Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
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Literalidade: uma aproximação à questão do “poder da palavra
À pergunta sobre qual é a nossa relação com a linguagem e o que a linguagem faz conosco e sobre nós, os sofistas gregos respondiam com o conceito de “improvisação”, de persuasão kairológica. Nós, modernos, por outro lado, respondemos com a interpelação ideológica. A questão problemática é determinar o que tornou possível que o poder de persuasão kairológica da linguagem decantasse no ideológico, uma vez que a possibilidade de pensar o poder persuasivo da linguagem em termos de interpelação é um efeito do empobrecimento das condições de padecer, das empobrecidas condições da produção da experiência
O poder da palavra e o insulto de gênero
Este artigo visa a discutir a relação entre o insulto de identidade de gênero, principalmente relativo à homossexualidade, e o poder da palavra. Por meio de um enunciado emitido por torcedores de um time de futebol durante uma partida, resgatamos a definição de injúria como um ato de fala performativo, segundo Eribon (2008), Austin (1962) e Searle (1981, 1995), e a associamos ao conceito de interpelação do ponto de vista de Althusser (1985) e Butler (2001, 2004). Essas relações apontam para o fato de que a identidade de gênero funciona como um jogo de linguagem em que se pode ganhar ou perder, como diria Charaudeau (2001), e essas possibilidades estão na repetição das ações tanto discursivas como físicas. Com isso, a interpelação, por meio da injúria, seria um lance dessa jogada que impõe significações já interpretadas como negativas a um sujeito gendrado em um momento presente.
Análise discursiva de um “quadrinho” a partir da perspectiva francesa: a atualidade do pensamento de Pêcheux
Neste texto, analisamos, a partir da perspectiva francesa de Análise de Discurso (AD), uma materialidade linguístico-imagética, do gênero Quadrinho, coletada em um site de discussão e militância gay. A partir do corpus, considerando tanto os signos linguísticos quanto os demais signos como materialidade discursiva, problematizamos o modo como a formulação funciona no que diz respeito à (re)produção de sentidos. Para tanto, descrevemos indícios materiais que autorizam algumas interpretações, negando, por sua vez, outras, destacando a contradição que funciona no material selecionado, e analisando alguns efeitos de sentido. Dialogamos, neste texto, com alguns teóricos, a exemplo de Michel Pêcheux, cujas contribuições costumam ser fundamentais para o trabalho que se faz à luz da AD no Brasil
Um olhar sobre os agudás: o Brasil na África e a África no Brasil em A casa da água, de Antonio Olinto
O tráfi co escravista entre a África e asAméricas é tão infame quanto bem documentado.Menos divulgado é o fato de que, ao longo do séculoXIX, houve inúmeros casos de afro-brasileiros queconseguiram tornar realidade o sonho de retornoa sua pátria natal, lá formando comunidades de“brasileiros”, que passaram a ser conhecidos, naregião do Golfo do Benin, como “agudás”. Este ensaiocentra-se na tematização dos agudás em A Casa daÁgua, primeiro volume da trilogia A alma da África,de Antonio Olinto, estudando a forma peculiar comoeste registra não só a construção de uma certa Áfricano Brasil, como a de um Brasil na África, que vem aexistir, respectivamente, a partir da cultura dos negrosdeslocados para o solo brasileiro pelo comércio negreiroe da infl uência dos retornados, após anos de vivênciano Brasil. Inicialmente, apresentamos defi nição dotermo agudá, bem como resenhamos o contexto sóciohistóricode desenvolvimento dessa identidade; após,situamos, ainda que brevemente, o espaço ocupadopor Antonio Olinto na literatura brasileira que tematizao negro, passando a seguir ao ponto principal desteestudo, ou seja, a análise da representação dos agudásnesse romance de Antonio Olinto
