Portal de Periódicos Mestrado e Doutorado da Estácio
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Prática pedagógica docente-discente humanizadora: o legado freireano no contexto da Cátedra Paulo Freire da PUC/SP
O artigo objetiva contribuir com o debate acerca das vinculações da prática pedagógica docente-discente com os pressupostos freireanos da humanização, apontando elementos para uma práxis dialógica na pós-graduação stricto sensu. Freire (1987, 1989, 2000, 2001, 2005, 2008); Souza (2009); Santiago (2007); Saul (2012) e A. M. Saul e A. Saul (2018) ancoram um estudo qualitativo, de matriz participante, no âmbito da Cátedra Paulo Freire da PUC/SP. A análise de documentos, realização de entrevistas e observação participante permitiram compreender que: a Cátedra se institui como espaço-tempo em que a educação ganha vida em ações e relações autenticamente formadoras; a prática pedagógica docente-discente é mediada pelo conhecimento criado e recriado pelo diálogo sobre a realidade concreta, estabelecendo um currículo crítico-humanizador; a tessitura da Trama Conceitual Freireana institui-se como reinvenção da Pedagogia de Paulo Freire.
Palavras-chave: Prática pedagógica docente-discente. Legado freireano. Cátedra Paulo Freire. Trama conceitual freireana
Trabalho de Freire em África e a Pesquisa-Ação-Participativa
No presente trabalho, ir-se-á refletir sobre uma fase da vida de Freire, em que ele, forçado a emigrar, saiu do Brasil e acabou por se instalar em Genebra, trabalhando no Conselho Mundial das Igrejas. Aí iniciou novas fases da sua atividade, trabalhando em e com África, contactando com os movimentos de Investigação Participativa e de Investigação-Ação-Participativa, com os Movimentos de Libertação das então colónias portuguesas, e com ativistas que lutavam contra problemas existentes na África do Sul, submetida nessa altura ao regime do Apartheid.
Palavras-chave: Investigação-ação, discriminação, racismo, apartheid, politicidade da educaçã
DIREITOS HUMANOS, NORMATIVIDADE E PROGRESSISMO: ALÉM DO HEMISFÉRIO OCIDENTAL
O Sistema Interamericano de Direitos Humanos tem passado por uma crise letal profunda. Diversos países liderados por Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua têm atacado ferozmente os órgãos-chave dele, a saber, a Comissão e a Corte. Poder-se-ia afirmar alternativamente que o desafio subjacente está escorado (1) em noções de soberania ou não-intervenção, (2) num repúdio a decisões específicas ou (3) num apelo à politização dos direitos humanos. A terceira interpretação se apresenta como a mais fidedigna, além de altamente útil para o atual debate internacional sobre esses compromissos com a humanidade. A fim de contas, eles possuem uma dimensão política crucial, porém não exaustiva. Na verdade, o governo goza de espaço de manobra quanto a eles no que diz respeito à política pública, (em oposição ao princípio puro), mas muito menos do que pretendem os dissidentes governamentais. Algumas controvérsias concretas em torno da liberdade de expressão e da garantia à saúde servirão para ilustrar essa conclusão
Criatividade é persona non grata? A perspectiva de professores das ciências da natureza
O objetivo do presente artigo é debater qual perspectiva sobre criatividade está presente entre professores das Ciências da Natureza. Nosso campo foi um curso técnico de Metrologia na cidade de Duque de Caxias/RJ, tendo seus professores como sujeitos da pesquisa. Partimos da seguinte pergunta: será a criatividade persona non grata entre esses professores? Nosso estudo está fundamentado nos aportes teóricos de Alencar et al. (2015), Alencar e Fleith (2010), Amabile (2012, 2017) e Guilford (1950, 1957). A pesquisa, de cunho qualitativo, foi realizada por meio de entrevistas. Os dados foram analisados conforme a técnica da Análise de Conteúdo Temática (BARDIN, [1977]/2016). Foi observado que os professores reconhecem a relevância da criatividade para sua prática docente, para o processo de aprendizagem do aluno e para neutralizar a suposta aridez das disciplinas das ciências da natureza. Por outro lado, observou-se a presença das visões inatista e espontaneísta da criatividade entre os entrevistados.
Palavras-chave: Criatividade. Ciências da natureza. Ensino técnico
Arte e produção de subjetividades: a experimentação como signo para a Educação Contemporânea
Este texto é uma reflexão sobre a arte e o pensamento de Deleuze/Guattari e as implicações desse encontro para a Educação. Essa aproximação se efetua na rejeição as referências, aos modelos, as imagens consideradas verdadeiras e por um longo período ditaram os objetivos da Arte e da Filosofia. Discutimos essas questões por meio da noção de arte como experimentação do pensamento em consonância com a noção de signo. O efeito da experimentação é a produção da subjetividade como composição baseada nas intensidades indicadas pelos signos no tempo-devir. Nessa direção, colocamos em questão a representação da subjetividade como substância, como plataforma fixa para a formação humana. Finalizamos com a noção de Corpo sem Órgãos (CsO) como uma provocação a noção de sujeito moderno.
Palavras-chave: Arte. Educação. Experimentação. Subjetividade. Corpo sem Órgãos
Universal color code as alternative for visual disabilities
This paper presents the research results of Color Universal Code (UCC), held in 2018, through a partnership between the National Institute of Technology (NIT) and the Benjamin Constant Institute (BCI). The exploratory research was carried out based on the guidelines of Tullis and Albert (2008) and aimed to evaluate the UCC, as an alternative code for reading and representing colors, by people with visual impairments. During the tests, different techniques and instruments were used, including focus group and usability test. The data were analyzed using the content analysis method of Glaser and Strauss (1967) and demonstrated positive results, regarding the possibilities of using UCC for educational purposes.
