Portal de Periódicos Mestrado e Doutorado da Estácio
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Características da pesquisa (Auto)Biográfica na formação docente: análise da produção científica brasileira
O reconhecimento do professor enquanto ator e autor de sua prática docente tem possibilitado maior aceitação e utilização da abordagem (Auto)Biográfica nas investigações no campo da formação docente. O objetivo da investigação é caracterizar as pesquisas (Auto)Biográficas no campo da Formação Docente. De caráter bibliográfico, do tipo estudo bibliométrico, analisou-se: procedência, autores, objetivos e objetos de formação mais recorrentes. Foram mapeadas 89 teses e dissertações, no período de 2007 a 2018. As fontes de investigação foram: Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações e Banco de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior. Como resultados, observamos que nas últimas décadas houve renovação da pesquisa educacional, permitindo desvelar as potencialidades da abordagem da Pesquisa (Auto)Biográfica como opção metodológica na formação docente. Quanto aos objetivos das pesquisas, predominou a dimensão compreensiva, com foco na formação continuada e tendo como objeto de estudo o processo de aprender a ensinar. Entendemos como desafio para os programas stricto sensu, um olhar mais atento ao papel dos objetivos enquanto elementos estruturantes, possibilitando ressignificação e constituição da identidade docente, por meio do senso crítico e reflexivo das práticas educativas em ações transformadoras. Portanto, o conhecimento sistematizado permitiu apontar lacunas e oportunizar reflexões para novas investigações, contribuindo para a articulação entre formação pessoal e profissional, tão necessária diante das complexidades da profissão docente no século XXI.
Palavras-chave: Estudo Bibliométrico. Formação Docente. Pesquisa (Auto)Biográfica
PROUNI E UM MUNDO ENTRE MUNDOS: o inédito acesso ao ensino superior e a construção de um habitus clivado
Este trabalho objetiva testar a hipótese de clivagem do habitus pelos egressos do Programa Universidade para Todos (ProUni), numa realidade influenciada por uma inédita possibilidade de acesso ao ensino superior. Tem como fundamentação teórica a sociologia praxiológica de Pierre Bourdieu, utilizada para observar a construção e as estratégias em torno de um novo habitus desenvolvido pelos bolsistas. Conduziram-se 22 entrevistas com egressos do ProUni no Estado de Pernambuco, selecionados por meio do método snowball. O resultado mostra a ruptura de uma trajetória provável - presumia-se uma falha no percurso escolar -, impactando duplamente a narrativa do bolsista: (1) marca-o como alguém que superou um processo que excluiu todos os seus familiares da educação superior; (2) constrói um habitus que o coloca como "ponto fora da curva" tanto na família, quanto na vivência da educação superior.
Palavras-chave: ProUni. ensino superior. ação afirmativa. estratégias. habitus clivado. desigualdade
Hábitos e preferências de leitura de estudantes de engenharia: uma pesquisa exploratória
O trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa exploratória realizada via questionário online para identificar hábitos e preferências de leitura de 44 estudantes de Engenharia de Produção de uma universidade pública brasileira. Dentre os resultados encontrados pode-se mencionar que o estereótipo segundo o qual os estudantes de Engenharia não gostam de ler não se confirmou. Quanto à autopercepção dos estudantes em relação aos seus hábitos de leitura, constatou-se que a maioria (68%) da amostra se vê como alguém que "lê pouco". Mais de metade dos estudantes (55%) leu quatro ou mais livros ao longo do ano anterior à pesquisa, quantidade superior à identificada em outras pesquisas. A falta de tempo é o principal motivo pelo qual os estudantes alegam não ler mais.
Palavras-chave: Educação em engenharia. Ensino superior. Analfabetismo funcional
Pesquisa cartográfica e a composição de conhecimentos em redes de afetos na educação infantil
Objetiva problematizar a imagem dogmática do pensamento moderno que predomina na Educação brasileira para além da reprodução do conhecimento, apostando no cotidiano escolar como comunidade de afetos e no conhecimento tecido em redes. Busca, por meio de seu campo problemático, verter o pensamento hegemônico acerca do conhecimento em imagens errantes de pesquisa, entrelaçando imagens produzidas pelo tempo-duração de crianças e docentes. Usa como enfoque teórico-metodológico a pesquisa cartográfica ao acompanhar processos dos cotidianos escolares de uma escola pública de Vitória/ES e toma como estratégia metodológica as redes de conversações derivadas dos encontros com crianças e professores que, em devires-alegres, nos constituem como um corpo coletivo de pesquisa. Afirma que há um corpo coletivo em devir que busca, a todo o momento, deslocar a lógica reprodutiva por meio de acontecimentos inventivos que se desdobram nos cotidianos escolares.
Palavras-chave: Afetos. Cartografias. Conhecimento. Cotidianos escolares
Etnicidade e ensino de História - como estão sendo formadas as crianças no século XXI?
Discussões sobre pluralidade cultural na educação fortaleceram-se, no Brasil, pós Lei 10639/2003. Nesse trabalho, buscou-se compreender como tem sido efetivado um ensino de História atento aos princípios da educação das relações étnico-raciais (BRASIL, 2004) em uma turma do Ensino Fundamental anos iniciais de escola pública. A pesquisa qualitativa orientou-se pela metodologia etnográfica atenta às técnicas de observação participante, entrevista e descrição em diário de campo, além de pesquisa bibliográfica e documental. Constatou-se a fragilidade com que o ensino de História tem ocupado o processo formativo de crianças considerando-se, ainda, os limites da formação docente e a postura teórica e metodológica adotada pelo profissional da educação em sala de aula. Limites que atingem, igualmente, a educação para as relações étnico-raciais a ponto de serem, praticamente, legitimadas posturas preconceituosas e discriminatórias dentro da própria sala de aula seja entre alunos seja entre alunos e o próprio profissional da docência.
