Portal de Periódicos Mestrado e Doutorado da Estácio
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Iyá Nla, a Grande Mãe: a liderança e a visibilidade das mulheres negras nas instâncias afro-religiosas
Na cosmologia mítica africana, o mundo possui uma dimensão religiosa explicada pelo mito e redimensionada, no Brasil, por meio dos laços ancestrais. A "Palavra Ancestral" é a grande fundadora do Candomblé que traz as tradições, a cultura e a organização social, política e econômica das antigas sociedades africanas para dentro dos Terreiros, remontando séculos de vivências e práticas replicadas por meio da oralidade. As mulheres negras emergem nesses espaços como verdadeiras Damas do Conhecimento, sendo a Iyá Nlá, a Grande Mãe, a figura que perpetua a imagem do Candomblé baiano. Nessas perspectivas, objetivamos explanar sobre a visibilidade da mulher negra nesses espaços sagrados de culto, dialogando sobre como a construção da figura sacerdotal feminina rompe com as barreiras da colonização e da subalternidade em que estão circunscritas, percebendo o Candomblé enquanto detentor de epistemologias que podem ser utilizadas nos estudos e nos ensinos acerca das heranças africanas deixadas por nossos ancestrais escravizados.
Palavras-chave: Candomblé. Epistemologias Negras. Mulheres Negras
Novas contribuições ao estudo do ceticismo de John Dewey
Principalmente por defender que a verdade só é admissível em termos probabilísticos, nas décadas de 1930 a 1950 alguns intelectuais católicos consideraram John Dewey um representante do pensamento cético. Dando continuidade a um estudo anterior que analisa esse tema, o objetivo geral deste trabalho é contribuir para a discussão da filosofia e da filosofia educacional deweyana no âmbito do ceticismo. O presente estudo tem como principal fonte de análise o livro The quest for certainty: a study of the relation of knowledge and action (1929), em que Dewey apresenta as bases epistemológicas que fundamentam seu pragmatismo, mediante a exposição de argumentos acerca da validade do conhecimento e dos meios para alcançá-lo. A partir de uma análise das manifestações do ceticismo nas eras antiga e moderna, situamos o pragmatismo de John Dewey no pensamento cético contemporâneo que compreende o conhecimento como um processo contínuo.
Palavras-chave: John Dewey. Teorias do conhecimento. Ceticismo
Resenha de Livro
Resenha de livro:
OLIVEIRA, Inês Barbosa de. Boaventura & a educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2006, 168 p. (Coleção Pensadores & Educação).
Por: Janette Netto Bassalobr
Tecnologias Assistivas para alunos/as com deficiência visual: representações sociais entre professores/as da rede pública no Sertão de Pernambuco
O presente estudo expõe uma pesquisa realizada em duas escolas públicas no Sertão de Pernambuco. Utilizando como referencial a Teoria das Representações Sociais, teve como objetivo identificar as representações sociais dos/as professores/as sobre as Tecnologias Assistivas para alunos/as com deficiência visual. Para coleta de dados, aplicou-se um questionário de evocação livre de palavras com sessenta profissionais dos diferentes níveis da educação básica. A análise deu-se a partir da construção do quadro de quatro casas, no intuito de inferir o sistema central e periférico da representação. Os resultados mostraram que as palavras que compõem o núcleo central são: adaptação de materiais, orientação, inclusão e recursos táteis. Percebeu-se que os/as professores possuem uma representação estruturada e funcional, pois contém elementos voltados para a realização de uma atividade. Conclui-se que os/as professores, ao representarem as Tecnologias Assistivas, priorizam o fazer profissional, através dos aspectos técnicos e práticos.
Palavras-chave: Deficiência visual. Docentes. Inclusão educacional. Representação social. Tecnologia assistiva
Argumentação, Metáforas e Labirintos
Resumo
Este artigo aborda, com o referencial da teoria da argumentação de Chaí¯m Perelman, o papel das analogias e metáforas como recursos argumentativos, sobretudo no sentido de servirem de fundamento para concepções epistemológicas e pedagógicas. Aponta algumas metáforas educacionais sobre a relação professor aluno. Destaca a metáfora do labirinto, trazendo interpretações sobre narrativas da mitologia e estudos sobre a tipologia e resolução de labirintos. Recorrendo à literatura, especialmente aos contos labirínticos abertos de Jorge Luis Borges, esboça a exploração de suas contribuições para se pensar a complexidade e a educação, em tempos de internet e hipertexto.
Palavras-chave: Teoria da argumentação. Metáforas. Labirinto
Produção de audiolivros e representações sociais: a inclusão escolar de crianças e adolescentes cegos na Amazônia paraense
Este estudo objetiva investigar as Representações Sociais elaboradas por professoras sobre a produção do recurso de Tecnologia Assistiva-TA no formato do audiolivro disponibilizados para crianças e adolescentes cegos(as) da Amazônia Paraense. Trata-se de uma pesquisa de campo (MARCONDES, 2010) de abordagem qualitativa do tipo pesquisa-ação (THIOLLENT, 2009). Tem como participantes três professoras voluntárias no projeto "Audiolivros sons literários e inclusão" que atuam com a produção e tratamento dos audiolivros, as mesmas são tratadas por nomes fictícios. Respeitam-se neste estudo questões éticas em pesquisas que envolvem seres humanos (TEIXEIRA; OLIVEIRA, 2010). Realiza-se estudo sobre a Tecnologia Assistiva (BERSCH, 2017), a Teoria das Representações Sociais (MOSCOVICI, 2015; OLIVEIRA, 2006) e a Inclusão Escolar. Entre os resultados, identificou-se que algumas representações sociais elaboradas pelas professoras sobre a produção dos audiolivros permitem ancorar novos sentidos para práticas inclusivas com pessoas cegas; algumas representações sociais sobre as pessoas cegas ainda estão objetivadas por esses sujeitos.
