Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
Not a member yet
2117 research outputs found
Sort by
Como convencer? da comunicação argumentativa à manipulação
Desde que Claude Shannon inventou a teoria da informação e Norbert Wiener criou a cibernética como a “ciência da comunicação”, a comunicação é definida como uma instância de transmissão social de informação. A extensão desse conceito a todo o campo de relações entre os humanos forçou a criação de distinções entre diferentes tipos de comunicação. Aqui distinguimos três tipos que dependem do que se deseja: persuadir, informar ou compartilhar experiências subjetivas. O convencimento pode ser feito de diferentes formas. Algumas incluem o uso de alguma forma de violência, o que inclui a violência psicológica. Nesse caso, nós falamos de “manipulação”. No que concerne ao restante, convence-se especialmente pelo uso da “arte de argumentar”. O ato de convencer é dividido em dois por uma linha ética: de um lado, há a violência, do outro, há a gentileza, o respeito e a simetria dos pontos de vista
Emoção e falácias: a retórica de Adolf Hitler
A despeito das desordens da personalidade de Hitler, temos que reconhecer que ele foi um dos maiores oradores da história. Winston Churchill, talvez o mais notável de seus adversários, reconheceu que sua oratória era insuperável. Além de ter sido dotado de uma aptidão inata para a oratória, conhecia muito de retórica e soube dela se utilizar em sua propaganda política, buscando subsídios nos clássicos, principalmente em Cícero. Para Hitler, a persuasão deveria ser dirigida principalmente às emoções e muito pouco à razão, pois a grande maioria da população teria uma natureza feminina: seus pensamentos e ações seriam determinados mais pelos sentimentos do que pela lógica. Além da persuasão pelo pathos, ou se sobrepondo a ela, a estratégia retórica de Hitler era eivada de argumentação contenciosa, falaciosa. Não se pode negar que ele atingiu plenamente seus objetivos, a adesão incontestável de seu auditório. Neste trabalho, pretendo mostrar exemplos autênticos do uso dessas estratégias retóricas utilizadas por Adolf Hitler
Reflexões em torno do discurso escolar: uma análise sobre o trabalho com a leitura em sala de aula
Este artigo apresenta dados de uma pesquisa realizada no âmbito do programa de Mestrado em Estudos Linguísticos na UFMG. Buscaremos refletir sobre como se dá o trabalho de leitura e interpretação de textos em manuais didáticos de língua portuguesa, tendo como foco específico a análise das perguntas sobre os textos para leitura. A pesquisa tem como objetivo investigar por que os alunos brasileiros têm dificuldades em ler e interpretar textos. Como teoria de base, temos a Análise do Discurso de linha francesa acrescida da contribuição de autores como Authier-Revuz e Oswald Ducrot, que enriqueceram o estudo
O logos como razoabilidade argumentativa: contribuições da Nova Retórica para a Análise do Discurso
O presente artigo visa ressaltar, de modo sucinto, como as tipologias argumentativas de Perelman & Olbrechts-Tyteca (2002), tais como a incompatibilidade, o modelo, a associação e a dissociação (etc.), podem funcionar como uma etapa interessante para a análise de discursos, a saber, para a apreensão do logos argumentativo em sua acepção de “demonstração verdadeira ou aparente”. Num primeiro momento, a partir dos autores citados, da retórica aristotélica e de teóricos da Análise do Discurso, buscamos conceber a argumentação como uma atividade que ultrapassa os pressupostos da Lógica Formal, no intuito de instituir o logos como uma razoabilidade fundada pela materialidade textual e, além disso, como um artifício retórico apreensível pelas citadas tipologias. Num segundo momento, buscamos ilustrar a pertinência de tudo isso com a análise rápida de dois editoriais que circularam na cidade de Mariana-MG. Tais editoriais possuem um caráter político e uma dinâmica elucidativa na construção/desconstrução de raciocínios retóricos
Apreensão de sentidos na legislação de criação dos institutos federais
Este trabalho tem como objetivo analisar os sentidos que constituem discursivamente a criação dos Institutos Federais presentes na redação da Lei 11.892/2008 e do seu texto complementar. O aporte teórico e instrumental de análise dos dados advém da análise retórica, pelo viés da Teoria da Argumentação, como proposto por Perelman & Olbrechts-Tyteca (2005) no movimento conhecido como Nova Retórica. A metodologia utilizada, de caráter descritivo e interpretativo, constitui em coleta de documentos para obtenção dos dados principais; em seguida, a identificação de esquemas que sejam representativos dos discursos e então, parte-se para a interpretação e análise desses esquemas, observando os significados que as argumentações fazem emergir e as figuras de linguagem do corpus discursivo. Os resultados apontam, entre outros aspectos, um discurso voltado para a constituição de uma “nova” institucionalidade capaz de uma “renovação” no ensino profissional brasileiro que teria como efeito a concretização de uma “qualidade social”
