Portal de Periódicos Mestrado e Doutorado da Estácio
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E se a escola desaparecesse amanhã?
E se a escola desaparecesse amanhã? Tal pergunta mobiliza o presente escrito, que parte das discussões de um exercício de pensamento que se pergunta sobre o fim da escola. Ainda antes que a pandemia nos encontrasse, estudantes, professores e pesquisadores contribuíram para pensar, em 2019, acerca da extinção da instituição escolar em uma exposição artística promovida pelo grupo de pesquisa XXX. Por meio dos estudos de Masschelein e Simons (2018) e Larrosa (2018), as autoras questionam as funções da escola e se colocam a pensar sobre sua forma, analisando as respostas dos participantes. Inventar uma outra escola é possível, desde que não deixemos de enfatizar sua importância como espaço de encontros, de invenções e possibilidades
A Escola buscando ser democrática: tensionamentos e criações no contexto da prática
O presente artigo apresenta algumas das problematizações provenientes do meu doutoramento em Educação. Ele busca traçar grifos a algumas reflexões teóricas empreendidas na tese, tendo um enfoque sobre a categoria "escola democrática" enquanto um significante vazio, imerso em tramas políticas impulsionadas por disputas de múltiplos grupos sociais pela universalização de sentidos desse significante. Tais pressupostos teóricos reiteram a lente da discursividade enquanto chave de leitura para evidenciar uma aposta de que não há como compreender que dado sentido de escola democrática -pensado para contextos da prática/de práticas curriculares distintas, em recortes de tempo diferentes- pode ser, de forma essencializada, universalizado e prescrito para toda e qualquer escola, para todo e qualquer contexto de espaço-tempo. Imersa à instabilidade de um talvez, a escola vivencia a democracia na busca pela definição de escola democrática, ela vai tornando-se democrática na tentativa por ser democrática, em meios aos contínuos tensionamentos por parte de diversos agentes produtores da política (externos e internos a ela).
Palavras-chaves: Discursividade. Escola democrática. Hegemonização im-possível. Porvir
Compreensão econômica de estudantes do ensino médio em diferentes contextos socioeconômicos
Compreender o mundo econômico requer o desenvolvimento de habilidades para uma gestão eficiente do dinheiro e a construção de uma visão sistêmica do atual modelo socioeconômico. Essa investigação tem como objetivo identificar os níveis de compreensão econômica de estudantes do ensino médio em diferentes contextos socioeconômicos. Constituiu-se amostra com 425 participantes, de níveis socioeconômicos baixo e médio. Foi utilizado o Teste de Alfabetização Econômica-TAE, que permite identificar o nível de compreensão econômica. 0,5% dos estudantes estavam num nível elementar de compreensão econômica, 42,9% estavam num nível intermediário de compreensão, 56,6% dos participantes alcançaram o nível que corresponde ao pensamento econômico independente ou inferencial. Estudantes do sexo masculino, mais velhos pontuaram melhor em subtemas relacionados ao planejamento/gestão financeira. Estudantes de nível socioeconômico médio tiveram as melhores pontuações do TAE, não foi verificada diferença quanto à escolaridade. Esse estudo abre discussões para a educação econômica e financeira com estudantes da educação básica.
Palavras-chave: Nível Socioeconômico. Idade. Compreensão Econômica. planejamento financeiro. Dinheiro
Rodas de Conversa e Cultura Visual: a Formação de professores em destaque
Por meio desse artigo tecemos reflexões que problematizam a leitura de imagens no contexto de formação de professores, tendo como referência os sentidos envolvidos nessa experiência. A pesquisa, de cunho qualitativo, foi desenvolvida com estudantes de um curso de licenciatura em pedagogia, em uma universidade federal brasileira. Assumimos as rodas de conversa como abordagem metodológica buscando compreender as narrativas desses estudantes e o contexto em que foram produzidas. Defendemos experiências que aproximem a formação docente da cultura visual, tão presente em nossa sociedade, entendendo que isso contribui com a criação de espaços democráticos e potencializadores de outras práticas educativas. Sublinhamos a importância de aprofundar os estudos sobre visualidades e a formação docente.
Palavras-chave: Formação de Professores. Rodas de Conversa. Narrativas. Cultura Visual. Leitura de imagens
O caminhar da complexidade na Educação em tempos de pandemia
Estamos vivendo um momento cronológico em que se exige o repensar do ato educativo em função da pandemia que assola o planeta. Isto exige reflexão sobre os caminhos que a educação deve trilhar, em especial aquela constituída por professores, alunos e aparato escolar. Daí o objetivo deste ensaio: associar os temas educação, pandemia e complexidade, esta especialmente atrelada a Edgar Morin. Espera-se que o artigo possa propiciar a discussão da importância da busca da humanidade no homem, bem como o entendimento da tríade indivíduo / sociedade / espécie, elementos necessários para se estruturar uma educação que possa superar equívocos históricos como exacerbação da racionalidade individual e disjunção das disciplinas componentes de propostas curriculares presentes nos cursos de licenciatura
Educação Quilombola: notas sobre as contribuições das produções acadêmicas à compreensão das articulações com a legislação vigente.
