Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
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O papel da metáfora temporal na parábola jesuânica de função confrontativa
Narrar uma história, além de um ato estético-literário, pode ser uma estratégia discursiva. A assertiva dada pode evidenciar-se no gênero parábola, narrativa literária de função didática (moral ou religiosa) ou de confronto, de persuasão em um discurso. Nesse sentido, o presente artigo objetiva investigar como a metáfora temporal possibilita a construção argumentativa da parábola jesuânica. Para tanto, foram tomadas como corpus as parábolas O bom samaritano e Os dois devedores. Fundamentaram o trabalho os estudos de Bailey (1985), Ducrot (1981), Kothe (1986), Le Guern (1976), Lima (2009), Nunes (1995), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005), Sant’anna (2010) e Weinrich (1974). Como procedimento metodológico empregou-se a pesquisa bibliográfica e a fenomenologia dialética de Kosik (2002)
Jornalismo online e a realidade reempacotada
Tomando como base a Teoria Semiolinguística, de Patrick Charaudeau, mais especificamente, o livro Discurso das mídias (2010), neste trabalho, propõe-se apresentar, discutir e, em certo sentido, atualizar os conceitos apresentados pelo pensador francês em relação à construção de sentido no discurso jornalístico. Uma vez que a obra em questão é de 1997, período em que a internet ensaiava seus primeiros passos – e, consequentemente, o jornalismo online –, torna-se necessário rever as considerações apresentadas por Charaudeau, adequando-as a esse novo e revolucionário meio de informação. Para isso, buscou-se analisar os portais folha.com e oglobo.com, oriundos, respectivamente, dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo. A partir dos dados coletados, é possível perceber uma superestimação do quesito atualidade por parte dos portais, nos quais 85% das notícias da home page são atualizadas em um intervalo de seis horas. Com isso, observa-se, em boa parte dos casos, maior publicação de matérias procedentes de agências de notícias, o que subverte o papel do jornalista, de observador do “mundo a descrever e a comentar” para “reempacotador” de conteúdos
Emoções inscritas no dizer: entre a argumentação e a análise do discurso
O artigo discute como analisar o pathos na materialidade linguístico-discursiva da Teoria Semiolinguística (TS), estabelecendo o diálogo entre a categoria patêmica do quadro charaudeano e a proposição de Plantin (2011) para a reconstrução das emoções a partir de índices diretos e indiretos. O material de análise é o artigo de opinião do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, intitulado “América Latina depois de Chávez”, de 6 de março de 2013, no jornal The New York Times. Refutamos a compreensão clássica da retórica que estabelece a dicotomia entre emoção e razão. As emoções são estados motivacionais que fazem a ponte entre a cognição e a ação, tendo existência social pelo plano discursivo, no qual emergem como “efeitos visados” em construções linguageiras. As provas de pathos não são as vividas pelos sujeitos, mas as expressadas por meio de efeitos visados de emoção, sem garantias sobre o efeito experienciado nos destinatários
A atividade metalinguageira como procedimento discursivo estruturante da narrativa em Allah n´est pas obligé de Ahmadou Kourouma
A recusa em admitir o princípio formalista do fechamento do sentido em Allah n’est pas obligé é a prova tangível da autoridade da atividade metalinguageira nessa narrativa. Para tanto, a análise propõe mostrar os procedimentos discursivos que participam da realização dessa atividade. A narrativa em discursos metalinguísticos é possível pelo sistema interrogativo, revelador do modo do “dizer” e pelo procedimento do discurso indireto que leva à reformulação do enunciado. O texto narrativo, fundado na fórmula da equação A=A’ deixa perceber igualmente a dimensão reflexiva da escritura romanesca com o dobrar-se da linguagem sobre si mesma para operar sua elucidação. Em paralelo a essa prática, efetua-se a operação de tradução visando à correspondência de significação. Essa forma de tradução, que não deixa de influenciar a narrativa, revela procedimentos de transformação percebidos através da reativação de um gênero e dos tipos de aumentação: a extensão e a expansão consideradas como procedimentos de amplificação textuais
A relação interdiscursiva do discurso capitalista no e pelo discurso de autoajuda