Palavras-chave: Relações étnico-raciais. Ensino de História. Ensino Fundamental anos iniciais. Lei 10639/2003
A educação nos espaços de privação de liberdade como local de luta e de formação docente continuada
O artigo tem como objetivo compreender como se constituem, na perspectiva de professores, os saberes necessários para o exercício da docência na Educação de Jovens e Adultos em situação de privação de liberdade, tendo por base os processos de ensino e de aprendizagem que experienciam em suas práticas pedagógicas cotidianas. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, na qual utilizamos narrativas orais de três professores colaboradores das unidades prisionais no interior do estado de São Paulo. As falas dos professores revelaram que os saberes da docência foram construídos, primordialmente, em suas experiências docentes na prática e com os seus pares. Os resultados obtidos no estudo apontaram dados importantes para a promoção de políticas públicas de formação continuada de professores que atuam em escolas nas prisões, visto que esses ambientes de luta e resistência atuam diretamente no processo de (re)construção da identidade docente.
Palavras-chave: Educação escolar na prisão. Saberes docentes. Formação de professores
Arte, sensibilidades e educação estética: conceitos, possibilidades teóricas e narrativas
Este artigo trata sobre arte, sensibilidades e educação estética e tem como objetivos ampliar o repertório teórico sobre as sensibilidades e problematizar sobre a educação estética na escola, direcionando o olhar para o ensino da arte e a interdisciplinariedade com a literatura. Para tanto, organizou-se o texto em dois tópicos: no primeiro, o foco recai sobre autores que tratam da estética como disciplina da Filosofia e como um regime de percepção do campo da Arte; no segundo, desloca-se o olhar para o conceito de sensibilidades pelo prisma da História Cultural, ao delinear como a base teórica dialoga com pesquisadores(as) da área da Educação. Em suma, considera-se que a práxis artística envolve a produção, recepção e comunicação. Portanto, é pelo processo comunicacional que a arte e o seu ensino produzem sensibilidades. O valor estético não está no objeto em si, mas nas relações que estabelece com o indivíduo.
Palavras-chave: Educação estética. Sensibilidades. Mediação. Artes
Criatividade, interculturalidade e decolonialidade: caminhos para a escola em tempos de crise
Nosso século está sendo marcado por uma série de mudanças de paradigmas. Sujeitos que tiveram corpos e subjetividades apagados e silenciados pela modernidade questionam as verdades e os discursos instituídos, em movimentos que têm impactado diretamente as escolas. Neste artigo, defendemos o argumento de que o trabalho, a partir da criatividade intercultural decolonial, pode contribuir para o entendimento e problematização das relações de poder constituídas na modernidade, e que provocam a desumanização, subalternização e sofrimento dos povos perifericamente situados. Nesta perspectiva, a proposta central do texto é discutir como a escola pode articular criatividade interculturalidade e decolonialidade para produzir olhares outros na prática pedagógica cotidiana. Para tal, apresentamos e discutimos algumas práticas pedagógicas desenvolvidas por um dos pesquisadores. Como resultados, destacamos a relevância da implementação desta proposta para formação de docentes criativos e aptos a promover ambientes seguros para que os alunos possam criar, aprender e se desenvolver como sujeitos conscientes, autônomos e sociohistoricamente situados.
Palavras-chave: Pedagogia decolonial. Cotidiano escolar. Prática pedagógica
Código universal de cores como alternativa para deficientes visuais
O presente artigo apresenta os resultados de pesquisa do Código Universal de Cores (CUDC), realizada em 2018, por meio de uma parceria entre o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Instituto Benjamin Constant (IBC). A pesquisa exploratória foi realizada com base nas orientações de Tullis e Albert (2008) e teve como objetivo a avaliação do CUDC, como um código alternativo para a leitura e representação de cores, por pessoas com deficiência visual. Durante os testes foram utilizadas diferentes técnicas e instrumentos de coleta, incluindo grupo focal e teste de usabilidade. Os dados foram analisados a partir do método de análise de conteúdo de Glaser e Strauss (1967) e demonstraram resultados positivos, no que tange às possibilidades de uso do CUDC para fins educacionais.
Palavras-chave: Código Universal de Cores. CUDC. Braille. Deficiência Visual. Inclusão
Círculos de Pais e Professores: uma contribuição de Paulo Freire à formação de educadores/as
O artigo analisa a contribuição dos Círculos de Pais e Professores (CP&P) para a formação desses sujeitos pedagógicos, na experiência educativa de Paulo Freire em núcleos do SESI-PE, nas décadas de 1940 e 1950. Trata-se de uma pesquisa documental cujo corpus é constituído de cartas convocatórias, textos de orientação a educadores/as para as reuniões com os pais, e de três artigos escritos por Paulo Freire, publicados no Diário de Pernambuco, nos quais reflete sobre a experiência dos Círculos, produzidos no ano de 1957. Os resultados desta investigação revelam que os CP&P se configuravam como instrumentos de formação de educadores que colocavam o/a professor/a como sujeito da prática, faziam do seu conhecimento objeto de reflexão e transformação, um processo formativo que extrapolava os muros da escola e era vivido plenamente com pais e mães, adultos, muitas vezes em situação de exclusão quanto aos direitos básicos e à cidadania.
Palavras-Chave: Paulo Freire. Círculos de Pais e Professores. Formação de Professores/as. Formação de Adultos