no âmbito da política universitária, no período que se denomina pós-modernidade - cenário marcadamente contemporâneo com transformações sociais significativas, mas ainda presas às amarras dos padrões e conceitos da modernidade. Tomaremos como base de argumentação o critério de desempenho discutido por Jean-François Lyotard, na tentativa de explicitar este como um paradigma do sistema social que tem estado cada vez mais presente no espaço universitário. Neste sentido, questionamos: quais os desafios e as possibilidades da universidade na pós-modernidade? Será que a universidade tem sido espaço de produção de saber e de formação do pensamento científico?
Palavras-chave: Pós-modernidade. Critério de desempenho. Formação universitária. Produção de conhecimento
Centro-periferia": uma proposta de estudo da sala de aula
Resumo
Este artigo apresenta um estudo iniciado em um pós-doutorado que dá continuidade a uma pesquisa realizada em um doutorado sobre o sistema de ensino brasileiro. Nessa primeira pesquisa é descrito um princípio segundo o qual as salas de aula se organizam, a partir da metáfora "centro-periferia". O estudo de caso em duas escolas públicas cariocas buscou descrever o fenômeno da "repetência", discutido no final dos anos 1980 por pesquisadores como Phillip Fletcher, Sérgio Costa Ribeiro, Ruben Klein e Claudio Moura Castro. A observação de campo revelou que a "cultura" da repetência se reproduz na estrutura da sala de aula: o professor separa os estudantes em centro e periferia e ensina í queles que vê como centro. Essa estrutura é descrita pelos modos de agir do professor com os alunos na sala. A pesquisa também mostrou que existem dois tipos de alunos no "centro". No primeiro tipo, conforme a teoria da reprodução do Bourdieu, estão estudantes cujas condições extras escolares contribuíram para seu lugar na sala de aula. No segundo, conforme a pesquisa demonstrou, estão alunos com condições socioeconômicas mais simples. De acordo com o efeito Pigmalião, tais alunos foram escolhidos para serem ensinados pelo professor. A observação nas salas de aula das duas escolas permitiu descrever como se estrutura hoje, no Brasil, esse efeito descrito pela literatura. A pesquisa de doutorado gerou perguntas que deverão ser respondidas com um instrumento sociológico de cunho qualitativo: Quais os critérios de escolha do professor? Existe algum padrão nas escolhas docentes?
Palavras-chave: Escola. Cultura. Repetência. Sala de aula
Pesquisa em educação e estudos da vida cotidiana: o desafio da coerência
Resumo
As pesquisas nos/dos/com os cotidianos vêm se desenvolvendo simultaneamente ao desenvolvimento da própria metodologia de efetivação desse modo de pesquisar. Isso porque, para recuperar a importância das práticas microbianas, singulares e plurais, desenvolvidas pelos praticantes da vida cotidiana (Certeau, 1994) tem sido necessário vivenciar esse processo de (re)invenção do ato de pesquisar. Parece cada vez mais fundamental ir-se à vida cotidiana, ao que acontece e ao que estão vivendo as pessoas para se compreender as práticas sociais e pensar as políticas sociais. A crescente consciência sobre a insuficiência dos métodos de pesquisa associados ao cientificismo positivista - voltados para as generalizações e definição de modelos - para a compreensão da complexa dinâmica que envolve a vida cotidiana associa-se à convicção de que o desenvolvimento epistemológico da noção de cotidiano é indissociável daquele das metodologias das pesquisas que nele, com ele e sobre ele se desenvolvem. Assim, este texto traz uma reflexão teórico-epistemológico-metodológica sobre o tema, no entendimento de que um dos principais desafios a ser enfrentado pelo campo sociológico dos chamados estudos do cotidiano é a coerência interna entre essas diferentes, mas indissociáveis, dimensões.
Palavras-chave: Cotidiano. Cotidiano escolar. Pesquisa nos/dos/com os cotidianos
BUCKINGHAM, David. The Media Education Manifesto. Cambridge: Polity Press, 2019.
Resenha do livro: BUCKINGHAM, David. The Media Education Manifesto. Cambridge: Polity Press, 2019
Educação Museal para pessoas com deficiência durante a pandemia da Covid-19: desafios e oportunidades de inclusão social
Este trabalho aborda as recomendações elaboradas por organizações internacionais e nacionais voltadas aos museus durante a pandemia da Covid-19. Tal abordagem decorre do fato desses espaços migrarem diversas atividades para a interface digital sendo, portanto, importante verificar de que forma esses documentos contemplam ou não os recursos de tecnologia assistiva (TA) que atendam às necessidades específicas das pessoas com deficiência. Discute-se a necessidade dos espaços educacionais oferecerem atividades e conteúdos acessíveis de forma a não amplificar as desigualdades durante uma crise sanitária global. Este estudo de caráter qualitativo, descritivo e bibliográfico tem como base uma pesquisa documental. Evidenciou-se a carência de documentos oficiais que contemplem a acessibilidade das atividades voltadas para as pessoas com deficiência, sobretudo no período da pandemia, demonstrando a necessidade de se ampliar o debate sobre a equidade de acesso aos conteúdos produzidos pelos museus, tanto na interface presencial quanto remota.
Palavras-chave: Acessibilidade. Covid-19. Educação museal. Pessoa com Deficiência. Tecnologia Assistiva