A (in)compreensão da linguagem jurídica e seus efeitos na celeridade processual
O presente artigo é fruto de observação de um dos autores durante estágio forense no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, no qual presenciou cotidianamente o esforço linguístico dos operadores do direito para fornecer às suas peças um tom de superioridade usando, em excesso, o “juridiquês”. O objetivo é analisar o poder da linguagem, sobretudo, no mundo jurídico, bem como o conceito de juridiquês, sua influência na celeridade processual, na justa resolução das lides e suas consequências à imagem do Poder Judiciário. A metodologia utilizada foi a qualitativa exploratória em boa doutrina jurídica, obras de autores especialistas no tema, artigos jurídicos e linguísticos essenciais ao desenvolvimento do mesmo. Esta pesquisa se mostra importante porque demonstra que, em macro esfera, o juridiquês torna o trabalho cartorário mais lento, dificulta o entendimento pelos serventuários da justiça e pelas partes leigas, que têm seu direito constitucional de acesso à justiça restringido e acabam “reféns” dos advogados para entender o que acontece no curso processual, refletindo se isso é uma forma velada (ou não) de violação à base principiológica do Estado Democrático de Direito
A INTEGRAÇÃO DO TURISMO E DA CULTURA EVIDENCIADA NO PLANO NACIONAL DE CULTURA DO BRASIL
Relatar o lugar do turismo na Lei 12.343, de 02 de dezembro de 2010, que constitui o Plano Nacional de Cultura do Brasil, é o objetivo desse trabalho. Para alcançar esse objetivo foi utilizada a metodologia da pesquisa bibliográfica e de documentos. Desta maneira, esse trabalho foi dividido em duas sessões; sendo a primeira sobre o conceito, produção e políticas públicas da cultura, bem como a relação entre os setores do turismo e cultura. Na segunda sessão, descreveu-se a Lei 12.343 que tem suas diretrizes dividas em cinco capítulos e o Plano Nacional de Cultura do Brasil que é o anexo desta Lei. Durante o relato da relação do turismo com essa Lei e Plano, percebeu-se que dos cinco capítulos que contemplam o Plano Nacional de Cultura do Brasil, em dois capítulos o turismo está presente como fator de inter-relação com o setor da cultura no que tange ao desenvolvimento econômico, gestão e preservação do patrimônio, capacitação e qualificação dos profissionais de turismo quanto ao tema da cultura, desenvolvimento dos equipamentos culturais para fins do turismo cultural, integração dos profissionais do setor da cultura no desenvolvimento da qualificação e promoção do turismo cultural e busca pelo desenvolvimento sustentável
AS ETAPAS EVOLUTIVAS DO TURISMO: UM ESTUDO SOBRE O RIO DE JANEIRO (SÉCULOS XVIII-XX)
Os deslocamentos temporários arrazoados como turísticos expõem características díspares ao longo do tempo, sendo relevante para a melhor compreensão da evolução do turismo destacar a dimensão temporal para os estudos e definição das etapas evolutivas da referida atividade. Para analisarmos a evolução das viagens na cidade do Rio de Janeiro, percebemos a existência de diversos estudos que buscam distinguir as diferentes etapas evolutivas do turismo mundial. Tendo esta pesquisa o objetivo de analisar o deslocamento temporário para o Rio de Janeiro no período que antecedeu o advento do Turismo na referida cidade, optamos por desenvolvê-lo a partir do modelo das etapas evolutivas do turismo apresentadas pela OMT (2003). Realizamos pesquisa de natureza exploratória, envolvendo levantamento bibliográfico a partir da análise de livros, artigos e jornais, buscando responder a seguinte questão: Quais as características dos deslocamentos temporários direcionados ao Rio de Janeiro e as condições urbanas no período que antecede o advento do turismo na referida cidade? As conclusões preliminares desta investigação apontam a relevância das etapas evolutivas do turismo denominadas de Renascimento e Revolução Industrial para o advento do turismo na modernidade