Palavras-chave: Audiolivro. Inclusão escolar. Pessoa cega. Representações sociais. Tecnologia assistiva
Precisamos falar sobre o Brasil
Este editorial expressa apenas a opinião da sua autora e traz uma reflexão sobre os tempos atuais, além de apresentar, resumidamente, os vinte e um textos que compõem o número que é longo, denso, comprometido com a busca de empatia, com possibilidades educativas inclusivas e includentes. Navegam do pensamento freireano às mais novas tecnologias e seus usos possíveis, de práticas pedagógicas inovadoras em tempos históricos tão distintos aos dramas da docência e às possibilidades de investimento em uma formação melhor e mais apropriada aos desafios que enfrentam, de ações escolanovistas e seus métodos à luta pela inclusão educativa de populações sobre as quais impera o preconceito, notadamente negros e deficientes.
Em sua variedade, os artigos tratam da inclusão em sentido amplo, que remete à luta contra a desigualdade social, pela empatia e pela solidariedade
Pensamento social e a questão da racionalidade
Ao substituir o conceito de representação coletiva (Durkheim, 1898) pelo de representação social, Moscovici (1961/1976) torna possível a hipótese segunda a qual a cultura não seria nem estática, nem hermética, nem homogênea. Ele também indica que as sociedades modernas caracterizam-se por uma pluralidade de culturas. Em seus textos, autores como Lévy-Bruhl (1921) e Durkheim (1898) distinguiram radicalmente sociedades tradicionais e sociedades modernas. Entretanto, observações realizadas no contexto tunisiano permitem avançar a hipótese de que a pluralidade cultural poderia se apresentar sob a forma de uma sobrevivência do pensamento tradicional nas sociedades com instituições modernas. Mais do que isso, essa pluralidade não seria apenas uma justaposição de culturas, mas uma reorganização particular de significados. Também, a exploração de estruturas antinômicas presentes no senso comum na Tunísia sugere que duas racionalidades diferentes (uma tradicional e outra moderna) coexistem na representação social de noções fundamentais que sustentam as sociedades ditas modernas (Estado, lei, cidadania, espaço público/privado...). Essas conclusões argumentam a favor de um retorno à noção de cultura em psicologia social e de uma retomada da recomendação de Moscovici (2012) para considerar a psicologia social como "uma psicologia da cultura, nossa cultura".
Palavras-chave: Cultura. Modernidade. Representação social. Sociedade tradicional. Tunísia
Movimentos populares e museologia social: a experiência do Museu Vivo do São Bento em Duque de Caxias, RJ
Ancorados nas ideias de experiência e de museologia social, este artigo se propõe a apresentar uma análise do processo de formação e consolidação do Museu Vivo do São Bento, em Duque de Caxias, município do Estado do Rio de Janeiro, Brasil, e sua relação com a comunidade. A experiência do Museu Vivo do São Bento se forjou no fazer-se da classe trabalhadora de Duque de Caxias e da Baixada Fluminense, por meio da inserção do direito à memória no conjunto de reivindicações sociais protagonizadas pelos movimentos populares das décadas de 1980 e 1990. A perspectiva de criação do Museu foi a da construção de uma identidade coletiva, através de um passado comum que oferecesse significados de identidade e pertencimento para moradores, professores, alunos e pesquisadores do território da Baixada Fluminense.
Palavras-chave: História Local. Memória. Museologia Social. Museu Vivo do São Bento
Mediação como instrumento de resolução de conflitos complexos entre povos indígenas e a República Federativa do Brasil, fundamentado no Harvard Negotiation Project - DOI 10.5935/2448-0517.20200016
A história da humanidade é marcada por conflitos, dentre tais o complexo embate entre povos indígenas e a República Federativa do Brasil. À vista disso, o presente artigo tem por objetivo discorrer as difículdades brasileiras no contexto dos conflitos entre à Administração Pública e os povos indígenas. Estudou-se a vasta literatura sobre a temática, baseando-se nos naturais conflitos humanos e como tal beligerância acompanha a sua história, fundamentado no Harvard Negotiation Project e instituto da mediação, como auxílio da negociação de méritos. Após observações, confirma-se que o conflito entre os povos indígenas e a República Federativa do Brasil está no choque de visões entre as partes, de um lado a visão capitalista ocidental vê a terra como um meio de obtenção de riquezas, e no outro a visão de que a terra é um ser vivo. Sendo que a principal barreira é a falta de diálogo entre as partes. Portanto, a mediação aliada ao método Harvard são a melhor solução para primeiramente desfazer essas posições para, enfim, galgarem uma real solução e não um paliativo