Este artigo objetiva discutir as contribuições das produções acadêmicas sobre a Educação Quilombola com vista à articulação com a legislação vigente, e, especificamente, identificar os temas recorrentes e emergentes da empiria. Os dados foram estruturados metodologicamente considerando as formulações de Morosini e Fernandes (2014), com o suporte de análise de conteúdo, em Bardin (2016) e interpretados por meio das noções conceituais de habitus e campo em Bourdieu (2003). Os resultados advindos da empiria examinada revelam que as articulações que balizam a temática compreendem dimensões sociais; culturais; econômicas e jurídicas e, que, a despeito dos avanços legais, ainda predomina no espaço escolar uma visão folclorizada e genérica da cultura quilombola, reiterando estereótipos ao desconsiderar suas narrativas fundantes para a construção identitária do país.
Palavras-chave: Educação Quilombola. Estado do Conhecimento. Produções acadêmicas
Literatura na escola: questões sobre práxis literária docente
O artigo tem como objetivo analisar a leitura literária na escola. Problematiza o trabalho docente a partir de dados qualitativos (FICHTNER et al., 2020). Beneficia-se de entrevistas e observações, com as quais discute como a leitura literária pode contribuir para a formação de leitores críticos e emancipados (LEAHY-DIOS, 2000; SOARES, 2003). Entretanto, acrescenta ao núcleo dessa discussão como a escolarização inadequada da literatura desafia a formação do professor, para se produzir a "revolutioní¤re Praxis" no currículo.
Palavras-chave: Escola. Literatura. Professor. Práxis
A HIPEREXPOSIÇÃO PESSOAL E SEUS REFLEXOS NOS DIREITOS DA PERSONALIDADE: NECESSIDADE DE UMA TUTELA TRANSVERSAL DO DIREITO À PRIVACIDADE, COM ENFOQUE NO ÂMBITO PENAL
Objetiva-se analisar o direito à privacidade na Sociedade da Informação e os riscos decorrentes da hiperexposição pessoal nas redes sociais e seus desdobramentos, em especial na área penal. A pesquisa parte de um raciocínio hipotético-dedutivo e será bibliográfica e documental, onde se buscará alcançar uma exata compreensão por meio de materiais como leis, sites oficiais e doutrina jurídica aplicável ao tema, nacional e internacional. Para tanto, se fará um panorama do direito à privacidade e dos dados pessoais na Sociedade da Informação, após, se fará uma análise da hiperexposiçao na Era Digital e sua correlação com a segurança, e por fim, se demonstrar a necessidade da construção de uma tutela transversal da privacidade, nacional e internacional, com enfoque no âmbito penal e da segurança pública decorrentes da hiperexposição pessoal. Para colher todas as oportunidades do novo mundo que já se vivencia, são necessárias políticas públicas adequadas, instituições concebidas com a consciência de que as tecnologias suprimem a noção de espaço e tempo e, portanto, tornam vãs as proteções dentro das velhas regras e confins territoriais/nacionais. Está nascendo uma nova forma de cidadania que exige uma tutela transversal, mas deve nascer também conjuntamente uma nova ideia de soberania
A Construção Metafórica do Golpe de 1964: Uma Análise Discursiva dos Editoriais do Jornal Folha de São Paulo
O artigo tem como objetivo compreender, em uma perspectiva histórica, a atuação discursiva da empresa Jornal Folha de S. Paulo em relação ao Golpe Militar de 1964, a partir da análise das construções metafóricas presentes em seus editoriais de janeiro a maio de 1964. Para tanto, construiu-se uma base teórica sobre (a) metáforas e estudos organizacionais; (b) análise crítica do discurso; e (c) a historiografia sobre Imprensa e Ditadura Militar. Quanto à metodologia da pesquisa, de natureza qualitativa e interpretativa, foram utilizados como fontes documentais 11 editoriais publicados de janeiro a maio de 1964, incluindo o editorial do Caderno Especial "64 - o Brasil continua" de 31 de março de 1964. Posteriormente analisados à luz da análise crítica de discurso, foram identificadas as seguintes metáforas: "tantos mares", "cruzar os braços", "semente comunizante", "pai generoso", "asfixia", "poeira nos olhos", "tranca na porta já arrombada", "fogueiras acesas", "nem tudo são rosas", "passos de tartaruga", "máquina com peças danificadas" e "remédio heroico", cada qual em seu contexto. A análise do conjunto das construções metafóricas encontradas nos permite refletir sobre o seu uso como reforço simbólico discursivo, em especial à luz da historiografia sobre Imprensa e Ditadura Militar, contribuindo para o debate acerca do papel do Jornal Folha de S. Paulo no Golpe de 1964 destacando: (1) a contribuição da empresa para a desestabilização do governo do presidente João Goulart, marcado pelos editoriais de janeiro, fevereiro e março e; (2) o alinhamento da empresa com o golpe militar e seu apoio ao novo governo, marcado pelo Caderno Especial e pelos editoriais dos meses de abril e maio