FORMACIÓN Y CONCIENCIA DE LA COMUNIDAD DOMINICANA: PILAR BÁSICO PARA EL DESARROLLO TURÍSTICO Y ECONÓMICO
Uno de los destinos turísticos más demandados a nivel internacional es la República Dominicana, conocido por su amplia oferta en turismo de sol y playa, y cada vez más por las posibilidades que presenta para quienes buscan disfrutar de un turismo con comunidad incluida. Sin embargo, se detecta una carencia en cuanto a la formación y cualificación de los trabajadores de las empresas turísticas comunitarias, así como una falta de concienciación sobre los resultados de llevar a cabo una gestión adecuada de la actividad favoreciendo siempre el desarrollo de un turismo sostenible. Se trata de un aspecto muy valorado por los turistas, y que forman parte de la percepción que se genera del destino turístico en cuestión. Siendo el turismo la principal actividad económica del país, resulta crucial que la formación en materia turística sea considerada por todos como algo principal, de forma que genere desarrollo para el país y beneficie a toda la comunidad: trabajadores, Administración Central y empresas privadas. Se pretende por tanto dar a conocer las debilidades que la República Dominicana presenta en este sentido y generar propuestas para su fortalecimiento
LE VIN DE CHAMPAGNE: DE LA VISITE À L’OENOTOURISME, UN CHEMIN DIFFICILE
Le vin effervescent de Champagne a rarement été étudié sous l’angle de l’oenotourisme pourtant nul n’ignore l’importance apportée par les Maisons de négoce à la communication sur leur image. Boisson distinctive fondée sur une innovation technologique, le Champagne a été l’objet d’un tourisme précoce mais limité mais fortement identifié autour de personnalités singulières, à la fois riches et puissantes. En ce sens, depuis les origines de ce vin, le voyage en Champagne consiste avant tout en une visite de la résidence du propriétaire et des installations de production. Aujourd'hui sans que les formes antérieures disparaissent, le tourisme du Champagne s’étend au vignoble et à son territoire. La géographie du vignoble est devenue une composante d'un nouveau tourisme mais celui-ci rencontre des difficultés. L’offre touristique apparaît éclatée et morcelée, peu reliée à l’économie du vin
L’ENTREPRISE CHANGYU, ACTEUR MAJEUR DE LA CONSTRUCTION DU SYSTÈME VITIVINICOLE ÉMERGENT EN CHINE
Depuis le début des années 2000, la production, la consommation de vin mais aussi l’oenotourisme ont connu une très forte expansion en Chine. Ce phénomène est observé ici à travers le cas de l’entreprise Yantai Changyu Pioneer Wine Co. Ltd., (en abréviation ici Changyu), leader historique en Chine créé en 1892 et devenu l’une des principales entreprises vitivinicoles mondiales. Changyu constitue aussi l’inventeur des « châteaux viticoles » (jiuzhuang) en Chine et y exerce un rôle structurant dans l’essor de la production vitivinicole et de l’oenotourisme. L’objectif de cette étude est de montrer, à plusieurs échelles, le rôle majeur de Changyu dans la construction du système viticole chinois et son intégration rapide dans la mondialisation. Cette étude s’appuie sur une série d’enquêtes de terrain menées en octobre et décembre 2012 (Yantai, Pékin). Il s’agira d’abord de retracer les étapes historiques majeures de développement de Changyu. Une deuxième partie, à l’échelle urbaine et intra-urbaine, analysera les formes d’inscription territoriale de l’entreprise Changyu à Yantai et Penglai (Shandong). Enfin, à une échelle micro-territoriale, seront présentés l’archipel des châteaux Changyu dans diverses provinces chinoises (Pékin, Liaoning, Shaanxi, Ningxia, Xinjiang) puis son réseau de châteaux viticoles à l’étranger. En conclusion, on s’interrogera sur la validité et les limites du modèle de développement de Changyu, en crise depuis 2011