Keywords: Universal Color Code. UCC. Braille. Visual Impairment. Inclusion
Centenário de Paulo Freire e o direito à educação
O presente artigo tem como objetivo refletir acerca da concepção de educação emancipadora como práxis da liberdade, a fim de demarcar o sentido e a concepção de educação como projeto de sociedade, formulado pelo educador Paulo Freire, no contexto de seu centenário, em 2021. O direito à educação e as contribuições da teoria do conhecimento do educador expressam os elementos constitutivos do acesso à educação das classes subalternas e os diferentes projetos educacionais em disputa, que tensionam pela manutenção da opressão e domesticação dos sujeitos. Por fim, este artigo busca apontar os desafios do projeto da educação emancipadora no enfrentamento de ações como os ataques da ofensiva neoliberal e do conservadorismo, no que se refere ao direito à educação, bem como aos demais direitos básicos conquistados nas últimas décadas.
Palavras-Chave: Educação Emancipadora. Direito à Educação. Disputas de Projetos. Centenário Paulo Freire
Educação Superior, Classe Trabalhadora e Paulo Freire: um diálogo a partir da experiência da Escola DIEESE de Ciências do Trabalho
Este artigo trata da experiência de instituição da Escola DIEESE de Ciências do Trabalho, que desde 2012 oferta um Bacharelado Interdisciplinar em Ciências do Trabalho, além de cursos de pós-graduação e extensão. A instituição da Escola insere-se na problemática do contexto recente de expansão do acesso à educação superior no Brasil, no qual o perfil dos ingressantes passou a ser mais diversificado, com maior presença dos trabalhadores-estudantes. Grandes desafios são enfrentados por eles, em especial sob a ótica do processo formativo tradicional do meio universitário, para o qual a Escola DIEESE busca trazer alternativas, enfrentando dilemas e avançando em possibilidades. Ao contrapor o modelo tradicional de educação superior, parte-se da proposta de construção de um campo de conhecimento a partir da perspectiva dos trabalhadores, que possui como uma de suas grandes influências a pedagogia freireana.
Palavras-chave: Educação Superior. Trabalho. Paulo Freire
À sombra de outras mangueiras: as interseccionalidades hegemônicas da branquitude e patriarcalismo dentro de uma (re)leitura freireana
Paulo Freire descreve que nós humanos estamos em constante evolução ontológica e epistemológica, assim também como a conscientização. Esta evolução é mediatizada por realidades exteriores nem sempre positivas, como a invasão do mundo da globalização e americanização. Realidades que vêm sendo repetidas em nossas escolas, através da reprodução curricular patriarcal, colonizadora e eurocêntrica. Para transcender essa reprodução social, neste artigo são apresentadas reflexões sobre a relevância dos princípios freireanos e suas implicações para o início deste século, concomitantes à (re)invenções de sua aplicação em diversos contextos sociais, sob uma perspectiva da pedagogia crítica. Este trabalho tem o objetivo de discutir as relações entre as totalidades hegemônicas da branquitude e patriarcalismo com enfoque nos estudos culturais, de gênero e étnico-raciais dentro de uma (re)leitura freireana. Ponderamos ontologias e epistemologias construídas socialmente, através de uma análise bibliográfica e de metodologia qualitativa crítica, com caráter descritivo e interpretativo, com pareceres sobre dimensões específicas como a cultura, algumas questões de gênero e, também, sobre as relações étnico-raciais. Os resultados apontam para a importância de dialogar com as questões de interseccionalidades hegemônicas e o desenvolvimento de uma pedagogia do opressor.
Palavras-chave: Paulo Freire. Branquitude. Patriarcalismo. Pedagogia do Opressor
DEPOIMENTO ESPECIAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL INTRAFAMILIAR: ANÁLISE DO PROCEDIMENTO DIFERENCIADO DE OITIVA JUDICIAL PREVISTO NA LEI 13.431/17 FRENTE À GARANTIA DA PROTEÇÃO INTEGRAL
O presente artigo tem como objeto a análise do depoimento especial de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual intrafamiliar frente à garantia da proteção integral. O problema que orienta a pesquisa é o seguinte: o procedimento diferenciado de oitiva judicial previsto na Lei 13.431/17, denominado depoimento especial, garante a proteção integral dos direitos de crianças e adolescentes, evitando a vitimização secundária nos casos de violência sexual intrafamiliar? Para responder a essa indagação, define-se como objetivo geral verificar se o depoimento especial é capaz de proteger integralmente os direitos de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual intrafamiliar. Nos objetivos específicos, busca-se, inicialmente, analisar a proteção jurídica dos direitos de crianças adolescentes contra a violência. Posteriormente, contextualiza-se a violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes no Brasil. Por fim, objetiva-se demonstrar as consequências do depoimento especial na garantia de proteção integral às crianças e adolescentes vítimas de violência sexual intrafamiliar. O método de abordagem empregado é o dedutivo, enquanto o de procedimento é monográfico, com técnicas de pesquisa bibliográfica e documental. Conclui-se que o procedimento diferenciado de oitiva judicial previsto na Lei 13.431/17 não é capaz de proteger integralmente os direitos de crianças e adolescentes que sofreram violência sexual intrafamiliar, ensejando vitimização secundária e representando retrocesso com relação à teoria da proteção integral, por violar o princípio da não judicialização dos direitos de criança e adolescentes e reduzir o fenômeno da violência às práticas de responsabilização judicial