Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
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    O imaginário da Grécia clássica no Dialogo della musica antica e della moderna de Vincenzo Galilei

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    O projeto renascentista de recuperar o poder mágico da música por meio da recriação da tragédia clássica da Antiguidade encontrou um solo propício no Norte da Itália. Teóricos da música e filósofos, reunidos em torno de numerosas Accademias, alteraram o curso da história da arte, ao conceder à Ars rethorica a primazia nas composições cantadas, que, assim, passaram a ter como meta precípua o “mover dos afetos”, como teria descrito Aristóteles na sua Poética. A partir de traduções nem sempre muito fiéis de originais clássicos, as regras daí deduzidas conduziram, por caminhos tortuosos mas cheios de criatividade, não à almejada recuperação da tragédia grega, mas à criação de um novo gênero dramático: a ópera

    Memória, patologia e terapia: em torno de Paul Ricouer e Freud

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    Este artigo pretende apresentar, nas suas linhas mais gerais, o lugar de Freud no livro de Ricouer, La mémoire, l’histoire, l’oubli, ou seja, de que maneira Ricouer procurar legitimar a utilização de categorias freudianas para a compreensão de fenômenos sociais e coletivos, que dizem respeito à memória. Assim, trata-se de mostrar que as “patologias da memória” apontadas por Freud também podem ser econhecidas e legitimadas no plano coletivo, uma vez que também em relação a este podemos falar de memória traumática, memória ferida, de cicatrização e cura. Para isso, Ricouer analisa dois textos de Freud: “Lembrar, repetir, elaborar” e “Luto e melancolia”

    Além do medo: a construção de imagens sobre a revolução haitiana no Brasil escravista (1791 – 1840)

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    Este artigo tem por propósito estabelecer uma discussão sobre as imagens e as representações da revolução haitiana, no período de 1791 a 1840, entre letrados brasileiros e viajantes que passaram por aqui. Pretende mostrar como tais indivíduos construíram um imaginário sobre o perigo a que estava submetido o sistema escravista colonial brasileiro e, mais particularmente, as lições aprendidas com a revolução ocorrida em São Domingos

    Trilhas e atalhos na trajetória do afro: transfi gurações da negritude no carnaval de Salvador

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    Costuma-se tomar o advento dos blocos afro, nos anos 70, como o marco inicial de uma atuação negra refl exiva/moderna no Carnaval de Salvador. Esta forma de organização carnavalesca é a realização mais emblemática do afro como vetor cultural contemporâneo, em que a Negritude é transfi gurada em torno do apelo de brilho, força e beleza. A entrada da produção musical afro no circuito pop vai acarretar modifi cações na cadeia de criação artística. O artigo pretende contribuir para a refl exão sobre esta dinâmica complexa, problematizando a relação entre o afro como vetor cultural e as diversas agências organizacionais e midiáticas que de alguma forma regulam o seu aparecimento em cena. A conclusão aponta para uma desvinculação progressiva entre a enunciação do afro e a centralidade do bloco afro neste processo, já que a veiculação dos artistas emergentes dos ambientes dos blocos afro, hoje, cabe às estrelas da axé music

    Literatura e transgressão: Sade, Masoch e Bataille

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    Este artigo tem o intuito de relacionar Literatura e Transgressão, analisando três dos escritores considerados “libertinos”: Sade, Masoch e Bataille. Os romances de Sade são romances eróticos, escritos para saciar sua excitação sexual furiosa e comunicá-la eventualmente a outro. Sade nos apresenta seus heróis a título de exemplo, mais é preciso notar que ele os qualifica sempre de celerados, patifes, monstros. As sinistras orgias de Sade são pesadelos, por isso o imaginável pode ser admirado, por causa de sua intensidade de expressão, enquanto o realizável correspondente seria reprovado. Entretanto, a tendência a tratar das sevícias sexuais, pretendendo que tanto os pacientes quanto os agentes sentissem uma satisfação especial nelas, tomou um sentido inteiramente novo com Leopold de Sacher Masoch, um homem enigmático que só conseguia realizar o ato sexual com a condição de ser açoitado e humilhado pela mulher que ele desejava. Bataille é o autor que apresenta um sentido negro do erótico, de seus perigos de fascinação e humilhação. Em sua obra, História do Olho, ocorre um violento processo de despersonalização, os traços que distinguem o rosto apagam-se restando apenas os órgãos entregues à convulsão interna da carne, operando num corpo que prescinde da mediação do espírito. Nesta obra, o tema da pornografia não é o sexo, mas sim a morte