O presente artigo pretende identificar e analisar a relação interdiscursiva do discurso de capitalista que constitui o discurso de autoajuda em Você é insubstituível, de Augusto Cury. Tomamos por base teórica a noção de interdiscurso de Michel Pêcheux (2009) e o pensamento dialógico da linguagem do Círculo de Bakhtin (2006) para pensar discursivamente de que modo o discurso capitalista constitui o discurso de autoajuda no corpus em estudo. Em Você é insubstituível, observamos vários outros discursos que atravessam e constituem o discurso de autoajuda, como o discurso religioso, o científico e o capitalista. Neste estudo, em especial, analisaremos a relação interdiscursiva do discurso capitalista no e pelo discurso de autoajuda, considerando que a relação do discurso capitalista que emerge do corpuspesquisado é também interdiscursiva com os discursos religioso e científico, de modo que esses três são apropriados pelo enunciador da autoajuda para culpabilizar o sujeito pelo seu insucesso, revelando, no fio discursivo da autoajuda, a marca característica do discurso capitalista:o individualismo
A retórica na construção de comerciais publicitários
A publicidade é estratégica na atual sociedade de consumo. A retórica, cujo fim é persuadir e convencer, torna-se instrumento hábil em sua construção para consolidar o objetivo final que é o consumo do produto. O reforço dos lugares comuns, ao se estabelecer quais valores serão utilizados, está inserido no seio social, e é desse contexto que os elementos retóricos são retirados. O éthos, o páthos e o lógos são mecanismos para alcançar os objetivos perseguidos. Pode-se dizer que a retórica é elemento constitutivo de nossa sociedade e também das relações nela inseridas pelas relações entre essa tridimensão discursiva. A máquina retórica de Barthes (2001) permite resgatar a retórica antiga em nossa análise, acrescendo elementos que não foram considerados importantes pelo autor como: Actio e Memoria. Assim, utilizou-se a análise do discurso desenvolvida por Patrick Charaudeau (1983) para observar o comercial de O Boticário (2006) e, além da Semiolinguística, utilizou-se também a perspectiva retórica, principalmente sob o viés do páthos, com a patemização e a reflexão do éthos, o que possibilitou apontar os elementos que poderiam ou não convencer os consumidores a adquirir o produto sugerido.
O discurso construído por uma delegada de polícia no inquérito policial: análise de um caso concreto
Este trabalho analisa os argumentos retóricos construídos na formulação de um relatório final de inquérito policial. Vislumbrando os estudos da argumentação retórica, especialmente a denominada Nova Retórica de Perelman & Olbrechts-Tyteca, demonstra-se que o discurso jurídico, construído nessa peça, denominada de relatório final de inquérito policial, está balizado, sobretudo, em apelos da ordem do ethos, do pathos e do logos. Ao contrário do que diz o senso comum, a arte retórica se perfaz como estratégia recorrente e hábil para persuadir profissionais do Direito a respeito das teses expendidas. Nessa perspectiva, o relatório conclusivo de um inquérito policial, que aponta sinais, indícios de um crime, torna-se o lugar privilegiado da argumentação retórica, na medida em que o seu emissor constrói seus argumentos no campo da doxa e do verossímil
Conquistar o poder pela palavra: elementos de fabricação da retórica eleitoral
Este artigo apresenta as técnicas retóricas que devem ser consideradas em uma campanha eleitoral, a fim de atingir o maior efeito possível. Isso é obtido pelas equipes eleitorais em um contexto aberto e democrático, em que todos os candidatos gozam de liberdade de expressão e são regidos de acordo com as regras estabelecidos. O artigo explica, em primeiro lugar, as três funções básicas que cada campanha deve satisfazer para apresentar o seu candidato sob a melhor perspectiva possível. Em seguida, passa a uma cuidadosa explicação das técnicas retóricas responsáveis por estabelecer a “performance” do candidato. Finalmente, explica a estruturação básica de ideias para a construção de um discurso eleitoral eficaz. O objetivo geral consiste em assegurar aos eleitores a crença de que seu candidato verdadeiramente os representa e em conquistar os “indecisos”
A “Reforma dos Costumes” nas escolas das vilas de índios de Porto Seguro: das políticas indigenistas às políticas indígenas
Este texto analisa as experiências vividas pela população indígena da antiga Capitania de Porto Seguro na execução do programa civilizacional inscrito no Diretório dos índios de 1757. Destacando o papel das escolas na estruturação do projeto de colonização reformista elaborado pelo reinado de d. José I para o território do atual extremo sul da Bahia, a abordagem aqui realizada procura demonstrar o funcionamento destas instituições no interior das novas vilas de índios criadas entre os anos de 1763 e 1808. Além disso, busca também destacar os usos empregados por colonos, autoridades e índios na defesa de seus interesses específicos, resultando na própria limitação do alcance transformador da escola na formação de uma nova geração de índios submissos e leais ao soberano português.
A Amazônia em 1491
Em 1491, a região Amazônica estava densamente ocupada por diversos tipos de sociedades: cacicados expansionistas, pequenos cacicados, grupos de aldeias, aldeias de horticultores etc. Esse artigo revê trabalhos arqueológicos recentes na área e, com base nesses dados, reconstroi a história dos povos indígenas da Amazônia nos últimos dez mil anos