A retórica escravista: as emoções no discurso das cartas de Alencar a favor da escravidão
O presente artigo apresenta algumas reflexões acerca da retórica escravista, em específico, as cartas enviadas por José de Alencar ao Imperador D. Pedro II, sob o título de Cartas de Erasmo de Roterdã, nas quais o escritor defende a manutenção da escravidão no Brasil. As referidas cartas foram publicadas pela editora Hedra, em livro organizado pelo jornalista Tamis Parron, no ano de 2008. Para analisar os procedimentos e estratégias retóricas utilizados na construção discursiva das cartas, serão consideradas as emoções no processo argumentativo, como colocadas por Barthes (2001), além dos conceitos sobre ethos e pathos propostos por Dominique Maingueneau (2008)
A imagem do sujeito enamorado na ótica da Análise do Discurso e da Psicanálise: um estudo de caso
O presente artigo, escrito a quatro mãos, seguirá dois objetivos: o primeiro será o de mostrar como é vista a noção de “sujeito enamorado” pela Psicanálise e pela Análise do Discurso Semiolinguística. O segundo será o de trabalhar tais conceitos de modo prático, ou seja, pela localização e abordagem do supracitado sujeito em um poema, ou mais precisamente, na letra de uma canção brasileira. Iremos assim reunir duas teorias distintas, mas que podem se revelar complementares (teorias psicanalíticas e conceitos de uma análise comunicacional do discurso), em busca das estratégias discursivas que são mobilizadas pelo sujeito supracitado em seus desdobramentos
O éthos em Antígona, de Sófocles
Esta pesquisa propõe uma discussão teórica sobre a noção de éthos, a partir da qual se pretende analisar a obra Antígona, de Sófocles. Apresentamos, para tal, as abordagens de Aristóteles (2013), Amossy (2005), Maingueneau (2011, 2010, 2008, 2005) e Machado (2001). A partir dessa atualização teórica, que mobiliza uma noção central da retórica aristotélica, pretendemos demonstrar a construção do éthos feminino na tragédia sofocleana. Nosso propósito é trabalhar com um texto de estatuto ficcional que faz uma espécie de crítica social da época. Trabalharemos, neste estudo, com a hipótese de que um dos possíveis éthos da personagem Antígona origina-se na recusa da injustiça
Estigmatização e rotulação no contexto escolar: a construção social da violência
Estigmatização e rotulação no contexto escolar: a construção social da violência O presente artigo é fruto de uma investigação desenvolvida numa instituição escolar estadual localizada no município de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais, e tem como objetivo discutir o tema da violência na escola, bem como o processo de rotulação e estigmatização do corpo discente tendo como base as percepções e proposições dos diversos atores da comunidade educacional, como professores, corpo técnico-pedagógico e funcionários. Iluminados pelo Interacionismo Simbólico procuramos evidenciar a maneira pela qual os variados grupos significam e resignificam os contextos, os indivíduos e as interações sociais. Observamos que a escola, enquanto espaço de convivência, é palco de expressões violentas, definidas diferentemente por indivíduos distintos, além de ser um ambiente de desencontros significativos entre os grupos que se manifestam em confrontos, estigmatizações e rotulações. Dessa maneira, a instituição escolar foi analisada, considerando toda sua pluralidade, manifesta em questões emergentes do próprio contexto
A educação das crianças pequenas na zona rural: problemas evidenciados e possibilidades
Este artigo problematiza aspectos da Educação Infantil oferecida às crianças menores de seis anos de idade, tendo como base a realidade de escolas localizadas em assentamentos rurais do estado de Mato Grosso do Sul. Reflete acerca de aspectos que interferem na qualidade da educação existente, gerados pelas condições das instituições e pelas ações pedagógicas por elas veiculadas. Os resultados evidenciam a problemática, as possibilidades e revelam a parca existência de políticas de atendimento à criança pequena nos espaços rurais