    Os interstícios da memória nos fragmentos da linguagem em Lídia Jorge e Cardoso Pires

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    Este artigo pretende apontar como em A costa dos murmúrios e em De profundis, valsa lenta a memória surge como elemento problematizador do discurso, fazendo o romance repensar sua forma, nublando intencionalmente as fronteiras entre ficção e realidade. O esfacelamento do sujeito (em José Cardoso Pires) e do território (em Lídia Jorge) acarretam, cada um a seu modo, um estremecimento da linguagem que torna a tentativa de se atingir um discurso fatalmente gaguejante em ambos. É a partir da fragilidade fragmentária da memória que as duas narrativas são impelidas a descobrir uma nova forma de, elas próprias, escreverem-se

    A voz bakhtiniana em “A Igreja do Diabo”, “Último capítulo” e “A segunda vida”

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    Este artigo tem como objetivo analisar os con-tos ‚A Igreja do Diabo‛, ‚Último capítulo‛ e ‚A segun-da vida‛, de Machado de Assis, numa perspectiva bakhti-niana. Pretende-se, através deste corpus, apresentar os conceitos ‚dialogismo‛e‚alteridade‛ e sua articulação na prosa machadiana, percebendo as formações discur-sivo-ideológicas em que eles estão inscritos. Desta for-ma, constatando que todo sentido está vinculado ao con-texto histórico e social, e que este sentido se ressignifica de acordo com as várias possibilidades de construção do discurso produzido por seus sujeitos, através do proces-so dialógicoem que eles estão envolvidos, intercalados e amparados pela interdiscursividade. Averiguou-se como resultado desta pesquisa que o discurso se reproduz a partir de outro discurso e que o texto (ou o discurso) é for-mado por diversas vozes que nele se cruzam, num cons-tante ‚assujeitamento‛ interdisciplinar, necess{rio | pro-dução do conhecimento. Nesse sentido, os personagens dos contos dialogam em torno desse sistema discursivo e são conduzidos através de um discurso que predomina na sociedade, impulsionada histórica e ideologicamente, seduzida por uma força produtiva de sentidos e interme-diada pelo poder da alteridade, na qual se apoia todo o conhecimento. Enfim, o sujeito é interpelado em seu dis-curso, pelo outro e o outro, nesse sentido, é quem comple-ta e complementa o próprio discurso

    Diálogos e recriações na arquitetura narrativa literária e cinematográfica de Cidade de Deus

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    Partindo do pressuposto que a relação da litera-tura e outras artes tem se tornado um campo de intensos estudos, este trabalho analisa alguns aspectos relevantes que se estabelecem no encontro intersemiótico entre lite-ratura e cinema, tendo em vista que, apesar da relação que as obras mantêm, dos possíveis diálogos que se cons-tituem, ambas possuem suas particularidades, pois livro e filme são obras distintas. O corpus deste artigo discor-re sobre as narrativas literária e fílmica de Cidade de Deus, buscando estabelecer pontos de convergência e divergên-cia. A análise pretende demonstrar que o cenário contem-porâneo está cada vez mais fundido no campo das artes e que tanto o espaço fílmico quanto o romanesco são sus-cetíveis ao leitor/espectador para expandir o seu universo imaginário por meio de suas representações

    Uma abelha na chuva: interdições da história, interdições do querer

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    Desenvolve-se uma análise sobre o romanceUma abelha na chuva (1953), de Carlos de Oliveira,visando-se a desvelar as relações entre história e fi cçãoque, nessa relevante narrativa do Neorrealismo literárioportuguês, tornam-se visíveis por meio dos desencontrosafetivos e desejos cerceados das personagens, a exemploda trajetória de Maria dos Prazeres

    O gênero discursivo como prática no ensino-aprendizagem de língua portuguesa

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    As constantes discussões levantadas sobre o tradicional ensino de Língua Portuguesa arraigado em um método normativista que não contempla as diversidades linguísticas, sociais e históricas que compõem a esfera escolar do ensino de língua materna, são fundamentais para construir uma prática de ensino-aprendizagem que tenha como pilar justamente o aspecto sociointeracionista do ensino. O presente trabalho traz reflexões que corroboram com essas discussões e ainda apresenta a prática do ensino com Gêneros Discursivos como aliado na busca pela educação inclusiva e verdadeiramente formadora de sujeitos dotados de competências e capacidades de se apropriarem da língua como hábeis participantes em interação com o mundo

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